Brasilplast 2011 – Aditivos – Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes

Os novos desenvolvimentos apresentados pelos expositores de aditivos nesta 13ª edição da Brasilplast, realizada de 9 a 13 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, surgiram como uma resposta às exigências atuais do setor nos quesitos prática sustentável e segurança alimentar. Em busca de moléculas mais eficientes, os fabricantes se aprimoraram e também se mostraram preparados para prover essa indústria com fórmulas inovadoras e condizentes com os avanços tecnológicos dos polímeros e das máquinas de transformação.

Fôlego para absorver os lançamentos não faltou. Depois de um período de crise, no qual falhas no abastecimento de algumas matérias-primas comprometeram os investimentos, os negócios foram retomados, abrindo o caminho para as companhias participarem em grande estilo desta que é a terceira maior exposição do mercado mundial do plástico. Tendências anunciadas no passado ganharam força. Os expositores confirmaram a intenção de exibir tecnologias diferenciadas capazes de assegurar a redução dos custos durante o processamento da resina e o uso de menores concentrações do produto.

Plástico Moderno, Paolo Prada, Gerente regional da unidade de aditivos e pigmentos para plásticos da Basf, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
Prada: os filmes agrícolas se tornam mais resistentes à ação do enxofre com a aditivação do Tinuvin XT 200

Tendências na prática – Na edição da Brasilplast de 2009, algumas incertezas rondavam a Basf, pois a companhia estava às voltas com a aquisição da gigante em aditivos Ciba. Hoje o cenário é outro. Além do bom momento vivido pelo setor, o que se viu foram as condições favoráveis da fabricante para confirmar seu compromisso com a inovação, sobretudo porque neste ano a empresa completa cem anos de atividades no Brasil. Desde o lançamento, na década de 70, do Tinuvin 70, estabilizante à luz do tipo Hals (sigla para Hindered Amine Light Stabilizers), o portfólio deste tipo de aditivo só aumenta.

A mais nova prova de que os esforços têm valido à pena estava à mostra no estande sob a marca Tinuvin XT 200. Foram seis anos de desenvolvimento para garantir como diferencial do produto a estabilização durante um longo período, mesmo na presença de altas concentrações de defensivos agrícolas. Conforme explicou Paolo Prada, gerente regional da unidade de aditivos e pigmentos para plásticos da Basf na América do Sul, a fórmula tem uma menor interação com os produtos químicos utilizados nos filmes agrícolas, sobretudo o enxofre. Em tempo, esse ácido desativa a estabilização à luz tradicional.

Apresentado na edição da K, realizada na Alemanha, em 2010, o Tinuvin XT 200 é um complemento do portfólio destinado ao mercado agrícola. Há ainda o Tinuvin NOR 371, de alto desempenho; o Tinuvin 494 AR, o Tinuvin 111, e a linha Chimassorb (2020 e 944). Os números alusivos ao mercado da plasticultura justificam a diversidade de produtos. Segundo o executivo, na América do Sul, esse setor cresce entre 8% e 10% por ano. Em âmbito global, essa taxa é um pouco menor: de 4%. Mas, de qualquer forma, os volumes impressionam; em 2009, a indústria mundial de filmes plásticos para estufas produziu cerca de 900 mil toneladas.

Plástico Moderno, Paulo Ghidetti, Coordenador técnico da unidade de aditivos da Clariant, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
Ghidetti: Hostavin N30 atende às exigências da plasticultura

A oferta de um novo estabilizante capaz de otimizar os processos também figurava como novidade. O Irgastab RM 68 foi mostrado justamente com o apelo de favorecer a redução da temperatura do forno, durante a rotomoldagem, aumentando a flexibilidade das condições de processamento. “Com ele, o ciclo é mais curto e, por consequência, o consumo de energia elétrica é menor”, comentou Prada. Para ilustrar a tendência de reduzir a aditivação, ele mencionou o Irgaclear XT 386. Esse clarificante era oferecido ali com a promessa de ser usado em uma concentração mais de dez vezes menor do que a dos sorbitóis. Além disso, com esta fórmula se obtém um produto praticamente sem odor e nenhuma coloração.

O aquecimento da demanda do mercado de plasticultura também justificava um dos destaques da suíça Clariant: os aditivos poliméricos Hostavin N30, para estabilização à luz. Segundo Paulo Ghidetti, coordenador técnico da unidade de aditivos da Clariant, um dos principais diferenciais desse produto também se refere à propriedade que o torna resistente a ataques químicos dos pesticidas. A visibilidade da feira também serviu para a divulgação do Nylostab S-EED, aditivo multifuncional orgânico e aromático, à base de amina. O desenvolvimento se inclui na classe dos Hals, atuando como antioxidante e estabilizante à luz, para ser aplicado em poliamidas.

Plástico Moderno, Antonio Carlos Ferracioli, Gerente de vendas da unidade de aditivos da Clariant, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
Ferracioli: novas ceras contribuem com meio ambiente / Novo sistema pode substituir o látex sob a grama sintética

A companhia endossou o coro do discurso “ambientalmente correto”, ao expor as ceras Licocene, indicadas para aplicações em back coating, de gramas sintéticas e carpetes. “Com o nosso sistema, é possível reciclar o produto, pois ele substitui o látex, que não permite a reciclagem”, apontou Antonio Carlos Ferracioli, gerente de vendas da unidade de aditivos da Clariant. Outras possibilidades de uso se dão em tecidos para colchões, hot melt e compostos de madeira e plásticos (WPC). A expertise da companhia no ramo vem de anos. A Clariant oficializou a produção em escala industrial de ceras metalocênicas em 2004, na Alemanha, para utilização na dispersão de pigmentos orgânicos e inorgânicos, destinados ao campo das poliolefinas (PE e PP).

O mesmo apelo serviu para divulgar a linha Exolit OP, de retardantes à chama, destinada a aplicações em plásticos de engenharia. Com o foco na segurança, Ghidetti enfatizou os benefícios de suas fórmulas não halogenadas. Base fósforo, o aditivo não produz fumaça tóxica e, no descarte, não contamina o solo com metais pesados. O Exolit, segundo ele, é ideal para a indústria de eletroeletrônicos; e por este ser um mercado de grandes volumes na Ásia, era o foco ali na Brasilplast.

Na mesma trilha, a norte-americana Chemtura lançou o Emerald 3000, um retardante de chamas polimérico brominado. De alto peso molecular, o aditivo foi desenvolvido como um substituto ao hexabromociclododecano (HBCD) para produtos de espuma de poliestireno expandido (EPS) e poliestireno extrudado (XPS). Segundo o fabricante, em testes feitos em escala industrial no XPS, o Emerald 3000 foi aprovado nos quesitos inflamabilidade EM ISSO 1195-2 e DIN 4102 B2, da Alemanha. Na espuma de PS, mostrou desempenho contra incêndio comparável ao que ocorre na espuma com o HBCD, com níveis de bromo equivalentes.

Plástico Moderno, Camila Pecerini, Gerente de vendas da Evonik, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
Camila aposta em novo aditivo para o TPU

A empresa também divulgou o Emerald 1000, aditivo à base de bromo designado para ser usado no lugar do decabromodifenil éter e o decabromodifenil etano, entre outros, além do também retardante à chama Emerald NH-1, isento de halogênio para espumas flexíveis de PU.

A estrela no estande da Evonik Industries AG, antiga Degussa, na área de aditivos, era a linha Aerobatch. Novidade na feira alemã K, o produto por aqui tinha um foco específico: atender o transformador de poliuretano termoplástico (TPU). Por isso, os holofotes se voltaram para o Aerobatch U, um aditivo granulado formulado para melhorar o desempenho na intensidade da fusão e a velocidade de cristalização. A ideia é ampliar a abertura da janela de processamento e facilitar a calibração de produtos TPU, sejam extrudados ou soprados. “É possível também manter a espessura do filme fina, sem modificar a sua propriedade mecânica”, ilustrou a gerente de vendas da Evonik, Camila Pecerini. Essa característica se obtém porque o aditivo previne o congelamento seco, melhora o controle da tixotropia e diminui a viscosidade.

O TPU representa um mercado novo para a Evonik, até por esse motivo, as expectativas para a demanda do Aerobatch U são conservadoras. Segundo Camila, no Brasil, a companhia prevê que as vendas se limitem, num primeiro momento, à indústria de extrusão.

Participar da Brasilplast sempre embute a ideia de se mostrar no melhor estilo. Por isso, o estande da companhia também se destinava à divulgação do portfólio completo que inclui outros aditivos, polímeros de alto desempenho, acrílicos e pigmentos. Camila destacou as sílicas precipitadas Sipernat 310. “O produto oferece boa relação entre o coeficiente de atrito e a transparência”, comentou. O Sipernat atua como agente antibloqueio em filmes de PVC. As linhas Tegomer e Tegopren também mereceram atenção. Esses aditivos foram apresentados com a proposta de melhorar as propriedades mecânicas e as características de superfície.

Plástico Moderno, Cássio Martins, Gerente de vendas de aditivos para polímeros da Cytec, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
Martins anuncia investimento em aumento de capacidade produtiva

Mercados específicos – A norte-americana Cytec manteve seu posicionamento já anunciado na edição passada da feira de se voltar para mercados especiais. “Queremos ser provedores de soluções”, reforçou Cássio Martins, gerente de vendas de aditivos para polímeros da Cytec. Por isso, a plataforma de negócios da companhia se configura com base na ideia de oferecer produtos específicos para determinadas aplicações. Ou seja, a fabricante busca formulações prontas para o uso imediato.

Apesar de não se tratar de um lançamento, a bola da vez na exposição era a linha Cyasorb Cynergy Solutions, exibida sob a chancela de ser um produto multifuncional, capaz de reunir as ações de antioxidante, estabilizante à luz e absorvedor UV. Os produtos se destinam para aplicações dos mercados de rotomoldagem, automotivo, filmes agrícolas, tubos de PE e, recentemente, para o de tintas. Mas a proposta de oferecer um pacote e não um simples aditivo vai além: habilita o transformador a usá-lo sem recorrer ao fabricante de masterbatch. “O usuário final pode desenvolver sua própria tecnologia de estabilização”, disse Martins. Outra vantagem, segundo ele, se refere à possibilidade de o aditivo aumentar a chance de sucesso na dispersão.

Projetos de expansão também estão na berlinda. A companhia possui plantas nos Estados Unidos e na Europa, e ainda neste primeiro semestre terá uma unidade fabril também na Ásia. Segundo previsões da empresa, com a conclusão do processo de ampliação, a sua capacidade produtiva aumentará em 35%. Além do incremento no fornecimento global, Martins diagnosticou o ganho de agilidade. Hoje os produtos são entregues no Brasil em 60 dias, a intenção é reduzir esse tempo à metade. “No futuro, além do laboratório de pesquisa e desenvolvimento que temos nos Estados Unidos, vamos implantar outro no Oriente”, revelou. Esse interesse confirma o que os fabricantes já sabem há algum tempo: a Ásia hoje é o principal mercado de estabilizantes à luz.

Um dos gargalos para o crescimento do mercado de aditivos foi a falha no abastecimento sentida num passado recente. Até por este motivo, conforme apontou o gerente, 2011 será um ano de recuperação financeira. De forma geral, em 2008 a indústria de aditivos sofreu retração. No final do ano seguinte, os investimentos voltaram à tona, e com esse boom da demanda, faltou produto. “Hoje a indústria está se ajustando aos novos tempos”, afirmou Martins.

Também sem lançamentos no estande, mas para comprovar a magnitude do mercado asiático, a Nexo International, empresa brasileira responsável pela distribuição e representação da coreana Songwon Industrial, estava ali na Brasilplast revelando-se como o maior distribuidor de aditivos para os polímeros produzidos no Brasil. “Fornecemos 100% do que a Braskem consome no país em antioxidantes e agentes deslizantes”, orgulhou-se Francisco Neves da Rocha, diretor da representante.

Plástico Moderno, Francisco Neves da Rocha, Diretor da Braskem, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
Rocha confirma os produtos de origem vegetal como tendência

Isso porque a empresa conta com grandes fabricantes na retaguarda. No portfólio de aditivos da Nexo as principais linhas são de antioxidantes, protetores à luz e deslizantes. “Com esses três produtos, estamos falando de volumes superiores a 5 mil toneladas por ano”, comentou Rocha. Fabricante de aditivos desde 1965, a Songwon Industrial se tornou uma das líderes globais em seu segmento. “A empresa é verticalizada. Nós conseguimos ser bastante competitivos porque produzimos nossa matéria-prima”, explicou Rocha.

Não por acaso, a fabricante avança no ritmo da aquecida demanda do Oriente Médio. Por isso, expandiu a capacidade produtiva de antioxidante fenólico e anunciou a compra da empresa indiana High Polymers, produtora de antioxidantes e estabilizantes à luz. O incremento foi da ordem de 10 mil toneladas de antioxidantes.

A Fine Organics também fortalece os alicerces da Nexo entre os fornecedores de aditivos. Especializada em produtos derivados de óleos vegetais nas categorias deslizantes, desmoldantes, lubrificantes e antiestáticos, essa empresa indiana é considerada a segunda maior produtora global de agentes deslizantes. Aqui no Brasil sua visibilidade só tende a crescer. Rocha aposta alto nos aditivos de origem vegetal, como uma tendência confirmada. “Vejo que é um caminho sem volta, pois as políticas sanitárias estão cada vez mais fortes, estamos falando de segurança alimentar, e esse é um tema cada dia mais importante”, enfatizou.

Economia – Ao falar de uma das novidades da fabricante de especialidades químicas Croda, o IncroMax 100, um agente deslizante para PET, o gerente de vendas da área de polímeros da Croda, Juan Yacianci, também apontou os ganhos promovidos à sociedade. Segundo ele, o produto economiza energia durante o processamento da resina e reduz a fricção de superfície em até 60%. Outra maneira de contribuir, para ele, se dá com uma linha de aditivos para biopolímeros, sobretudo PLA. Aliás, a empresa está ampliando a capacidade produtiva do portfólio “verde”. “Hoje o mercado está desenvolvendo muitos produtos para tornar os plásticos verdes economicamente viáveis”, comentou.

Plástico Moderno, Claudia Kaari Sevo, gerente de desenvolvimento de mercado de aditivos para plásticos da Milliken, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
Claudia: clarificante garante economia de energia

Mas o lançamento da unidade de negócios de polímeros da Croda se referia à nova geração de absorvedor UV. Trata-se do Solasorb UV, uma tecnologia patenteada de óxidos metálicos ultrafinos. O desenvolvimento se propõe a garantir dispersão estável e otimizada, a fim de reduzir a reaglomeração do aditivo, e apresentar baixos níveis de migração. “É uma tecnologia já utilizada por nós em cosméticos”, comentou Yacianci. A linha, segundo testes divulgados pelo fabricante, oferece absorção UV consistente em uma ampla faixa de comprimentos de onda, comparado a aditivos orgânicos, como benzofenonas e benzotriazoles. O produto é indicado para aplicações com ou sem contato com alimentos.

A multinacional inglesa Croda, bastante conhecida no mercado de cosméticos, se solidificou no setor dos plásticos após a aquisição da Uniquema, em 2006. Segundo o gerente de vendas Marcos Roberto Cassoli, o negócio permitiu à empresa a penetração no segmento de especialidades. A linha Crodamide, de deslizantes e agentes antiblock, é o carro-chefe da unidade de polímeros, em termos de volume, segundo Cassoli.

Durante os cinco dias de exposição, a Milliken Chemical, divisão especializada em aditivos para plásticos da multinacional de produtos químicos e têxteis Milliken & Company, explorou a economia de energia e o aumento de produtividade conferidos pelo Millad NX 8000. O produto não é novo, no entanto, uma outra faceta sua foi revelada, além dos atributos estéticos designados às peças, promovidos no passado à exaustão. “Sempre focamos a transparência, hoje, com a nova geração, percebemos que o aditivo também pode oferecer ganhos operacionais”, explicou Claudia Kaari Sevo, gerente de desenvolvimento de mercado de aditivos para plásticos da Milliken.Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes

Segundo a fabricante, o produto assegura a redução da temperatura do processo, mantendo as propriedades da peça inalteradas, e também eleva a sua produtividade em até 20%. De acordo com Claudia, para obter a transparência, as temperaturas do processo em geral devem ir de 230ºC a 240ºC, e o Millad NX8000 permite variação de 190ºC a 200ºC. Na prática, testes indicaram que o uso de resinas aditivadas em um pote para alimentos de 200 gramas, com molde de duas cavidades, rodando em uma injetora hidráulica, diminuiu o tempo de ciclo de 30,8 segundos para 27,7 segundos. Outro exemplo divulgado pela companhia durante a Brasilplast dá conta de uma caixa plástica de 410 gramas. A transformação se deu em uma injetora híbrida, com o ciclo passando de 14,5 segundos para 12 segundos.

Os benefícios no processo também eram o mote da família de agentes hipernucleantes Hyperform apresentada no estande da Milliken. Indicados para o uso em PE e PP, em processos de injeção, termoformagem, sopro e extrusão, os aditivos foram expostos em quatro versões: HPN-68L, HPN-20E, HPN-600 e HPN-803. Claudia ressaltou a estabilidade do processo, a promoção de mais rapidez do ciclo e as melhorias na qualidade da peça. No caso específico da injeção de uma cadeira de quatro quilos, a linha reduz, segundo estudos da companhia, o tempo do ciclo em 16% e o do resfriamento em 42%. Nos filmes de PP, o agente hipernucleante demonstrou a capacidade de elevar a barreira à umidade e a resistência ao rasgo.

Apelo sustentável – Dentro da unidade de negócio Functional Chemicals (FCC) da Lanxess, as novidades ficaram por conta dos plastificantes e da linha de corantes Macrolex, produzida com matérias-primas de fonte renovável. De alguma maneira, é fácil entender o porquê. As duas áreas trazem no DNA um forte apelo de salubridade, pois possuem aprovação para uso em produtos destinados a contato alimentício.

Plástico Moderno, Roberta Maturana, Gerente regional da Lanxess, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
Roberta: plastificante conta com aprovação de órgãos regulatórios

Os plastificantes em questão são todos isentos de ftalato, entre os quais o Unimoll mereceu destaque durante a exposição. O aditivo pode ser incorporado a filmes estiráveis de PVC e brinquedos. “O produto é considerado 100% seguro pelos órgãos regulatórios”, afirmou Roberta Maturana, gerente regional da Lanxess da área Functional Chemicals.

Trata-se de uma molécula nova, cuja composição conta com glicerol e ácidos graxos. Segundo a gerente, as propriedades estão muito próximas às do dioctil adipato (DOA). Um ponto ainda discutível se refere ao preço. Por falta de escala, a competitividade deste tipo de aditivo fica comprometida. Mas esse enredo está prestes a mudar. A Lanxess anunciou no ano passado a expansão da capacidade produtiva de sua fábrica na Alemanha do Mesamoll, um dos mais tradicionais plastificantes isentos de ftalato da marca. O incremento, da ordem de 40 mil toneladas, deve ser concluído até o meio de 2011. Além disso, nos próximos dois anos, a produção do Unimoll também aumentará.

O destaque dos corantes, a família Macrolex, atende à coloração de plásticos de engenharia, policarbonato e acrílico. Entre as suas indicações figuram o uso em garrafas PET e em bandejas de PS expandido. “É uma linha base solvente, que mantém a transparência do produto final, mesmo com a coloração”, explicou Roberta. O aditivo conta com uma ampla cartela de cores e possui alto poder de tingimento, além de ser ideal para agir em elevadas temperaturas, pois não perde as propriedades de resistência e cor.

Com fabricação controlada em termos de processo e matérias-primas, a companhia se propõe a conseguir quase a total eliminação de resíduos insolúveis nos corantes, tornando seu uso recomendado em fibras de poliéster. Esse corante também é produzido na forma microgranulada, a fim de promover melhorias no fluxo de dosagem e na eliminação da poeira.

Produtoras locais também apostaram em fórmulas livres de ftalato. A fabricante SGS Polímeros, do Rio Grande do Sul, destacava o Olvex 51, uma nova geração de sua linha de plastificante primário produzido com matérias-primas renováveis. A incursão da empresa no segmento se deu há alguns anos, com o Olvex 05, no entanto, o produto era ofertado para aplicações em borracha. No ano passado, conseguiu lançar o Olvex 50, esse sim para o PVC, e considerado hoje o carro-chefe da marca. “Não queremos ser iguais aos aditivos base ftalato, e sim uma alternativa viável”, explicou o diretor da SGS, Nei Eduardo Schneider. O comentário se deu em alusão a possíveis comparações entre o desempenho dos plastificantes. Segundo ele, o produto apresenta ótima estabilidade térmica, e resistência à extração por agentes de limpeza; o único fator desfavorável seria seu preço: ainda pouco convidativo, se comparado ao do tipo diisononil ftalato (DOP).

No entanto, para Schneider, o foco não deve ser esse; seus esforços ali eram para atestar a segurança do produto. Por isso, ele divulgava laudos e mais laudos para comprovar a biodegradabilidade e a baixa toxidez da sua fórmula. Um deles, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), relatava que o aditivo atende, por exemplo, ao limite especificado no regulamento técnico sobre disposições gerais para embalagens e equipamentos plásticos em contato com alimentos (na Resolução 105/99).

Harry Heise, diretor da Forscher, empresa representante da suíça Jungbunzlauer no Brasil, por sua vez, já fazia questão de reforçar as vantagens técnicas dos plastificantes isentos de ftalato. Por isso, ao visitante de seu estande, ele insistia em mostrar as principais propriedades de seu lançamento, o Citrofol. “Em relação a outros plastificantes, por exemplo, com uma concentração 15% menor do Citrofol, consegue-se a mesma dureza obtida com um DOP”, comentou. A sua viscosidade também é baixa, o que possibilita produções em maior velocidade ou a redução da temperatura da máquina, ou seja, neste último caso, economia de energia. Heise apontava ainda a boa afinidade do aditivo com o PVC.

O Citrofol é da família de ésteres de citrato, da Jungbunzlauer, e destina-se a aplicações diversas, como materiais para contato com alimento, brinquedos, produtos cosméticos e farmacêuticos, entre outros.

Mais uma alternativa – Em meio à polêmica que permeia o mercado de sacolas plásticas, muitos expositores aproveitaram para evidenciar as vantagens dos aditivos oxibiodegradáveis. Um dos casos foi o da importadora Skintech, responsável pelas vendas dos aditivos da norte-americana Willow Ridge Plastics no Brasil, há seis anos.

A empresa fazia questão de atestar a segurança do produto, demonstrando a expertise da fabricante. Além de atender a todas as normas alusivas a esse mercado, a Willow possui alguns diferenciais, como um laboratório onde são realizados estudos de degradação termal acelerada à degradação acelerada por UV e análises das propriedades físicas e mecânicas de qualquer manufaturado. Segundo o fabricante, a análise de biodegradação é uma das tecnologias mais recentes para decifrar os efeitos do degradado no meio ambiente.

Claudemir Gracino, proprietário da Skintech, aposta no aumento da demanda do produto e anunciou estar preparado para este novo momento do mercado. “Nós temos estoque local no Paraná, e margem de segurança para abastecer o incremento previsto”, afirmou. Ele, aliás, revelou os planos da fabricante de produzir no Brasil: “A informação chegou dos Estados Unidos, há poucos dias.”

As previsões dão conta da expansão de volumes e também de aplicações. A Skintech mostrava muitas outras possibilidades de uso para o aditivo, além das sacolas plásticas. No estande estavam expostos copos de PS, sacos de lixo de PEBD, potes para a indústria farmacêutica e embalagens de BOPP para snacks, entre outros.

A importadora e distribuidora Plasteng também destacava a tecnologia oxibiodegradável, com a linha Reverte do fabricante inglês Wells. O aditivo, segundo a sua distribuidora, se diferencia dos produtos similares do mercado por agregar um sequestrador de radicais livres muito eficiente. Na exposição, um destaque era o Reverte BD 92771 BD, indicado justamente para a produção de sacolas plásticas. “Temos vários testes homologados que comprovam a seriedade do produto”, afirmou Sérgio Daniel Astolfi, um dos porta-vozes da Plasteng.

Na opinião dele, apesar de todas as certificações que comprovam sua segurança, ainda há muita desinformação acerca dessa categoria de produto; e, por isso, esse mercado ainda não movimenta grandes volumes. Por este motivo, a principal aposta de Astolfi se volta para um mercado maior: o de bioplásticos, projetado para 100 mil toneladas/ano. Sendo assim, a Plasteng está às voltas com negociações para viabilizar importação de uma linha chinesa que será concorrente direta dos polímeros biodegradáveis da gigante alemã Basf.

Apesar de fazerem apologia aos plásticos oxibiodegradáveis, os fornecedores do aditivo não os consideram opções de políticas de saneamento. Essa tecnologia, eles reforçam, não é a definitiva ou a única solução para o problema de disposição dos plásticos no ambiente, mas significa sim um passo dado rumo a práticas mais sustentáveis. “Nosso foco é o produto plástico que não chega à reciclagem, ou seja, essa tecnologia precisa ser vista como parceira da reciclagem. Queremos que o mercado perceba nosso aditivo como uma alternativa e não a única”, resumiu Talitta Emannuela Silva, da Skintech.

Plástico Moderno, Hans Juergen Mitteldorf, Diretor-geral da Chemson, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
De acordo com Mitteldorf, setor ruma para soluções sustentáveis

Estabilizantes para PVC – O apelo ecológico também deu o tom à exposição dos fornecedores de estabilizantes para PVC. Com ares de previsão, os expoentes desse setor sentenciavam sem titubear a iminente substituição dos estabilizantes térmicos à base dos metais bário, cádmio, zinco e estanho pelo organic-based stabilizer (OBS). “Isso acontecerá em um futuro não muito distante, embora os custos atuais sejam um fator impeditivo para sua introdução mais rápida”, observou Teodoro Canossa, gerente de vendas da Inbra Indústrias Químicas.

O mercado de aditivos tem sido norteado pela pressão de ecologistas e cientistas preocupados com o uso de substâncias potencialmente prejudiciais à saúde e ao ambiente. Por isso, os fabricantes, cada um à sua maneira, divulgavam fórmulas capazes de atender a essas exigências técnicas, mantendo a relação custo/benefício. “O mercado ruma para soluções sustentáveis”, justificou o diretor-geral da Chemson, Hans Juergen Mitteldorf.

A Baerlocher do Brasil endossou esse coro. No segmento de PVC rígido, 85% da produção se baseia no sistema cálcio/zinco. “A extinção total do sistema base chumbo nesta área acontecerá no máximo em cinco anos”, estimou Valdemir Fantacussi, gerente técnico da Baerlocher do Brasil. Em aplicações de tubos, conexões e perfis, esse índice chega quase a 100%. Apesar de não ter nenhum produto em destaque no evento, o gerente ressaltou a evolução das linhas de estabilizantes à base de cálcio/zinco. “O desempenho desses produtos melhorou muito nos últimos anos”, apontou.

Na Chemson, o foco era divulgar as linhas de cálcio/zinco e orgânicos, até porque a companhia se considera líder do segmento. “O próximo passo será emplacar o portfólio de estabilizantes orgânicos, mas como um complemento às linhas base cálcio/zinco, não um substituto”, alegou Mitteldorf. Na empresa, hoje 88% de toda a produção se refere aos sistemas base cálcio e zinco. Na unidade europeia, essa taxa não chega a 60%. “O Brasil está à frente, pois aqui fizemos um acordo voluntário”, argumentou Mitteldorf.

A Chemson é austríaca e tem planta em Rio Claro-SP. Esse movimento de erradicação dos metais pesados resultou da união entre os produtores dos aditivos, os fabricantes dos transformados de PVC e as associações de classe, e foi iniciado com a substituição dos estabilizantes térmicos à base de bário e cádmio, com a eliminação deste último, até se chegar à troca do bário pelo cálcio também.

Plástico Moderno, Valdemir Fantacussi, Gerente técnico da Baerlocher do Brasil, Brasilplast 2011 - Aditivos - Indústria prioriza inovação e fórmulas mais eficientes
Indústria aprimorou as fórmulas à base de Ca/Zn, para Fantacussi

O mercado de estabilizantes para PVC seguiu o ritmo dos investimentos promovidos na construção civil, no ano passado. Ou seja, seria redundante mencionar o entusiasmo dos representantes dessa indústria. “Houve uma explosão de consumo, foram batidos todos os recordes de vendas”, anunciou Fantacussi. Outra boa notícia vem do mercado de injeção. A tendência de adotar, cada vez mais, moldes com muitas cavidades, exigiu um altíssimo desempenho dos estabilizantes, impulsionando o consumo de novos sistemas de cálcio/zinco para atender a essa demanda. Mas o cenário teve lá seus percalços. Os reajustes nos preços dos insumos da cadeia do PVC impactaram o setor. Segundo Fantacussi, houve um aumento de custo acima de 20%. O resumo dessa história chega a ser óbvio: margens apertadas.

No entanto, os desenvolvimentos não foram interrompidos. A Chemson inovou com a produção, no ano passado, em Rio Claro, de uma nova linha de aditivos em drágeas. A vantagem, segundo o diretor, é simples: “Trata-se de uma solução 100% livre de pó.” A Inbra, por sua vez, investiu para consolidar o uso dos aditivos base cálcio e zinco, na fabricação de tubos de PVC de grande diâmetro (tubos defofo e infraestrutura), bem como os estabilizantes térmicos para forro e outros perfis rígidos de PVC. No mercado de tubos de diâmetros menores, a empresa já tem participação significativa.

Independentemente de qual fosse o destaque na feira, as empresas argumentavam que estavam ali mais para promover a nova tecnologia de estabilização do PVC do que por seus produtos, pois seus desenvolvimentos teriam o merecido espaço, na sequência. Talvez essa também fosse a intenção dos outros expositores: apresentar um mercado de aditivos mais sofisticado e atraente, com moléculas eficientes e competitivas, mas sem perder o foco na prática sustentável. Daí em diante, os negócios também seriam consequência direta.

 

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