Embalagens

Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia – Economia circular

Antonio Carlos Santomauro
8 de outubro de 2020
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    Plástico Moderno - Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia - Economia circular ©QD Foto: Divulgação

    Óleo de mamona é a base das poliamidas da Arkema

    Matérias-primas oriundas de fontes renováveis são apontadas como agentes de processos produtivos ambientalmente mais saudáveis. E ganham espaço também na indústria do plástico, na qual se amplia a oferta dos biopolímeros, ou seja, materiais plásticos total ou parcialmente derivados de cana-de-açúcar, milho, celulose de madeira, óleos vegetais, entre outras fontes naturais renováveis, mediante processos químicos ou biotecnológicos. Alguns deles têm uso já bem estabelecido, outros buscam seu lugar no mercado; em conjunto, eles perfazem um percentual ainda pequeno, porém, crescente, da oferta global de resinas (ver tabela na pág. 22).

    Não é bom confundir conceitos. Um biopolímero não é necessariamente biodegradável. Por exemplo, o polietileno de cana-de-açúcar produzido pela Braskem, que ajudou a conferir maior escala ao conceito e à utilização dos bioplásticos, é reciclável, mas não biodegradável. Em contrapartida, cabe ressaltar a existência de resinas plásticas biodegradáveis provenientes de fontes petroquímicas.

    Biodegradáveis são os plásticos que, em condições adequadas de umidade, calor, presença de oxigênio e micro-organismos, degradam-se naturalmente, transformando-se em água, gás carbônico e biomassa sem resíduos tóxicos (há também a biodegradação anaeróbica, que ocorre sem ou com pouco oxigênio, gerando metano, além de CO2 e resíduo orgânico). Pode-se acelerar esse processo mediante compostagem, que otimiza as condições ambientais para biodegradação.

    Normas definem a biodegradabilidade e regem a compostagem. Entre elas, destacam-se as normas EN 13.432 e ASTM D6400 (respectivamente, europeia e norte-americana). Em linhas gerais, elas certificam como biodegradável um polímero que, compostado, converte 90% de sua massa em água e CO2, e o restante em biomassa. Calcada nelas, a norma brasileira NBR ABNT 15448 2 propõe um período máximo de 180 dias para a biodegradação de embalagens submetidas à compostagem (considerando, entre outros itens, a espessura das embalagens).

    Existe uma oferta razoavelmente diversificada de plásticos provenientes de fontes renováveis e biodegradáveis: casos, entre outros, do PLA (poliácido láctico), PHA (poli hidroxialcanoato), PBS (polisuccinato de butileno), PHB (polihidroxibutirato), PHV (poli-hidroxivalerato), e acetato de celulose.

    Plástico Moderno - Biopolímeros usam fontes naturais e biotecnologia - Economia circular ©QD Foto: Divulgação

    Acetato de celulose busca ampliar leque de aplicações

    Obtido a partir do amido de milho, o PLA, por exemplo, é uma das bases dos polímeros biodegradáveis ecovio, da Basf. Nessa linha, ele é combinado com o PBAT (polibutileno tereftalato adipato), polímero de fonte fóssil, mas também biodegradável (existe quem denomine ‘bioplásticos’ também esses plásticos que, como o PBAT, é biodegradável, a despeito da origem fóssil).

    Na Europa, a linha ecovio é utilizada em aplicações como sacolas e filmes de mulching (filmes que recobrem solos de cultivo). Na América Latina, tem nichos mais específicos, como sacolas e embalagens de hortifrutis de estabelecimentos cujos clientes aceitam pagar mais pelo consumo mais sustentável, com uso mais intenso no Uruguai, onde as sacolas descartáveis agora devem ser compostáveis.



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