Plástico

Bioplásticos – Plástico biodegradável em tempo recorde já é realidade

Anelise Sanches de Roma
27 de agosto de 2011
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    Indústria de açúcar e biotecnologia – Astorri explica que os resíduos da indústria açucareira, como o melaço, servem para alimentar cepas bacterianas inseridas em um fermentador de poucos litros. Em seguida, os micro-organismos começam a digerir o composto e são transferidos para uma bateria de fermentadores de 1.600 litros. “Em um prazo de 30 ou 40 horas, as células bacterianas acumulam o polímero de poliéster em seu interior e depois de analisar o nível de seu revestimento o PHA é separado da mistura de fermentação”, explica.

    Os passos sucessivos são a sua extração e secagem, procedimentos necessários para transformar o produto em grânulos prontos para serem tratados em máquinas extrusoras ou injetoras. Assim que o biopolímero é extraído dos micro-organismos, o resultado é um pó extremamente fino e facilmente transformado em pellet, com o qual a empresa já produziu folhas de bioplástico com diferentes consistências.

    As vantagens do Minerv, segundo Astorri, são inúmeras. “Antes de mais nada, o nosso processo produtivo é altamente ecocompatível, já que utilizamos resíduos agrícolas de plantações cultivadas sem OGMs e não empregamos solventes químicos para a extração dos biopolímeros”, sublinha. “Além disso, o produto final possui as características atribuídas ao PP, PET, PS, HDPE e LDPE derivados do petróleo, mas com prestações que, em alguns casos, podem ser até superiores”, completa.

    Por enquanto, a Bio-On utiliza os resíduos do grupo cooperativo CoProb, maior produtor de açúcar italiano derivado da beterraba. Em uma média de 40 horas, um composto à base de 1.400 litros de água, açúcares e bactérias produz 100 quilos de PHA com uma pureza de 97%.
    Em seguida, assim que o processo se conclui, a água utilizada é reciclada e os resíduos dos micro-organismos são colocados novamente nos biorreatores e empregados no ciclo sucessivo.

    Produto promete diversas aplicações – Segundo Astorri, em relação ao PLA obtido do amido de milho, por exemplo, o PHA se funde somente se exposto a uma temperatura superior a 170°C e essa peculiaridade torna o biopolímero um material adequado para a confecção de dispositivos biomédicos como fios de sutura e moldes para engenharia de tecidos.

    Obviamente, outros benefícios são a independência da empresa em relação às oscilações dos preços do ouro negro e das principais commodities, considerando que a matéria-prima principal desse novo biopolímero são os resíduos agrícolas.

    Por esses motivos, Astorri acredita que o Minerv represente um potencial substituto de 70%-80% dos plásticos convencionais de origem petroquímica empregados em aplicações como peças feitas por termoformagem e injeção em moldes, filmes extrudados e fios, entre outros.

    O objetivo da Bio-on é ambicioso e Astorri não esconde que a meta da empresa é assumir a liderança mundial na difusão da tecnologia produtiva de PHAs derivados de resíduos agrícolas em um prazo de no máximo dez anos. “Nossa fábrica foi projetada em módulos de pequena escala, facilmente expandíveis, e cada um dos biorreatores é capaz de produzir cerca de 10 mil toneladas anuais de biopolímeros”, comenta.

    Para aqueles que consideram o empresário pretensioso, Astorri responde que a Itália é um dos países mais avançados tecnologicamente do mundo. “Não somos especialistas no setor de marketing, mas criatividade e competência são os nossos pontos fortes”, julga. “Basta lembrar que Giulio Natta, vencedor do Prêmio Nobel de Química, foi o inventor do polipropileno e que Adriano Olivetti criou sistemas operativos e computadores eficientíssimos antes dos gurus da Silicon Valley”, lembra.

    De olho na América Latina – Até agora, os investimentos na Bio-on demonstram que essa indústria quer mesmo conquistar o papel de protagonista no setor de biopolímeros. Inicialmente, os seus sócios desembolsaram pessoalmente cerca de 450 mil euros para registrar as primeiras patentes industriais e até o final de 2011 investirão outros 2,3 milhões de euros para patentear a própria criação em todos os continentes.Plástico Moderno, Bioplásticos - Plástico biodegradável em tempo recorde já é realidade

    Além disso, até 2015, os empresários esperam inaugurar fábricas na França e na Alemanha, sem perder de vista outros produtores de beterraba, como o Leste Europeu e a América do Norte, e mantendo um canal aberto com os principais mercados de cana-de-açúcar.

    Considerando que somente 15% do açúcar produzido mundialmente é derivado da beterraba e o restante é proveniente das plantações de cana-de-açúcar, Astorri antecipa que a Bio-on é potencialmente interessada no Brasil e na América do Sul. “Existem milhões de toneladas de resíduos que podem ser transformadas em ótimos PHAs e a tecnologia que temos à disposição é excelente para realizar esse objetivo sem emitir CO2 ou provocar danos ambientais”, avalia.

    Enquanto espera por outros negócios promissores, a Bio-on conquistou mais um passo. Em maio de 2011, o Minerv PHA SC foi certificado pela instituição belga Vinçotte como o primeiro e único biopolímero obtido de resíduos da cana-de-açúcar, contemplado com o certificado OK Biodegradable Water. Mais um passo adiante na construção de um planeta sustentável.

     

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