Borracha natural – Plantio no país desponta no cenário global – Previsão de aumento da produção brasileira poderá evitar déficit no abastecimento mundial

Há também o Látex Centrifugado (LC), látex líquido contendo 66% de borracha seca acondicionado em tambores – matéria-prima de balões, luvas e camisinhas.

Indústria exige qualidade – Airton Reviglio, diretor da OMB de Mato Grosso, revela que é regra as indústrias pneumáticas homologarem as empresas fabricantes e fornecedoras de borracha natural e para isso exigem amostras, testam a qualidade dos lotes adquiridos e algumas vezes fazem auditorias nas usinas, com base na norma TS, específica da indústria automobilística. “É condição essencial para o fornecimento à indústria pneumática a certificação ISO 9001:2000”, enfatiza.

A norma ABNT 11.597 define as especificações para a borracha natural,  mas as indústrias pneumáticas costumam adotar especificações próprias, que incluem pequenas variações em relação à norma oficial. “Com base nestas especificações e na capacidade de fornecimento, as indústrias pneumáticas homologam seus fornecedores”, esclarece.Com a exigência da ISO 9001:2000, o fornecedor de borracha natural foi obri­gado a alcançar melhorias contínuas.  “Hoje acreditamos que o produto nacional  nada deve em qualidade ao importado”, assegura.

O executivo explica que a necessária qualidade da borracha procede tanto do seringal quanto do processo industrial. No seringal, a exposição ao sol,  o uso exagerado de coagulantes, a demora na coleta e outros procedimentos incorretos degradam o látex. Na indústria, é importante o zelo referente à granulação adequada, à temperatura na estufa, e ao armazenamento. “É importante sobretudo uma monitoração constante, para assegurar a qualidade do produto final”, recomenda.

A variedade dos clones também tem a ver com a capacidade de produção e com a qualidade do látex. Alguns são conhecidos pela baixa retenção de plasticidade (PRI) na borracha que produzem, característica que favorece a sua degradação, quando submetida a temperaturas. A PRI é medida com o plastímetro, em duas situações: no estado normal da borracha e depois de submetida à degradação em estufa (140o C por 30 minutos).

Outro fator de qualidade é a viscosidade, que indica a elasticidade quando a borracha é submetida a determinado torque. Sujidade, presença de nitrogênio e de teores de cinzas e voláteis também desqualificam a borracha, esclarece o executivo do Grupo OMB.

[toggle_simple title=”Pneu: limitação técnica define tipo de composto” width=”Width of toggle box”]

Aproximados três quartos da borracha natural produzida no mundo são destinados aos compostos de borrachas natural e sintética, a matéria-prima da indústria de pneus – a borracha natural equivale na média a 40% do composto. Tal percentual tem sido crescente, entre 1980 e 1990 ganhou dez pontos e assim está se mantendo, apesar da forte alta das cotações da borracha natural entre 1994 e 1997 e agora, desde 2002. Os restantes 60% correspondem à borracha sintética, precisamente o copolímero de estireno e butadieno (SBR). “Os tipos de utilização e exigência do pneumático a uma determinada condição definem a fórmula do composto”, esclarece a Associação Nacional da Indústria de Pneus (Anip).

É a Anip que esclarece: a borracha natural atende mais aos requisitos relacionados à tração, compressão, cisalhamento, histerese (capacidade de dissipar calor), grip (atrito com o solo) e aderência. A borracha sintética oferece mais resistências à abrasão e ao corte, e aumenta o módulo (dureza do composto).

Em princípio, quanto mais pesado o veículo, mais borracha natural há no pneu: automóvel, 16%; caminhonete, 20%; caminhão e ônibus, 40%; avião, devido à maior resistência requerida no impacto com o solo, 100%. A Anip afiança: os percentuais decorrem de conclusões essencialmente técnicas. Não há margem para alterações significativas no volume das duas borrachas ditadas por variações de ordem econômica.

“A substituição de uma borracha por outra pode ser feita respeitando os detalhes do projeto e os limites de segurança e performance”, pondera. “Mas, em regra, o projeto obedece a limitações técnicas que impedem substituições significativas”, conclui. Nos projetos, o que importa é a melhoria da performance – coisas como maior velocidade de resposta em curvas (deriva), frenagem, aderência no molhado e resposta segura em derivas bruscas. “Para obter a homologação, o pneu deve atender aos requisitos estabelecidos pelas indústrias automotiva e da aviação.”

A Yokohama Rubber, que está decidindo se constrói a nova fábrica no Brasil ou na Argentina, anunciou que desenvolveu um novo composto, que combina óleo de frutas cítricas com borracha natural e assim reduz em 80% a presença da borracha sintética em pneus de passeio. O composto é o Super Nanopower Rubber (SNR), matéria-prima do seu Decibel Super E-Spec.

Em 2006, a produção brasileira total de todos os pneumáticos automotivos alcançou precisas 54.476.793 unidades, das quais 18.720.204 (34,36%) foram exportadas para mais de cem países. Os cinco maiores fabricantes têm fábricas no País: Continental (Camaçari-BA); Bridgestone/Firestone (Ca­­maçari-BA e Santo André-SP); Goodyear (Americana-SP e São Paulo-SP); Michelin (Campo Grande-RJ e Itatiaia-RJ); e Pirelli (Santo André-SP, Campinas-SP, Feira de Santana-BA e Gravataí-RS). Há ainda as fábricas da Levorin e Maggion (Guarulhos-SP) e Rinaldi (Bento Gonçalves-RS).

[/toggle_simple] [toggle_simple title=”Produção dos líderes não deve crescer mais” width=”Width of toggle box”]

Em 2005, os três países que respondem por mais de 70% da produção, Tailândia, Indonésia e Malásia, produziram conjuntamente 6,3 milhões de t/ano de borracha natural – e em 2020 produzirão cerca de 7 milhões de t, concluiu o IRSG. Nos três países, o principal fator limitante, mas não o único, é o esgotamento do estoque de terras.

Na Malásia, dona da liderança por três quartos de século, a produção já está despencando – caiu de 1,6 milhão de t/ano, volume alcançado em 1985, para o patamar de 1,1 milhão em 2005. Em 2020, estará abaixo de 700 mil t. Além da limitação de terras, há problemas causados pela monocultura e estrutura fundiária excessivamente fragmentada. Pouco mais de 420 mil pequenos agricultores, os smallholders, respondem por 80% da produção em um ambiente marcado por produtividade baixa e decrescente; custo de produção crescente; e falta de mão-de-obra, conseqüência do êxodo campo-cidade e da industrialização acelerada.

Entre as soluções remediadoras apontadas pela Bolsa da Malásia, que elaborou a Rubber Revised Strategy, estão: a exploração conjunta das glebas; a integração com outras culturas como cacau e dendê; a adoção de novos métodos baseados em tecnologias inovadoras, principalmente para aumentar a sangria nas seringueiras maduras.

A propagação do Latex Timber Clone, que além de látex apresenta um tronco de maior diâmetro, valorizado na indústria moveleira, faz parte do esforço para assegurar a renda familiar do smallholder e mantê-lo na propriedade. O consultor Heiko Rossmann revela que o governo da Malásia sinalizou que pretende estabilizar a produção em 1 milhão de t/ano.

Na palestra que fez em Piracicaba-SP, em setembro de 2005, o secretário geral do IRSG, Hidde Smith, demonstrou que na Tailândia, agora o país líder, a produção tende a estabilizar-se no atual patamar, e na Indonésia, o segundo colocado, tende ainda a uma moderada evolução. Em 2005, a Tailândia e a Indonésia alcançaram os patamares de 2,9 milhões e 2,3 milhões de t. Nos dois países a produção de borracha natural enfrenta em menor grau os mesmos problemas limitantes da Malásia, agravados pela industrialização acelerada e pela opção estratégica de plantar dendê para reduzir a dependência energética.

A produção também não deverá evoluir na Índia, produtora em 2005 de 770 mil t, e na China, que no mesmo ano produziu 430 mil t e não tem terra para produzir mais. Será crescente no Vietnã – passará do patamar de 450 mil t para 650 mil; e nas Filipinas, onde evoluirá de 100 mil t para 170 mil. E acentuadamente decrescente no Sri Lanka – cairá de 150 mil t para 40 mil.

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