Plástico

Bioplásticos – Os plásticos do futuro – Apesar da oferta e do preço, o crescimento dos bioplásticos é uma realidade impulsionada pela preocupação com o meio ambiente e a substituição de produtos fósseis não só em embalagens descartáveis, mas em bens cada vez mais duráveis

Patricia Rodrigues
27 de agosto de 2011
    -(reset)+

    Para Moreira, a questão das sacolas trouxe à tona o ponto de vista dos consumidores, que começam a entender o que há por trás do bioplástico. Isso porque, antes das leis, alguns varejistas disponibilizaram a sacola compostável quando a população sequer sabia da sua existência. “Mesmo em meio a controvérsias, o consumidor começa a perceber que ele pode fazer a sua parte no contexto geral, mas ainda não atentou para o grande benefício desse tipo de embalagem para a separação de recicláveis e compostáveis. Sem contar que a sacolinha compostável é ideal para o lixo doméstico”, observa. Moreira se refere à Política Nacional de Resíduos Sólidos que o governo pretende implantar até 2014. “65% do lixo do país é orgânico e a coleta seletiva vai consistir na separação dos compostáveis dos não compostáveis.”

    Plástico Moderno, Walcinyr Bragatto Neto, Gerente de produtos da Cargill, Bioplásticos - Os plásticos do futuro - Apesar da oferta e do preço, o crescimento dos bioplásticos é uma realidade impulsionada pela preocupação com o meio ambiente e a substituição de produtos fósseis não só em embalagens descartáveis, mas em bens cada vez mais duráveis

    Bragatto anuncia novas expansões para atender à demanda crescente

    Walcinyr Bragatto Neto, gerente de produtos da Cargill – cuja subsidiária NatureWorks fabrica o PLA sob a marca Ingeo – acredita que os biopolímeros estão seguindo a curva natural de desenvolvimento e consolidação dos plásticos. “Estamos satisfeitos com o volume de vendas, tanto que dobramos a capacidade produtiva em 2009, alcançando as 140 mil toneladas/ano. Em setembro, chegará a 160 mil toneladas/ano”, adianta. “Há uma demanda que cresce rápido. Para algumas aplicações, como a de termoformados, o bioplástico é até mais competitivo que certos plásticos derivados de petróleo.”

    A expansão do Ingeo passa pelas parcerias com empresas globais – como a Pepsico, por exemplo – e nos últimos meses com a Danone, mais especificamente para as embalagens do iogurte Activia no mercado alemão, que devem chegar a outros países. “Com essas parcerias estamos aumentando nosso volume e nossa capacidade de produção”, reforça. A empresa também revela a construção de nova fábrica, muito provavelmente na Ásia, e não descarta outra implantação dependendo do desenvolvimento de mercado e de regiões. “Os detalhes devem ser apresentados em breve”, anuncia o gerente.

    Bragatto explica que, desde a entrada no mercado nacional, a aceitação do produto tem sido muito satisfatória, o que tem levado a Cargill a parcerias para desenvolver novas aplicações. “Começamos com descartáveis e já migramos também para bens mais duráveis, como cartões,  garrafas e filmes.” Um dos futuros usos do produto é o coating de papel, para a produção de itens 100% renováveis, ainda em testes de finalização. Feita com petroquímicos convencionais, a fina camada de plástico que recobre copos e outros descartáveis significa um problema na hora da reciclagem que, embora já exista tecnologia para tal, é complicada e cara. Com o PLA, explica o gerente, os materiais se tornam 100% renováveis, compostáveis e repolpáveis. “Isso deve atender o segmento de laminação de papel, de alimentos a caixas de detergente em pó, além do segmento de filmes, cuja procura está sendo muito boa”, revela.

    O gerente acredita que com a nova política para resíduos sólidos, o Ingeo também terá grandes oportunidades de mercado graças à maior flexibilidade de opções de descarte, o que inclui as reciclagens mecânica e química, a compostagem e a incineração. “Como atende a todas as normas de certificação de biodegradabilidade e de compostagem mundiais, contempla todas as alternativas e pode ser incluído no nicho dos compostáveis e dos recicláveis. Isso permite trabalhar com diversos produtos.” No caso da destinação final, para ele, não se trata de escolher entre essa ou aquela. “Em casos em que há dificuldade de reciclar, como fraldas descartáveis, a compostagem se torna mais útil. Em outros, a reciclagem é mais interessante.”

    Plástico Moderno, Reinaldo Azevedo, Gerente comercial da IraPlast, Bioplásticos - Os plásticos do futuro - Apesar da oferta e do preço, o crescimento dos bioplásticos é uma realidade impulsionada pela preocupação com o meio ambiente e a substituição de produtos fósseis não só em embalagens descartáveis, mas em bens cada vez mais duráveis

    Compostos formulados por Azevedo se destinam a diversas aplicações

    O PLA também é o negócio da norte-americana Cereplast, nesse mercado desde 2002 e representada no Brasil desde 2006 pela IraPlast, de Iracemápolis-SP, que também produz embalagens e peças injetadas biodegradáveis. “Com o PLA puro da NatureWorks, a empresa produz os compostos e adapta os materiais conforme a necessidade do cliente”, esclarece Reinaldo Azevedo, gerente comercial da IraPlast. No começo era só injeção e termoformagem. Hoje, além do sopro, atua também com filmes para coating e sacolas.

    No período 2009/2010, a Cereplast, que tinha capacidade para 1.500 toneladas/mês, passou por uma reestruturação e agora a planta localizada em Indiana, nos Estados Unidos, tem capacidade para quadruplicar a produção atual, de 40 mil toneladas/ano. Este ano, empresa também anunciou o estabelecimento de uma fábrica na Itália, além dos já existentes escritórios de vendas na Turquia e em Paris. No mercado externo, conta com novos desenvolvimentos, como os bioplásticos de algas, projetados para substituir até 50% ou mais do conteúdo do petróleo usado em resinas plásticas tradicionais.

    Para expandir no mercado brasileiro com a linha compostável, Azevedo também concorda que a política de resíduos sólidos será um momento importante para uma maior divulgação do bioplástico no país. “É preciso vender uma imagem correta – até mesmo para os legisladores – sobre o que é biodegradável, compostável, que precisa atender às normas, ter certificações e garantias”, reforça.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *