Brasilplast 2009 – Plásticos de engenharia – Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo

Sem tinta – Mas qual é o sentido no desenvolvimento de um acrílico não transparente? Segundo Ana Paula Nakajato, responsável pela linha de polímeros de acrílicos da Evonik no Brasil, o material resguarda as outras propriedades reconhecidas dos acrílicos, como a resistência a intempéries. O PMMA resiste naturalmente aos raios ultravioleta (UV) e não amarela sob o sol, mesmo sem aditivos. “Já fizemos testes de vinte, trinta anos e não se percebe diferença nas propriedades do material”, disse Ana Paula.

Os acrílicos também são apreciados por características como o alto brilho, a facilidade de polimento e de processamento. Com essas habilidades, um acrílico não-transparente se torna adequado para aplicação em peças automobilísticas, tendo em vista a eliminação da etapa de pintura (que aconteceria, se as peças fossem transparentes) e a redução de custo. O material pode ser utilizado em colunas do carro, nas carcaças de espelhos retrovisores e em molduras de tetos solares, e deve entrar em competição com materiais já usados nessas peças, como PP e ABS. O NTA está passando por processos de homologação em montadoras, e Ana Paula afirmou que projetos de novos carros poderão utilizar o polímero na substituição de peças pintadas feitas com o sucedâneo convencional.

A Evonik também oferece poliamidas da marca Vestamid, que inclui diversas PAs 12. O destaque da linha de produtos para a feira foi uma aplicação recentemente desenvolvida: as tubulações de gás. A maior parte das malhas principais de gás, segundo o chefe de produto, Haroldo Paganini Rodrigues, é constituída por tubos de aço, e os pequenos ramais que acessam as residências, por tubos de polietileno. Por ser esse muito barato, é impraticável enfrentá-lo com PAs 12, mais caras, mas a competição é viável com o aço dos troncos centrais. Além da questão de preços relativos, o processo de transformação da PA 12 em tubos não era possível, pois os grades disponíveis colapsavam na extrusão, dado que tubulações para gás possuem diâmetros elevados. Uma nova PA 12 dotada de modificações no tamanho de cadeia e na viscosidade contornam o problema.

Plástico Moderno, Haroldo Paganini Rodrigues, chefe de produto, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Rodrigues: Evonik tem a única PA microcristalina do mercado. Empresa também lançou ABS não-transparente

A empresa também destacou as poliamidas transparentes da linha Trogramid, com foco especial na myCX, criada há apenas dois meses e, segundo Rodrigues, a única poliamida microcristalina transparente do mercado mundial. O plástico é formado por porções de microcristais envoltos em uma cadeia alifática, combinando as propriedades de materiais semicristalinos e resinas amorfas, enquanto as poliamidas transparentes, em geral, são amorfas. Para manter a transparência, é imprescindível que os cristais estejam na escala micro, ponto fundamental para o desenvolvimento do produto. Suas características conferem às lentes de óculos maior durabilidade e leveza, decorrentes de propriedades mecânicas mais acentuadas sem a perda da transmitância.

A Evonik sentiu que, além das poliamidas 12, precisava de plásticos posicionados mais próximos do pico da famosa pirâmide de polímeros, com propriedades superiores, e o resultado desse esforço é a linha de poliftalamidas (PPA) e poliéter-éter-cetonas (PEEK) Vestamid HT Plus. A PPA está sendo apresentada como uma alternativa ao aço, em aplicações corriqueiras do metal, com as vantagens tradicionais que esse tipo de substituição traz, como a maior facilidade de processamento da matéria-prima.

O mercado do PEEK também é muito parecido com o do aço, com a peculiaridade de que, no caso desse polímero, a oferta da matéria-prima também é feita na forma de semiacabados, como tarugos, para posterior usinagem. Para este segmento, há uma novidade: a introdução de um grade em pó, para aplicação em revestimentos de tubulações industriais sujeitas a altas temperaturas. Rodrigues afirmou que o PEEK é conhecido no Brasil, mas conta com poucas aplicações. “Ainda há resistência no mercado para trabalhar com o material”, disse. O polímero atende de modo pleno aos requisitos de algumas peças de válvulas e bombas, mas a intimidade com o metal, desde sempre empregado nessas aplicações, freia os clientes potenciais.

Dentre as várias unidades de negócios da Lanxess com produtos para o mercado de plásticos, a de produtos semicristalinos (Semi-Crystaline Products) centrou sua participação na feira em produtos da família Durethan, formada por copolímeros e compostos de PA 6 e 66. Segundo as informações do representante técnico de vendas, Alexandre Keith Tamura, um dos destaques na Brasilplast foi uma copoliamida da linha Durethan C, própria para a produção de filmes coextrudados com PE, empregados principalmente na fabricação de embalagens de alimentos com barreira a oxigênio, caso de embalagens de carnes, de cremes e poupas de frutas. O plástico é novo e foi introduzido no mercado brasileiro na feira, embora já seja utilizado em outros países da América Latina, onde a Lanxess já conquistou aplicações. Nesses mercados, explicou Tamura, não há a presença ostensiva dos grandes competidores, como ocorre no Brasil, dificultando a introdução do material, o que não impediu que a Lanxess criasse um planejamento estratégico para desenvolver vendas do produto também por aqui.

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