Masterbatches – Produtos técnicos e soluções feitas sob medida para os transformadores

Feira Internacional da Indústria do Plástico

12ª edição da Brasilplast – Feira Internacional da Indústria do Plástico – confirmou os esforços do mercado de masterbatches para se profissionalizar. Apinhado de fabricantes, o setor demonstrou sua inclinação para ir além do tradicional. A busca constante pela diferenciação resultou em inovações tanto nos portfólios dos expositores como na forma de conduzir seus negócios. Pouco se falou dos efeitos maléficos da crise econômica mundial. Pelo contrário, o foco era revelar a habilidade de cada um de se reinventar, com a oferta de soluções feitas sob medida para satisfazer as necessidades dos clientes. Nos estandes, o que se viu foram novidades voltadas para os plásticos de engenharia e lançamentos de masters de aditivos e de produtos técnicos.

O concentrado de cor que veiculado em uma resina termoplástica proporciona homogeneização ao produto final e dispersão, conferindo-lhe coloração, teve seu espaço habitual, ou seja, nem mais nem menos do que o percebido em edições anteriores da Brasilplast. Alguns expositores deram voz à moda anunciada tempos atrás de incentivar o uso de efeitos perolados, metalizados e afins. No entanto, considerado o “arroz com feijão” do mercado, o masterbatch de cor deu espaço para o de aditivos e para produtos imbuídos de alta tecnologia, capazes de atender a exigências cada vez mais técnicas.

Inovações – A norte-americana Techmer – Polymer Modifiers estreou na Brasilplast apostando em produtos técnicos; por isso, mostrou o masterbatch refletor de raios infravermelhos, para o segmento de agrofilmes de polietileno (PE). A tecnologia

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Masterbatch - Expositores privilegiam a oferta de produtos técnicos e soluções feitas sob medida para os transformadores
Novidade da Techmer copia o visual de mármore

embutida ao master manipula os comprimentos de ondas de regiões específicas do filme (do NIR, de 750 a 1.400 nm e do FIR, de 15.000 nm a 30.000 nm), permitindo maior controle do equilíbrio da radiação dentro das estufas. Mais uma novidade ficou por conta da linha de corantes Tech-Splatter, para imitar o visual de mármore e espiral – o produto foi desenvolvido para sofisticar as peças feitas de poliolefinas. Outra família apresentada se refere aos aditivos para conferir características de maciez (soft) a fibras e a não-tecidos, sobretudo no caso de aplicações em fraldas e protetores higiênicos.

Quem passou pelo estande da companhia e procurou um catálogo de produtos, não encontrou nada, apesar de não se tratar de uma participação apenas institucional. A ausência traz a proposta de oferecer um serviço personalizado. “Nosso produto é muito técnico, não é uma venda por si só, o que fazemos são desenvolvimentos especiais para cada cliente”, explicou o diretor internacional da Techmer PM, Ryan Howley.

Plástico Moderno, Brasilplast 2009 - Masterbatch - Expositores privilegiam a oferta de produtos técnicos e soluções feitas sob medida para os transformadores,
Ampacet mostrou linha capaz de imitar o efeito do metal cromado

A redução de custos no processamento de polímeros deu o tom à apresentação da outra norte-americana, a Ampacet, na Brasilplast. Um masterbatch para a extrusão de resinas difíceis de processar foi um exemplo. Desenvolvido para melhorar a eficiência dos filmes, sobretudo, no caso dos soprados e de reduzida espessura, o produto é dotado de um fluoropolímero de última geração. Segundo a analista de marketing da Ampacet, Debora Cecilia Costa, o master cobre rapidamente o interior da extrusora, o que permite uniformidade no fluxo do material, ou seja, evita a formação da fratura do fundido.

Outra solução apresentada diz respeito ao masterbatch antilensing 103725-AB, para aplicações nas quais há problemas com umidade, como no caso dos filmes soprados e cast filme. “A sua utilização elimina a necessidade de nossos clientes investirem em equipamentos caros para secagem de matéria-prima”, explicou Debora. Mais novidades foram: a purga 100400 e o antioxidante 100401, destinados à limpeza e parada de máquinas. Juntos, os dois masterbatches impedem a oxidação do material dentro da extrusora. A ideia é reduzir o tempo de limpeza entre as transições de cor ou formulação; em suma, diminuir os custos de produção. A companhia mostrou também um deslizante para laminação capaz de manter o coeficiente de atrito coerente, para filme mono e multicamadas, com índice inferior a 0,25, até mesmo após a laminação adesiva; e divulgou a linha de retardantes à chama, para poliolefinas. “Esses produtos foram desenvolvidos para manter a resistência à tração e alongamento e têm um baixo ou nenhum impacto sobre os processos de pós-conversão”, comentou Debora. A linha Liquidmetal contou com amostras de aplicações no estande da empresa. O produto permite aos frascos reluzirem tanto quanto um metal altamente reflexivo. O Ampacet Bright Chrome é um exemplo, pois pode substituir o metal cromado, na medida em que imita o seu efeito faiscante e brilhante.

Esses lançamentos em território nacional embutem o poder de atração do país. “O avanço alcançado por aqui tem acompanhado e até mesmo excedido as nossas expectativas. Como resultado, continuaremos concentrando os nossos esforços no aumento da presença no mercado brasileiro”, justificou Debora. A empresa mantém duas plantas no Brasil, uma situada em São Paulo e a outra, na Bahia.

O mercado brasileiro de masterbatches tem motivado também investimentos de empresas 100% nacionais, como a Cromex. Essa líder de mercado reservou vários lançamentos para a 12ª Brasilplast. Um deles ficou por conta da linha de retardantes à chama não-halogenados. Desenvolvido para aplicação em fios e cabos, ou seja, setores de energia (baixa tensão), telecomunicações e automotivo, entre outros, o produto não gera fumaça tóxica, ao entrar em combustão, e está em conformidade com a diretiva Restriction of Certain Hazardous Substances (RoHS).

A empresa também mostrou a família de aditivos de performance para polipropileno (PP). A ideia é fomentar o uso do master

Plástico Moderno, diretor-comercial da Cromex, Cesar Ortega, Brasilplast 2009 - Masterbatch - Expositores privilegiam a oferta de produtos técnicos e soluções feitas sob medida para os transformadores
Ortega apostou em masterbatches diferenciados

em produtos como cadeiras, mesas, banquetas e afins feitos dessa resina. A Cromex destacou características como a redução dos ciclos de injeção e a melhor estabilidade dimensional, entre outras. Mais uma novidade foram os concentrados de alto desempenho a ser aplicados em diferentes tipos de produtos de ráfia.

A presença no evento serviu ainda para ressaltar ao visitante que a compra dos seus masterbatches pode ser efetuada via cartão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esta iniciativa e os novos produtos, segundo o diretor-comercial da Cromex, Cesar Ortega, são para comprovar a sua vocação para atender às necessidades do setor. “O mercado inteiro sofre com a questão do preço; às vezes, se briga por centavos. Nós tentamos compensar isso com a oferta de valor agregado e serviço”, comentou.

Aperfeiçoamentos em produtos já conhecidos pelo mercado também tiveram vez nesta edição da feira. A empresa de origem suíça Clariant mostrou novidades na linha de master de aditivos Cesa-extend e de agentes químicos nucleantes e de esponjamento Hydrocerol. O primeiro, um masterbatch à base de uma molécula originalmente desenvolvida para religar cadeias de polietileno tereftalato (PET) reciclado, tem demonstrado ser uma promessa no processamento do PLA (polilactato) e de outros biopolímeros, como o PHB (polihidroxibutirato) e PHA (polihidroxialcanoato). A Clariant aposta no produto para tornar a extrusão de chapas mais confiável e melhorar a estabilidade e a formação de bolhas superiores em processamento de filmes soprados. O masterbatch do Hidrocerol, por sua vez, é recomendado pela companhia para ser usado como agente nucleante e expansor para a produção de estruturas uniformes de células finas de biopolímeros (em substituição ao estireno), aplicado em produtos de espuma como bandejas de carnes de supermercado. Os dois masterbatches juntos ampliaram o peso molecular e as características de resistência à fusão do polímero.

Uma resina com extensores, chamada TCEX, foi a novidade da Termocolor, empresa com fábrica em Diadema-SP. A proposta deste superconcentrado é a de melhorar a homogeneização e a cobertura conquistada pelos aditivos. “O benefício do produto é a redução de custos, porque substitui parte da resina”, comentou o gerente-comercial da Termocolor, Julio Carlos Isola.

Sustentável – O mercado de produtos considerados “amigos” do ambiente tem mobilizado novos desenvolvimentos na cadeia produtiva do plástico como um todo. A Clariant fez a lição de casa e trouxe para seu estande amostras dessa tendência, com a

Plástico Moderno, Roberto Guzmán, gerente de marketing da Divisão de Masterbatches da Clariant na América Latina, Brasilplast 2009 - Masterbatch - Expositores privilegiam a oferta de produtos técnicos e soluções feitas sob medida para os transformadores
Para Guzmán, o setor, como um todo, pede produtos sustentáveis

linha Cesa-natur, composta por aditivos para aplicação em biopolímeros. “A sustentabilidade hoje é um nicho, mas o conceito de produto renovável só tende a crescer, não tem volta”, argumentou o gerente de marketing da Divisão de Masterbatches da Clariant na América Latina, Roberto Guzmán. Ele comentou que, não à toa, a companhia possui, em sua linha de produtos, aditivos para proporcionar a redução do peso do material, de ciclo, de consumo de energia e de rejeitos, entre outros. Para ele, o setor como um todo pede produtos sustentáveis. O caso específico da linha Cesa-natur se trata de família de agentes antibloqueio/deslizamento, estabilizantes de luz/UV, antioxidantes e antiestáticos que, além de possuírem uma resina portadora do biopolímero, trazem substâncias renováveis, biodegradáveis e, na maioria dos casos, compostáveis. O aditivo de deslizamento contém ceras puras de procedência natural. O fabricante garante que o coeficiente de atrito nos filmes é similar ao obtido com as ceras sintéticas à base de petróleo. A companhia também atesta seus produtos em rigorosos regulamentos de segurança.

No passado, os compostos para proteção UV de fonte natural apresentavam baixa estabilidade térmica sob temperaturas de processamento superiores a 200ºC. De acordo com a companhia, a evolução da tecnologia adotada possibilitou características de processamento similares às associadas aos masters convencionais, pois são formulados com substâncias de cores claras, mais estáveis ao calor. A Cesa-natur vem para se somar à linha de masters de cores, Renol-natur, lançada em 2007.

A onda de sustentabilidade, cada vez mais, sai do meio acadêmico para se fincar com mais força no meio industrial. Prova disso também se viu na nova parceria da Cromex divulgada durante o evento. A empresa se associou à petroquímica Braskem para desenvolver uma série de concentrados de cor, desde as opacas e transparentes até aquelas com efeitos, e aditivos, para conferir características antiestáticas, antibloqueio, de barreira aos raios UV e antifog ao seu polietileno, produzido com eteno obtido do etanol de cana-de-açúcar (chamado no mercado de PE verde).

De acordo com Ortega, o acordo entre os dois expoentes do setor dos plásticos foi natural, pois a Cromex já possuía um conhecimento técnico prévio sobre o produto. “Nós já pesquisávamos tecnologia para o PE verde”, comentou. Ele aposta no aumento da demanda deste tipo de resina e no consequente crescimento da escala. A petroquímica está investindo R$ 500 milhões numa nova fábrica, no Rio Grande do Sul, para a produção de 200 mil toneladas anuais desse polietileno. “A tendência de o produto ganhar volume é enorme”, disse Ortega.

Novos rumos – Além de novos produtos, alguns expositores divulgaram novas estratégias. É o caso da Techmer – Polymer Modifiers que, se depender dos seus planos, estará cada vez mais presente em solo nacional, pois a representante internacional de marketing da Techmer, Marina Howley, revelou a intenção de abrir uma fábrica por aqui. O namoro com o Brasil é de longa data. Há dez anos, atuava com o atendimento a clientes diretos. Com a aceitação da marca, surgiu a necessidade de contratar um representante e, em 2007, foi além: estabeleceu uma parceria com a Mash: Tecnologia em Compostos e Master para produzir os masterbatches coloridos e de aditivos. No entanto, nem chegaram a desenvolver produtos juntos e a parceria foi encerrada, por causa de uma mudança de posicionamento. Marina conta que a Techmer PM projeta, no futuro próximo, produzir no país. Por enquanto, a solução para estar mais perto do consumidor brasileiro se deu com a abertura no início do ano de um escritório, em São Paulo. O interesse pelo mercado nacional, segundo Ryan Howley, da Techmer PM, se sustenta no seu potencial de crescimento. “O Brasil tem sede de tecnologia. Há por aqui muitas empresas, mas poucos concorrentes para nós”, comentou ele.

Apesar da tradição de trinta anos de existência, a Karina, líder no mercado de compostos de policloreto de vinila (PVC), desbrava outra frente de atuação: o mercado de masterbatch. A iniciativa se deu há dois anos. “Mas só no final de 2008 e início deste ano estamos aparecendo de forma mais acentuada nesse segmento”, confirmou Edson Penido, do departamento de vendas da Karina. As especialidades poliolefínicas, como a companhia denomina o segmento de masters branco, preto e colorido, e os concentrados de carga e aditivos ainda estão em fase embrionária.

Apesar de não ter nenhum destaque específico durante a Brasilplast, a feira cumpriu seu papel, na medida em que funcionou como palco para a Karina mostrar que, se depender dos seus esforços, o mercado de masterbatch, em um futuro próximo, terá mais um forte concorrente. “Estamos nos estruturando da mesma forma que trabalhamos no PVC”, disse Penido. Leia-se: a composição de área comercial e técnica para atender todo o Brasil e planos para penetração também no mercado internacional.

A Clariant guardou para o evento o anúncio de reformas da unidade industrial de Suzano para fabricar masterbatches líquidos. A companhia adquiriu, no ano passado, duas empresas norte-americanas: a Rite Systems e a Ricon Colors, passando a ter mais know-how para atuar nesse segmento. “Unificamos o conhecimento do segundo maior produtor de masterbatch líquido, em volume, e líder em tecnologia, com o nosso”, ressaltou Guzmán. A linha de masterbatches líquidos é composta por dispersão de pigmentos, corantes e aditivos em forma líquida, como o nome sugere. A Clariant aposta nos benefícios do produto amplamente divulgados no mercado, como a agilidade na troca de cores nas extrusoras e injetoras, além da homogeneização e da garantia de mais precisão na dosagem, limpeza e melhor repetibilidade.

Além da possibilidade de poder ofertar ao mercado nacional produtos na forma sólida ou líquida, a companhia vislumbra um cenário positivo para o lançamento, pois os fabricantes de pré-forma de PET têm migrado, em sua totalidade, para o líquido. Na América Latina são três plantas da Clariant para esse tipo de masterbatch: no Brasil, no México e na Colômbia. Mas a ideia é incrementar no futuro sua operação no segmento. “Estamos só começando com o líquido”, avisou Guzmán.

A Allcolor também aproveitou o evento para anunciar novidades em seu negócio: a entrada no mercado de PET. A empresa aposta em masterbatches para este tipo de resina, para quem utiliza quantidades pouco expressivas, pois atua com a forma sólida. “Interessados em grandes volumes, em geral, optam pelo master na forma líquida para o PET”, confirmou o diretor da Allcolor Sandro Borbi. A companhia tem capacidade produtiva para 50 toneladas/mês e pretende até o final do ano elevá-la para até 15%, graças à compra de duas máquinas.

Investimentos – Desde a sua participação na Brasilplast de 2007, muitas foram as mudanças dentro da Mash: Tecnologia em Compostos e Masters. Além do fim do acordo com a Techmer PM, a empresa elevou sua capacidade produtiva em 50%, como resultado de investimentos na otimização de sua fábrica e na melhor profissionalização da companhia. O reflexo foi positivo: no ano passado cresceu em vendas 70%, comparado a 2007. “Em 2008, no pior mês da crise, caímos 10%”, comentou o seu diretor Fernando Nicolosi. Um dos responsáveis pelo feito se trata do aporte em Pesquisa e Desenvolvimento no valor de 700 mil dólares realizado no período de 2007 e 2009. As expectativas para este ano são de crescer 20%.

Muitas empresas durante o evento ofertavam masters e dividiam o estande com compostos. Esse também foi o caso da Mash. No entanto, o foco foram as especialidades. Por isso, Nicolosi destacou uma linha de master de aditivos para filme, como auxiliar de fluxo, para melhorar o processamento de polietileno de alta densidade (PEAD), polietileno de baixa densidade (PEBD) e misturas com polietileno linear de baixa densidade (PELBD), a fim de reduzir a sujidade da matriz, aprimorar o acabamento superficial e diminuir as perdas. “É nosso carro-chefe, pois com menor concentração tem efeito superior a similares”, garantiu Nicolosi. Ele também apresentou como novidade aditivos anti-UV para multifilamentos e monofilamentos e para filmes agrícolas. De acordo com o diretor, todo o mercado busca aplicações de maior valor agregado; por isso, a maior parte dos fabricantes de masterbatches tenta abastecer o setor com soluções sofisticadas e técnicas.

Para acompanhar a evolução do mercado, a Colorfix também foi repaginada em 2008. Segundo o seu diretor-comercial, Amarildo Bazan, a empresa passou por um processo de profissionalização, com nova diretoria e ampliação do quadro de representantes. A companhia planeja inaugurar em junho um laboratório de desenvolvimento em São Paulo. A proposta atual é de elevar sua participação no segmento de masterbatches de aditivos. Hoje, 25% das vendas advêm dos aditivos, com pretensão de aumentar para 30%.

A apresentação da linha Fix representou essa renovação. Antes dessa iniciativa, a empresa fabricava esse tipo de produto somente sob encomenda, mas diante da solicitação do mercado, decidiu incorporá-lo ao seu portfólio. Os destaques ficaram por conta do pacote composto por antibloqueio (Blockfix), deslizante (Slipfix) e antioxidante (Oxifix), além do lançamento do Selofix, aditivo capaz de manter as propriedades do material, durante o período de parada da máquina. Este último evita problemas como a carbonização e o amarelamento da resina. Bazan ressaltou ainda a linha Uvfix, de anti-UV ou estabilizante de luz, pela sua ampla aceitação no mercado, que está cada vez mais motivado a evitar a propagação da ruptura da cadeia polimérica desencadeada pela ação da luz ultravioleta.

Plástico Moderno, Julio Carlos Isola, gerente-comercial da Termocolor, Brasilplast 2009 - Masterbatch - Expositores privilegiam a oferta de produtos técnicos e soluções feitas sob medida para os transformadores
Isola destacou investimentos para elevar capacidade produtiva

Para a Procolor, o segmento de masterbatches de aditivos tem sido um dos mais interessantes também. Dentro dessa área, o gerente-comercial da empresa, Sergio Palermo, destacou o antiderrapante e o dessecante, além do anti-UV. “As aplicações que estão em alta são de produtos diferenciados. Com o master de aditivo, vendemos qualidade”, comentou. Ainda com o foco na diferenciação, a companhia já há algum tempo se mostra interessada no mercado de coloração dos plásticos de engenharia. Na Brasilplast, essa vocação se confirmou. A supervisora-comercial da Procolor, Vanessa Falcão, também falou sobre a linha de master para poliéster. “É uma novidade para nós. A tecnologia é própria”, ressaltou. A marca Pro-Color abrange ainda masterbatches para policarbonato, poliamida, PET e copoliéster, entre outros. O monofilamento de polietileno de média densidade (PEMD) tem sido um grande filão para a companhia. É empregado na fabricação de móveis, cujas tramas se assemelham a fibras naturais.

Para promover todas essas novidades, a empresa mantém uma política de investimento. Em fevereiro último conquistou a ISO e no final de 2008 abriu nova filial em Jaguariúna-SP. No ano passado, também ampliou a equipe e melhorou o layout do site para promover mais interação com o cliente, além de ter aperfeiçoado seu parque fabril.

A ampliação da fábrica da Termocolor também foi destaque no estande da empresa, apesar de consistir em projeto iniciado em 2006. A companhia divulgou que ampliou em 50% sua área fabril e aumentou a capacidade produtiva em 20%. Segundo Isola, foram compradas novas máquinas, totalizando seis, o que possibilita a produção de até 36 mil toneladas/ano. A Termocolor anunciou ainda a conquista da diretiva RoHS e a iminente finalização do processo de certificação ISO 14000.

Crise? – Promover investimentos e abastecer o mercado de novidades é tarefa nem sempre fácil em tempos de incerteza econômica. Por atuar no ramo de cores especiais, a Colorfix sentiu um impacto negativo nos negócios no final do ano passado, como reflexo do fraco desempenho dos setores automotivo e de linha branca. No entanto, no final de abril de 2009, a recuperação já se fez notar. A famosa “marolinha”, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou imune alguns segmentos, como o de obras públicas de infraestrutura e de embalagens rígidas. Na avaliação de Guzmán, estas áreas mantiveram os saldos positivos da companhia. Nos primeiros meses de 2008, o desempenho do setor foi excelente. Se não fosse a derrocada do último trimestre, a empresa teria registrado recordes de vendas. Essa frustração impede Guzmán de tentar prever como será este ano. Para ele, a Brasilplast será um termômetro, para ver o real impacto dos últimos acontecimentos no setor dos plásticos (leia-se: baixa no preço das resinas, crash na economia mundial e valorização do dólar). Na Coreplas, empresa com quinze anos de atuação, o último trimestre de 2008 apresentou queda nas vendas de 40%, em relação a igual período do ano anterior. A retomada só foi percebida em abril.

Nem a líder de mercado de masterbatch de cor e aditivos, Cromex, ficou isenta de algumas perdas; também houve um pequeno recuo no crescimento. No ano passado, a empresa aumentou as vendas em 20% sobre 2007, o que representou 5% a menos do crescimento registrado anteriormente. As exportações responderam por parte dessa redução. A companhia, acostumada a exportar cerca de 30% da produção, no último trimestre do ano, perdeu espaço no mercado externo. “Houve uma queda significativa”, afirmou Ortega, sem revelar números. A empresa comercializa seus produtos para a América do Norte, América Latina, Europa Ocidental e Leste Europeu, entre outros. Com sede em São Paulo, onde são produzidos os masters coloridos e produtos especiais, a Cromex possui também uma fábrica na Bahia, de masterbatches brancos, pretos e aditivos, responsável por 73% da sua capacidade total, hoje em 132 mil toneladas/ano.

Outra empresa que viu seus índices de crescimento caírem se trata da Allcolor. Segundo o diretor Sandro Borbi, todo mês a empresa avançava entre 6% e 7%, no ano passado. No entanto, em 2009, passou a registrar índices de no máximo 3%. Um segmento responsável por essa retração foi o de cosméticos. Borbi citou o caso de uma companhia desse ramo que diminuiu em 50% a compra de masterbatch da Allcolor. “Não perdemos mercado para a concorrência, nossos clientes é que reduziram a produção”, atestou.

De acordo com Guzmán, quando a produção está em baixa e a demanda pouco aquecida, o momento é de testar tecnologias novas e experimentar produtos. Por isso, acima de qualquer tipo de lamentação, as companhias precisam aproveitar a oportunidade para se reinventar e apostar em novidades.

Faltam números – Com estande cativo desde 2003 na Brasilplast, a Coreplas não reservou nenhum lançamento para esta edição. A empresa estava ali para mostrar seu portfólio de mais de 15 mil cores desenvolvidas e divulgar seus concentrados de cor, que representam 85% da produção. No entanto, sobretudo, procurou ressaltar sua intenção de elevar as vendas dos masters para os plásticos de engenharia e os de aditivos. “Estamos aqui para apresentar nossa aptidão para atender a exigências específicas”, disse o diretor da Coreplas José Gonzaga. A Macroplast também optou por não levar lançamentos e fazer uma participação meramente institucional. Em 2004, a companhia adquiriu o negócio de masterbatches sólidos da Basf, com o qual consolidou sua presença no mercado de especialidades. No entanto, no momento, a ideia é melhorar a maneira como o mercado a percebe na área de industrialização; a empresa tem uma imagem forte na distribuição.

Para esse setor, até mais do que em outros, um evento como a Brasilplast tem grande importância. Os fabricantes não possuem uma associação, portanto, a possibilidade de encontrar os clientes, os concorrentes e de se mostrar para o mercado se renova a cada edição do maior evento da indústria do plástico. Para Bazan, da Colorfix, o setor é grande e proporcionalmente desorganizado. “Com um órgão, teríamos normas e um nível de serviço melhor, além de mais integração na cadeia”, argumentou.

Plástico Moderno, Amarildo Bazan, diretor-comercial, Brasilplast 2009 - Masterbatch - Expositores privilegiam a oferta de produtos técnicos e soluções feitas sob medida para os transformadores
Bazan criticou a falta de uma associação para os fabricantes

O sócio-administrador da Cristal Master, Paulo Stefano Giammattei, vai um pouco além. Ele propõe a criação de um selo de qualidade. Para ele, do total de fabricantes, somente 10% teria condições de ganhar a certificação, caso esta existisse. “Já pensei em fazer o selo, mas não há união no nosso setor”, reclamou. Enquanto a ideia não se realiza, a Cristal Master tenta se diferenciar com o foco no serviço. Porém o pré e o pós-venda também se sustentam em inovação. Segundo Giammattei, novos produtos surgem no dia-a-dia da produção. Pela primeira vez na Brasilplast, a Cristal comemorou crescimento de 36% no faturamento, no ano passado, em relação a 2007. As áreas responsáveis por este índice foram: os multifilamentos, os não-tecidos e as embalagens flexíveis. Para este ano, o também sócio da Cristal Master Luiz Carlos Reinert dos Santos prevê crescer 20%. A empresa tem cinco anos no mercado e possui fábrica em Joinville-SC.

Muitas controvérsias surgem quando se tenta estabelecer dados precisos desse setor. Há quem considere se tratar de um mercado de 85 ou de 95 mil toneladas/ano. Quanto ao número de fabricantes, estima-se algo em torno de 140 com atuação no mercado brasileiro. Ou seja, exatidão não há. Mas, números à parte, na opinião de Guzmán, o mercado está muito bem atendido, no quesito volume, mas em termos de inovação, poucas são as companhias no páreo. “O fabricante de master tem de apresentar uma solução, não é só misturar pigmento”, concluiu Bazan, da Colorfix.

 

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