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Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia – Economia circular

Antonio Carlos Santomauro
8 de outubro de 2020
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    Preço e reciclagem – Biopolímeros são também oferecidos por outros grandes fornecedores de resinas, como Dow e Ineos, que recentemente anunciaram acordos para utilizar a nafta renovável da UPM, comercializada com a marca BioVerno, para empregá-la na produção de poliolefinas e PVC.

    Mas alguns entraves ainda inibem a ampliação dos biomateriais. Um deles, o preço, por enquanto superior ao das resinas de origem fóssil, decorrente, em parte, de um custo de produção mais elevado.

    Uma sacola feita com o ecovio, da Basf, por exemplo, tem custo de três a quatro vezes superior ao de uma similar fabricada com resina convencional. “Isso, com certeza, inibe a demanda”, argumenta Spedo.

    A Arkema, afirma Paganini, consegue disponibilizar resinas de fontes renováveis com preços bastante competitivos. “Em nossa linha Pebax de poliamidas elastoméricas temos exatamente as mesmas opções de grades, em versões provenientes de petróleo ou de fontes renováveis. E ambas têm preços muito próximos”, salienta. “Os produtos de fonte renovável ainda apresentam menor consumo, mas sua demanda está em franca ascensão”, acrescenta.

    Transformadores e consumidores, pondera o profissional da Arkema, talvez não se mostrem ainda muito dispostos a pagar mais pelos bioplásticos. “Com resinas que apresentam preços e performances similares, o apelo da fonte renovável é um diferencial importante”, avalia Pagani. Segundo ele, as poliamidas provenientes de fontes renováveis têm características de reciclablidade muito semelhantes às das petroquímicas. “São muito similares as propriedades mecânicas do material reciclado de nossas linhas Pebax Rnew, de origem biológica, e Pebax, de origem fóssil”, exemplifica Paganini, referindo-se a duas linhas de poliamidas elastoméricas que “se espelham” uma à outra, com produtos equivalentes, porém de origens distintas.

    Também o PE verde da Braskem, enfatiza Clemesha, é tão reciclável quanto o fóssil, até porque idêntico a ele. “O reciclador nem percebe a diferença, só dá para distinguir um do outro pelo método do carbono 14, que revela a idade do carbono presente no polímero”, explica.

    Na opinião de Clemesha, as resinas qualificadas como drop in, que por serem iguais podem ser agregadas aos plásticos petroquímicos, constituem alternativa até mais interessante para a sustentabilidade que as biodegradáveis, pois não prejudicam a reciclagem quando misturadas aos plásticos convencionais. “O ideal será combinar os usos de resinas de fontes renováveis e de recicladas, já temos clientes fazendo isso”, diz. “Estou bem otimista com o futuro dos bioplásticos: a demanda por eles está aquecida e pode crescer ainda mais”, complementa o profissional da Braskem.

    Para Giuseppe Santanchè, sócio e diretor comercial da Purcom, a demanda por soluções de fontes renováveis se consolidará definitivamente quando a economia circular for percebida como conceito capaz de efetivamente gerar valor financeiro, e não apenas por questões ambientais. “Então se verá mais claramente que os materiais com origem renovável, assim como os recicláveis, adequam-se melhor a esse conceito”, justifica.

    Plástico Moderno - Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia - Economia circular ©QD Foto: Divulgação

    Santachè: poliol vegetal gera espuma de geladeira melhor

    Especializada em soluções de PU, a Purcom utiliza tanto polióis de origem renovável quanto petroquímicos (o poliol e o isocianato são os ingredientes básicos do poliuretano). A partir de óleo extraído de soja ou mamona, entre outros vegetais, produz ela própria os insumos que suprem cerca de um quarto de sua demanda, e compra de fornecedores os polióis de origem petroquímica.

    Em algumas aplicações, afirma Santanchè, é hoje possível trabalhar apenas com os primeiros e obter um PU com desempenho até superior ao de outro, formulado com poliol petroquímico. “Em espumas de geladeira, por exemplo, as características de estrutura e reatividade do poliol vegetal as tornam mais resistentes à compressão”, compara.

    Plástico Moderno - Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia - Economia circular ©QD Foto: Divulgação

    Purcom desenvolve aplicações e produtos em seu laboratório

    Mas, segundo o profissional da Purcom, mesmo empresas que hoje adotam um discurso vinculado à sustentabilidade muitas vezes privilegiam os ingredientes petroquímicos pelos preços mais vantajosos. “Temos clientes que aceitam pagar um pouco mais pelos produtos renováveis em setores como a indústria de calçados, a indústria de óleo e gás, e também a indústria automobilística, que usa polióis renováveis especialmente em adesivos, mas poderia utilizá-los em mais aplicações, até por ter metas globais de sustentabilidade”, argumenta.

    O poliuretano, lembra Santanchè, por ser um termofixo, só pode ser reciclado por tecnologias sofisticadas, inviáveis em escala comercial. Mas a Purcom desenvolveu uma tecnologia que permite, com custo bastante acessível, reciclar espumas rígidas de PU, utilizadas em aplicações como geladeiras, quebrando em uma base líquida a estrutura das moléculas uretânicas, e adicionando um glicol que transforma esse PU despolimerizado em um novo poliol. “Já tenho uma planta piloto que produz, por enquanto para testes e desenvolvimento, cerca de 200 kg de poliol reciclado por dia”, informa.



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