Plástico

BOPP – Tecnologia de biorientação conquista adeptos e garante novos desenvolvimentos e aumento de capacidade

Renata Pachione
24 de dezembro de 2007
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    O interesse na produção de filmes de BOPP vai além das fronteiras brasileiras. Segundo anúncio do grupo industrial chileno Sigdo Koppers, sua filial, a Sigdopack, instalou uma moderna fábrica com capacidade anual de 37,5 mil toneladas do filme. Localizada em Campana, na província de Buenos Aires, Argentina, a planta atende também o Brasil. Com investimentos de US$ 50 milhões, a companhia busca ser uma das três mais importantes fabricantes de filmes para embalagens entre os latino-americanos. A produção teve início em agosto e hoje opera com 80% de sua capacidade instalada.

    O investimento tem um porquê. Para os executivos do grupo, o uso dos filmes de BOPP tem aumentado na última década, especialmente na América Latina. Nessa região, eles constataram crescimento médio de 10% nos últimos anos. Entre os fatores que favoreceram esse avanço, destacam-se a mudança do hábito alimentar da população latino-americana, que incorporou em sua dieta os alimentos envasados. Outro ponto a favor do BOPP é a substituição de embalagens de papel pelo filme termoplástico. A Sigdopack iniciou suas atividades em 1997 e hoje tem capacidade de produção de BOPP de 30 mil toneladas/ano, no Chile, e de 37 mil toneladas anuais, na Argentina. A empresa se volta para as embalagens flexíveis nos alimentos e nas etiquetas.

    Plástico Moderno, BOPP - Tecnologia de biorientação conquista adeptos e garante novos desenvolvimentos e aumento de capacidade

    Vitopel comprou a planta em Mauá há dez anos

    O tradicional fabricante argentino de filmes de polipropileno biorientado, a Votocel, do grupo Votorantim, desde 2005 pertence à Vitopel. De acordo com o presidente da Vitopel do Brasil, Plínio Musetti, após a aquisição, a empresa pôde competir com quaisquer produtores locais e estrangeiros. Com esse negócio, segundo seus executivos, a Vitopel tornou-se a quinta maior companhia de BOPP do mundo, com nove linhas de produção. “Temos a flexibilidade de direcionar mercado e produtos para obtermos a melhor performance e atender os nossos clientes”, afirma Musetti.

    A história desse fabricante remonta para 1988, na Argentina, onde iniciou a produção do filme. Em 1997, chegou ao Brasil com a aquisição da Koppol, empresa localizada em Mauá, São Paulo. Hoje, tem capacidade para produzir 127 mil toneladas ao ano, das quais 70% representam a demanda nacional. A Vitopel atua em três áreas: embalagem, rótulo e etiqueta, e ingraf (filmes de BOPP para laminação de produtos gráficos e produção de fitas adesivas); cada segmento representa para o faturamento da empresa: 65%, 19% e 16%, nessa ordem.

    Para Musetti, hoje a Vitopel é líder em BOPP no Brasil e na Argentina, com mais de 50% de participação. A intenção é crescer. “Em 2008, seremos impulsionados pelos novos projetos e aplicações com taxas acima da média dos últimos anos”, prevê Musetti. Apesar de não definir as novidades, ele antecipa que a empresa está investindo no desenvolvimento de novos produtos e em inovação tecnológica.

    Flexível – O mercado de filmes de BOPP acompanha de perto o da indústria de embalagens plásticas flexíveis. Esse setor faturou cerca de US$ 3 bilhões e registrou produção em torno de 680 mil toneladas, no ano passado. Esse cenário tem potencial para crescimento. Segundo estudo da Pira International, divulgado pela Associação Brasileira de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), até 2010, a demanda mundial desse tipo de embalagem aumentará 30%. As expectativas para o Brasil apontam que, até 2009, o consumo será elevado em 20%.

    Os fabricantes de BOPP têm muito a faturar. No Brasil, os segmentos de biscoitos representam o maior consumo entre os flexíveis plásticos. O fumo vem em seguida. No quesito inovações, os desenvolvimentos apontam para os produtos personalizados e em doses individuais, assim como as embalagens interativas e aquelas que embutem um apelo ecológico, de acordo com a Abief. “Para a indústria do BOPP, vislumbro o desenvolvimento de embalagens biodegradáveis e laminação com outros substratos, como não-tecidos, polietileno, poliéster, papel e outros”, comenta Musetti.

    BOPP no mundo – Estudo divulgado pela Abief anuncia um cenário pouco positivo para o BOPP nos próximos anos. As expectativas dão conta de que o crescimento desse filme será de 5,9% ao ano até 2010. Segundo diagnóstico de pesquisa realizada pela consultoria PCI Films, a Ásia, sobretudo a China, representa o principal player deste mercado, estimado em torno de 6 milhões de toneladas, para daqui a três anos.

    Como referência, o estudo utiliza o mercado europeu de filmes flexíveis, estimado em 3,6 milhões de toneladas em 2009. O BOPP corresponderia a 25% deste volume. Em tempo: o consumo per capita de BOPP no mundo é de 0,65 kg por habitante.

    Hoje, 68% dos filmes de BOPP são usados na indústria mundial de alimentos. Desse total, 15% se destinam às embalagens de biscoitos e produtos de panificação. O restante se divide entre massas, confeitados e outros alimentos.

    O estudo revela, no entanto, uma oportunidade para o mercado de BOPP: o segmento premium. Além de garantir a proteção, crocância e o aroma dos embalados, o filme oferece a excelente aparência do metalizado, assim como oferta possibilidades diversificadas com o aspecto mate. “Em virtude do alto brilho, é possível colocar o BOPP em aplicações nobres, mesmo em embalagens rotuladas, como de populares”, diz Sandra, da Polo Films. Entre as vantagens do filme, ela considera também o alto brilho, a transparência e a boa opacidade em películas brancas, além do rendimento e do valor agregado.



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