Brasilplast 2009 Commodities – Distribuição acelera o processo de integração e movimentos de fusão ganham força no setor

Os novos episódios da integração da indústria petroquímica brasileira prometem adentrar, agora, na casa dos distribuidores – braços comerciais dos fabricantes de resinas. O número de empresas oficiais (com bandeira) e revendedores de commodities, acima de uma dúzia, presente nos corredores da Brasilplast, destoava diante dos reduzidos fabricantes locais. A concentração do setor de distribuição, porém, é inevitável e o desenho atual deve ganhar novos contornos, modelados mais de acordo com o novo mapa da segunda geração petroquímica.

Porta-voz da distribuição, o presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast), Wilson Cataldi, admite que o setor sofrerá um ajuste e encolherá. A entrada em vigor da nota fiscal eletrônica, vigente desde 1º de abril deste ano, já deve promover uma arrumação na cadeia. “Só sobreviverá quem tiver boa gestão”, decreta. O prognóstico vale também para os transformadores. Na opinião dele, o resultado desse rearranjo será muito positivo, pois tornará o setor profissional e exigirá uma ética fiscal a qualquer prova.

Ainda deverá acontecer uma segunda seleção, dessa vez empreendida pelos fabricantes de resinas. A integração dos distribuidores é uma certeza até mesmo entre os próprios, que se movimentam para permanecer no rol dos eleitos. “Para se sustentar dentro do novo modelo, o distribuidor precisará ter massa crítica, da ordem de 5 mil toneladas mensais, e isso deve se dar por aquisição ou associação”, opinou Cataldi, ressaltando que sua empresa construiu o volume atual por meio de aquisições.

Com uma visão estratégica futura do mercado, ele deu o pontapé inicial no redesenho da distribuição nacional ao iniciar, há nove anos, um processo de reestruturação de sua própria empresa, a então Piramidal. A primeira etapa consistiu na compra da Ruttino, em 1998. Depois, em 2004, os sócios Cataldi e Amauri dos Santos criaram a Polimarketing. No ano passado, o mercado recebeu a notícia do nascimento da nova Piramidal, fruto da fusão entre a Piramidal, a Ruttino e a Polimarketing, com uma musculatura para suportar 100 mil toneladas anuais e suprir 20% da distribuição oficial, hoje em torno de 500 mil toneladas anuais. A ideia do empreendedor é consolidar o modelo de negócio e retomar o crescimento a partir de 2010 (veja mais informações em PM 414, abril de 2009, pág. 46).

O saldo da primeira participação na feira como nova Piramidal foi muito positivo, nas impressões de Cataldi. Segundo ele, o estande registrou público bem superior ao esperado. “Acima de mil pessoas por dia!”, comemorou. A avaliação geral da feira também superou as expectativas, na opinião dele. A empresa distribui produtos da Braskem, Dow, Lanxess, Bayer, Keptal, Formosa, Acrigel e Cromex.

Com a base de clientes mais voltada aos bens de consumo, a distribuição sentiu um pouco menos os reflexos da crise econômica. A queda nos volumes comercializados pelo setor atingiu apenas 1,6% no primeiro trimestre deste ano, comparativamente ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados levantados pela Adirplast. “Acredito que será possível ter um ano positivo na distribuição de resinas.”

Consolidação a caminho – Nos bastidores da feira, os comentários tratavam do encerramento das atividades da SPP Resinas, um braço distribuidor da então Suzano Petroquímica (agora Quattor, controladora da Unipar Comercial), da quase certa aquisição dos negócios de distribuição da Fortymil pela Sasil, e de outras prováveis fusões entre empresas de pequeno porte.

O namoro iniciado há cerca de oito meses promete acabar em casamento muito em breve. Fernando Caribé Filho, diretor-

Plástico Moderno, Fernando Caribé Filho, diretor-comercial da Sasil, Braskem incorpora a Petroquímica Triunfo e dá pontapé inicial ao biopolímero
Caribé aponta grande sinergia na negociação com a Fortymil

comercial da Sasil, com sede em Salvador-BA, estima em cerca de um mês o prazo para a sua empresa e a Fortymil, de Itatiba-SP, formalizarem (ou não) uma fusão. “A sinergia é muito forte e a Braskem apoia o negócio”, admitiu Caribé. Segundo ele, há grande probabilidade de a união resultar na criação de uma nova empresa e marca. A área de resinas representa 43% do faturamento da Sasil, que comercializa da ordem de 300 mil toneladas anuais de produtos químicos e termoplásticos.

A concentração do mercado distribuidor é bem-vista pelo diretor da Sasil. Submetido a margens muito baixas, o setor precisa ganhar escala de operação. “Devem restar oito ou nove distribuidores nacionais, com escala da ordem de seis mil toneladas mensais, por empresa”, arriscou um palpite. A nota fiscal eletrônica também favorece o segmento, norteando-o para a formalização.

Diretor da Fortymil, Ricardo Mason preferiu apenas admitir que existe a negociação para uma união com a Sasil, sem mais comentários a respeito. Por outro lado, ressaltou o interesse da Fortymil em reforçar os investimentos na sua área dedicada à produção de compostos e substituir materiais virgens por reciclados, com vistas a suprir indústrias técnicas, de linha branca e até a automotiva. “Os rejeitos de origem industrial representam 90% e os de pós-consumo são provenientes de fornecedores homologados”, comentou Mason. A Fortymil pode processar até 2 mil toneladas mensais de compostos, beneficia aparas e resíduos de PP, PE, PS e ABS, e também presta serviços de micronização e tingimento.

Plástico Moderno, Diretor da Fortymil, Ricardo Mason, Braskem incorpora a Petroquímica Triunfo e dá pontapé inicial ao biopolímero
Mason quer investir mais nos compostos com resina reciclada

Até então reticente a incorporações, a direção da Premix, distribuidora da Quattor e da Videolar (poliestireno), reviu sua postura. O seu diretor de marketing, Reinaldo Marques, admitiu que uma proposta para unir forças e sinergia com outra empresa de maior porte seria bem-vinda. “É a saída para ganhar musculatura”, justificou. Distribuidor das olefinas da Quattor e do poliestireno da Videolar, ele se queixou da concorrência agressiva dos produtos importados, reflexo da crise financeira global.

Braço comercial dos polietilenos e polipropileno da Quattor, a Unipar Comercial, de Mauá-SP, marcou presença institucional na feira. O seu gerente-comercial, Jaime Utrera, reforçou o coro dos que acreditam em um forte encolhimento do setor. “Até o final do ano, o mercado de varejo deve se acomodar e restar um máximo de dez distribuidores oficiais”, prevê. A distribuidora também supre o mercado de poliestireno, com a bandeira da Innova, e de borrachas, como representante oficial da Evonik.

Entre os distribuidores oficiais presentes na feira, o estande da Activas, de 350 m², representava bem os ganhos de musculatura e expansão necessários à sobrevivência no setor. Só o da Piramidal chegou perto. As duas empresas conseguiram ocupar as maiores áreas de seu setor na feira. “Crescemos cerca de 30% em volume no primeiro trimestre deste ano”, comemorou o diretor da primeira, Laercio Gonçalves. De acordo com ele, a Activas conseguiu equalizar os estoques e equilibrar os custos a partir de janeiro.

Plástico Moderno,Laercio Gonçalves, diretor da primeira, Braskem incorpora a Petroquímica Triunfo e dá pontapé inicial ao biopolímero
Gonçalves comemora crescimento no primeiro trimestre deste ano

Quanto à remodelagem da distribuição, ele endossou a opinião de seus colegas: “A depressão nas margens nos últimos anos já afunilou o mercado, mas ainda não está totalmente reconfigurado.” Além da participação institucional e da divulgação da já conhecida carteira de produtos, a Activas compareceu com novidades. Gonçalves informou ter fechado contrato para distribuir o negro-de-fumo, da Cabot, para plásticos e compostos. Além disso, iniciou uma linha de pré-marketing da Integrated Refinety & Petrochemical Complex Public Co., Ltd. (IRPC) e da Formosa Plastics, respectivamente de ABS (coloridos) e poliacetais. No campo das commodities, a Activas distribui para a Quattor e a Basf (poliestireno), além de diversos outros polímeros e especialidades.

Animada pelo bom movimento da exposição, a diretora-comercial da Mais Polímeros, Daniela Dias, aproveitou a oportunidade para consolidar a marca e a sua parceria com a Quattor. “A feira foi excelente, muito melhor do que se imaginava”, exultou no último dia da Brasilplast. No entender dela, o processo de integração será benéfico para o setor. “A fatia de mercado diminuiu e a redução no número de distribuidores será saudável”, acredita. Entre as novidades, Daniela anunciou a abertura de uma nova filial em Curitiba-PR e planos para inaugurar outra, em local ainda indefinido, até o final deste ano.

A diretora da Mais Polímeros sentiu pouco os efeitos da crise financeira. Ela não enfrentou problemas de inadimplência, apenas recuo nos investimentos por parte de seus clientes, afetados pela dificuldade na obtenção de crédito. “Mas o segundo semestre será melhor.”

Plástico Moderno, Daniela Dias, diretora-comercial da Mais Polímeros, Braskem incorpora a Petroquímica Triunfo e dá pontapé inicial ao biopolímero
Daniela sentiu pouco os efeitos da crise e achou a feira ótima

A nova marca foi o principal foco da participação da quantiQ (ex-Ipiranga Química, ou IQ) na Brasilplast, mas a empresa também aproveitou a ocasião para divulgar novos produtos e  parcerias. Da já parceira ExxonMobil, a quantiQ incorpora à distribuição nova família de elastômeros, a Vistamaxx, lançada nos Estados Unidos e apresentada ao mercado na feira, em primeira mão. São copolímeros com atributos únicos de elasticidade, resistência, flexibilidade e adesão a vários tipos de resina. A linha compõe grades para filmes e injeção. “O produto tem processabilidade idêntica à do polipropileno e é aprovado para contato com alimentos”, explicou o gerente de unidade de negócios, Fabiano Bianchi. 

A ideia é desenvolver duas aplicações: em filmes com maior requisito de elasticidade e resistência, além de transparência; e como modificador de impacto, em especial no mercado de injeção. No segmento de embalagens, o produto pode ser misturado com o polipropileno, conferindo à blenda efeito de memória e resistência. “O produto aceita qualquer proporção de composição”, ressaltou o gerente da quantiQ.

Ele também informou que a distribuidora fechou acordo, no mês anterior à feira, com a japonesa Mitsubishi para comercializar seus polímeros de engenharia (poliamidas, policarbonato, polibutileno tereftalato e poliacetais) no campo das especialidades.

A quantiQ sentiu menos nas vendas e mais nos resultados os reflexos da crise de crédito globalizada. Graças à atuação mais vinculada ao mercado de bens de consumo e carteira pulverizada de clientes, a empresa pouco foi afetada em termos de volume e vendas. Mas como os preços despencaram e a realização de estoques obedeceu aos novos patamares, a queda nas margens foi significativa. Sobre o encolhimento do setor, Bianchi adere ao coro geral: “É o caminho natural.”

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Quando a Braskem deu o pontapé inicial para controlar os principais ativos do Polo Petroquímico do Sul, localizado em Triunfo-RS, em 2007, o grupo adquiriu por tabela uma das mais bem boladas obras da logística específica para transporte e armazenamento de produtos petroquímicos do país. Trata-se do terminal hidrofluvial “Santa Clara”. Por conta desse importante ativo, a empresa terá condições de descarregar em solo gaúcho 470 mil litros de etanol/ano, o volume necessário ao abastecimento da primeira planta do mundo voltada ao processo de polietileno linear e de alta densidade, pela rota alcoolquímica, em fase inicial de construção.

A estratégia de transporte da matéria-prima foi antecipada pelo presidente da Braskem, Bernardo Gradin, em maio, por ocasião do lançamento da pedra fundamental do empreendimento. “Este investimento é parte da nossa estratégia de crescimento com criação de valor agregado e alinhado ao objetivo de tornar a companhia uma referência internacional no desenvolvimento de polímeros verdes”, disse o presidente.

Gradin complementou ainda que a equação de abastecimento de etanol numa região do país com clima inadequado para os padrões de plantio de cana-de-açúcar e sem projetos consistentes de usinas de álcool está resolvida. Entretanto, adiantou que a Braskem se dispõe a estimular parcerias se a matriz de insumos químicos gaúcha sinalizar a possibilidade de construir usinas, com capacidade operacional de atender à demanda. Para Gradin, os aspectos ambientais funcionam como um estímulo adicional em favor da implantação do polímero verde na matriz petroquímica, por apresentar características de aplicação e propriedades idênticas às do plástico tradicional. Tais propriedades permitem às indústrias de transformação aproveitar todo o seu parque fabril atual para processar a nova resina. O PE verde tem aplicação em todos os mercados do polímero convencional, como o automobilístico, a indústria de brinquedos, embalagens para alimentos e produtos de higiene, entre outros.

O CEO explicou que a Braskem vem estabelecendo, desde o ano passado, uma série de parcerias com renomados clientes nacionais e internacionais, principalmente da Europa, Estados Unidos e Japão, interessados em reforçar a associação de suas marcas ao conceito de sustentabilidade. Cabe ressaltar os acordos firmados com a Toyota Tsusho, trading company do grupo Toyota, e com a Shiseido, reconhecida fabricante de cosméticos voltados ao segmento de alto padrão. A demanda potencial já identificada para o PE verde é ao redor de 600 mil toneladas/ano, três vezes acima da capacidade da nova planta.

Na opinião de Gradin, a relevância do projeto tem sido reconhecida internacionalmente e citou como exemplo o Prêmio de Gestão Ambiental da Conferência Ambiental do Plástico, realizada nos Estados Unidos no início deste ano. A Braskem já prevê a construção de uma segunda unidade de polietileno via rota etanol para o polo petroquímico de Camaçari, na Bahia. A corporação prossegue as pesquisas para a obtenção do chamado polipropileno verde, que se difere do polietileno quanto ao processo, exigindo reações mais complexas por meio de reatores de fermentação.

A partida da planta de eteno rota etanol está prevista para o quarto trimestre de 2010 e o início da operação comercial para o começo de 2011. No total, a Braskem responde por aproximadamente três milhões de toneladas por ano de petroquímicos de primeira geração em Triunfo. O investimento total da nova fábrica é estimado pela Braskem em cerca de R$ 500 milhões. O projeto prevê a construção de reatores para a obtenção de eteno e engloba, ainda, uma unidade de segunda geração para produzir 200 mil toneladas/ano dos biopolietilenos.

Triunfo incorporada – Gradin também comentou a respeito da incorporação definitiva da Petroquímica Triunfo pela Braskem. Segundo ele, quando da aquisição dos mais importantes ativos do polo, já havia o acordo com a Petrobras, controladora da empresa, para que a Braskem absorvesse a unidade de segunda geração, responsável pela produção de polietileno de baixa densidade e de EVA. “Uma planta de EVA certamente criará novas possibilidades de compósitos e de formulações em sinergia com os materiais já produzidos no complexo Braskem”, finalizou.

A assembleia geral que definiu a passagem do controle acionário da Petrobras para a Braskem, em Porto Alegre, ocorreu em meio a um ambiente tumultuado. A Brigada Militar (como é denominada a PM do Rio Grande do Sul) precisou intervir para que a reunião fosse concluída, na manhã da terça-feira, cinco de maio.

Como forma de garantir a realização da reunião, a Petrobras teve de levantar várias medidas judiciais — liminares e cautelares — impetradas pela sócia minoritária da Triunfo, a Petroplastic, do empresário Boris Gorentzvaig. A Triunfo era controlada pela Petroquisa, que detinha 85% do capital total. Com a incorporação à Braskem, terá Gorentzvaig como sócio, com uma pequena fatia do capital. Ele chegou a oferecer um valor de R$ 350 milhões para adquirir o controle da Triunfo, mas sua proposta não foi aceita, talvez porque, no passado, por conta de suas constantes brigas com outros sócios, a empresa chegou a ficar com duas diretorias paralelas, que viviam às turras e obrigaram a Petroquisa a intervir no processo como forma de manter os negócios em operação.

Fernando Cibelli de Castro

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