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Brasil avança na eliminação do chumbo nos produtos de PVC

Jose Paulo Sant Anna
13 de maio de 2019
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    Plástico Moderno, Brasil avança na eliminação do chumbo nos produtos de PVC

    Hoje, do total de produtos produzidos em PVC no Brasil, apenas 2,6% ainda usam chumbo como elemento estabilizante. Utilizado em muito maior escala até o início do século (não existem informações exatas sobre tal percentual), o metal pesado possui propriedades consideradas altamente contaminantes. Por motivos estratégicos ligados à disponibilidade de materiais no mercado brasileiro, a liga Ca/Zn tem sido a mais aproveitada para substituir o chumbo. Hoje ela é usada em 86,8% das aplicações no mercado nacional.

    A boa notícia, obtida a partir de estudo realizado pela MaxiQuim para o Instituto Brasileiro do PVC, foi anunciada ao mercado durante a realização da terceira edição do Viniltec, conferência tecnológica sobre o PVC. Realizado no último dia 20 de março em São Paulo-SP, o evento contou com palestras de profissionais ligados aos fabricantes da matéria-prima, aditivos, equipamentos, consultores e da academia. Foi organizado pela Society of Plastics Engineers (SPE) – Seção Brasil.

    A história da substituição do chumbo como estabilizante do PVC começou no final dos anos 90, quando o metal pesado se tornou alvo de reclamações mundiais de ambientalistas. Uma aplicação, em especial, incomodava os críticos. Os tubos de PVC eram (e são até hoje) fartamente utilizados para o transporte de água potável. As queixas também atingiam outros segmentos. Na época, a indústria automobilística chegou a ameaçar interromper o uso da resina, o que acabou não acontecendo.

    Plástico Moderno, Brasil avança na eliminação do chumbo nos produtos de PVC

    Bahiense: cálcio e zinco têm preferência; cádmio fica fora

    Fornecedores da matéria-prima e transformadores apresentaram trabalhos técnicos para tentar provar aos usuários que a presença do chumbo nos produtos finais não era danosa aos consumidores. Pelo sim, pelo não, no entanto, essa era uma questão incômoda. A União Europeia enfrentou o problema e no início deste século tomou a resolução de substituir o chumbo por outros estabilizantes. Ela anunciou que a partir de 2015 o chumbo seria completamente retirado de todo o produto de PVC produzido no continente europeu. Prometeu e cumpriu.

    No Brasil, também no início do século, empresários ligados ao setor decidiram não ficar atrás. “Por mais que mostrássemos a segurança dos produtos finais aos clientes, a presença do chumbo causava danos à imagem da resina”, explicou Miguel Bahiense, presidente do Instituto Brasileiro do PVC. Havia também o problema de que o chumbo adicionado ao PVC precisava ser fabricado, e isso poderia ocasionar danos à saúde dos trabalhadores dessas linhas de produção operadas por outros ramos industriais. “Não podíamos fechar os olhos para isso”.

    Capitaneado pelo instituto, as principais empresas presentes no país ligadas aos fornecedores de PVC, de estabilizantes e transformadores iniciaram em 2002 um projeto para adequar o mercado nacional o quanto antes à realidade europeia. Em 2016 foi realizada uma primeira pesquisa por aqui para medir o avanço da iniciativa. Em 2018 foi feita a segunda pesquisa, cujos resultados foram anunciados na Viniltec.

    Números atuais – De acordo com o estudo patrocinado pelo Instituto Brasileiro do PVC, o consumo aparente da resina no Brasil em 2018 ficou em 896,8 mil toneladas. A extrusão de tubos foi a aplicação que mais consumiu a resina, com 394,2 mil toneladas. Em segundo lugar, aparece a extrusão de perfis (134,5 mil t), seguida pela calandragem de flexíveis (77,9 mil t), injeção de rígidos (56,2 mil t), extrusão de filmes (55,8 mil t), extrusão de fios e cabos (55,6 mil t), injeção de flexíveis (50,6 mil t) e outras aplicações que utilizam menor quantidade da resina.

    O consumo aparente total de estabilizantes em 2018 no país foi de 23 mil toneladas. O número é 12,9% inferior ao constatado no estudo de 2016, quando foram utilizadas 26,4 mil toneladas, redução creditada à crise da economia. Do total das 23 mil toneladas, 73,1% foram destinadas às peças rígidas e 26,9% às flexíveis.

    Vale ressaltar: o percentual de uso de estabilizantes térmicos na formulação final do PVC varia com a operação de transformação. No caso da extrusão de tubos, por exemplo, o estabilizante entra em proporção de 2,5% do peso do produto a ser fabricado. Na extrusão de perfis, esse índice sobe para 3% e na calandragem de flexíveis fica em 2%. Entre os demais processos, as maiores porcentagens são as que se verificam na injeção de rígidos (4,5%) e na injeção de flexíveis (3%).

    Levando-se em conta essas proporções, a extrusão de tubos consumiu 42,9% do total de estabilizantes utilizados, seguida pela extrusão de perfis (17,6%), injeção de rígidos (11%), calandragem de flexíveis (6,8%), injeção de flexíveis (6,6%), extrusão de fios e cabos (6,1%) e demais operações de transformação.



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