Embalagens

Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia – Economia circular

Antonio Carlos Santomauro
8 de outubro de 2020
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    Plástico Moderno - Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia - Economia circular ©QD Foto: Divulgação

    Spedo: com PBAT, PLA supera resistência mecânica do PEAD

    A sustentabilidade, observa Thiago Bazaglia Spedo, coordenador de materiais de performance da Basf na América do Sul, é o principal apelo do ecovio, cujo desempenho é comparável ao de um PEAD. “Em alguns quesitos, pode ser até superior: por exemplo, na resistência mecânica. E o ecovio permite a impressão sem o tratamento corona, necessário às sacolas plásticas convencionais”, ele ressalta. “Feito com esse produto, um filme de mulching nem precisa ser tirado da terra”, acrescenta Spedo.

    Por sua vez, a distribuidora Entec comercializa no Brasil o PLA de marca Ingeo, produzido a partir de amido de milho pela empresa norte-americana Natureworks: por falta de maior oferta, por enquanto restringe essa comercialização a grades para impressão 3D. “Mas fora do Brasil já há PLA em extrusão, injeção e termoformagem”, relata Luiz Claudio Squilante, coordenador de vendas da Entec. “Há quem me procure querendo PLA para aplicações mais massivas, como filmes e descartáveis, mas não tenho produto para atender tal demanda”, acrescenta.

    O PLA, diz Squilante, pode concorrer com o PE e o PP em filmes e embalagens, e com o poliéster nos descartáveis. Tem, ainda, características menos favoráveis em quesitos como resistência térmica e química. “Mas é um produto novo, irá se aperfeiçoar. E o fato de se degradar mais rapidamente é até um de seus apelos”, enfatiza. “É um material menos flexível que os derivados de fonte fóssil, e isso propicia melhor impressão.”

    Bioplásticos com história – Também se biodegrada o tradicional acetato de celulose, cujos componentes básicos são a celulose de polpa de madeira e o ácido acético. “Ele se transforma em biomassa, glicose e vinagre e os micro-organismos que fazem a decomposição liberam CO2 e água”, descreve João Victor Esteves, engenheiro de desenvolvimento de aplicações da Celanese (empresa que começou a produzir acetato de celulose no início do século passado).

    Na forma de fibras, essa resina é utilizada em sistemas de filtração, inclusive filtros de cigarro, aparecendo também na indústria têxtil, sozinha ou em misturas, permitindo a confecção de vestidos, roupas íntimas, camisas, gravatas. Em filmes – a Celanese detém a marca Clarifoil –, é empregada em visores para embalagens cartonadas e em películas antiembaçamento, entre outras aplicações às quais oferece como características alta permeabilidade ao vapor, resistência à água, transparência, brilho e boa capacidade de impressão.

    Visando ampliar esse leque de utilizações para outros mercados – como a produção de descartáveis, na qual são requeridos por produtos menos problemáticos no descarte –, a Celanese disponibiliza acetato também na forma de pellets, para aplicações como canudos e talheres. “Em granulados, o acetato de celulose é naturalmente transparente, com boas propriedades mecânicas”, ressalta Esteves.

    Plástico Moderno - Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia - Economia circular ©QD Foto: Divulgação

    Paganini: fonte natural não eleva preço das poliamidas

    Outra resina com trajetória longa, também derivada de fontes renováveis – porém não biodegradável –, é a poliamida 11 da Arkema (comercializada com a marca Rilsan 11). “Ela surgiu durante a segunda guerra mundial, quando havia escassez de matérias-primas, especialmente petróleo. É nosso carro-chefe, 100% de origem vegetal”, conta Fábio Paganini, gerente de vendas e desenvolvimentos da Arkema, que atua no mercado das poliamidas apenas com polímeros de cadeia longa, não produzindo PA 6 nem PA 6.6.

    A base dessa poliamida é o óleo de mamona, presente também em mais produtos da Arkema, como as poliamidas 10 e 6.10 (marca Rilsan), a PA elastomérica Pebax Rnew, os polímeros acrílicos com base vegetal Plexiglas Rnew, entre outros (diferentemente da PA 11, que é 100% de origem vegetal, nesses produtos a participação dos ingredientes de fontes renováveis varia em percentuais que chegam a 65%).

    A PA 11 da Arkema, diz Paganini, é muito utilizada em tubulações flexíveis do setor de óleo e gás, medidores de água, tubos e válvulas para distribuição de gás encanado. Está disponível em opções para praticamente todos os processos de transformação: extrusão, filmes, injeção, termoformagem rotomoldagem, coating, 3D. “Uma resina com origem renovável pode ter desempenho até superior ao de uma resina de origem petroquímica: além de extremamente flexível, essa PA 11 tem um empacotamento cristalino superior ao da PA 12, que provém de petróleo e que nós também fabricamos. Isso garante maior vida útil às aplicações”, afirma.

    Plástico Moderno - Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia - Economia circular ©QD Foto: Divulgação

    Peças feitas com Rilsan HT suportam temperaturas elevadas



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