Feiras e Eventos

Brasilplast 2009 Commodities – Distribuição acelera o processo de integração e movimentos de fusão ganham força no setor

Maria Aparecida de Sino Reto
14 de maio de 2009
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    A ideia é desenvolver duas aplicações: em filmes com maior requisito de elasticidade e resistência, além de transparência; e como modificador de impacto, em especial no mercado de injeção. No segmento de embalagens, o produto pode ser misturado com o polipropileno, conferindo à blenda efeito de memória e resistência. “O produto aceita qualquer proporção de composição”, ressaltou o gerente da quantiQ.

    Ele também informou que a distribuidora fechou acordo, no mês anterior à feira, com a japonesa Mitsubishi para comercializar seus polímeros de engenharia (poliamidas, policarbonato, polibutileno tereftalato e poliacetais) no campo das especialidades.

    A quantiQ sentiu menos nas vendas e mais nos resultados os reflexos da crise de crédito globalizada. Graças à atuação mais vinculada ao mercado de bens de consumo e carteira pulverizada de clientes, a empresa pouco foi afetada em termos de volume e vendas. Mas como os preços despencaram e a realização de estoques obedeceu aos novos patamares, a queda nas margens foi significativa. Sobre o encolhimento do setor, Bianchi adere ao coro geral: “É o caminho natural.”

    Braskem incorpora a Petroquímica Triunfo e dá pontapé inicial ao biopolímero

    Quando a Braskem deu o pontapé inicial para controlar os principais ativos do Polo Petroquímico do Sul, localizado em Triunfo-RS, em 2007, o grupo adquiriu por tabela uma das mais bem boladas obras da logística específica para transporte e armazenamento de produtos petroquímicos do país. Trata-se do terminal hidrofluvial “Santa Clara”. Por conta desse importante ativo, a empresa terá condições de descarregar em solo gaúcho 470 mil litros de etanol/ano, o volume necessário ao abastecimento da primeira planta do mundo voltada ao processo de polietileno linear e de alta densidade, pela rota alcoolquímica, em fase inicial de construção.

    A estratégia de transporte da matéria-prima foi antecipada pelo presidente da Braskem, Bernardo Gradin, em maio, por ocasião do lançamento da pedra fundamental do empreendimento. “Este investimento é parte da nossa estratégia de crescimento com criação de valor agregado e alinhado ao objetivo de tornar a companhia uma referência internacional no desenvolvimento de polímeros verdes”, disse o presidente.

    Gradin complementou ainda que a equação de abastecimento de etanol numa região do país com clima inadequado para os padrões de plantio de cana-de-açúcar e sem projetos consistentes de usinas de álcool está resolvida. Entretanto, adiantou que a Braskem se dispõe a estimular parcerias se a matriz de insumos químicos gaúcha sinalizar a possibilidade de construir usinas, com capacidade operacional de atender à demanda. Para Gradin, os aspectos ambientais funcionam como um estímulo adicional em favor da implantação do polímero verde na matriz petroquímica, por apresentar características de aplicação e propriedades idênticas às do plástico tradicional. Tais propriedades permitem às indústrias de transformação aproveitar todo o seu parque fabril atual para processar a nova resina. O PE verde tem aplicação em todos os mercados do polímero convencional, como o automobilístico, a indústria de brinquedos, embalagens para alimentos e produtos de higiene, entre outros.

    O CEO explicou que a Braskem vem estabelecendo, desde o ano passado, uma série de parcerias com renomados clientes nacionais e internacionais, principalmente da Europa, Estados Unidos e Japão, interessados em reforçar a associação de suas marcas ao conceito de sustentabilidade. Cabe ressaltar os acordos firmados com a Toyota Tsusho, trading company do grupo Toyota, e com a Shiseido, reconhecida fabricante de cosméticos voltados ao segmento de alto padrão. A demanda potencial já identificada para o PE verde é ao redor de 600 mil toneladas/ano, três vezes acima da capacidade da nova planta.

    Na opinião de Gradin, a relevância do projeto tem sido reconhecida internacionalmente e citou como exemplo o Prêmio de Gestão Ambiental da Conferência Ambiental do Plástico, realizada nos Estados Unidos no início deste ano. A Braskem já prevê a construção de uma segunda unidade de polietileno via rota etanol para o polo petroquímico de Camaçari, na Bahia. A corporação prossegue as pesquisas para a obtenção do chamado polipropileno verde, que se difere do polietileno quanto ao processo, exigindo reações mais complexas por meio de reatores de fermentação.

    A partida da planta de eteno rota etanol está prevista para o quarto trimestre de 2010 e o início da operação comercial para o começo de 2011. No total, a Braskem responde por aproximadamente três milhões de toneladas por ano de petroquímicos de primeira geração em Triunfo. O investimento total da nova fábrica é estimado pela Braskem em cerca de R$ 500 milhões. O projeto prevê a construção de reatores para a obtenção de eteno e engloba, ainda, uma unidade de segunda geração para produzir 200 mil toneladas/ano dos biopolietilenos.

    Triunfo incorporada – Gradin também comentou a respeito da incorporação definitiva da Petroquímica Triunfo pela Braskem. Segundo ele, quando da aquisição dos mais importantes ativos do polo, já havia o acordo com a Petrobras, controladora da empresa, para que a Braskem absorvesse a unidade de segunda geração, responsável pela produção de polietileno de baixa densidade e de EVA. “Uma planta de EVA certamente criará novas possibilidades de compósitos e de formulações em sinergia com os materiais já produzidos no complexo Braskem”, finalizou.

    A assembleia geral que definiu a passagem do controle acionário da Petrobras para a Braskem, em Porto Alegre, ocorreu em meio a um ambiente tumultuado. A Brigada Militar (como é denominada a PM do Rio Grande do Sul) precisou intervir para que a reunião fosse concluída, na manhã da terça-feira, cinco de maio.

    Como forma de garantir a realização da reunião, a Petrobras teve de levantar várias medidas judiciais — liminares e cautelares — impetradas pela sócia minoritária da Triunfo, a Petroplastic, do empresário Boris Gorentzvaig. A Triunfo era controlada pela Petroquisa, que detinha 85% do capital total. Com a incorporação à Braskem, terá Gorentzvaig como sócio, com uma pequena fatia do capital. Ele chegou a oferecer um valor de R$ 350 milhões para adquirir o controle da Triunfo, mas sua proposta não foi aceita, talvez porque, no passado, por conta de suas constantes brigas com outros sócios, a empresa chegou a ficar com duas diretorias paralelas, que viviam às turras e obrigaram a Petroquisa a intervir no processo como forma de manter os negócios em operação.

    Fernando Cibelli de Castro



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