Plástico

Biocidas – Mercado especializado em nichos investe no desenvolvimento de produtos amigáveis ao meio ambiente

Renata Pachione
10 de junho de 2008
    -(reset)+

    Plástico Moderno, Marcelo Junho, gerente de mercado para a América Latina em preservação, higiene e biocidas da Rohm and Haas,  Biocidas - Mercado especializado em nichos investe no desenvolvimento de produtos amigáveis ao meio ambiente

    Junho: desafio é difundir os benefícios do aditivo

    Para se ter uma idéia mais clara do tamanho desse mercado, o gerente aponta dados sobre o mercado de nichos, no caso, um parâmetro para os biocidas para plástico. Segundo ele, esse setor cresce, em volume, entre 6% e 8% ao ano, mundialmente. O índice se dá em países em desenvolvimento, pois em mercados maturados, como Estados Unidos, Europa e Japão, o aumento da demanda é da ordem de 2%.

    Também determinante para essa configuração do setor está a pulverização do próprio mercado do plástico. Para o fabricante de aditivo atuar, tem de cobrir um amplo número de indústrias. “São várias formulações e processos distintos, dependendo do plástico que você quer”, diz Junho. Além disso, muitos plásticos são commodities e não comportam o investimento em um biocida, pois se a vida útil destes for curta, não justificaria a sua proteção contra microrganismos. Todos esses fatores somados prejudicam o avanço desse segmento, pois de alguma forma tornam outras áreas, como a de biocidas para tintas ou para cosméticos, mais interessantes, pelo menos, num primeiro momento.

    O setor de proteção dos plásticos ainda é uma área em ascensão e indefinida. Alguns fabricantes acreditam que não existe por parte da indústria de plástico o conhecimento acerca dos problemas associados ao não uso do biocida. Na opinião de Junho, há uma lacuna de conhecimento. Às vezes, o plástico falha por causa da contaminação, mas não se atribui a causa do problema à ação de microrganismos. “Muitos não sabem os benefícios do uso do aditivo no plástico”, insiste Junho. Os malefícios mais evidentes se apresentam por meio de manchas e odores, ou seja, sofre perdas na sua aparência e apresentação. No entanto, quando a matriz polimérica é afetada, perdem-se também algumas propriedades.

    “Só não tem mais aplicação por falta do entendimento correto dos benefícios do biocida”, afirma Junho. O biocida é um aditivo pouco explorado entre os plásticos no Brasil. Até mesmo na Rohm and Haas trata-se de uma linha relativamente nova. Apesar dos aditivos para plástico serem bastante antigos na companhia (existem há cerca de vinte anos), para a América Latina, como uma unidade mais estruturada, a empresa atua há cerca de quatro anos. Mas nem por isso os planos deixam de ser audaciosos. A Rohm and Haas investe no ramo e prevê, ainda em sigilo, o lançamento de projetos especiais para a área. “Um dos nossos desafios é mostrar ao cliente como o biocida pode agregar valor”, aponta Junho.

    Plástico Moderno, Biocidas - Mercado especializado em nichos investe no desenvolvimento de produtos amigáveis ao meio ambiente

    Peculiaridades – O biocida para plástico para algumas indústrias funciona como figurante. O segmento, se comparado ao de tintas – o maior mercado de preservantes em volume no Brasil –, é de aplicações específicas. Algumas hipóteses diagnosticadas para esta característica se referem à área técnica, ou seja, ao fato de envolver uma tecnologia diferenciada. Em outras palavras, além de as formulações não serem tradicionais e amplamente conhecidas pelo setor de plástico, elas embutem algumas particularidades.

    Mas quais seriam esses pormenores capazes de tornar a proteção dos polímeros um setor diferente dos outros? Um deles é a necessidade de oferecer o aditivo em um veículo sólido. Para fabricá-lo neste estado, é preciso uma tecnologia de processo avançada. Em geral, a entrega do princípio ativo para o plástico se dá na forma de pó, enquanto, na tinta, por exemplo, o estado é o líquido. Uma tendência anunciada pelo setor recai nessa característica. De acordo com Costa, têm aumentado as solicitações de dispersões. A Lanxess por enquanto não vende o aditivo neste formato.

    Outros fatores também são determinantes para entender melhor a composição do aditivo destinado à proteção do polímero. A solubilidade no plástico é um dos pontos. Caso o biocida seja muito solúvel, não terá efeito, pois ficará concentrado longe da superfície, onde ocorre o desenvolvimento dos microrganismos. Em contrapartida, se tiver uma solubilidade muito baixa, outros problemas podem surgir, como o curto prazo de durabilidade. “Será removido muito facilmente da superfície, deixando-a livre para os microrganismos se desenvolverem”, explica Lopes.

    Outra característica do biocida para plástico diz respeito à sua estabilidade térmica. No processo de transformação da resina, o aditivo precisa se conservar estável. Em linhas gerais, o produto apresenta baixa estabilidade ao calor. Daí a necessidade do fabricante de desenvolver recursos para controlar essa propriedade. Mas a indústria já aprendeu a lidar com essa peculiaridade. A Rohm and Haas possui biocidas que se degradam aos 60ºC e outros resistem até 300ºC. “Hoje há tecnologia para adaptar o aditivo à temperatura do processo”, avisa Junho.

    Em linhas gerais, aceita-se a idéia de que a escolha do biocida está ligada à aplicação. Por isso, o aditivo tem de ser estável ainda à condução na qual o transformado será exposto. Nesse caso, a estabilidade à luz também se torna condição. “Se o material ficar exposto à luz solar, durante parte ou em todo o seu ciclo de vida, o biocida tem de ser estável para garantir que, em toda a vida do plástico, ele seja efetivo”, conta Lopes. Outra questão importante sobre este tipo de preservante diz respeito à necessidade deste não interferir nas características do produto final. Um exemplo: em filmes plásticos, o aditivo não pode causar turbidez, caso contrário, provocaria a perda de parte da propriedade de transparência. Todas essas variáveis acabam configurando um mercado de um know-how específico.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *