Plástico

Biocidas – Mercado especializado em nichos investe no desenvolvimento de produtos amigáveis ao meio ambiente

Renata Pachione
10 de junho de 2008
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    Os aditivos inorgânicos, da Ciba, são os das linhas Irgaguard B 5000, B 6000 e B 7000. Esses são bactericidas, pois a prata interfere no mecanismo de alimentação das bactérias. “Sabemos que algumas bactérias, por serem mais resistentes, necessitam de uma dose mais elevada do produto, mas não conhecemos nenhum caso de inatividade”, comenta Lopes.

    O biocida Vinyzene da Rohm and Haas tem tradição no mercado. Acostumada a estar em linha com as tendências mundiais, a companhia destaca, no entanto, o Vinyzene DCOIT. O produto apresenta propriedades que lhe conferem alta biodegradabilidade e tem um impacto mínimo no meio ambiente. Pode-se dizer que foi projetado para atender a rígidas normas regulatórias. O aditivo, por exemplo, tem registro na diretiva européia de biocidas (BPD). “O produto é o de melhor benefício para produtos voltados ao exterior”, diz Junho. Para ele, a aposta da companhia na linha se dá por causa da alta estabilidade à radiação ultravioleta, à descoloração e ao intemperismo.  O DCOIT não emite compostos orgânicos voláteis (VOCs) e está livre da presença de metais livres, entre outras características.

    Os produtos mais modernos, da Lanxess, respondem pelos tiabendazóis da linha Metasol. A tecnologia do tiabendazol era da Nalco, foi comprada pela Bayer e repassada para a companhia. “O produto é de baixa toxicidade”, garante o representante técnico de vendas de Proteção de Materiais/Biocidas da Lanxess, Aluísio Costa. A empresa também produz, em sua ampla linha de biocidas, outros dois fungicidas para polímeros: o Preventol A-3 (fluorfolpet), para PVC, e o Preventol BCM (carbendazim), também para o PVC.

    Na Lanxess, os biocidas pertencem à Área de Proteção de Materiais (MPP). As divisões se diversificam entre os produtos que atendem a todo tipo de preservação da indústria (categoria na qual o plástico está); personal and home care e domissanitários. A área também possui linhas para a proteção de tintas navais e de madeira, além de um aditivo específico para o setor de bebidas carbonatadas. De acordo com Costa, como estratégia, a companhia busca oferecer um portfólio completo, no entanto, nem todos os negócios são representativos.

    Plástico Moderno, Francisco Lopes, responsável pela New Business Plastic Additives, da Ciba Especialidades Químicas, Biocidas - Mercado especializado em nichos investe no desenvolvimento de produtos amigáveis ao meio ambiente

    Lopes prevê crescimento de 10% em relação a 2007

    Os aditivos para concreto, inibidores de corrosão, tintas e domissanitários respondem pela maior parte do consumo dos biocidas da empresa. Os plásticos ficaram de fora da categoria dos mais vendidos, não por falta de interesse da companhia, mas porque, segundo Costa, trata-se de um mercado de baixo volume. “Falta demanda”, justifica. Para se ter uma idéia, o negócio de preservante de polímeros representa entre 3% a 5% da divisão de produtos de proteção de materiais da Lanxess.

    No caso da Ciba, o segmento também está longe de ser um carro-chefe da empresa. “A área de plástico é mais importante do que forte, para nós, pois são considerados novos mercados”, explica Lopes. No entanto, a companhia se baseia em seu histórico para vislumbrar um cenário mais positivo. De acordo com ele, o segmento cresceu muito entre 2003 e 2004, porém, nos três anos seguintes, as vendas da área se estagnaram. Para este ano, a empresa prevê aumento da demanda. “Em 2008, temos a expectativa de voltar a crescer por volta de 10%, comparado ao ano passado”, afirma Lopes. Na opinião dele, a lucratividade do setor justifica investimentos a serem feitos antes e depois do lançamento de um produto. “Muitas aplicações ainda têm de ser desenvolvidas”, enfatiza.

    Que mercado é esse? – Apesar do potencial, nota-se que uma das dificuldades do setor é justamente a escassez de novos desenvolvimentos específicos para a proteção do plástico. Linhas de produtos tradicionais no ramo e mundialmente conhecidos, de certa forma, dominam o mercado, como o Vinyzene, da Rohm and Haas; o Preventol, da Lanxess; e o fungicida Vanquish, Arch Chemicals. “Esse mercado é estável e até meio estagnado, não vejo expansão nem o surgimento de novas moléculas”, resume Costa.

    O representante técnico da Lanxess tenta compreender as barreiras que impedem o avanço do segmento. Para ele, como o volume é baixo, os investimentos no desenvolvimento de novas moléculas seguem a mesma medida. “É um ciclo vicioso”, diz. Mas pouca escala não representa necessariamente baixa lucratividade, nem o contrário é verdadeiro, vide o segmento de tintas, no qual os volumes movimentados são enormes, porém, como se trata de commodities, o faturamento com as vendas desses biocidas não é tão alto. De momento, o que se sabe é que, considerado uma especialidade, o biocida para o plástico se restringe a aplicações de nicho de mercado.

    As previsões para o setor se referem à descoberta de nichos. Ou seja, a princípio esse mercado está fadado a se restringir a aplicações específicas. Parece que os fabricantes não acreditam que os volumes irão aumentar de forma significativa. Outro ponto para discussão futura está associado ao fato de os fornecedores de aditivos terem de convencer o mercado, como um todo, sobre a necessidade de proteger os produtos contra a contaminação de microrganismos. “O crescimento da área está ligado à necessidade do cliente final”, afirma Junho.



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