Biopolímeros: Tendências globais apontam forte crescimento e futuro auspicioso para os plásticos com menor pegada ecológica

No site do instituto consta a definição dos plásticos oxibiodegradáveis em acordo com a norma TR15351, da organização de normas europeias European Committee for Standardization (CEN), segundo a qual na oxibiodegração ocorrem: ‘degradação resultante da clivagem oxidativa de macromoléculas e degradação resultante da oxidativa e fenômenos mediados por células, simultaneamente ou sucessivamente’.

O consultor científico traduz: a primeira reação significa “a quebra das moléculas do plástico por ação do oxigênio e de calor, luz, raios ultravioleta e/ou umidade”. A degradação resultante da oxidativa refere-se à “quebra de moléculas de plástico em moléculas muito menores e mais hidrofílicas, contendo grupos oxigenados como carbonila, hidroxila, carboxila, éster etc”. E com respeito aos fenômenos mediados por células, ele detalha tratar-se da biodegradação por ação de enzimas intra ou extracelulares; rotas metabólicas proporcionadas pelos organismos vivos – ou seja, biodegradação com a participação de micro-organismos.

“A degradação do plástico oxibiodegradável se inicia pela formação de um radical livre, através da ação de luz ultravioleta, calor e ou tensões mecânicas; a partir deste radical, diversas reações podem ocorrer incorporando oxigênio às cadeias do plástico e fragmentando as mesmas. Os fragmentos menores, e mais hidrofílicos, podem então entrar nas células e serem utilizados como fonte de carbono e energia”, resume.

Segundo ele relata, na ausência de micro-organismos e oxigênio, os plásticos oxibio não se degradam quantitativamente. “Alguma degradação anaeróbica tem sido observada, porém, leva muito mais tempo.”

Ojeda imputa a esse material desempenho idêntico ao dos plásticos convencionais durante a sua vida útil, que pode ser ajustada por meio da formulação dos aditivos (são eles que conferem a biodegradabilidade ao plástico). “Após o período de vida útil, as propriedades mecânicas decaem, acompanhando a queda nas massas molares”, menciona. Na opinião dele, o mercado é promissor para os plásticos oxibio, em especial por oferecer um baixo impacto ambiental nas fases de produção, utilização e descarte, associado a uma relação custo-benefício muito favorável. “Em geral, o custo é de apenas 10% a 20% acima do custo da resina convencional, enquanto outras resinas biodegradáveis apresentam custos muito mais elevados”, compara.

Plástico Moderno, Roost ensina: só as poliolefinas podem ser oxibiodegradáveis
Roost ensina: só as poliolefinas podem ser oxibiodegradáveis

14 anos envolta com os oxi – Criada em 2000, a Res Brasil nasceu com o objetivo de suprir o mercado brasileiro com produtos e materiais plásticos de menor impacto ambiental, segundo conta o seu diretor Eduardo Van Roost. Por meio de contratos internacionais, a empresa comercializa aditivos oxibiodegradáveis, biopolímeros para produção de embalagens compostáveis e filmes plásticos de dissolução em água. “Os critérios para a Res Brasil oferecer estes produtos no país é o cumprimento de normas ambientais relacionadas a cada um dos tipos”, ressalta.

A última novidade incorporada ao portfólio é o aditivo d2p destinado à produção de plásticos antimicrobianos. Trata-se de um produto, de acordo com Roost sem similar em âmbito mundial, desenvolvido em conjunto pelas empresas Symphony e Johnson & Johnson, esta por sua divisão farmacêutica Janssen.

De acordo com descrições da empresa, o aditivo d2p se baseia em nanotecnologia que confere características bactericidas e fungicidas ao plástico quando adicionado ao processo de fabricação de embalagens e outros artigos. Tem aprovação da FDA (Food and Drug Administration), da EPA (Environmental Protection Agency) e da brasileira Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O aditivo que confere ao plástico oxibiodegradabilidade é o d2w, um masterbatch polimérico, também desenvolvido pela inglesa Symphony, e que, segundo a Res Brasil, cumpre as exigências da FDA e também da Anvisa. Além de atender às normas ASTM 6954 e BS 8772, o diretor da Res Brasil informa que o produto ainda cumpre requisitos de outras normas, como a Swedish Standard, UAE Standard, AFNOR Accord nos quesitos de degradação, biodegradação e ausência de resíduos nocivos. O aditivo ainda é certificado pela autoridade mundial dos plásticos oxibiodegradáveis, a associação inglesa Oxo-biodegradable Plastics Association (OPA).

Plástico Moderno, Embalagem oxibio precisa de oxigênio e micro-organismos para degradar
Embalagem oxibio precisa de oxigênio e micro-organismos para degradar

A adição do d2w não vale para qualquer resina. “Plásticos oxibiodegradáveis são as poliolefinas, PE e PP”, ensina, e adverte: “Já vi gente dizendo ter aditivo oxibiodegradável que biodegradaria até PVC; nunca vi um artigo científico provando isso; daí a importância das normas e da certificação da OPA.”

Nas suas estimativas, cerca de dois bilhões de embalagens e artigos plásticos biodegradáveis foram produzidos no Brasil, nos últimos dois anos, com a marca certificada d2w. Roost calcula que 96 países usam essa tecnologia.

“Desde que iniciamos nossos trabalhos, o crescimento do mercado é constante e consistente”, comemora. Avanço lastreado na maior percepção das indústrias, em âmbito global, de que os plásticos biodegradáveis correspondem à solução do setor para a diminuição da pegada ecológica – os problemas ambientais causados pelo descarte incorreto de produtos plásticos no meio ambiente. “A valorização está acontecendo aos poucos e sendo acompanhada do saudável aumento do nível de exigências em relação a certificações, análises de ciclo de vida e outras provas que diferenciam o falso do verdadeiro.” Referência à oferta no mercado nacional de aditivos e materiais que prometem biodegradação, sem a contrapartida das certificações e laudos que comprovem o atendimento às normas vigentes.

E decreta: “O tema plásticos e meio ambiente tem apenas dois lados: o dos plásticos convencionais não degradáveis e o dos plásticos biodegradáveis que atendem normas que consideram o cumprimento de quesitos como degradação, biodegradação e ausência de eco-toxicidade.”

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