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Bioplásticos – Os plásticos do futuro – Apesar da oferta e do preço, o crescimento dos bioplásticos é uma realidade impulsionada pela preocupação com o meio ambiente e a substituição de produtos fósseis não só em embalagens descartáveis, mas em bens cada vez mais duráveis

Patricia Rodrigues
27 de agosto de 2011
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    Bioplástico x biodegradável x compostável – Outra questão que preocupa os fabricantes de bioplásticos e entidades do setor, como a Associação Brasileira de Polímeros Biodegradáveis e Compostáveis (Abicom), é a confusão com as nomenclaturas. “Ainda não existe uma identificação registrada, oficial, brasileira, que permita às pessoas reconhecerem o material bioplástico de fonte renovável ou que tenha a propriedade de ser biodegradável compostável”, aponta João Carlos de Godoy Moreira, também vice-diretor técnico da entidade. Pela sua similaridade com os plásticos de petróleo, um leigo não identifica os tipos corretamente. “Estamos elaborando um sistema brasileiro e isso vai ajudar bastante no sentido de inibir essas falsas promessas de produtos biodegradáveis”, explica.

    Plástico Moderno, Veruska Rigolin, Presidente da Abicom e gerente de vendas da Innovia Films, Bioplásticos - Os plásticos do futuro - Apesar da oferta e do preço, o crescimento dos bioplásticos é uma realidade impulsionada pela preocupação com o meio ambiente e a substituição de produtos fósseis não só em embalagens descartáveis, mas em bens cada vez mais duráveis

    Veruska: empenho em diferenciar os termos empregados no mercado

    Para Veruska Rigolin, presidente da Abicom e gerente de vendas da Innovia Films, esclarecer as diferenças entre os termos que pululam no mercado e criar um sistema de certificação estão entre os muitos desafios da associação fundada em 2009. Segundo a presidente, há uma banalização do termo biodegradável e, por isso, a entidade atrela o biodegradável ao compostável. “Se é compostável, tem que biodegradar obrigatoriamente em até 180 dias. Esta é a norma. Se não biodegradar em até 180 dias, não é compostável e não há certificação”, explica. Já existe no Brasil desde 2008 a norma para ensaio de materiais plásticos biodegradáveis e compostáveis, a NBR 15448-1/2, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e, além dela, outras normas internacionalmente aceitas são a ASTM D 6400 (norte-americana) e a EN 12432 (europeia).

    Apesar de existir a norma nacional, o maior problema apontado por Veruska é a falta de laboratórios para fazer a certificação. “Estamos trabalhando agora com o governo para dar incentivos, porque, de alguma forma, esses laboratórios existentes precisam se adaptar e se modernizar para realizar os testes.” Mas, antes de investir, eles querem saber o volume de material a ser certificado. “Não dá para mensurar, por enquanto.”

    A presidente estima que até o final deste ano novidades devem ocorrer. De acordo com ela, a norma brasileira já foi reconhecida pelo European Bioplastics (da Europa e da Ásia). “Teremos uma parceria com eles. E existe a ideia também de usar um logo, para que produtores daqui possam utilizar um selo já reconhecido mundialmente.” Além da certificação do European Bioplastics, também são usadas atualmente a do BPI (Biodegradable Products Institute, dos Estados Unidos) e a do BPS (Biodegradable Products Society, do Japão). “Isso vai separar quem realmente tem um produto biodegradável compostável de quem não tem.”

    No caso das embalagens, também é preciso a documentação do organismo certificador – mesmo para aquelas feitas com matérias-primas certificadas. A norma não permite que materiais modificados (processados, com tintas, adesivos etc.) tenham o mesmo selo. A ideia é que as embalagens que atendam a todas essas especificações tenham um número de registro que possa ser acompanhado pelo consumidor.

    Segundo Veruska, por mais que exista um selo na embalagem final, a questão passa pela mudança de cultura. A embalagem pode até conter a expressão “biodegradável compostável”, mas não poderá usar o logotipo. “As pessoas têm de ser educadas para que consumam apenas produtos que contenham o selo, do contrário não há como garantir que aquele material seja mesmo sustentável”, explica. “E também para não permitir que empresas que estão supostamente oferecendo alternativas sustentáveis ao mercado continuem trabalhando.”

    Outro objetivo da Abicom é esclarecer quanto ao termo oxidegradável, pois até onde se tem notícia, os chamados plásticos oxidegradáveis não atingiram os requisitos mínimos contidos nas normas em questão. “Portanto, não podem usar o apelo ‘biodegradável’ em sua divulgação nem a palavra bio por não haver comprovada ação de degradação microbiológica”, explica.

    Plástico Moderno, Bioplásticos - Os plásticos do futuro - Apesar da oferta e do preço, o crescimento dos bioplásticos é uma realidade impulsionada pela preocupação com o meio ambiente e a substituição de produtos fósseis não só em embalagens descartáveis, mas em bens cada vez mais duráveis

    Filmes desenvolvidos pela Biomater carregam amidos

    Oferta em expansão – A Biomater – incubada na Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos (Parqtec) e que conta com parcerias com as universidades da região (USP e Federal de São Carlos), além de instituições e empresas – produz bioplásticos obtidos de amidos de mandioca, batata e milho, os TPS, com tecnologia própria. O foco tem sido a indústria de transformação, especialmente a de embalagens para a indústria alimentícia, filmes para embalagens, sacos de lixo, sacolas em geral, filmes de solo e produtos para manejo agrícola (bandejas, tubetes, potes etc.), além de novos desenvolvimentos para o segmento de cosméticos, brindes e embalagens técnicas para agroquímicos.

    Além da parceria com a holandesa Rodenburg Biopolymers BV, a empresa ganhou reforço, há um ano, com a entrada de um grupo investidor, o Green Solutions, de Ribeirão Preto-SP, do setor sucroalcooleiro, que propiciou a construção de uma usina de bioplástico no Mato Grosso do Sul. “Além disso, a parceria deve alavancar a expansão de novas usinas em vários estados”, adianta Moreira. “O mercado de bioplástico se diferencia da cadeia petroquímica porque é possível construir fábricas em menor escala. Podem ser produzidos em diversas  regiões, utilizando recursos locais e proporcionando o desenvolvimento regional, uma vez que há grande integração com a agricultura.”



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