Embalagens

Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia – Economia circular

Antonio Carlos Santomauro
8 de outubro de 2020
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    Do Brasil para o mundo – Disponibilizado com a marca I’m Green – que a empresa associa a todos os seus produtos focados na economia circular, inclusive às resinas recicladas –, o PE proveniente de cana-de-açúcar desenvolvido pela Braskem tem hoje versões PEBD, PELBD e PEAD. Foi lançado há exatos dez anos e é empregado por mais de 150 marcas de quase todos os continentes: Unilever, O Boticário, Natura, Neutrox, são algumas delas.

    Embalagens rígidas e flexíveis compõem a maioria das aplicações desse PE feito com etileno obtido pela desidratação de etanol oriundo de cana, mas ele tem também utilizações mais específicas. “Ele estará nas Olimpíadas de Tóquio, na grama sintética da quadra de hóquei sobre grama”, destaca Martin Clemesha, gerente de sustentabilidade e economia circular da Braskem na Europa e Ásia.

    Com as mesmas características físicas e químicas do equivalente fóssil, esse PE “verde” explora o apelo da “pegada carbono negativa”: sua cadeia produtiva captura CO2, ao invés de emiti-lo. “Fizemos um estudo do ciclo de vida, e ele se mostrou mais sustentável ambientalmente, considerando também outros fatores, como uso de água e acidificação do solo”, afirma Clemesha.

    Atualmente, a Braskem produz esse polietileno de fonte renovável em uma unidade em Triunfo-RS, com capacidade nominal de 200 mil t/ano. “Temos um bom equilíbrio entre a oferta e a demanda, e a maior parte da produção é exportada”, afirma Clemesha. “Depois de uma década de vida, esse produto já está bem posicionado em termos de aplicações. Pensamos em outros mercados, como a rotomoldagem, mas suas vendas devem agora crescer principalmente em volume”, acrescenta.

    Desde 2017, a Braskem mantém uma parceria com a empresa dinamarquesa Haldor Topsoe com foco no desenvolvimento de uma versão de fonte renovável do mono etilenoglicol (MEG), indispensável para a produção da resina PET. Essa pesquisa já conta com uma planta piloto, instalada na Dinamarca, projetada para validar a tecnologia de obtenção do MEG a partir de diferentes matérias-primas, como sacarose, dextrose e açúcares de segunda geração. “O projeto tem como foco a conversão de açúcar em MEG em uma única unidade industrial, o que reduz o investimento inicial na produção e impulsiona a competitividade do processo”, diz Clemesha. “Temos também estudos relativos a outras moléculas. Como somos líderes desse mercado, elas incluem o PP; mas isso ainda está na fase dos estudos”, diz o profissional da Braskem.

    A Saudi Basic Industries Company (SABIC), também disponibiliza resinas em cuja composição há matéria-prima de fontes biológicas, como resíduos oriundos da indústria de celulose e papel. Uma delas, a resina de policarbonato da marca Lexan, produzida com matéria-prima renovável. Esse PC fabricado a partir de recursos renováveis faz parte de um portfólio de produtos e serviços para soluções circulares recentemente lançado pela companhia com a marca Trucircle, que além das resinas feitas a partir de fontes renováveis abrange produtos de reciclagem mecânica, produtos circulares certificados e soluções feitas com design já pensado para reciclagem.

    Plástico Moderno - Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia - Economia circular ©QD Foto: Divulgação

    Caixas de sucos feitas de PE renovável certificado, da SABIC

    Lançado em meados do ano passado, esse PC renovável tem seu processo de produção iniciado com uma combinação de matérias-primas de origem renovável e fóssil, alimentando a etapa do craqueamento, a partir da qual provém o benzeno, posteriormente utilizado no processo que conduzirá aos monômeros utilizados na produção da resina. “Clientes de diversos mercados e regiões estão mostrando muito interesse, e vários deles estão testando esse produto. Muito em breve, serão lançadas as primeiras aplicações em escala comercial”, afirma Mark Vester, líder global para economia circular na empresa.

    Comparativamente a um policarbonato de origem fóssil, diz estudo da petroquímica saudita, em seu ciclo de vida a resina de policarbonato Lexan produzida com matéria-prima renovável proporciona redução significativa, até 61%, na pegada de carbono. Ela tem desempenho idêntico e é até mais reciclável do que o PC convencional, podendo ser utilizada nas mesmas aplicações, em setores como a indústria automotiva, eletroeletrônicos e bens de consumo, construção civil e saúde, entre outros. “É uma solução drop-in: os transformadores podem utilizar esse policarbonato produzido com matéria-prima renovável com os mesmos equipamentos e as mesmas condições de processo que tradicionalmente utilizam em suas instalações”, ressalta Vester.

    A companhia informa manter ainda outras resinas oriundas de fontes renováveis em seu portfólio, além do policarbonato Lexan. Entre elas, há grades de PE feitos de nafta de origem renovável produzida pela empresa finlandesa UPM a partir de óleos residuais do processo de polpação realizado pela indústria de papel e celulose (todo o processo é desenvolvido com madeira de origem certificada).

    Esse PE renovável serve também de base para o biocompósito desenvolvido em parceria com a própria UPM. Denominado UPM Formi EcoAce, além utilizar o PE renovável, ele é reforçado com fibras de madeira e celulose certificadas.

    Com a mesma UPM e também com a Royal DSM (focada em ciências de nutrição, saúde e vida sustentável), a SABIC está implementando ainda um projeto que conferirá bases renováveis à Dyneema, linha de fibras de polietileno de peso molecular ultra-alto (UHMwPE) da DSM, utilizada em várias aplicações, como equipamentos esportivos, roupas de proteção, redes, entre outras.



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