Brasilplast 2009 – Plásticos de engenharia – Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo

Mais uma vez, a Brasilplast foi o palco de importantes lançamentos de matérias-primas, entre elas diversos plásticos de engenharia inovadores, e deu sinais de que um material, em particular, desperta o interesse do mercado nacional. Trata-se do PBT, mostrado como destaque nas exposições de vários fornecedores presentes ao encontro, talvez como reflexo de sua utilização em muitas aplicações eletroeletrônicas. Também ficou clara uma consequência da competição acirrada no mercado local: muitos produtores de plásticos de engenharia lançaram versões com viscosidades mais baixas ou, como eles preferem dizer, com alta fluidez, um movimento quase sincronizado entre vários expositores, e sintonizado com a necessidade incontornável da redução de custos de fabricação dos transformadores.

Muito popular por diversos produtos de consumo, a 3M também está por trás da linha de fluorpolímeros termoplásticos fabricados pela Dyneon, uma das empresas do grupo multinacional. Essa linha de plásticos está dividida em grades diferentes com graus variáveis de transparência e flexibilidade para aplicações específicas. O foco da Dyneon está no mercado automotivo, pois no de petróleo e gás, outro filão para o flúor, muitas peças ainda são importadas. “A maioria das peças no mercado de óleo e gás vem pronta do exterior, principalmente nos termoplásticos. Por isso, o enfoque maior recai sobre a indústria automotiva e o setor de fios e cabos”, afirmou a coordenadora de marketing, Kellen Cristina Busiol. Ela comentou sobre um desenvolvimento novo relacionado com a entrada em vigor, em 2010, no Brasil, de uma nova legislação (já em prática na Europa) sobre a emissão de voláteis.

Dentro do tanque de combustível automotivo há uma mangueira imersa que normalmente permite a evaporação de voláteis

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Flexibilidade é um dos trunfos de fluorpolímeros para mangueiras

para o meio ambiente. A nova legislação reduz e limita essa quantidade de voláteis.

Os materiais disponíveis no mercado, segundo Kellen, não atendem ao requerimento vindouro, mas um dos fluortermoplásticos da Dyneon, o THV (copolímero de tetrafluoretileno, hexaflúor propileno e vinilideno fluorado), quando presente em uma das camadas que compõem a mangueira, reduz sensivelmente a emissão das substâncias indesejadas, por suas características de alta flexibilidade e impermeabilidade. Kellen diz que o THV é um produto exclusivo da 3M, sem oferta na concorrência, e com a flexibilidade adequada para a aplicação.

Na família dos termoplásticos, a Dyneon tem priorizado no país o FEP (copolímero de tetrafluoretileno e hexafluorpropileno), aplicado na produção de fios e cabos. Nesse mercado, é necessária resistência à alta temperatura conjugada à capacidade de não-propagação de chamas. Os fluorpolímeros possuem propriedades inerentes de resistência à propagação de chamas, altamente desejáveis nessa aplicação. A Dyneon importa a maior parte de seus grades da Europa. Da linha oferecida no Brasil, apenas as borrachas fluoradas contam com produção local.

O processamento dos fluorpolímeros exige temperaturas um pouco mais elevadas que os plásticos comuns, como commodities, porém são bastante fáceis de processar, embora possam requerer máquinas de transformação específicas. Além disso, a moldagem desses plásticos libera alguma quantidade de gás fluorídrico, o que exige cuidados com os operadores e o processo de manuseio, mas não demanda tratamento superficial especial para as máquinas.

O consumo local de fluorpolímeros está em fase de crescimento, segundo Kellen, e a Dyneon desenvolve muitas oportunidades novas na área de termoplásticos fluorados no Brasil. São aplicações consagradas no exterior, mas que ainda engatinham no país.

Plástico Moderno, Fábio L. F. Paganini, gerente de unidade de negócios da divisão de comércio internacional de polímeros de engenharia da Arkema Química, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Paganini: PA 11 transparente não utiliza óleos comestíveis

É uma situação semelhante à que enfrenta a francesa Arkema. “O mercado brasileiro é muito limitado na aceitação de novas tecnologias em razão do custo, e uma referência prévia do mercado exterior facilita bastante a penetração no Brasil”, atestou Fábio L. F. Paganini, gerente de unidade de negócios da divisão de comércio internacional de polímeros de engenharia da Arkema Química. Mas Paganini ressaltou que o processo de desenvolvimento de aplicações locais sempre revela oportunidades diferenciadas de negócios, como no caso de amidas transparentes obtidas de óleo de mamona, introduzidas na Europa há menos de dois anos. A PA 11 transparente da Arkema, além de ter base no óleo vegetal, é derivada de um óleo não-comestível, sem fins alimentícios – os materiais concorrentes são derivados de petróleo ou de óleos com importante papel na cadeia alimentar, como os de milho ou soja. A produção dessas poliamidas gera 40% menos CO2 e requer 30% menos energia que a síntese de PAs fósseis. Elas possuem transmitância semelhante à de poliestireno, alta resistência à fadiga dinâmica e são muito leves, características adequadas a diversas aplicações: mangueiras, correias industriais, calçados, visores automotivos, copos de filtros automotivos e tubulações automotivas. 

A Arkema lançou na Brasilplast um produto criado depois da última K, quando foram apresentadas as poliamidas transparentes. O último rebento é um plástico destinado a altas temperaturas, uma poliftalamida (PPA) para uso contínuo a 150ºC, com picos de 200ºC, desenvolvida para substituir pinos metálicos de carros. A PPA costuma ter uma absorção de umidade um pouco elevada, e os grades do mercado se destinam à injeção. Já o material da Arkema pode ser transformado por extrusão, servindo à produção de tubos e perfis, e absorve menos água.

Sai EPDM e entra PA – Segundo Paganini, ocorre um movimento de substituição de borracha de etileno-propileno-dieno (EPDM) por poliamida no capô do motor. Nessa substituição também ocorre a troca das braçadeiras por conectores plásticos, que em alguns casos podem ocasionar vazamentos de fluidos. Para garantir em 100% a estanqueidade dessas peças, Paganini afirmou que a tecnologia de soldagem está se modificando também, sendo substituída a inserção mecânica pelo spin welding (ou soldagem rotacional), uma espécie de soldagem por atrito. O PPA convencional não suporta o spin welding, mas o Rilsan PPA, da Arkema, sim, seu grande diferencial para aplicações futuras nesse campo.

A Arkema também funcionalizou seu fluoreto de polivinilideno (PVDF), da marca Kynar, criando uma nova versão que permite a coextrusão direta, sem a necessidade de primers, como é feito normalmente, ou adesivos, já que, como outros materiais fluorados, o PVDF é bastante antiaderente. O polímero confere resistência excepcional a intempéries em painéis arquitetônicos e também pode ser usado na coextrusão com PVC de mangueiras. Ele é adequado para aplicações até 150ºC, nas quais é necessária resistência química, e seu processamento não demanda proteção especial contra corrosão, mesmo sendo um material halogenado. Segundo Paganini, a capacidade deste PVDF de aderir diretamente a alguns substratos não existia, até então.

Em um estande concebido para demonstrar soluções para os variados segmentos em que atua, a Basf destacou diversos

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Cadeira de PBT high speed evita juntas frias e falhas

plásticos de engenharia de sua ampla linha, entre eles o já conhecido polibutileno tereftalato (PBT) de alta fluidez Ultradur High Speed.

O PBT pode ser utilizado em várias aplicações em que ocorrem problemas de fluidez, como moldes complexos (um exemplo foi a cadeira conceitual Myto, exposta na feira) ou peças de pequenas dimensões e paredes finas. O grade High Speed é um produto adicional na linha tradicional de PBTs da Basf, direcionado às peças em que tipos convencionais apresentam problemas com a fluidez. O polímero encerra nanopartículas que mantêm as propriedades mecânicas, mas melhoram a fluidez do material. Em moldes complexos, nos quais materiais muito viscosos resistem em preencher, o Ultradur High Speed preenche a cavidade sem falhas, mantendo as propriedades mecânicas. As nanopartículas entram na composição desse plástico especificamente para melhorar a fluidez. Segundo o gerente de negócio, José Carlos Belluco, atualmente, quando se necessita de um material mais fluido, a tática mais utilizada é modificar seu peso molecular, o que afeta a viscosidade do polímero, mas também, e negativamente, as propriedades mecânicas. “A grande vantagem do High Speed é sua maior fluidez, obtida sem modificação das propriedades mecânicas”, destacou Belluco.

A cadeira exposta na feira, diz Belluco, é um bom exemplo da fluidez do material nanoparticulado, pois seu design encerra várias possibilidades de “junta fria”, que poderiam reduzir as propriedades mecânicas da peça, e isso não acontece com o PBT de alto fluxo.

Um dos grandes focos de aplicação do material são os conectores dos chicotes elétricos de automóveis: peças pequenas, com paredes bastante finas e que oferecem dificuldades à moldagem com materiais tradicionais.

A Evonik, pela primeira vez na feira com seu nome atual, também reservou novidades para o evento. Na linha de polímeros acrílicos, o destaque foi o lançamento do Acrylite Plus NTA, uma resina de polimetacrilato de metila (PMMA) não-transparente, diferente da grande parte dos materiais acrílicos, cuja principal característica é exatamente a transparência.

Sem tinta – Mas qual é o sentido no desenvolvimento de um acrílico não transparente? Segundo Ana Paula Nakajato, responsável pela linha de polímeros de acrílicos da Evonik no Brasil, o material resguarda as outras propriedades reconhecidas dos acrílicos, como a resistência a intempéries. O PMMA resiste naturalmente aos raios ultravioleta (UV) e não amarela sob o sol, mesmo sem aditivos. “Já fizemos testes de vinte, trinta anos e não se percebe diferença nas propriedades do material”, disse Ana Paula.

Os acrílicos também são apreciados por características como o alto brilho, a facilidade de polimento e de processamento. Com essas habilidades, um acrílico não-transparente se torna adequado para aplicação em peças automobilísticas, tendo em vista a eliminação da etapa de pintura (que aconteceria, se as peças fossem transparentes) e a redução de custo. O material pode ser utilizado em colunas do carro, nas carcaças de espelhos retrovisores e em molduras de tetos solares, e deve entrar em competição com materiais já usados nessas peças, como PP e ABS. O NTA está passando por processos de homologação em montadoras, e Ana Paula afirmou que projetos de novos carros poderão utilizar o polímero na substituição de peças pintadas feitas com o sucedâneo convencional.

A Evonik também oferece poliamidas da marca Vestamid, que inclui diversas PAs 12. O destaque da linha de produtos para a feira foi uma aplicação recentemente desenvolvida: as tubulações de gás. A maior parte das malhas principais de gás, segundo o chefe de produto, Haroldo Paganini Rodrigues, é constituída por tubos de aço, e os pequenos ramais que acessam as residências, por tubos de polietileno. Por ser esse muito barato, é impraticável enfrentá-lo com PAs 12, mais caras, mas a competição é viável com o aço dos troncos centrais. Além da questão de preços relativos, o processo de transformação da PA 12 em tubos não era possível, pois os grades disponíveis colapsavam na extrusão, dado que tubulações para gás possuem diâmetros elevados. Uma nova PA 12 dotada de modificações no tamanho de cadeia e na viscosidade contornam o problema.

Plástico Moderno, Haroldo Paganini Rodrigues, chefe de produto, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Rodrigues: Evonik tem a única PA microcristalina do mercado. Empresa também lançou ABS não-transparente

A empresa também destacou as poliamidas transparentes da linha Trogramid, com foco especial na myCX, criada há apenas dois meses e, segundo Rodrigues, a única poliamida microcristalina transparente do mercado mundial. O plástico é formado por porções de microcristais envoltos em uma cadeia alifática, combinando as propriedades de materiais semicristalinos e resinas amorfas, enquanto as poliamidas transparentes, em geral, são amorfas. Para manter a transparência, é imprescindível que os cristais estejam na escala micro, ponto fundamental para o desenvolvimento do produto. Suas características conferem às lentes de óculos maior durabilidade e leveza, decorrentes de propriedades mecânicas mais acentuadas sem a perda da transmitância.

A Evonik sentiu que, além das poliamidas 12, precisava de plásticos posicionados mais próximos do pico da famosa pirâmide de polímeros, com propriedades superiores, e o resultado desse esforço é a linha de poliftalamidas (PPA) e poliéter-éter-cetonas (PEEK) Vestamid HT Plus. A PPA está sendo apresentada como uma alternativa ao aço, em aplicações corriqueiras do metal, com as vantagens tradicionais que esse tipo de substituição traz, como a maior facilidade de processamento da matéria-prima.

O mercado do PEEK também é muito parecido com o do aço, com a peculiaridade de que, no caso desse polímero, a oferta da matéria-prima também é feita na forma de semiacabados, como tarugos, para posterior usinagem. Para este segmento, há uma novidade: a introdução de um grade em pó, para aplicação em revestimentos de tubulações industriais sujeitas a altas temperaturas. Rodrigues afirmou que o PEEK é conhecido no Brasil, mas conta com poucas aplicações. “Ainda há resistência no mercado para trabalhar com o material”, disse. O polímero atende de modo pleno aos requisitos de algumas peças de válvulas e bombas, mas a intimidade com o metal, desde sempre empregado nessas aplicações, freia os clientes potenciais.

Dentre as várias unidades de negócios da Lanxess com produtos para o mercado de plásticos, a de produtos semicristalinos (Semi-Crystaline Products) centrou sua participação na feira em produtos da família Durethan, formada por copolímeros e compostos de PA 6 e 66. Segundo as informações do representante técnico de vendas, Alexandre Keith Tamura, um dos destaques na Brasilplast foi uma copoliamida da linha Durethan C, própria para a produção de filmes coextrudados com PE, empregados principalmente na fabricação de embalagens de alimentos com barreira a oxigênio, caso de embalagens de carnes, de cremes e poupas de frutas. O plástico é novo e foi introduzido no mercado brasileiro na feira, embora já seja utilizado em outros países da América Latina, onde a Lanxess já conquistou aplicações. Nesses mercados, explicou Tamura, não há a presença ostensiva dos grandes competidores, como ocorre no Brasil, dificultando a introdução do material, o que não impediu que a Lanxess criasse um planejamento estratégico para desenvolver vendas do produto também por aqui.

Alto fluxo – As outras novidades da unidade de negócios de semicristalinos da empresa foram as versões de alta fluidez dos polímeros da linha Durethan e da linha Pocan (baseada em PBTs). Para os produtos Easy Flow e Xtreme Flow em relação aos grades convencionais, são vislumbradas aplicações em peças de grandes dimensões com caminhos de fluxo (relativos ao

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Novo Pocan de alto fluxo para peças de grande dimensão

preenchimento dos moldes) mais extensos que a média, ou em artigos cuja moldagem requer grande número de canais de injeção. Neste último caso, a troca pelo material de alta fluidez permite a diminuição da quantidade de canais; e, nos dois apresentados, é possível a redução de custos pela adoção de temperaturas menores de processamento. Além disso, um grade Easy Flow ou Xtreme Flow possibilita a elevação do teor de carga da peça – Tamura fala em sair de 30% de fibra de vidro para 60% –, mantendo a processabilidade. A decorrente melhoria das propriedades mecânicas pode ensejar paredes mais finas e a economia de matéria-prima. O percentual maior de fibra de vidro modifica, conforme Tamura, o comportamento da peça quanto à condução de calor, tornando menores o resfriamento e o ciclo de injeção como um todo. Os exemplos que se encaixam no perfil são peças integrantes da estrutura de bagageiros, grades de caminhões e partes de tratores. Porém, os novos polímeros de alta fluidez foram apresentados no mercado nacional durante a Brasilplast, e as aplicações que a Lanxess mostra como exemplos são casos de sucesso, por enquanto, na Europa.

A empresa, de maneira mais discreta, também anunciou grades Durethan e Pocan com retardantes à chama não-halogenados. O mercado de plásticos antichamas nacional não decola por conta da legislação omissa, mas o representante técnico citou empresas multinacionais cujas exportações, principalmente na área de eletroeletrônicos, criam demanda crescente para esse tipo de polímero. No entanto, é um mercado abordado com enfoque no longo prazo, amparado nas vendas para o exterior.

No estande do grupo Radici, mais conhecido no mercado pela produção e venda de náilon 6 e 66, a maior novidade foi a confirmação do início da produção local de compostos de PBT, uma tecnologia dominada pelo grupo na Europa, mas que até

Plástico Moderno, Jane Ramos, diretora-comercial da Radici Plastics Ltda, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Jane confirma início da produção de PBT na fábrica de Araçariguama

então não estava disponível na fábrica de Araçariguama, em São Paulo. Segundo a diretora-comercial da Radici Plastics Ltda., Jane Ramos, com a compra de novos equipamentos, a linha de produção no interior paulista será dividida por segmentos de produtos, gerando uma capacidade inicial de compostos de PBT modesta, não superior a mil toneladas anuais, mais destinada a complementar a oferta de materiais da Radici aos clientes.

Apesar da predominância do segmento automotivo nas vendas da empresa, com fatia de 35%, a filial brasileira possui clientes também nos segmentos elétrico, eletroeletrônico e de alimentos, entre outros e, no caso do PBT, Jane informou que a produção será voltada principalmente ao segmento elétrico, para peças como conectores e condutores.

Comemorando os noventa anos de sua chegada ao Brasil, a Rhodia reservou a ocasião da Brasilplast para diversos lançamentos de sua  área de polímeros de engenharia, com maior destaque para um novo grade da tradicional família Technyl de PAs 6, 66 e compostos da empresa. O Technyl A 188 V33 LP foi criado para a aplicação em bicos de injeção eletrônica de combustível utilizados em automóveis. O produto foi empregado em substituição ao revestimento metálico da peça, resultando em redução de 30% do peso dos bicos. A Rhodia alega que a novidade gera ganhos ambientais, pois veículos equipados com tal bico de injeção registraram diminuição de suas emissões de carbono em 18%. Outra característica do material, apropriada para a indústria automobilística, é a capacidade de sofrer marcação a laser, importante para o rastreamento das peças. Essa habilidade se deve a aditivos especialmente criados para não influir nas propriedades mecânicas nos produtos finais.

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Rhodia lança PA 66 aprovada para o contato com a água

 

Inicialmente criado na cor preta, o novo grade contou com esforços da equipe brasileira para desenvolvimentos posteriores do produto, tanto na obtenção de variações coloridas quanto na adequação do polímero para as necessidades do mercado brasileiro.

A Rhodia também apresentou o Technyl A 218W V30, um polímero adequado para o contato com água potável. Essa PA 6.6 reforçada com 30% de fibra de vidro, dotada de alta resistência à hidrólise, bom acabamento superficial e superior desempenho mecânico, recebeu a certificação W270, concedida pelo Technologiezentrum Wasser (Centro de Tecnologia em Água), da Alemanha, dedicado a pesquisas aplicadas em água, e referência em análise biológica de água. As aplicações na mira da empresa são sistemas de aquecimento, bombas e válvulas elétricas, bem como aplicações afins.

A multinacional francesa ainda destacou dois produtos lançados há pouco menos de dois anos, o Technyl Heat Performance e o Technyl Star AFX, que reforçam o enfoque da empresa em substituição de metais. O primeiro, composto por PAs 66, mantém suas propriedades em uma faixa de temperatura próxima aos 200ºC, que não pode ser atendida por PAs 6 convencionais. O material é um forte candidato para aplicações sob o capô, próximas ao motor do veículo. O segundo segue uma tendência marcante na atual edição da Brasilplast: a de plásticos que fluem com maior facilidade. O Technyl Star AFX, outra PA 66, pode ser utilizado em compostos carregados com níveis muito altos de fibra de vidro, perto de 60%, o mais alto nesse segmento de produto, segundo a Rhodia. Além das aplicações automotivas, os predicados dessa poliamida a indicam para diversas aplicações em produtos de consumo e bens industriais.

A Sabic Innovative Plastics apostou em uma exposição repleta de aplicações que demonstram as possibilidades de seu amplo leque de plásticos, como os para-choques e os para-lamas termoformados com blendas de polióxido de fenileno (PPO) com PP do Stark, um veículo off-road brasileiro produzido em Santa Catarina – estas peças normalmente são feitas de fibra de vidro. Os exemplos iam de um polímero de acrilonitrila-butadieno-estireno (ASA) com maior resistência às intempéries, passando por uma poliamida reforçada com fibra de curauá, plásticos condutores capazes de blindar a radiação eletromagnética e ondas de radiofrequência, ou com cargas que podem deixá-los tão pesados quanto mercúrio e filmes de policarbonato (PC) compatíveis com tecnologias de segurança, como holografia, gravação a laser, antenas e chips.

Plástico contra falsificação – A área de segurança, por sinal, teve um dos lançamentos da empresa na feira, as “Secure Resins”, PCs e blendas com acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS), que contêm pigmentos invisíveis ao olho nu, mas que modificam sua cor sob luz UV. Esse pigmento, uma espécie de traçador, permite a identificação do material facilmente e pode ser utilizado em peças opacas ou coloridas, auxiliando no combate à falsificação.

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Secure Resins mudam de cor sob luz UV (esq.)

Uma forte tendência notada na exposição da companhia foi a substituição de metais, exemplificada na Gocycle, uma bicicleta elétrica lançada há poucos meses na Inglaterra contendo várias peças técnicas, com grande solicitação mecânica, nas quais resinas da Sabic substituíram peças de metal. Partes como a coroa e uma sobremoldagem de alumínio, além de outras, ilustravam o uso de plásticos LNP Verton (especificamente, neste caso, uma PA 6/66 com 60% de fibra de vidro longa) como forma de redução de peso e aumento da autonomia de um veículo elétrico para uso urbano.

A empresa do Oriente Médio também introduziu um novo polímero de engenharia com apelo ambiental (o PBT e PBT/PC Valox iQ*) e um novo anglicismo (o upcycling) ao mercado brasileiro. O conceito, criado no início da década por um químico alemão e um arquiteto estadunidense, se refere, entre outras coisas, à reciclagem do lixo pós-consumo, porém resultando em bens com valor maior que os resíduos originais.

O Valox iQ* é produzido pelo upcycling de garrafas de PET pós-consumo. Após os tratamentos adequados, o material obtido das garrafas usadas é despolimerizado e utilizado como matéria-prima principal para a produção do PBT “supraciclado” – upcycled. A “supraciclagem” ocorre porque as garrafas descartadas, que não possuem propriedades de plásticos de engenharia, se transformam em um material com elevada resistência química, térmica e mecânica, adequado a aplicações com altos requisitos de propriedades, pois, após a etapa de despolimerização, a síntese do PBT é convencional, e o plástico obtido possui as mesmas propriedades do tradicional. O polímero já possui até grades carregados com 30% de fibra de vidro e classificação de retardância à chama V0, sem a presença de halogênios, e foi exposto ao público em peças técnicas, como um absorvedor de choque automotivo, ou peças com maior apelo ambiental, como “capinhas” para Ipods. A Sabic alega que cada quilo do novo poliéster consome até 850 g de PET pós-consumo (30 a 60 garrafas usadas), e que isso contribuiria para a diminuição da quantidade de garrafas descartadas no meio ambiente, bem como para a redução do consumo de matéria-prima fóssil para fabricar PBT. Outro ponto forte seria o processo de produção em si, com emissões 85% menores que a de outros termoplásticos de engenharia.

Outra atração “verde” nas ilhas temáticas do estande da Sabic foram as chapas de PC Lexan IR, lançadas há alguns anos e

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Tritan não tem bisfenol-A e pode emplacar em mamadeiras

capazes de bloquear radiações infravermelhas. O PC, normalmente, consegue bloquear as radiações ultravioletas, mas não as infravermelhas, deixando passar, por isso, além da luz, o calor. O Lexan IR, ao contrário, resiste à transmissão da radiação indesejada, colaborando para a manutenção de uma temperatura confortável em interiores sem perda da luminosidade. O impacto positivo para a natureza é apontado tanto em menos condicionadores de ar ligados quanto em menos luzes acesas.

Quem também apareceu no pavilhão do Anhembi, mesmo sem estande próprio, foi a norte-americana Eastman, e seu copoliéster Tritan. Este polímero tem algumas características muito melhoradas em relação a outros copoliésteres, principalmente maior resistência à temperatura, aos riscos e aos ataques químicos, com a vantagem de não conter bisfenol-A, um dos atuais candidatos a vilão da indústria química. Desde o lançamento mundial, na K 2007, até os tempos atuais, explicou Victor Fernandez, o Tritan se posicionou em mercados como o de garrafas para bebidas esportivas, mirado desde o lançamento, mas também em outros surgidos com o conhecimento do produto pelo mercado, como o segmento de mamadeiras, produtos em contato com alimentos e lava-louças.

O material está sendo consumido principalmente nos EUA, seguido pela Europa, e mediante uma parceria com a Sasil, uma distribuidora de termoplásticos e produtos químicos de Salvador-BA, será oferecido com exclusividade em todo o Brasil, o primeiro país do cone sul a conhecê-lo. A Eastman, explicou Fernandez, sentiu a necessidade de um parceiro, “para atingir

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Fernandez e Caribé anunciam acordo para a comercialização do copoliéster da Eastman

mais portas” no trabalho de apresentação do polímero à  indústria. Fernando Caribé Filho, diretor-comercial da Sasil, afirmou que a empresa brasileira, desde o ano passado, já decidira, estrategicamente, ampliar a oferta de especialidades, com uma equipe exclusiva atendendo todo o território nacional, e a oportunidade com a Eastman veio a calhar.

A parceria foi fechada há pouco tempo, e o trabalho de divulgação do copoliéster na região da América do Sul apenas se inicia, mas Fernandez mostrou confiança no potencial de consumo do mercado regional, principalmente se novas regulamentações restringirem o uso do bisfenol-A e abrirem as portas de segmentos como o das mamadeiras. A própria capacidade de produção da Eastman para esse produto é limitada até o momento; e está sendo ampliada.

Rival para o POM copolímero – Outra expositora com várias linhas de resinas de engenharia, a DuPont programou lançamentos para a Brasilplast, como no caso das famílias de poliacetal Delrin e de polibutileno tereftalato Crastin. O grade de poliacetal (POM) homopolímero Delrin 300CP se diferencia pelas propriedades mecânicas, como alta resistência ao impacto e elevada rigidez combinadas a uma viscosidade de fundido relativamente baixa. Este tipo de plástico, informou Augusto Dornelles, gerente de aplicações para os segmentos industrial, de consumo e eletroeletrônicos, tem a maior rigidez mecânica intrínseca (sem considerar reforços) entre os plásticos de engenharia, o que o faz um candidato natural a peças que demandem a propriedade mecânica sem a adição da carga mineral, resultando em artigos moldados mais homogêneos e com comportamento mais isotrópico das propriedades.

O Delrin 300CP é denominado por Dornelles como um POM universal, pois não demanda elastômeros para atingir as propriedades de tenacidade e elongamento na ruptura que exibe, como acontece com outros poliacetais do mercado, copoliméricos. Esses POMs convencionais são muito utilizados em engrenagens, aplicação em que uma deficiência de tenacidade pode levar à fratura dos dentes e a falhas, e à qual se adequaria o novo produto. Outra oportunidade de negócios poderia surgir na produção de peças que normalmente geram sons indesejados, como bancos de automóveis, encostos de cadeiras e partes internas de eletrodomésticos, pois a tenacidade superior do termoplástico também contribui para reduzir o nível de ruídos, em comparação aos poliacetais concorrentes. Na feira, o material foi exposto em engrenagens e em peças de esteiras transportadoras.

A DuPont também introduziu novos graus do PBT Crastin, um produto já comercializado regularmente, mas que ganhou versões com estruturas moleculares modificadas e melhora de 30% nas propriedades de fluxo sem perda de propriedades mecânicas, em comparação às versões tradicionais. O produto traz as vantagens que viscosidades menores fazem supor: temperaturas e ciclos de operação menores, redução em custos com energia e janelas de processo mais maleáveis, que talvez expliquem a escolha de tantos outros fornecedores presentes à feira pela exposição de plásticos de engenharia dotados de alta fluidez, dada a busca constante do mercado por redução de custo.

As aplicações para os novos tipos de Crastin, segundo o gerente de marketing para polímeros de engenharia no Brasil, Walter Atolino, devem se concentrar nas usuais de PBT, que têm ganhado muitas peças do setor eletroeletrônico à custa do deslocamento da PA, nos últimos anos. Para Atolino, esse movimento decorre do aumento de temperatura ao qual essas peças têm sido submetidas, além de questões envolvendo precisão dimensional, resistência química, geometrias mais complexas e necessidade por gravação a laser. O gerente de marketing evitou comentar o tamanho do mercado brasileiro de PBT. Só informou que o consumo local é baixo, correspondendo a uma fração na casa de um dígito do mercado mundial. Muitas das peças feitas com o poliéster estão no segmento eletroeletrônico, que não é forte no país e, por possuírem pequenas dimensões, em geral, elas podem ser importadas sem um adicional proibitivo de custos por conta do frete. Assim, apesar da competitividade nacional na injeção da peça plástica, muitas acabam não sendo feitas por aqui.

A empresa ainda comunicou a plena comercialização de diversos polímeros de alto desempenho contendo matérias-primas renováveis, como os elastômeros termoplásticos Hytrel, os poliésteres termoplásticos Sorona EP e as PAs de cadeia longa Zytel RS.

Uma exposição pensada para trazer ao visitante o alcance do portfólio também foi vista no estande da Ticona, que amparou

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Celstran entra em compósitos para aeronáutica

sua participação na Brasilplast em quatro pilares: a substituição de metais, a aparência, a eletrônica verde e os compósitos. As peças em exposição no estande refletiam esses conceitos, como nos casos de peças automotivas feitas com os poliacetais Hostaform e Celcon, com os compostos reforçados com fibra longa Celstran, ou com o polissulfeto de fenileno (PPS) Fortron. O mesmo Celstran foi visto nos “sanduíches” utilizados na produção de compósitos para a indústria aeronáutica, e na eletrônica verde, materiais como os polímeros de cristal líquido (LCPs), inerentemente retardantes de chama, sem a adição de halogênios, propriedade revelada também pelos poliésteres termoplásticos Riteflex XFR, também livres de halogênios.

A Solvay compareceu à Brasilplast com o firme propósito de passar a mensagem de que sua linha de polímeros de alto desempenho é a mais ampla do mercado. Não que a empresa seja a principal

Plástico Moderno, Alexandre Guimarães, gerente de polímeros especiais, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Guimarães: Solvay tem a maior gama de plásticos de engenharia

produtora, em volumes, de plásticos de engenharia, mas, para o gerente de polímeros especiais, Alexandre Guimarães, ela dispõe da maior quantidade de opções para a clientela.

Dessa feita, a Solvay apresentou peças como instrumentos cirúrgicos descartáveis feitos de poliarilamida (PARA) Ixef em novos grades coloridos, combinando acabamento superficial, rigidez e módulo extremamente alto e voltados principalmente à indústria médico-hospitalar. Embora a PARA possa parecer muito sofisticada para aplicações em descartáveis, Guimarães afirmou que esse tipo de mercado paga pela praticidade de uma ferramenta mais leve que a de metal, e com uma sensação ao toque bastante adequada.

Uma das grandes novidades da empresa foi uma conexão que ainda será lançada oficialmente pela Tigre, feita de polissulfona (PSU), para tubulações de água quente. O PSU é usado em conexões de água quente há mais de trinta anos, e a Tigre decidiu partir com uma linha de produtos adotando o material, embora já possuísse outra solução para água quente baseada em PVC clorado (cPVC), mas apenas para tubulações rígidas. As conexões agora desenvolvidas se destinam a tubulações flexíveis, de polietileno reticulado, mais práticas e com instalação muito mais fácil. “É a primeira conexão de água quente feita no Brasil com esse material”, gabou-se Guimarães.

O gerente também destacou peças moldadas com a PPA Amodel, como no caso de uma nova aplicação na carcaça da bomba de água do motor Zetec, da Ford, em substituição ao alumínio. O material pode ser fornecido em formulações resistentes ao etilenoglicol, e Guimarães afirmou estar “muito seguro” para dizer que em peças em contato com o fluido anticongelante, há poucas aplicações que o material não consegue satisfazer. Esse polímero também gera esperanças de negócios em sistemas de combustível, em face de normas para a emissão de voláteis mais rígidas, pois apresenta permeação muito mais baixa que

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Plásticos de engenharia - Expositores apresentam plásticos de alto desempenho com ênfase em processabilidade e menor custo
Tigre opta por conexão de PSU para tubulação flexível conduzindo água quente

náilons, em geral, muito utilizados hoje em dia.

A empresa ainda espera resultados promissores de um novo polifenileno autorreforçado, que exibe propriedades de plásticos com altos teores de fibra de vidro sem utilizar a carga. O plástico chegou ao portfólio da Solvay pela aquisição de uma empresa, a MPT, e poderá ser utilizado em vários mercados, inclusive o médico-hospitalar e o aeronáutico, e deverá ser oferecido no Brasil, inicialmente na forma de semiacabados.

Adicionalmente, a expositora aproveitou a Brasilplast para reforçar a divulgação dos produtos fluorados da Solvay Solexis. Guimarães revelou que materiais como o PVDF têm futuro muito promissor no país, principalmente por causa do desenvolvimento da indústria de óleo e gás. O principal foco de aplicação para fluorpolímeros está nas indústrias química e petroquímica, graças à alta inércia química desse tipo de material.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios