Biopolímeros: Tendências globais apontam forte crescimento e futuro auspicioso para os plásticos com menor pegada ecológica

Um dos últimos desenvolvimentos resultou no fornecimento dessa resina para a empresa belga Nomacorc, destinada à fabricação de rolhas para garrafas de vinho nos Estados Unidos. A petroquímica brasileira destaca que, além de totalmente recicláveis, as rolhas plásticas substituem com eficiência e asseguram o mesmo desempenho em controle do oxigênio que as convencionais, de cortiça.

Até o ano passado, o maior volume da resina verde prosseguiu para o mercado externo, numa proporção de 70% da demanda. Segundo informa Elias, o produto é exportado diretamente e através de canais para a Ásia, com destaque para o Japão; para os Estados Unidos; para a Europa; e para a América Latina. Ainda, por meio de produtos que o carregam na embalagem, o polímero biobaseado chega também na África.

A transformação brasileira absorveu apenas 30% do material. Mas o diretor aposta que neste ano essa fatia doméstica aumente, por conta da ampliação do portfólio de PEBD. “A preocupação da sociedade e das empresas brasileiras com as questões socioambientais é crescente, impulsionando o interesse do mercado nacional pelo produto, onde a Braskem planeja ampliar a sua atuação.”

Mas não existem projetos, de curto ou médio prazo, de expansão de capacidade produtiva. A fabricante entende que a atual oferta basta para suprir às necessidades correntes da indústria. “O atendimento ao mercado é ponto chave para os próximos passos da Braskem em novas capacidades de PE e de PP verdes”, declara. A propósito, a produção de biopolipropileno, em fase de busca de alternativas competitivas de fonte renovável, continua na pauta da empresa. Porém, o diretor admite não haver ainda uma perspectiva para a viabilização e oferta de PP verde no mercado.

Embora com estrutura molecular idêntica à dos derivados do petróleo, os polietilenos verdes embutem um agregado sustentável por contribuir para uma pegada menor de carbono. “Ajuda na redução da emissão dos gases do efeito estufa na atmosfera e diminui a dependência dos materiais fósseis”, pondera Elias. Isso porque, no início de ciclo de vida do produto, há uma captura de CO2 da atmosfera. Segundo especialistas, uma tonelada de polietileno verde captura da atmosfera 2,5 toneladas de carbono.

O carbono que compõe um polímero produzido pela rota alcoolquímica procede da atmosfera, enquanto o da via petroquímica provém do subsolo. “O carbono encontrado nos plásticos que têm origem em fontes renováveis é proveniente da atmosfera e é chamado de carbono biogênico.” Elias explica que ao final do ciclo de vida, o carbono emitido pelo biopolímero não será adicional ao que existia na atmosfera antes dele ser produzido, diferente do caso da resina obtida do petróleo.

O benefício da resina derivada de fonte renovável é indiscutível, mas no resultado final trata-se de um polímero com características idênticas às do de origem fóssil. O plástico continua reciclável – não biodegradável. Por conta de sua estrutura análoga, os polietilenos verdes e os convencionais, ao final de sua vida útil, têm destinação igual e podem ser misturados no processo de reciclagem. Fato que, para o diretor da Braskem, constitui uma vantagem em relação aos plásticos biodegradáveis, que requerem condições específicas para a sua decomposição. “Plásticos biodegradáveis contaminam a cadeia de reciclagem mecânica e, na prática, podem contribuir para o aumento da disposição em aterros e, consequentemente, para o aumento do aquecimento global.”

Plástico Moderno, Badra: as resinas compostáveis não ameaçam as convencionais
Badra: as resinas compostáveis não ameaçam as convencionais

Mas, se misturar… – Uma pequena quantidade de material compostável não interfere na reciclagem mecânica de polietilenos convencionais, atesta Marcos A. Badra, diretor técnico da Associação Brasileira de Polímeros Biodegradáveis e Compostáveis – Abicom. Segundo informa, estudos recentes mostram que sacolas compostáveis presentes em uma concentração de até 10% não afetam a reciclagem de sacolas de polietileno. De qualquer modo, o diretor ressalta que o produto produzido com polímero compostável deve ter selo de identificação (selos internacionais) ou discriminar a matéria-prima utilizada, em acordo com as normas internacionais reconhecidas.

“Reforçamos que os plásticos compostáveis certificados não ameaçam os plásticos convencionais; eles complementam o portfólio de especialidades com novas propriedades e devem ser utilizados em aplicações onde a biodegradabilidade e a compostabilidade proporcionam vantagens do ponto de vista ambiental, social ou econômico”, enfatiza, recomendando que esses polímeros tenham a compostagem como destinação final “para serem reciclados, retornarem como adubo de qualidade e servir para a agricultura”.

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