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Automóveis – Carro de plástico ainda é sonho, mas polímeros continuam a deslocar os metais em aplicações cada vez mais severas

Marcio Azevedo
12 de março de 2007
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    Preços – Uma das vantagens para quem participa do dia-a-dia das vendas de plásticos de engenharia é que, embora os preços de plásticos com propriedades destacadas sejam mais altos, não é nesse quesito que se concentram as negociações. “A indústria de automóveis tem uma visão um pouco mais a longo prazo, então a conversa não gira tanto em cima do preço da matéria-prima”, diz Geraldo Gomes de Souza, da área comercial da Bayer. “O problema é que no Brasil ainda não existe um grande centro de desenvolvimento de tecnologia para automóveis. Esses centros estão na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia. Muitas vezes as empresas instaladas aqui trazem tecnologias em desenvolvimento no exterior, e o Brasil acaba não tendo uma atuação muito grande nesse processo”, afirma Souza. Além disso, embora as grandes fornecedoras de resinas de engenharia ofereçam suas soluções para a indústria automotiva e para os transformadores, há outros fatores de influência nas vendas, como a economia possível apenas no médio e longo prazo, ante a necessidade substituição de uma instalação industrial existente decorrente da mudança de insumo, além do treinamento para a operação com novos materiais. Tantas mudanças pressupõem modificações de cultura, e esse processo é longo.

    Plástico Moderno, Automóveis - Carro de plástico ainda é sonho, mas polímeros continuam a deslocar os metais em aplicações cada vez mais severas

    Lentes de faróis: filão tradicional do policarbonato

    Para facilitar essa comunicação entre indústria e fornecedores, a Bayer dispõe de um grupo denominado AutoCreative, uma espécie de guarda-chuva sobre todas as atividades e áreas de alguma forma vinculadas à produção automobilística.

    O grupo existe como uma unidade sem obrigação de venda ou dedicação exclusiva, e se assemelha mais a um time de trabalho responsável por trazer para a empresa as discussões dos produtores de carros.

    Temperatura, quesito chave
     – Outra grande no mercado mundial de resinas de engenharia é a norte-americana DuPont, muito conhecida por suas poliamidas (PA), mas que também oferece poliésteres, poliacetais, poliftalamidas (PPA) e polímeros de cristal líquido.

    A poliamida é um dos polímeros mais antigos da DuPont, o mais conhecido, e um dos que apresenta a maior quantidade de aplicações homologadas. Esse universo é dominado por peças que devem suportar altas temperaturas de operação contínua, mas também há aplicações de PA em que a requisição inicial não é a térmica, ou uma combinação de propriedades, entre elas a resistência térmica. Há aplicações tradicionais como calotas e maçanetas internas em que o material oferece vantagens aos concorrentes (entre eles, a acrilonitrila-butadieno-estireno, ou ABS) como maior resistência ao impacto, maior resistência ao risco e maior resistência química. Em peças de cronômetros, que precisam de estabilidade dimensional grande, a resina também encontra mercado interessante, embora muitas vezes não seja a melhor opção no quesito estabilidade dimensional.

    A DuPont está oferecendo novas linhas de produtos, incluindo resinas que adquiriu há alguns anos da Eastman, dentro de um portfólio de especialidades destinadas a melhorar a oferta de para aplicações com demanda técnica crescente. “Existia uma lacuna entre os poliésteres e os polímeros de cristal líquido e PPAs, e a DuPont preenche essa lacuna onde deveria haver um poliéster com propriedades térmicas melhoradas”, afirma Karen Milena Guedes, gerente de marketing da área de soluções de alta temperatura, referindo-se ao novo politereftalato ciclohexano da empresa.

    Devido a uma tendência de miniaturização das peças automotivas, o calor é transmitido mais rapidamente a esses componentes, criando a demanda por maior resistência térmica. Além disso, há legislações ambientais ou de consumo de energia, que recrudescem a exigência sobre os polímeros. Os plásticos dessa nova linha possuem cristalinidade e fluidez elevadas a ponto de permitir o preenchimento de espessuras de centésimos de milímetros, de modo que o consumo de energia na sua fabricação seja menor, bem como o ciclo de produção, aliando à característica técnica a redução de custos, uma busca incessante da indústria. Esse PCT é reforçado com fibras e flocos de vidro. Os flocos são necessários para conferir anisotropia e, no caso de peças com necessidade de estabilidade dimensional, é possível obter um produto bastante rígido, porém com baixo empenamento. O PCT tem resistência química e elétrica superior ao poliéster convencional, mas ainda não há muitas aplicações especificadas para a especialidade, embora no exterior existam algumas aplicações em estudo, e na região da América Latina ocorram testes. De modo geral, o polímero é adequado à injeção de carcaças, contadores, solenóides e relés.

    Plástico Moderno, Karen Milena Guedes, gerente de marketing da área de soluções de alta temperatura, Automóveis - Carro de plástico ainda é sonho, mas polímeros continuam a deslocar os metais em aplicações cada vez mais severas

    Karen aposta em futuro promissor para as PPAs

    A DuPont também divulga dois novos grades de polímeros líquidos de cristal (LCP), materiais com ótimas propriedades, mas antes pouco acessíveis, em razão da baixa capacidade produtiva instalada.

    Sua utilização vem aumentando e seu preço se tornou mais atrativo. Além da alta fluidez, com influência direta no tempo de cristalização no molde e na produtividade do processo de injeção, os novos LCPs possuem temperatura de fusão em torno de 370º C, e há produtos que resistem até 385º C.Essas propriedades qualificam os polímeros para a substituição de porcelana, cerâmica e metais, e já há montadoras fabricando bases de faróis de neblina nessa modalidade de plástico. No segmento de iluminação automobilística, as peças estão menores, a luminosidade maior, e as distâncias entre as peças diminuem, elevando a temperatura na região do farol. Some-se a tudo isso a necessidade de bom acabamento, outra característica propiciada pelo LCP.

    Brasilplast catalisadora de novidades – Por causa da proximidade da maior feira de plásticos no Hemisfério Sul, a DuPont está preparando forte divulgação de resinas ditas “superestruturais”, voltadas à substituição de metais.



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