Biopolímeros: Tendências globais apontam forte crescimento e futuro auspicioso para os plásticos com menor pegada ecológica

Plástico Moderno, Biopolímeros: Tendências globais apontam forte crescimento e futuro auspicioso para os plásticos com menor pegada ecológica
A preferência cada vez mais acentuada dos consumidores por produtos sustentáveis promete conduzir a indústria do plástico na direção da classe dos biopolímeros – derivados ou não de fontes renováveis – e estimular seu desenvolvimento e expansão em novas aplicações, inclusive em bens duráveis. O bioplástico compreende um conceito abrangente e abarca várias famílias de produtos. Alguns obtidos de fonte renovável, mas não biodegradáveis, como os polietilenos verdes, polimerizados com eteno oriundo do etanol da cana-de-açúcar. Tais resinas carregam duas vantagens relevantes dentro do conceito de sustentabilidade: economizam recurso fóssil e contribuem para o tão propalado sequestro de carbono. Alguns polímeros reúnem as duas coisas, fonte renovável e biodegradabilidade, como os à base de amido e de ácido poliláctico. Outros, ainda, embora procedam de origem fóssil, embutem propriedades biodegradáveis, como algumas marcas comerciais.

Pesquisas norte-americanas e europeias endossam um futuro promissor para os bioplásticos em âmbito mundial. E a petroquímica brasileira aparece em levantamento recente publicado pela consultoria norte-americana The Freedonia Group como provável maior produtora mundial de bioplásticos até 2022, com as suas resinas produzidas com matérias-primas derivadas de fontes renováveis. China e Tailândia também estão no páreo.

No seu estudo World Bioplastics, a consultoria prevê um crescimento global da ordem de 19% ao ano, com uma demanda estimada em 950 mil toneladas, em 2017, considerando os plásticos baseados em insumos obtidos de fontes renováveis e os biodegradáveis. As projeções da European Bioplastics, associação representativa de mais de 70 empresas desse ramo de negócios na União Europeia, referem índices de crescimento para o setor acima de 20% ao ano.

O levantamento do Freedonia Group avança até 2022 e prognostica que, embora ascendente, o mercado de bioplásticos deve representar menos de 1% da demanda global de resinas. Afinal, trata-se de um segmento ainda em fase embrionária de desenvolvimento e um avanço mais acentuado, com produções em altas escalas, depende de fatores como custos e desempenho, particularmente no caso dos plásticos biodegradáveis, comercializados a preços ainda salgados na comparação com as resinas convencionais.

Despontam como favoritas na pesquisa americana as resinas produzidas com matérias-primas provenientes de fonte renovável, como o polietileno feito com eteno verde e o polipropileno baseado em um biopropeno. Para elas são esperados os ganhos mais rápidos de demanda.

Entre os polímeros degradáveis, o estudo elege as resinas à base de amido e de ácido polilático (PLA) entre as mais requisitadas em 2017, somando acima de 60% da demanda. As primeiras tendem a avançar, ao redor do mundo, particularmente na fabricação de sacolas plásticas, em substituição aos polímeros convencionais. No caso do PLA, os estudos identificam maior desenvolvimento de resinas e compostos de desempenho para atender aplicações mais duráveis, entre as quais peças automotivas e eletrônicas.

Plástico Moderno, Elias: carbono presente no plástico verde é proveniente da atmosfera
Elias: carbono presente no plástico verde é proveniente da atmosfera

Polietileno verde – Com o objetivo de alcançar a liderança mundial em química sustentável, a Braskem iniciou há quase quatro anos a produção do seu biopolietileno com eteno derivado do etanol da cana-de-açúcar, e conquistou diversas aplicações para o produto no país e fora dele. A capacidade instalada atual mantém as 200 mil toneladas anuais, com a disposição de 30 grades, incluindo resinas de PEAD, PEBDL e PEBD. As de baixa densidade incorporadas ao portfólio neste ano, desenhadas para atender aos mercados de coating (revestimentos), filmes e injeção.

Essa ala de desenvolvimento da Braskem, segundo informa o diretor de químicos renováveis, Alexandre Elias, conta com uma equipe técnica específica para atender aos mercados interno e externo, com o papel de “entender as especificidades de aplicações em cada região e maximizar o seu conteúdo renovável, ou seja, o percentual de polietileno verde no produto, através do portfólio atual; além de oferecer apoio para solucionar aspectos técnicos, identificar oportunidades e ampliar o leque de aplicações do produto”. Os membros da equipe dispõem de dois Centros de Tecnologia e Inovação, um em Triunfo-RS e outro em Pittsburgh, nos Estados Unidos, para o desenvolvimento de novas resinas e atualização tecnológica do portfólio atual.

Fruto desse trabalho, o PE verde conquistou diversas aplicações, entre as quais o diretor menciona embalagens de alimentos, de bebidas lácteas, de produtos de higiene e limpeza, de cosméticos e de PET food, além de sacolas, tapetes para automóveis, grama sintética, fios e cabos. “Diversas empresas globais, dos mais variados segmentos, utilizam o plástico verde”, relata.

Um dos últimos desenvolvimentos resultou no fornecimento dessa resina para a empresa belga Nomacorc, destinada à fabricação de rolhas para garrafas de vinho nos Estados Unidos. A petroquímica brasileira destaca que, além de totalmente recicláveis, as rolhas plásticas substituem com eficiência e asseguram o mesmo desempenho em controle do oxigênio que as convencionais, de cortiça.

Até o ano passado, o maior volume da resina verde prosseguiu para o mercado externo, numa proporção de 70% da demanda. Segundo informa Elias, o produto é exportado diretamente e através de canais para a Ásia, com destaque para o Japão; para os Estados Unidos; para a Europa; e para a América Latina. Ainda, por meio de produtos que o carregam na embalagem, o polímero biobaseado chega também na África.

A transformação brasileira absorveu apenas 30% do material. Mas o diretor aposta que neste ano essa fatia doméstica aumente, por conta da ampliação do portfólio de PEBD. “A preocupação da sociedade e das empresas brasileiras com as questões socioambientais é crescente, impulsionando o interesse do mercado nacional pelo produto, onde a Braskem planeja ampliar a sua atuação.”

Mas não existem projetos, de curto ou médio prazo, de expansão de capacidade produtiva. A fabricante entende que a atual oferta basta para suprir às necessidades correntes da indústria. “O atendimento ao mercado é ponto chave para os próximos passos da Braskem em novas capacidades de PE e de PP verdes”, declara. A propósito, a produção de biopolipropileno, em fase de busca de alternativas competitivas de fonte renovável, continua na pauta da empresa. Porém, o diretor admite não haver ainda uma perspectiva para a viabilização e oferta de PP verde no mercado.

Embora com estrutura molecular idêntica à dos derivados do petróleo, os polietilenos verdes embutem um agregado sustentável por contribuir para uma pegada menor de carbono. “Ajuda na redução da emissão dos gases do efeito estufa na atmosfera e diminui a dependência dos materiais fósseis”, pondera Elias. Isso porque, no início de ciclo de vida do produto, há uma captura de CO2 da atmosfera. Segundo especialistas, uma tonelada de polietileno verde captura da atmosfera 2,5 toneladas de carbono.

O carbono que compõe um polímero produzido pela rota alcoolquímica procede da atmosfera, enquanto o da via petroquímica provém do subsolo. “O carbono encontrado nos plásticos que têm origem em fontes renováveis é proveniente da atmosfera e é chamado de carbono biogênico.” Elias explica que ao final do ciclo de vida, o carbono emitido pelo biopolímero não será adicional ao que existia na atmosfera antes dele ser produzido, diferente do caso da resina obtida do petróleo.

O benefício da resina derivada de fonte renovável é indiscutível, mas no resultado final trata-se de um polímero com características idênticas às do de origem fóssil. O plástico continua reciclável – não biodegradável. Por conta de sua estrutura análoga, os polietilenos verdes e os convencionais, ao final de sua vida útil, têm destinação igual e podem ser misturados no processo de reciclagem. Fato que, para o diretor da Braskem, constitui uma vantagem em relação aos plásticos biodegradáveis, que requerem condições específicas para a sua decomposição. “Plásticos biodegradáveis contaminam a cadeia de reciclagem mecânica e, na prática, podem contribuir para o aumento da disposição em aterros e, consequentemente, para o aumento do aquecimento global.”

Plástico Moderno, Badra: as resinas compostáveis não ameaçam as convencionais
Badra: as resinas compostáveis não ameaçam as convencionais

Mas, se misturar… – Uma pequena quantidade de material compostável não interfere na reciclagem mecânica de polietilenos convencionais, atesta Marcos A. Badra, diretor técnico da Associação Brasileira de Polímeros Biodegradáveis e Compostáveis – Abicom. Segundo informa, estudos recentes mostram que sacolas compostáveis presentes em uma concentração de até 10% não afetam a reciclagem de sacolas de polietileno. De qualquer modo, o diretor ressalta que o produto produzido com polímero compostável deve ter selo de identificação (selos internacionais) ou discriminar a matéria-prima utilizada, em acordo com as normas internacionais reconhecidas.

“Reforçamos que os plásticos compostáveis certificados não ameaçam os plásticos convencionais; eles complementam o portfólio de especialidades com novas propriedades e devem ser utilizados em aplicações onde a biodegradabilidade e a compostabilidade proporcionam vantagens do ponto de vista ambiental, social ou econômico”, enfatiza, recomendando que esses polímeros tenham a compostagem como destinação final “para serem reciclados, retornarem como adubo de qualidade e servir para a agricultura”.

Em âmbito global, o maior mercado para os polímeros compostáveis é o de sacos e sacolas. O material também tem atraído a atenção de embalagens descartáveis como copos, pratos, talheres, recipientes para alimentos, entre outros (leia notícia ‘Chega ao mercado o primeiro copo descartável compostável’ em Plástico Moderno no 472, de fevereiro de 2014, pág. 35).

“Não vemos peças plásticas de vida útil mais longa e de fácil reciclagem como nicho de mercado para os polímeros compostáveis”, pondera Badra, “a ideia não é substituir o plástico convencional em todas as aplicações, mas somente nas quais a biodegradabilidade e a compostabilidade façam sentido no final do ciclo de vida do produto no qual foi aplicado”, justifica.

A propósito, os sacos e as sacolas biodegradáveis podem fomentar a coleta seletiva para os resíduos orgânicos e contribuir para melhorar a qualidade dos materiais recicláveis. De acordo com a entidade, estudos demonstram que usar sacos compostáveis para os resíduos orgânicos ajuda a evitar que esses rejeitos sejam destinados para aterros sanitários. Metade do lixo urbano é orgânico. E espera-se que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) impulsione a coleta seletiva no país.

Por falar em aterros, estes estão longe de garantir um ambiente propício à biodegradação, pois, como justifica Badra, não asseguram o desenvolvimento dos micro-organismos responsáveis pela ação enzimática necessária à biodegradação dos plásticos compostáveis certificados. E enfatiza: “A Abicom é contra a prática de enviar qualquer tipo de resíduo biodegradável para aterros sanitários, podendo ter um destino mais nobre como o da compostagem, ou seja, a reciclagem orgânica, onde os componentes são reciclados e podem ser utilizados em agricultura, fechando, assim, o ciclo do produto.”

Norma brasileira define biodegradação – Fundada em 2009, a Associação Brasileira de Polímeros Biodegradáveis e Compostáveis concentra esforços para esclarecer o assunto, valorizar esses materiais e contribuir para o cumprimento da normatização. O diretor técnico da entidade relata que a NBR ABNT 15448 1 e 2 foi integralmente baseada em normas internacionais (EN 14995, da União Europeia; ASTM D-6400, dos EUA; e a ISO 17088, em outros países) e estabelece as especificações de um polímero biodegradável, descrevendo essa qualidade como a degradação causada por atividade biológica de ocorrência natural, por ação enzimática.

Plástico Moderno, Compostados, sacos com resíduos orgânicos viram adubo em 40 dias
Compostados, sacos com resíduos orgânicos viram adubo em 40 dias

“A biodegradação aeróbica ocorre na presença de oxigênio, produzindo principalmente dióxido de carbono e matéria orgânica estabilizada; e na biodegradação anaeróbica a ação microbiana acontece na ausência de oxigênio, ou em ambiente com baixa disponibilidade de oxigênio, e os produtos formados são metano, matéria orgânica estabilizada e dióxido de carbono”, compara Badra.

A compostagem é o tratamento aeróbio dos resíduos orgânicos. Nas usinas projetadas para essa finalidade, os plásticos biodegradáveis se transformam em CO2, água e biomassa (húmus) – adubo. A norma determina que para o material ser considerado biodegradável, no mínimo 90% do carbono orgânico deve ser convertido a dióxido de carbono, em um prazo máximo de seis meses, para um filme de espessura de até 120 micra. Para carregar a classificação de biodegradável e compostável, o material deve também, em sua forma final, resultar em um composto orgânico e ter qualidade suficiente para não comprometer a germinação e a biomassa vegetal das plantas, quando avaliado em relação ao composto orgânico de referência (NBR 15448-2).

O processo de compostagem revaloriza no pós-consumo os materiais naturalmente biodegradáveis. “Desconhecemos a existência de algum outro plástico que não seja o compostável certificado que possa se biodegradar por ações enzimáticas de outro tipo de bactéria; logo, a biodegradação do plástico acontece em condições de compostagem”, declara.

O problema é que o país ainda carece de uma estrutura para a destinação adequada da crescente demanda por produtos biodegradáveis e em acordo com uma política sustentável. O desenvolvimento brasileiro da reciclagem orgânica depende de investimentos na expansão da atual  estrutura de compostagem, restrita a 211 unidades em operação no país, segundo dados do IBGE.

O diretor da Abicom ressalta que existem muitas prefeituras incentivando a implantação de compostagem e destaca medida adotada no Paraná, pelo conselho estadual do meio ambiente: a resolução CEMA 090/2013 estabelece, em seu artigo 4, que todos os geradores de resíduos sólidos no estado deve prever em seus planos de gerenciamento de resíduos sólidos a destinação da fração orgânica compostável para unidades de compostagem e veda a destinação integral da fração orgânica compostável para aterros a partir de agosto de 2014.

Como explica Badra, a biodegradabilidade independe da temperatura, mas exige a presença de enzimas produzidas por micro-organimos existentes em processo de compostagem. “Normalmente esses micro-organismos trabalham em temperaturas metabólicas acima de 50oC, porém, é possível encontrá-las em equipamento de compostagem de pequeno porte, conforme a experiência demonstrada recentemente pela Basf e seus parceiros no projeto piloto de compostagem, utilizando os sacos ecovio em compostagem automática”, relata.

Embora o custo mais elevado ainda dificulte um avanço acentuado das resinas biodegradáveis, o diretor da Abicom percebe maior predisposição do mercado para valorizar mais os produtos desenhados para um ciclo de vida sustentável. “Pesquisas mostram que há um grupo de consumidores cada vez mais crescente e disposto a pagar mais por produtos que possam contribuir para o futuro das novas gerações e a indústria de transformação deve estar preparada para atender a essa nova demanda”, opina Badra.

Mais de uma década na área – Com o lançamento do ecoflex, em 1998, a Basf estreou no mercado de polímeros biodegradáveis e compostáveis certificados. Totalmente biodegradável, a resina consiste em um poliéster alifático aromático de origem petroquímica. Pouco tempo depois, surgia a linha Ecovio, uma mistura de fontes petroquímicas e renováveis – uma blenda de ecoflex com ácido poliláctico (PLA), uma molécula extraída do milho.  Ambas as famílias cumprem todas as especificações de biodegradabilidade e compostabilidade das normas internacionais EN 13432 (Europa), ASTM D6400 (EUA e Canadá), GreenPLA (Japão) e AS 4636 (Austrália).

Segundo informa Karina Daruich, gerente de polímeros biodegradáveis da fabricante alemã, a empresa desenvolve novas variedades continuamente, em acordo com as necessidades da demanda. Tanto é assim que, há três anos, a Basf subiu para 60 mil toneladas a sua capacidade produtiva da resina ecoflex, produzida na Alemanha, como resposta à solicitação do mercado global. Além disso, a gerente relata o lançamento de novos grades de Ecovio para atender às áreas de aplicações, como ela descreve: “Onde a biodegradabilidade e a compostabilidade oferecem significativas vantagens ambientais e econômicas.”

Bandejas e copos termoformados constituem exemplos de novas aplicações para o Ecovio T2308. Karina atribui à resina propriedades mecânicas semelhantes às do PET amorfo. “O componente ecoflex, poliéster compostável da Basf, assegura um equilíbrio na relação rigidez/resistência, bem como suficiente resistência ao impacto a baixas temperaturas; o material é translúcido e pode ser adequadamente selado com filmes protetores também compostáveis”, pormenoriza.

Ela concorda com o diretor da Abicom quanto ao crescente interesse por produtos compostáveis no mercado brasileiro. Entre as maiores solicitações, menciona sacos para resíduos orgânicos, filmes mulching (agricultura), sacolas compostáveis certificadas e embalagens de alimentos. Karina considera que as perspectivas são boas, “levando em conta a preocupação com o meio ambiente e o descarte adequado de produtos plásticos pós-consumo, embasados na Política Nacional de Resíduos Sólidos.”

Apesar do avanço significativo, o mercado de plásticos biodegradáveis ainda é embrionário no país. “Não se pode comparar ao mercado europeu, norte-americano e asiático, onde, há décadas, existe a coleta de resíduos orgânicos, além de regulamentação no uso de produtos biodegradáveis e compostáveis certificados, como na Europa, Japão e em cidades como São Francisco, nos Estados Unidos”, testemunha Karina.

Segundo ela explica, não existem padrões uniformemente aceitos para medir a biodegradabilidade de polímeros não compostáveis. “A alegação de biodegradabilidade deve estar certificada por normas de especificação internacionalmente reconhecidas”, recomenda.

De acordo com a PNRS, somente resíduos que não podem ser tratados via reciclagem ou compostagem deverão ser destinados a aterros. “Os polímeros compostáveis certificados da Basf têm as usinas de compostagem como sua destinação final adequada; eles foram desenvolvidos para serem ‘digeridos’ por micro-organismos do solo, na presença de oxigênio e de umidade do ar, e é na usina de compostagem que este processo acontece de forma natural”, indica. Em uma usina de compostagem o processo é controlado, “com isso a umidade e a aeração fazem com que os micro-organismos se proliferem e a temperatura chegue naturalmente acima dos 50oC”.

Esse processo controlado também pode ocorrer em equipamentos de compostagem, como a Basf comprovou em um projeto-piloto implantado em Joinville-SC, em um condomínio fechado, com a participação de 22 residências e de um restaurante. A intenção foi a de demonstrar uma forma alternativa de compostagem de resíduos orgânicos no local onde foram gerados, utilizando sacos (produzidos pela Romapack) feitos com a resina ecovio e composteiras automáticas (fabricadas pela Jora Brasil). Ainda participaram do projeto a consultoria Inambi e o laboratório Unithal, que avaliou a qualidade do adubo produzido.

Coletados durante seis semanas, os 720 quilos de resíduos gerados pelos moradores e pelo restaurante foram colocados diretamente na compostadeira automática, disposta no próprio condomínio, onde se transformaram em 360 quilos de adubo orgânico, destinado para uso no campo de golfe local.

A Basf também empreendeu outro projeto piloto para compostagem de resíduos sólidos orgânicos, de maior amplitude, envolvendo a prefeitura de Mogi Mirim-SP, com a implantação de coleta seletiva domiciliar em sacos compostáveis também fabricados com a resina ecovio, e 700 moradores da região norte da cidade, além de diversos parceiros.

O projeto durou três meses e gerou 30 toneladas de resíduos orgânicos domésticos, que foram coletados e destinados para tratamento na usina de compostagem da Visafértil, empresa parceira da Basf no projeto. O resultado: 24 toneladas de adubo orgânico rico em nutrientes.

De acordo com informações da Basf, os resíduos orgânicos acondicionados nos sacos de ecovio foram compostados e transformados em adubo em cerca de 40 dias, atendendo aos requisitos de qualidade do composto conforme a Instrução Normativa no 25/2009 para fertilizantes orgânicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Plástico Moderno, Barbosa: resina de PLA pede mistura com outros biopolímeros ou aditivos
Barbosa: resina de PLA pede mistura com outros biopolímeros ou aditivos

PLA puro e masterbatch – Reconhecida no mercado brasileiro por seus concentrados, a Cromex assumiu a distribuição no país do ácido poliláctico (PLA) fabricado pela NatureWorks com a marca Ingeo, há cerca de um ano.

Antes disso, e por cerca de dois anos, como conta o gestor de projetos e produtos da Cromex, Juliano Barbosa, a empresa atuava com o produto modificando-o com aditivos e pigmentos, de acordo com as solicitações dos seus clientes, que compravam o Ingeo da Cargill, então responsável pela sua comercialização no país. A Cargill saiu do negócio e a Cromex assumiu, disponibilizando para os transformadores tanto o Ingeo puro como o concentrado de aditivos e pigmentos formulado com o PLA como veículo, para uso junto com o material virgem.

Em termos de propriedades, o gestor informa que o PLA puro é muito rígido, requerendo uma mistura com outros biopolímeros ou incorporação de aditivos para torná-lo mais flexível. “Hoje, o comum é fazer blendas com outros biopolímeros, tais como o ecoflex e o ecovio, da Basf”, relata. Também o quesito resistência à temperatura restringe as aplicações. O material suporta no máximo 70oC. Mas Barbosa informa a existência de projetos para melhorar as propriedades térmicas.

O Ingeo pode ser processado em equipamentos convencionais de injeção, extrusão, sopro e termoformagem. “Só exige ajustes de parâmetros de processo”, explica. Por se tratar de um polímero biodegradável, a destinação final de um produto moldado com ele deve ser a usina de compostagem, onde encontra as condições ideais para a sua completa decomposição.

“Percebemos muito interesse no produto biodegradável, mas o mercado ainda não decola por causa do custo mais elevado, cerca do dobro do polietileno convencional, e também por questões culturais”, comenta o gestor. Na opinião dele, o transformador brasileiro ainda não atribui a esse tipo de produto o seu valor agregado: a biodegradabilidade e a compostagem, sinônimo de uma destinação adequada para os resíduos e o retorno deles ao meio ambiente. Dá preferência ao menor preço.

A lentidão no desenvolvimento do mercado, na opinião dele, se deve à falta de estrutura em usinas de compostagem e de uma legislação motivadora do uso dos materiais biodegradáveis. Ele espera que a Política Nacional de Resíduos Sólidos possa gerar bons resultados no médio prazo.

E os oxidegradáveis? Criado em 2011, o Instituto de Incentivo e Desenvolvimento de Embalagens Ambientais, Inovação e Sustentabilidade – Ideais tem, entre outros, o objetivo de certificar tecnologias e materiais que atendam aos requisitos de biodegradabilidade, hidrossolubilidade ou compostabilidade, bem como atestar a segurança deles para a vida e para o meio ambiente.

Entre outras finalidades, o professor e doutor Telmo F. M. Ojeda, consultor técnico do Instituto, menciona a promoção da educação ambiental, da coleta seletiva, da reciclagem, da pesquisa e do desenvolvimento de produtos e de tecnologias aplicáveis a plásticos e embalagens plásticas com características biodegradáveis, de hidrossolubilidade, ou ainda de compostabilidade. Ações embasadas no cumprimento de critérios técnicos e científicos e de normas vigentes.

No entendimento dele, um plástico pode, sim, ser biodegradável sem necessariamente ser compostável. O fato de um plástico não cumprir os prazos e percentual de conversão de CO2, previstos nas normas ASTM 6400 ou EN 13432 em usinas de compostagem, não significa que o plástico não seja biodegradável. “São conceitos diferentes.”

Ele classifica os plásticos biodegradáveis em dois grupos: os hidrobiodegradáveis, que sofrem primeiro o processo de hidrólise para depois se biodegradar; e os oxibiodegradáveis. “O prefixo de cada um indica como o processo tem início.” E informa que os plásticos biodegradáveis por processo inicial de oxidação são regidos por diversas normas, entre as quais a ASTM 6954 e a BS 8772.

No site do instituto consta a definição dos plásticos oxibiodegradáveis em acordo com a norma TR15351, da organização de normas europeias European Committee for Standardization (CEN), segundo a qual na oxibiodegração ocorrem: ‘degradação resultante da clivagem oxidativa de macromoléculas e degradação resultante da oxidativa e fenômenos mediados por células, simultaneamente ou sucessivamente’.

O consultor científico traduz: a primeira reação significa “a quebra das moléculas do plástico por ação do oxigênio e de calor, luz, raios ultravioleta e/ou umidade”. A degradação resultante da oxidativa refere-se à “quebra de moléculas de plástico em moléculas muito menores e mais hidrofílicas, contendo grupos oxigenados como carbonila, hidroxila, carboxila, éster etc”. E com respeito aos fenômenos mediados por células, ele detalha tratar-se da biodegradação por ação de enzimas intra ou extracelulares; rotas metabólicas proporcionadas pelos organismos vivos – ou seja, biodegradação com a participação de micro-organismos.

“A degradação do plástico oxibiodegradável se inicia pela formação de um radical livre, através da ação de luz ultravioleta, calor e ou tensões mecânicas; a partir deste radical, diversas reações podem ocorrer incorporando oxigênio às cadeias do plástico e fragmentando as mesmas. Os fragmentos menores, e mais hidrofílicos, podem então entrar nas células e serem utilizados como fonte de carbono e energia”, resume.

Segundo ele relata, na ausência de micro-organismos e oxigênio, os plásticos oxibio não se degradam quantitativamente. “Alguma degradação anaeróbica tem sido observada, porém, leva muito mais tempo.”

Ojeda imputa a esse material desempenho idêntico ao dos plásticos convencionais durante a sua vida útil, que pode ser ajustada por meio da formulação dos aditivos (são eles que conferem a biodegradabilidade ao plástico). “Após o período de vida útil, as propriedades mecânicas decaem, acompanhando a queda nas massas molares”, menciona. Na opinião dele, o mercado é promissor para os plásticos oxibio, em especial por oferecer um baixo impacto ambiental nas fases de produção, utilização e descarte, associado a uma relação custo-benefício muito favorável. “Em geral, o custo é de apenas 10% a 20% acima do custo da resina convencional, enquanto outras resinas biodegradáveis apresentam custos muito mais elevados”, compara.

Plástico Moderno, Roost ensina: só as poliolefinas podem ser oxibiodegradáveis
Roost ensina: só as poliolefinas podem ser oxibiodegradáveis

14 anos envolta com os oxi – Criada em 2000, a Res Brasil nasceu com o objetivo de suprir o mercado brasileiro com produtos e materiais plásticos de menor impacto ambiental, segundo conta o seu diretor Eduardo Van Roost. Por meio de contratos internacionais, a empresa comercializa aditivos oxibiodegradáveis, biopolímeros para produção de embalagens compostáveis e filmes plásticos de dissolução em água. “Os critérios para a Res Brasil oferecer estes produtos no país é o cumprimento de normas ambientais relacionadas a cada um dos tipos”, ressalta.

A última novidade incorporada ao portfólio é o aditivo d2p destinado à produção de plásticos antimicrobianos. Trata-se de um produto, de acordo com Roost sem similar em âmbito mundial, desenvolvido em conjunto pelas empresas Symphony e Johnson & Johnson, esta por sua divisão farmacêutica Janssen.

De acordo com descrições da empresa, o aditivo d2p se baseia em nanotecnologia que confere características bactericidas e fungicidas ao plástico quando adicionado ao processo de fabricação de embalagens e outros artigos. Tem aprovação da FDA (Food and Drug Administration), da EPA (Environmental Protection Agency) e da brasileira Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O aditivo que confere ao plástico oxibiodegradabilidade é o d2w, um masterbatch polimérico, também desenvolvido pela inglesa Symphony, e que, segundo a Res Brasil, cumpre as exigências da FDA e também da Anvisa. Além de atender às normas ASTM 6954 e BS 8772, o diretor da Res Brasil informa que o produto ainda cumpre requisitos de outras normas, como a Swedish Standard, UAE Standard, AFNOR Accord nos quesitos de degradação, biodegradação e ausência de resíduos nocivos. O aditivo ainda é certificado pela autoridade mundial dos plásticos oxibiodegradáveis, a associação inglesa Oxo-biodegradable Plastics Association (OPA).

Plástico Moderno, Embalagem oxibio precisa de oxigênio e micro-organismos para degradar
Embalagem oxibio precisa de oxigênio e micro-organismos para degradar

A adição do d2w não vale para qualquer resina. “Plásticos oxibiodegradáveis são as poliolefinas, PE e PP”, ensina, e adverte: “Já vi gente dizendo ter aditivo oxibiodegradável que biodegradaria até PVC; nunca vi um artigo científico provando isso; daí a importância das normas e da certificação da OPA.”

Nas suas estimativas, cerca de dois bilhões de embalagens e artigos plásticos biodegradáveis foram produzidos no Brasil, nos últimos dois anos, com a marca certificada d2w. Roost calcula que 96 países usam essa tecnologia.

“Desde que iniciamos nossos trabalhos, o crescimento do mercado é constante e consistente”, comemora. Avanço lastreado na maior percepção das indústrias, em âmbito global, de que os plásticos biodegradáveis correspondem à solução do setor para a diminuição da pegada ecológica – os problemas ambientais causados pelo descarte incorreto de produtos plásticos no meio ambiente. “A valorização está acontecendo aos poucos e sendo acompanhada do saudável aumento do nível de exigências em relação a certificações, análises de ciclo de vida e outras provas que diferenciam o falso do verdadeiro.” Referência à oferta no mercado nacional de aditivos e materiais que prometem biodegradação, sem a contrapartida das certificações e laudos que comprovem o atendimento às normas vigentes.

E decreta: “O tema plásticos e meio ambiente tem apenas dois lados: o dos plásticos convencionais não degradáveis e o dos plásticos biodegradáveis que atendem normas que consideram o cumprimento de quesitos como degradação, biodegradação e ausência de eco-toxicidade.”

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