BOPP – Tecnologia de biorientação conquista adeptos e garante novos desenvolvimentos e aumento de capacidade

O rumo do mercado de polipropileno biorientado (BOPP) mostra-se ainda em definição. Apesar dos fabricantes anunciarem a ampliação da sua capacidade produtiva, alguns deles têm apostado na tecnologia de biorientação também para outros produtos, como o náilon e o poliéster. No entanto, vistos como complementares, esses novos desenvolvimentos não chegam a comprometer a preferência pelo filme de BOPP, em algumas aplicações. As suas propriedades de barreira e a excelência na aparência são alguns quesitos que o tornam imbatível no setor alimentício, não somente nas embalagens, como ainda em rótulos e etiquetas.

Forte no alimento – Responsável por mais de 50% do consumo de embalagens plásticas flexíveis, a indústria de alimentos demonstra fôlego para aumentar as vendas dos fabricantes de BOPP. A tendência de substituição das embalagens rígidas já é anunciada há alguns anos e tende a se confirmar, com o auxílio dos novos desenvolvimentos da indústria dos filmes biorientados. Esse mercado é capaz de acompanhar as exigências do consumidor, pois vai ao encontro da necessidade de embalagens menores e recicláveis, além da maior preocupação com o meio ambiente.

As aplicações são diversas: embalagens de café, snacks, biscoitos, massas, sorvetes, etiquetas envolventes, etiquetas adesivas, fitas adesivas, cigarros, filme embalagem para presente, entre outras. No entanto, os filmes de BOPP têm como principal consumidor o setor alimentício. Segundo estimativa da Polo Films, fabricante de filmes de BOPP, com escritório em São Paulo, o segmento responde por 70% da sua demanda. “O BOPP é o produto de maior número de aplicações e combinações possíveis que a indústria de alimentos dispõe em embalagens flexíveis primárias”, justifica a consultora de marketing da Polo Films, Sandra Andrade.

Versátil, o BOPP pode ser usado como monocamada ou laminado na composição de variados tipos de estruturas. O filme oferece forte apelo visual nas gôndolas dos supermercados. Mas a principal característica diz respeito à proteção do produto embalado, por causa, sobretudo, da barreira ao vapor, da resistência mecânica de tração e da elongação. Essas propriedades têm uma causa bastante clara que justifica o nome. Durante o processo de transformação do polipropileno, o filme sofre estiramento duplo e as moléculas se agrupam com enorme intensidade.

De acordo com a Polo Films, a taxa de crescimento anual do mercado de BOPP nos últimos sete anos oscilou entre 5% e 8%. Esse índice configura um setor estimado entre 100 mil e 120 mil toneladas/ano. “É notório o aumento do consumo do BOPP, haja vista o número de embalagens presentes no nosso dia-a-dia”, afirma Sandra. Para ela, esse avanço está relacionado com o surgimento de novas aplicações dos flexíveis plásticos. “O BOPP participa da embalagem de maneira que traga reduções de custo perante outros materiais, como PET, náilon, folha de alumínio e papel em suas diferentes aplicações”, confirma. Dados da Vitopel, fabricante de filmes de BOPP, com escritórios no Brasil, Estados Unidos e Argentina, dão conta de que essa indústria irá encerrar 2007 com consumo de 104 mil toneladas.

A Polo Films se posiciona como a empresa responsável pela introdução do BOPP no Brasil e na América Latina. A entrada desse filme no mercado nacional se deu em 1980, em Minas Gerais. Quinze anos depois, a Polo passou a fazer parte do grupo Unigel Química e hoje conta com unidades fabris em Montenegro-RS e Varginha-MG. São duas as tecnologias de produção utilizadas pela companhia: a balanceada e a plana. O processo balanceado (blow) é vertical e o plano (tenter), horizontal. No primeiro, forma-se uma “bolha” de até 1,480 metros de diâmetro. O alongamento, nesse caso, é igual nas duas direções (no estiramento transversal e no longitudinal), podendo obter até 20% de encolhimento do filme. No processo plano, constitui-se um “lençol” que sai da extrusora com 1,2 metros de largura e, no estiramento transversal, pode alcançar até 8,2 metros e cinco camadas. A tecnologia plana está instalada na fábrica gaúcha e a balanceada, na mineira.

Em Montenegro, a empresa conta com o Centro Polo de Tecnologia e Inovação (CPTi), para análise e desenvolvimento dos mais diversos filmes para o setor de embalagens. A capacidade produtiva da companhia hoje é de cerca de 60 mil toneladas/ano. No entanto, esse volume será elevado para 100 mil toneladas anuais, com a partida de uma terceira linha de produção em Montenegro. A confiança no BOPP instigou o grupo a investir R$ 100 milhões na nova linha, de Montenegro. “As instalações estão em ritmo acelerado”, avisa. A inauguração oficial da planta não está definida, porém a empresa garante início previsto até o primeiro bimestre de 2008.

Plástico Moderno, Sandra Andrade, consultora de marketing da Polo Films, BOPP - Tecnologia de biorientação conquista adeptos e garante novos desenvolvimentos e aumento de capacidade
Sandra, da Polo Films, apresentou novidades em filmes metalizados

Esse incremento da capacidade produtiva irá atender às demandas nacionais e internacionais. “O próximo ano será importante em relação ao nosso posicionamento no mercado e ao desenvolvimento de novas oportunidades”, conclui. Hoje a empresa exporta seus produtos para mais de vinte países. A expectativa é de aumentar as exportações, com a ampliação de sua capacidade produtiva.

Desenvolvimentos – Além do aumento da produção, a companhia apresentou produtos. Entre as novidades, o TMT é um dos destaques. De média barreira, o filme metalizado apresenta uma ou ambas as faces tratadas e tensão superficial na face metalizada que possibilita impressão e/ou laminação nesta face sem a necessidade de aplicação de verniz base – o chamado primer. De acordo com Sandra, o filme possui na face metalizada tensão superficial entre 38 e 42 dinas/cm com garantia de tratamento por dois meses desde sua fabricação. “Aplicações desenvolvidas demonstram excelente desempenho em impressões externas de envoltórios para alimentos, reduzindo riscos potenciais de migrações de solventes”, explica a consultora. O fabricante indica o uso em rótulos tipo roll label para garrafas, com impressão externa e aplicações gráficas em geral.

O interesse na produção de filmes de BOPP vai além das fronteiras brasileiras. Segundo anúncio do grupo industrial chileno Sigdo Koppers, sua filial, a Sigdopack, instalou uma moderna fábrica com capacidade anual de 37,5 mil toneladas do filme. Localizada em Campana, na província de Buenos Aires, Argentina, a planta atende também o Brasil. Com investimentos de US$ 50 milhões, a companhia busca ser uma das três mais importantes fabricantes de filmes para embalagens entre os latino-americanos. A produção teve início em agosto e hoje opera com 80% de sua capacidade instalada.

O investimento tem um porquê. Para os executivos do grupo, o uso dos filmes de BOPP tem aumentado na última década, especialmente na América Latina. Nessa região, eles constataram crescimento médio de 10% nos últimos anos. Entre os fatores que favoreceram esse avanço, destacam-se a mudança do hábito alimentar da população latino-americana, que incorporou em sua dieta os alimentos envasados. Outro ponto a favor do BOPP é a substituição de embalagens de papel pelo filme termoplástico. A Sigdopack iniciou suas atividades em 1997 e hoje tem capacidade de produção de BOPP de 30 mil toneladas/ano, no Chile, e de 37 mil toneladas anuais, na Argentina. A empresa se volta para as embalagens flexíveis nos alimentos e nas etiquetas.

Plástico Moderno, BOPP - Tecnologia de biorientação conquista adeptos e garante novos desenvolvimentos e aumento de capacidade
Vitopel comprou a planta em Mauá há dez anos

O tradicional fabricante argentino de filmes de polipropileno biorientado, a Votocel, do grupo Votorantim, desde 2005 pertence à Vitopel. De acordo com o presidente da Vitopel do Brasil, Plínio Musetti, após a aquisição, a empresa pôde competir com quaisquer produtores locais e estrangeiros. Com esse negócio, segundo seus executivos, a Vitopel tornou-se a quinta maior companhia de BOPP do mundo, com nove linhas de produção. “Temos a flexibilidade de direcionar mercado e produtos para obtermos a melhor performance e atender os nossos clientes”, afirma Musetti.

A história desse fabricante remonta para 1988, na Argentina, onde iniciou a produção do filme. Em 1997, chegou ao Brasil com a aquisição da Koppol, empresa localizada em Mauá, São Paulo. Hoje, tem capacidade para produzir 127 mil toneladas ao ano, das quais 70% representam a demanda nacional. A Vitopel atua em três áreas: embalagem, rótulo e etiqueta, e ingraf (filmes de BOPP para laminação de produtos gráficos e produção de fitas adesivas); cada segmento representa para o faturamento da empresa: 65%, 19% e 16%, nessa ordem.

Para Musetti, hoje a Vitopel é líder em BOPP no Brasil e na Argentina, com mais de 50% de participação. A intenção é crescer. “Em 2008, seremos impulsionados pelos novos projetos e aplicações com taxas acima da média dos últimos anos”, prevê Musetti. Apesar de não definir as novidades, ele antecipa que a empresa está investindo no desenvolvimento de novos produtos e em inovação tecnológica.

Flexível – O mercado de filmes de BOPP acompanha de perto o da indústria de embalagens plásticas flexíveis. Esse setor faturou cerca de US$ 3 bilhões e registrou produção em torno de 680 mil toneladas, no ano passado. Esse cenário tem potencial para crescimento. Segundo estudo da Pira International, divulgado pela Associação Brasileira de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), até 2010, a demanda mundial desse tipo de embalagem aumentará 30%. As expectativas para o Brasil apontam que, até 2009, o consumo será elevado em 20%.

Os fabricantes de BOPP têm muito a faturar. No Brasil, os segmentos de biscoitos representam o maior consumo entre os flexíveis plásticos. O fumo vem em seguida. No quesito inovações, os desenvolvimentos apontam para os produtos personalizados e em doses individuais, assim como as embalagens interativas e aquelas que embutem um apelo ecológico, de acordo com a Abief. “Para a indústria do BOPP, vislumbro o desenvolvimento de embalagens biodegradáveis e laminação com outros substratos, como não-tecidos, polietileno, poliéster, papel e outros”, comenta Musetti.

BOPP no mundo – Estudo divulgado pela Abief anuncia um cenário pouco positivo para o BOPP nos próximos anos. As expectativas dão conta de que o crescimento desse filme será de 5,9% ao ano até 2010. Segundo diagnóstico de pesquisa realizada pela consultoria PCI Films, a Ásia, sobretudo a China, representa o principal player deste mercado, estimado em torno de 6 milhões de toneladas, para daqui a três anos.

Como referência, o estudo utiliza o mercado europeu de filmes flexíveis, estimado em 3,6 milhões de toneladas em 2009. O BOPP corresponderia a 25% deste volume. Em tempo: o consumo per capita de BOPP no mundo é de 0,65 kg por habitante.

Hoje, 68% dos filmes de BOPP são usados na indústria mundial de alimentos. Desse total, 15% se destinam às embalagens de biscoitos e produtos de panificação. O restante se divide entre massas, confeitados e outros alimentos.

O estudo revela, no entanto, uma oportunidade para o mercado de BOPP: o segmento premium. Além de garantir a proteção, crocância e o aroma dos embalados, o filme oferece a excelente aparência do metalizado, assim como oferta possibilidades diversificadas com o aspecto mate. “Em virtude do alto brilho, é possível colocar o BOPP em aplicações nobres, mesmo em embalagens rotuladas, como de populares”, diz Sandra, da Polo Films. Entre as vantagens do filme, ela considera também o alto brilho, a transparência e a boa opacidade em películas brancas, além do rendimento e do valor agregado.

Plástico Moderno, Osvaldo Luis Belintani, superintendente técnico da Novelprint, BOPP - Tecnologia de biorientação conquista adeptos e garante novos desenvolvimentos e aumento de capacidade
Belintani aposta na abertura do mercado para o liner de BOPP

A PCI Films aponta ainda que os fabricantes de BOPP devem buscar estratégias de competitividade, baseadas nas tecnologias de processamento de alto nível e know-how. No rumo dessa proposta, os filmes de altíssima barreira surgem como uma boa oportunidade de vendas. O foco para os próximos anos está voltado para a substituição das folhas de alumínio, do papel, dos revestimentos de polivinilideno clorado (PVDC) e das mangas de policloreto de vinila (PVC) pelos filmes de BOPP.

Etiquetas e rótulos – As embalagens para salgadinhos e biscoitos já se consolidaram como um grande mercado para os fabricantes de flexíveis plásticos. No entanto, outras aplicações despontam com mais força a cada ano, como é o caso dos rótulos adesivos, em substituição ao papel.

O superintendente técnico da Novelprint, Osvaldo Luis Belintani, enumera algumas vantagens do BOPP na função de liner (substrato do rótulo), por exemplo. O filme plástico teria destaque em questões como a qualidade do produto final e o melhor desempenho do release (a facilidade de retirar a etiqueta). Ele explica que com esse aperfeiçoamento se exige menos do equipamento. Além disso, durante o processo, na máquina aplicadora, o BOPP oferece corte perfeito e não solta partículas de poeira, ao contrário do papel. No entanto, o fator mais relevante se refere à transparência. O aspecto no label look não é atingido com o papel.

A produtividade representa outro grande benefício do liner em termoplástico. Em uma aplicação prática, em média, com o BOPP de 40 micros, o fabricante consegue elevar a capacidade de produção da máquina em 30%, se comparado ao liner de papel de 70 micros. Porém, uma nova migração vem sendo anunciada. O poliéster de 23 micros tem avançado nessa aplicação, em substituição ao BOPP. A linha evolutiva se estabelece hoje da seguinte forma para a Novelprint: o liner saiu do papel para o BOPP, que começa a dar espaço ao poliéster. “Com o poliéster, é possível aumentar em 20% a produtividade da máquina, em relação ao BOPP”, comenta Belintani. A estabilidade térmica e a espessura reduzida tornam esse termoplástico mais atraente do que o BOPP.

Para Belintani, a indústria nacional começa a se abrir para essa nova configuração. No entanto, está longe do ideal, pois o papel ainda tem grande participação no mercado, de forma geral.

Em relação ao papel, ele ressalta outra questão, talvez a mais importante no momento: o meio ambiente. A Novelprint possui um programa que estimula a reciclagem dos termoplásticos, independentemente de ser um polipropileno ou um poliéster. De acordo com Belintani, essa é uma maneira de oferecer ao filme plástico uma vantagem competitiva perante o papel. A empresa propõe aos clientes a retirada do liner e depois o revende para uma recicladora capaz de transformá-lo em utensílios, como vassouras e baldes. “Vendemos o rótulo e nos comprometemos a comprar a sucata de volta, como parte da negociação”, comenta.

Na década de 80, a Novelprint encabeçou um movimento de substituição do papel para o BOPP no liner. A Unilever foi uma das primeiras indústrias a apostar no rótulo auto-adesivo, com o BOPP. “O efeito no label look agrega valor à embalagem”, anuncia. Por isso, durante os últimos vinte anos, a empresa priorizou o BOPP. No segmento de liner, 95% das vendas são de material plástico. Desse volume, o uso do polipropileno gira em torno de 80%.

Plástico Moderno, BOPP - Tecnologia de biorientação conquista adeptos e garante novos desenvolvimentos e aumento de capacidade
Participação do filme biorientado ganha expressão em novas aplicações

O direcionamento para o poliéster significa um passo rumo à inovação. Porém, não compromete o uso do BOPP no segmento de rótulos e etiquetas, pois esse filme é a escolha do frontal básico. Na área de plásticos, o BOPP representa 90% das vendas da Novelprint. Ainda na busca de novidades, a companhia tem projeto de implantar o nanomaterial nos rótulos. A empresa propôs, para começar, uma aplicação específica para o setor de bebidas, na qual a estrutura seria com o frontal de BOPP e o liner, de poliéster.

Outros filmes – Apesar dos novos desenvolvimentos em BOPP e das oportunidades anunciadas pelas empresas, os fabricantes buscam complementar suas linhas com outras alternativas. A Sigdopack aposta no pioneirismo do náilon biorientado (Bopa). Inaugurada em maio, no Chile, a unidade tem capacidade para produzir 5 mil toneladas/ano. A vantagem desse filme está na barreira. O náilon oferece propriedades mecânicas, resistência à punção e alta barreira ao oxigênio e aos aromas. O produto também mantém suas propriedades tanto em alta como em baixas temperaturas. Ao contrário do que possa parecer, o filme não canibaliza as vendas do BOPP, pois os dois produtos são complementares. Pode-se dizer, em linhas gerais, que enquanto um se destina para embalar produtos úmidos (Bopa), o outro participa do mercado de alimentos secos (BOPP).

Com base no mesmo princípio de complementar seu portfólio, a Polo Films investiu na construção de uma fábrica de filme de poliéster biorientado (BOPET). De momento, são poucas as definições sobre o empreendimento. Sabe-se que sua partida é esperada para 2008. “Os investimentos deverão acompanhar as tendências de mercado”, explica Sandra. Ela informa que a instalação da planta de BOPET tem a proposta de diversificar a linha de produtos da empresa, mas a companhia também almeja parcela de um mercado estimado em cerca de 30 mil toneladas/ano, na América Latina. No mundo, a Polo Films projeta demanda de 2 milhões de toneladas/ano do filme, que apresenta taxa média de crescimento de 5% ao ano.

No entendimento da empresa, há uma forte sinergia entre os filmes de BOPP e de BOPET, em especial, no mercado de produtos alimentícios. Entre as vantagens do BOPET, o grupo destaca a boa resistência térmica e mecânica. Outro ponto a favor diz respeito à barreira ao oxigênio e a outros gases. As principais aplicações são: embalagens para café, massas secas e bebida pronta. É utilizado também em embalagens do tipo stand-up pouch de maionese e molhos, entre outras.

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