Compósitos

Aviões – Plástico de alto desempenho e compósitos a bordo

Jose Paulo Sant Anna
29 de agosto de 2007
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    Plástico Moderno, Aviões - Plástico de alto desempenho e compósitos a bordo

    Simone: modelo A380 tem 5t de compostos de PPS

    O trocadilho não é dos mais engraçados, mas traduz uma realidade inegável. Nos últimos anos, a presença de polímeros e de compósitos nos aviões decolou. Graças ao investimento em tecnologia de grandes multinacionais ligadas ao mundo da química, sofisticados plásticos de engenharia e compósitos ganharam propriedades como maior resistência mecânica, térmica, à corrosão e ao fogo, além de apresentarem menor peso e emitirem pouca fumaça.

    Essas características soam como o ronco saudável de um potente motor para os profissionais especializados em aeronáutica, que não hesitam em aproveitar materiais plásticos de elevado desempenho para substituir matérias-primas outrora indispensáveis – em especial, metais. “Esses plásticos requerem baixa manutenção e, por tornarem as aeronaves mais leves, permitem redução do uso de combustível e maior autonomia de vôo”, justifica Venâncio Pereira Neto, gerente de engenharia de materiais da Embraer, representante brasileira do restrito time de companhias especializadas na fabricação de aviões.

    Pereira destaca que a presença dos plásticos em aeronaves pode ser dividida em duas áreas distintas: nas aplicações feitas na estrutura dos aviões, composta pelo conjunto formado pela fuselagem e asas, e nas voltadas para o interior das aeronaves.  “O grande salto no uso de resinas nos últimos tempos vem ocorrendo nas estruturas”, informa.

    Plástico Moderno, Aviões - Plástico de alto desempenho e compósitos a bordoPara se ter uma idéia de tal evolução, há vinte anos, alumínio, aço e titânio correspondiam a entre 80% e 90% do peso das estruturas das aeronaves. Os novos modelos “gigantes”, que vêm sendo desenvolvidos pelas principais fabricantes mundiais de aviões para em breve transportar milhões de passageiros pelos céus do planeta, apresentam características bem diversas.

    É o caso da série 787, desenvolvida pela companhia norte-americana Boeing e que conta com modelos capazes de transportar de 210 a 330 passageiros. “Os aviões dessa linha têm em torno de 50% do peso de sua estrutura formada por compósitos”, revela Marcos Maciel, líder de equipe de compósitos e poliméricos da Embraer. A estréia dos modelos 787 em vôos comerciais está prevista para o próximo ano. Estima-se que porcentagem similar de materiais plásticos deva estar presente na linha A350, que está sendo desenvolvida pelo consórcio europeu Airbus. As unidades A350 devem chegar ao mercado em 2012, com modelos capazes de carregar de 250 a 340 passageiros.

    O A380, com capacidade para transportar nada menos do que 555 passageiros, outro lançamento de grande porte da Airbus, tem 20% do peso de sua estrutura em materiais plásticos, porcentagem bastante considerável levando-se em conta as dimensões gigantescas do avião e os modelos anteriores da marca. O A380 passará a ser utilizado pela aviação comercial dentro de alguns meses.

    Plástico Moderno, Aviões - Plástico de alto desempenho e compósitos a bordo

    Peças usadas pela Airbus com compósitos da Ticona

    A tendência também está presente nos aviões de menor porte. Neste caso, porém, o fenômeno ocorre em escala reduzida, quando comparado aos modelos que levam grande número de passageiros. A relação custo/benefício dita o ritmo da substituição dos metais nesse nicho de mercado.

    Os aviões da Embraer são exemplos desse avanço. O antigo modelo Brasília contava com 8% de plásticos reforçados no peso de sua estrutura. A linha de modelos 145 (aviões para 50 passageiros) chegou ao mercado com 10%. Essa porcentagem evoluiu para 13% nas linhas 170 (de 70 a 80 passageiros) e 190 (entre 80 e 120 passageiros). “Nossos modelos das linhas 170 e 190 são os que mais utilizam compósitos poliméricos em todo o mundo nestas categorias de aviões”, informa Maciel.Os novos modelos da empresa, os jatos executivos Phenom, que estão em fase final de desenvolvimento, possuem 16%. O Phenom 100, com capacidade para seis passageiros, fez seu primeiro vôo em julho e tem lançamento previsto para meados do próximo ano. O Phenom 300, com capacidade para oito passageiros, chega ao mercado em meados de 2009.

    A utilização de plásticos nos interiores das aeronaves é bem mais tradicional. Revestimentos de corredores, tetos, pisos, bagageiros, divisórias e dezenas de outros itens há anos são fabricados em resinas. Nesta lista também podem ser adicionadas várias peças que estão fora do alcance dos olhares dos passageiros, como dutos, conectores e itens dos motores, entre outras.

    Apesar de serem mais antigas, as aplicações feitas nos interiores das aeronaves também sofrem constantes evoluções. “Os órgãos responsáveis pelas normas que homologam o setor, em especial o FAA (órgão normativo da indústria aeronáutica norte-americana), têm grande preocupação com a segurança dos passageiros e sempre apresentam requisitos adicionais para os materiais usados nos interiores dos aviões”, explica Francisco Rezende, técnico de materiais compósitos e poliméricos da Embraer. Algumas dessas exigências só os plásticos conseguem atender. Há grande preocupação em utilizar matérias-primas menos inflamáveis e que não emitam fumaças tóxicas.

    Para poucos – O rigor exigido pelas entidades certificadoras para as matérias-primas utilizadas nas aeronaves é enorme. São normas que superam muito em exigências os padrões adotados por outros importantes clientes das fornecedoras de materiais, as indústrias automobilísticas. Por outro lado, como a escala de produção de aviões é pequena, o volume de produção das matérias-primas necessárias para atender o mercado é reduzido.



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