Plástico

BOPP – Tecnologia de biorientação conquista adeptos e garante novos desenvolvimentos e aumento de capacidade

Renata Pachione
24 de dezembro de 2007
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    O rumo do mercado de polipropileno biorientado (BOPP) mostra-se ainda em definição. Apesar dos fabricantes anunciarem a ampliação da sua capacidade produtiva, alguns deles têm apostado na tecnologia de biorientação também para outros produtos, como o náilon e o poliéster. No entanto, vistos como complementares, esses novos desenvolvimentos não chegam a comprometer a preferência pelo filme de BOPP, em algumas aplicações. As suas propriedades de barreira e a excelência na aparência são alguns quesitos que o tornam imbatível no setor alimentício, não somente nas embalagens, como ainda em rótulos e etiquetas.

    Forte no alimento – Responsável por mais de 50% do consumo de embalagens plásticas flexíveis, a indústria de alimentos demonstra fôlego para aumentar as vendas dos fabricantes de BOPP. A tendência de substituição das embalagens rígidas já é anunciada há alguns anos e tende a se confirmar, com o auxílio dos novos desenvolvimentos da indústria dos filmes biorientados. Esse mercado é capaz de acompanhar as exigências do consumidor, pois vai ao encontro da necessidade de embalagens menores e recicláveis, além da maior preocupação com o meio ambiente.

    As aplicações são diversas: embalagens de café, snacks, biscoitos, massas, sorvetes, etiquetas envolventes, etiquetas adesivas, fitas adesivas, cigarros, filme embalagem para presente, entre outras. No entanto, os filmes de BOPP têm como principal consumidor o setor alimentício. Segundo estimativa da Polo Films, fabricante de filmes de BOPP, com escritório em São Paulo, o segmento responde por 70% da sua demanda. “O BOPP é o produto de maior número de aplicações e combinações possíveis que a indústria de alimentos dispõe em embalagens flexíveis primárias”, justifica a consultora de marketing da Polo Films, Sandra Andrade.

    Versátil, o BOPP pode ser usado como monocamada ou laminado na composição de variados tipos de estruturas. O filme oferece forte apelo visual nas gôndolas dos supermercados. Mas a principal característica diz respeito à proteção do produto embalado, por causa, sobretudo, da barreira ao vapor, da resistência mecânica de tração e da elongação. Essas propriedades têm uma causa bastante clara que justifica o nome. Durante o processo de transformação do polipropileno, o filme sofre estiramento duplo e as moléculas se agrupam com enorme intensidade.

    De acordo com a Polo Films, a taxa de crescimento anual do mercado de BOPP nos últimos sete anos oscilou entre 5% e 8%. Esse índice configura um setor estimado entre 100 mil e 120 mil toneladas/ano. “É notório o aumento do consumo do BOPP, haja vista o número de embalagens presentes no nosso dia-a-dia”, afirma Sandra. Para ela, esse avanço está relacionado com o surgimento de novas aplicações dos flexíveis plásticos. “O BOPP participa da embalagem de maneira que traga reduções de custo perante outros materiais, como PET, náilon, folha de alumínio e papel em suas diferentes aplicações”, confirma. Dados da Vitopel, fabricante de filmes de BOPP, com escritórios no Brasil, Estados Unidos e Argentina, dão conta de que essa indústria irá encerrar 2007 com consumo de 104 mil toneladas.

    A Polo Films se posiciona como a empresa responsável pela introdução do BOPP no Brasil e na América Latina. A entrada desse filme no mercado nacional se deu em 1980, em Minas Gerais. Quinze anos depois, a Polo passou a fazer parte do grupo Unigel Química e hoje conta com unidades fabris em Montenegro-RS e Varginha-MG. São duas as tecnologias de produção utilizadas pela companhia: a balanceada e a plana. O processo balanceado (blow) é vertical e o plano (tenter), horizontal. No primeiro, forma-se uma “bolha” de até 1,480 metros de diâmetro. O alongamento, nesse caso, é igual nas duas direções (no estiramento transversal e no longitudinal), podendo obter até 20% de encolhimento do filme. No processo plano, constitui-se um “lençol” que sai da extrusora com 1,2 metros de largura e, no estiramento transversal, pode alcançar até 8,2 metros e cinco camadas. A tecnologia plana está instalada na fábrica gaúcha e a balanceada, na mineira.

    Em Montenegro, a empresa conta com o Centro Polo de Tecnologia e Inovação (CPTi), para análise e desenvolvimento dos mais diversos filmes para o setor de embalagens. A capacidade produtiva da companhia hoje é de cerca de 60 mil toneladas/ano. No entanto, esse volume será elevado para 100 mil toneladas anuais, com a partida de uma terceira linha de produção em Montenegro. A confiança no BOPP instigou o grupo a investir R$ 100 milhões na nova linha, de Montenegro. “As instalações estão em ritmo acelerado”, avisa. A inauguração oficial da planta não está definida, porém a empresa garante início previsto até o primeiro bimestre de 2008.

    Plástico Moderno, Sandra Andrade, consultora de marketing da Polo Films, BOPP - Tecnologia de biorientação conquista adeptos e garante novos desenvolvimentos e aumento de capacidade

    Sandra, da Polo Films, apresentou novidades em filmes metalizados

    Esse incremento da capacidade produtiva irá atender às demandas nacionais e internacionais. “O próximo ano será importante em relação ao nosso posicionamento no mercado e ao desenvolvimento de novas oportunidades”, conclui. Hoje a empresa exporta seus produtos para mais de vinte países. A expectativa é de aumentar as exportações, com a ampliação de sua capacidade produtiva.

    Desenvolvimentos – Além do aumento da produção, a companhia apresentou produtos. Entre as novidades, o TMT é um dos destaques. De média barreira, o filme metalizado apresenta uma ou ambas as faces tratadas e tensão superficial na face metalizada que possibilita impressão e/ou laminação nesta face sem a necessidade de aplicação de verniz base – o chamado primer. De acordo com Sandra, o filme possui na face metalizada tensão superficial entre 38 e 42 dinas/cm com garantia de tratamento por dois meses desde sua fabricação. “Aplicações desenvolvidas demonstram excelente desempenho em impressões externas de envoltórios para alimentos, reduzindo riscos potenciais de migrações de solventes”, explica a consultora. O fabricante indica o uso em rótulos tipo roll label para garrafas, com impressão externa e aplicações gráficas em geral.



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