Brasilplast 2007 – Transformação – Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

A indústria de transformação de plásticos ocupará área significativa da Brasilplast expressando sentimentos contraditórios sobre o desempenho setorial. Empresas ligadas ao fornecimento de peças e partes para as poderosas montadoras de automóveis exibirão sorrisos largos ao lado da linha de produtos, ladeadas pelos produtores de artigos para embalagens. Nos demais casos, com poucas exceções, o sorriso será amarelo.

Plástico Moderno, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

Plástico Moderno, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

Levantamento estatístico da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) estudou o setor em 2006 e o quadro final não é exatamente animador. “Nosso faturamento em reais encolheu 3,17% em relação a 2005, embora tenhamos aumentado a produção física em quase 11%, após converter mais de quatro milhões de toneladas de resinas”, disse Merheg Cachum, presidente da entidade.

O dirigente espera dias melhores em 2007, muito dependente da manutenção do desempenho automobilístico que promete quebrar recorde de produção no País. “Ainda esperamos as reformas essenciais do País, como a tributária, e uma reorganização fiscal, para que o governo gaste menos e com mais eficiência os recursos arrecadados dos cidadãos e das empresas”, criticou Cachum. Do ponto de vista prático, a Abiplast entabulou diálogo com o novo Ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, para conhecer as diretrizes que pretende imprimir à frente da pasta. A convivência com o ministro anterior, o empresário Luiz Fernando Furlan, foi classificada como proveitosa e amigável por Cachum.

Plástico Moderno, Merheg Cachum, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações
Cachum: setor precisa de proteção contra chineses

O desejo imediato do setor é a manutenção da equipe de apoio ao esforço exportador brasileiro, concentrada na agência Apex e na Camex, com destaque para Juan Quirós e Mário Mugnaini, cujos trabalhos têm rendido frutos. “O presidente Lula diz ser desenvolvimentista e o setor plástico quer colaborar”, afirmou.

Ao mesmo tempo, o aumento das importações de produtos plásticos transformados representa ameaça real ao setor. “O governo precisa nos dar alguma proteção contra os produtos chineses que são produzidos em condições diferentes de mão-de-obra, impostos, subsídios e até de suprimento de matérias-primas”, defendeu. Além disso, ele recomenda verificar se os importados seguem as mesmas normas de qualidade exigidas da indústria brasileira, o que poderia configurar concorrência desleal. Os segmentos de brinquedos e de filmes plásticos impressos para embalagem sofrem concorrência severa dos similares chineses, reforçados pela taxa cambial.

Questionado se o setor fez sua “lição de casa”, buscando atualizar métodos e adotar posturas empresariais mais competitivas, Cachum responde com o fato de muitas transformadoras nacionais terem investido pesado nos últimos anos para adquirir equipamentos e tecnologia para alcançar escala e qualidade mundiais. “Nossas exportações cresceram, mas poderiam ter sido ainda melhores não fossem os problemas estruturais brasileiros”, lamentou. Ele considerou também que o comércio internacional é via de mão dupla, ou seja, importações e exportações devem conviver. Mas o setor precisa seguir aumentando a capacidade de transformação e a qualidade.

Sempre defendendo a unidade da cadeia produtiva, Cachum considerou positiva a compra do Grupo Ipiranga, grande produtor de polietilenos e polipropileno no Rio Grande do Sul, pela Braskem, com apoio da Petroquisa (ver texto na seção de resinas). “O efeito dessa concentração empresarial deve ser positivo na cadeia, por permitir reduções de custos que melhorem a competitividade de toda a cadeia do plástico”, afirmou. Além disso, o negócio evitou a transferência desses ativos ao controle de grupos estrangeiros, menos sensíveis às questões locais.

Plástico Moderno, Wagner Delarovera, diretor do Programa Export Plastic, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações
Delarovera: cadeia produtiva unida amplia exportação

Exportação reforçada – A análise do comércio exterior do setor plástico não deve se limitar ao acompanhamento do saldo comercial. A recomendação vem de Wagner Delarovera, diretor do Programa Export Plastic, coordenado pelo Instituto Nacional do Plástico (INP), com apoio da Abiplast e da Abiquim, com participação da Apex e de todos os segmentos da cadeia produtiva, desde o petróleo até a transformação. Na sua análise, feita com base nas estatísticas da Abiplast e números oficiais da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), nos últimos dez anos, o saldo negativo do setor caiu em números brutos e, além disso, encolheu muito mais significativamente em relação ao fluxo do comércio setorial. Ou seja, embora a diferença entre exportações e importações ainda seja considerável, ela passou a representar apenas 15% do total transacionado. “Isso comprova o dinamismo comercial do setor”, explicou.

O aumento do fluxo de comércio também evidencia a maior exposição do País ao mercado mundial. Isso incentiva a evolução tecnológica de toda a cadeia, com aumento gradual da qualidade dos produtos transformados, mesmo os vendidos no mercado interno.

Os números também registram a evolução da competitividade setorial. “Desde 1996, as exportações brasileiras de plásticos cresceram quase quatro vezes mais que as importações, tanto em peso quanto em valor”, acrescentou Delarovera. Ele comparou o valor médio das exportações e importações ao longo do tempo e observou que o valor adicionado dos itens feitos no País tem melhorado. No ano 2000, a média das exportações foi de US$ 3.022/t, contra US$ 3.830/t do valor médio das importações, perfazendo uma diferença de 26,7% sobre o produto local. Em 2006, os valores foram, respectivamente, US$ 3.240/t e US$ 4 mil/t, reduzindo a distância para 23,5%. Isso, apesar do câmbio desfavorável, que gera menos dólares por real produzido.

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O problema cambial existe, mas Delarovera prefere observar os efeitos do valor da moeda em longo prazo. “Em 2003, por exemplo, o câmbio era muito favorável e ajudou a exportar mais, enquanto neste ano ele atrapalha um pouco”, considerou. “Como há compensações ao longo dos anos, o câmbio não é a maior dificuldade.”

A análise qualitativa das operações internacionais revela assimetrias. Em geral, produtos importados dos países do Mercosul tendem a ter valor adicionado menor. A média de 2006 foi de US$ 2.210/t. Da Europa e dos EUA vêm produtos mais valiosos, respectivamente com médias de US$ 7.780/t e US$ 7.220/t. O perfil dos importados está relacionado com carências locais de suprimento, abrangendo peças com aplicações específicas, embalagens farmacêuticas, e itens de design avançado, por exemplo.

O programa Export Plastic ingressou na sua segunda fase com a renovação de um convênio de cooperação técnica e financeira entre a Apex e integrantes de toda a cadeia produtiva, com orçamento total de R$ 9 milhões e duração estipulada até janeiro de 2008. A primeira fase durou de dezembro de 2003 a maio de 2006, tendo recebido recursos de R$ 8,6 milhões, aplicados em promoção comercial, prospecção de negócios, capacitação e sensibilização de transformadores. Nesse período, 110 empresas conseguiram aumentar suas vendas ao exterior com apoio do programa.

Delarovera explica que 70% dos cem associados são pequenas e médias indústrias de transformação, ou seja, possuem menos de 300 funcionários. Nesse ponto, ele não vê incongruências globais. “Na China, as empresas que exportam plásticos para os Estados Unidos têm menos de cem funcionários”, comentou. Segundo ele, do ponto de vista dos compradores internacionais é melhor pulverizar os negócios entre alguns fornecedores do que depender de uma única fonte de suprimento.
Com base na experiência internacional e com os contatos efetuados em feiras, congressos e encontros setoriais, ele aconselha os transformadores a abandonar a idéia de evolução por etapas, pela qual o normal é iniciar as vendas ao exterior pelos países vizinhos, para só depois pensar em destinos mais distantes. “Dá para ir direto aos Estados Unidos, desde que se encontre a possibilidade de negócio”, afirmou. Um detalhe: a alíquota de imposto de importação é de 3% na Comunidade Européia, e zero, nos EUA. Nos países da Aladi, sobe para 12%.

Um dos métodos de atuação do Export Plastic consiste na identificação de oportunidades de negócios para transformadores nacionais. Essa informação é oferecida aos associados que devem avaliá-las quanto à conveniência e viabilidade financeira. “Algumas vezes, os transformadores se consorciam para atender aos pedidos”, disse. Em outra frente de trabalho, o programa traz potenciais compradores para visitar o País e participar da Brasilplast.

Em geral, os artigos exportados são feitos com resinas produzidas no Brasil, gerando benefícios para toda a cadeia produtiva. “Os produtores de resinas têm interesse nessas operações, até porque elas melhoram a qualidade dos transformadores e impedem a entrada de materiais importados”, considerou o diretor. Nesse conceito, as grandes petroquímicas oferecem resinas com as características desejadas e também apóiam os transformadores com os testes de laboratório de aplicações para garantir a qualidade final. “Vários países têm programas similares, mas só o Export Plastic conseguiu unir a cadeia completa, desde o petróleo, passando pelas centrais, segunda geração, transformação, logística e agentes oficiais no esforço exportador”, enfatizou. Em alguns raros casos, acontecem importações de resinas e semi-acabados em regime de draw-back para a elaboração de artigos plásticos finais com destino ao exterior.

O diretor do programa insiste com os transformadores de todos os tamanhos sobre a necessidade de adotar uma cultura exportadora, até como forma de sobrevivência. “Como o mercado interno é grande, muitos preferem deixar de lado as vendas internacionais, um grande erro”, disse. A atuação global reduz sazonalidades de mercado, aumenta o índice de ocupação, incentiva a acompanhar as tendências mais modernas e adotar padrões de qualidade mais apurados.

Para ingressar nessa atividade, porém, as empresas precisam se estruturar, principalmente em recursos humanos. Fazem falta profissionais fluentes em idiomas estrangeiros, com conhecimento das rotinas comerciais e com contatos no exterior. O Export Plastic ajuda, oferecendo bases de dados de clientes potenciais, assessoria nos procedimentos de exportação, parceria com empresas de transportes para oferecer descontos de frete (tanto em amostras como nas remessas de produtos finais) e até consultoria tributária.

Delarovera aconselha aos novatos em exportação observar todos os requisitos vigentes no país de destino para evitar problemas e prejuízos, uma vez que existem barreiras não-tarifárias a ultrapassar. O Export Plastic encomendou ao Centro de Tecnologia de Alimentos (Cetea/Ital) a tradução de todos os requisitos regulatórios de dezoito países importantes para o setor, com consulta aberta para os associados. “Tudo isso, por apenas R$ 575 por mês, a título de taxa associativa”, disse.

Plástico Moderno, Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações
Assis: reciclagem plástica avança e reduz poluição

Reciclando o setor – A cada ano, a reciclagem de plásticos aprimora sua imagem, valendo-se da preocupação crescente com a proteção do meio ambiente e com o melhor aproveitamento dos recursos naturais não-renováveis. Ao mesmo tempo, o número de empresas dedicadas à reciclagem mecânica de plásticos subiu de 492, em 2003, para 512, em 2005, conforme aponta recente levantamento da MaxiQuim Assessoria de Mercado, elaborado conforme normas do IBGE, feito por encomenda da Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, entidade mantida por fabricantes de resinas plásticas, transformadores e recicladores.

A quantidade total de plásticos reciclados, entre resíduos industriais e materiais de pós-consumo, cresceu 9,2% no período, de 702.997 t para 767.503 t. Desse total, a parte referente a pós-consumo saltou de 359 mil t para 455,7 mil t.

“Esse é o volume que mais interessa à sociedade, porque seria levado para os aterros ou poluiria o meio ambiente caso não fosse reciclado”, considerou Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida. A parcela referente aos resíduos industriais tende a encolher com a adoção de técnicas mais apuradas de controle de processos, com o intuito de reduzir perdas e custos.

Plástico Moderno, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

Além do estímulo ambiental, a reciclagem recebe estímulo econômico interessante. Com a elevação dos preços das resinas termoplásticas virgens, decorrentes da alta do petróleo, os materiais reciclados encontram espaço para valorização. Segundo o levantamento, no período considerado, o preço médio de venda de plásticos reciclados passou de R$ 1.741,11 por tonelada para R$ 2.117,23. “O atrativo econômico realmente existe, mas demora um pouco para que os investimentos sejam aplicados no setor”, disse Assis. Ele recomenda avaliar com cautela a atividade, pois o estudo revelou uma ociosidade de 40% entre os recicladores instalados em 2005.

De acordo com os dados apresentados, a reciclagem mecânica no Brasil não chega a 30% do total de plásticos descartados após o consumo. Assis atribui esse desempenho à inexistência de serviços de coleta seletiva de lixo nos principais municípios do País. Entre outros fatores, ele também aponta a ainda incipiente consolidação da figura do reciclador como atividade empresarial. “Começam a aparecer as primeiras empresas de reciclagem com mentalidade especialmente desenvolvida para isso”, afirmou.

Em geral, a base do sistema de reciclagem do País é formada por um enorme contingente de catadores de lixo que alimentam cooperativas ou indústrias de reprocessamento. Isso confere à atividade forte cunho social.

O percentual de plásticos pós-consumo reciclados no País não faz feio em âmbito mundial. Dados da Plastivida mostram que a União Européia recicla 17,8% desses produtos, sendo que a Alemanha apresenta o melhor índice, com 32,1%. Há outras formas de lidar com esses resíduos. A reciclagem química, que consiste em retornar aos constituintes básicos dos polímeros para nova síntese em seqüência, foi tentada no passado e deixada de lado por ter custo elevado. “Essa alternativa chegou a 10% no passado, mas agora não chega a 5% da reciclagem no mundo”, calculou Assis.

Existe também a chamada reciclagem energética, mais conhecida como incineração, na qual a energia contida nos plásticos pode ser aproveitada para geração de eletricidade. “No Japão, 90% dos plásticos pós-consumo têm esse destino, praticamente inexistente no Brasil”, disse. “Queremos incentivar o poder público a investir ou licenciar incineradores de lixo, uma solução melhor que a dos aterros, pelo menos para os plásticos.”

Plástico Moderno, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

O presidente da Plastivida lamenta que o consumidor brasileiro ainda não valorize adequadamente a reciclagem. Nos países mais desenvolvidos, a população prefere comprar artigos com algum teor de reciclados, mesmo que sejam um pouco mais caros. “Lá fora o argumento do produto ambientalmente correto é muito bem-aceito, ao contrário daqui, onde o mais barato sai sempre ganhando”, disse.

Entre as realizações da entidade, o presidente coloca o crescimento da reciclagem do poliestireno expandido (EPS), mais conhecido pelo nome comercial de isopor. “Criamos o projeto Repensar, que reuniu fabricantes do material, processadores, revendedores e recicladores para estudar os problemas e apontar soluções”, relatou. Com base na discussão, foi criado um projeto piloto no hipermercado Carrefour, em Osasco-SP, como forma de coletar o material, usado no enchimento de embalagens de eletrodomésticos. A maior dificuldade era a logística das operações, por causa da baixa densidade do material. Um caminhão capaz de carregar 12 toneladas fica abarrotado com apenas 450 kg de EPS. “Ainda falta resolver alguns detalhes operacionais, depois disso a Plastivida sairá do circuito e vai se dedicar a outros projetos”, afirmou. Atualmente existem apenas dois recicladores de EPS no Brasil. Com os esforços conjuntos, a reciclagem desse material passou de 6.303 t, em 2003, para 17.189 t, em 2005.

Durante a Brasilplast, a entidade pretende mostrar todas as etapas da reciclagem mecânica de plásticos, tanto para mostrar o esforço setorial na proteção do meio ambiente quanto para atrair investidores para a atividade.

 

Leia a reportagem principal:[box_light]Brasilplast 2007 – Maior vitrine do plástico da América Latina abriga quase 1.300 expositores e acolhe mais de 60 mil visitantes nacionais e estrangeiros[/box_light]

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