Automação: Tecnologias ampliam produtividade

Tecnologias ampliam produtividade e estão ao alcance de todos

Automação - Painel de controle da produção em alta escala da Terphane
Painel de controle da produção em alta escala da Terphane

Automação – Tecnologias ampliam produtividade e estão ao alcance de todos

A automação das fábricas prevê o controle e monitoração das linhas de produção para reduzir gargalos produtivos. As empresas de transformação de plástico estão cientes que investir nessa tecnologia é estratégia para lá de importante para se manterem competitivas no mercado.

O momento traz otimismo entre os fornecedores de equipamentos e serviços voltados para a automação.

Eles apontam boa recuperação das dificuldades vividas nos momentos críticos provocados pela pandemia e se mostram felizes com o potencial futuro das vendas.

Em um mercado pulverizado como o brasileiro, com número estimado de mais de 11 mil transformadores, os casos dos que se encontram em estágio de automação avançado são bem raros.

Estamos falando nas empresas com clientes de grande porte, que demandam respostas ágeis em termos de produção e contam com fôlego financeiro para implementar as mudanças.

Entre essas, várias trabalham para alcançar os preceitos da indústria 4.0, que preveem a integração total da empresa, com a interligação das informações vindas do chão da fábrica aos sistemas de planejamento e administração por meio de sistemas gerenciais chamados de ERP (Enterprise Resource Planning ou, em português, Sistema de Gestão Integrado).

Nas de menor porte, que formam a grande maioria do mercado, têm pipocado com frequência projetos mais tímidos, muitos dos quais tem início com a automação de células de produção.

Um exemplo: uma fábrica que conta com dez injetoras pode adquirir um robô e periféricos para automatizar apenas a máquina que atua em regime de maior exigência.

Para essas, vale uma advertência feita pelos especialistas.

Mesmo quando feito em etapas, a integração total da atuação da empresa se torna mais eficaz se cada passo seguir um projeto inicial. Tudo para evitar investimentos em equipamentos que podem se tornar obsoletos em ações mal planejadas.

De acordo com a direção da Abiplast, nem sempre são necessários altos investimentos, mudança completa do parque industrial ou adoção da inteligência artificial para iniciar uma estratégia de indústria 4.0.

No começo a empresa deve se concentrar em conhecer e aproveitar a tecnologia já disponível nas plantas de forma a melhorar processos e aumentar a produtividade.

Tudo pode começar com a exploração correta das tecnologias habilitadoras – big data, internet das coisas, sensores e simulações, realidade aumentada, entre outras.

Também é importante investir em ações indicadas para redução do “time to market”, ou seja, reduzir o tempo de pesquisa e colocação de novas soluções e tecnologias à disposição do mercado consumidor.

Deve-se aprimorar o relacionamento e o desenvolvimento de produtos ao longo da cadeia, com parceria entre fornecedores e clientes, além de aperfeiçoar etapas de desenvolvimento, da concepção de projetos até o produto final.

Exemplo claro dessa necessidade é o redesign de embalagens, para aprimorar o uso e a reciclagem dos materiais e oferecer produtos mais enquadrados no conceito da economia circular.

Algumas considerações – Automação

O segmento industrial ao qual o transformador se relaciona tem influência nos investimentos em automação.

“As industrias mais bem preparadas para essa nova revolução são as de grande porte voltadas para os setores automobilístico e de bebidas”, revela Reynaldo Stamatis Filho, diretor da Interject, empresa de embalagens que trabalha com máquinas de sopro e de injeção de ciclo rápido com tecnologia In Mould Label (IML), entre outros produtos.

Na área de embalagens rígidas, o empresário desconhece existir empresas que trabalham totalmente integradas. A intenção em investir, no entanto, é grande. “A automação tem importância fundamental para a competitividade da empresa, é o primeiro passo para entrar na indústria 4.0”.

O dirigente ressalta que as indústrias de embalagens de médio e grande porte que trabalham com ciclo rápido e tecnologia de parede fina com IML, segmento no qual atua, podem ser consideradas “bem equipadas”.

Apesar do interesse, ele lembra que muitas vezes os projetos de automação das plantas de transformação se tornam inviáveis. O grande obstáculo é econômico.

“O maior problema é o baixo valor agregado dos produtos e serviços no Brasil”, enfatiza. Além disso, lembra, a intermediação de bancos privados em processos de financiamentos encarece o projeto.

Outra dificuldade é o reduzido número de participantes nacionais voltados para o fornecimento de automação robotizada e máquinas de alto desempenho.

Também são apontados aspectos técnicos que dificultam a adoção da tecnologia. “Além dos problemas de segurança, Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IOT), existem a questão cultural e de formação profissional”.

Stamatis faz algumas recomendações aos transformadores interessados em implantar projetos de modernização.

Um primeiro conselho é o de contar com linhas de produção dotadas com equipamentos de última geração. Caso a empresa fabrique produtos próprios, é preciso analisar se tais produtos têm valor agregado e se a concorrência exige a automação.

Para ele, o projeto de modernização de uma célula de produção pode ser feito em etapas. A primeira é elaborar uma estratégia adequada e de vida não tão curta para o produto.

O projeto do molde precisa ser adequado. A seleção da máquina e dos robôs e demais acessórios são muito importantes. “No plástico muita coisa é modular, alterando somente o molde, com pequenas mudanças em linha, pode-se produzir outros produtos”, explica.

Ele adverte: “os moldes de alta performance são caros”.

Chave na mão

Vários fornecedores oferecem equipamentos preparados para atender a demanda dos transformadores interessados em equipar suas fábricas com projetos automatizados.

Algumas empresas prestam serviços do tipo turn key (chave na mão), planejam e instalam projetos completos de automação que incluem as operações nas linhas de produção e a parte administrativa da empresa.

Uma dessas empresas é a multinacional Wittmann Battenfeld, fornecedora de injetoras, robôs e outros periféricos necessários para instalar linhas completas, inclusive dotadas com os sistemas ERP desenvolvidos internamente.

“Atendemos as necessidades de cada cliente”, resume Marcos Pedrassani, gerente de vendas de robôs e automação. Entre os periféricos, alimentadores, desumidificadores, equipamentos de transporte e outros itens.

Wittmann Battenfeld - Sede da empresa
Wittmann Battenfeld migrou para sede mais ampla em Vinhedo-SP

“O mercado surpreendentemente está bom, o número de consultas tem sido grande tanto para vendas isoladas quanto para projetos completos e alguns negócios está sendo concretizados”, informa o gerente.

Alguns nichos de mercado estão aquecidos, caso dos setores de linha branca, embalagens e construção civil. “O setor automobilístico é o que mais sofreu com a pandemia, as consultas deram uma parada, mas acredito que em breve retornem”.

O interesse dos clientes pela automação já dura um bom tempo e provocou a mudança, no último mês de julho, das instalações da empresa no interior do estado de São Paulo.

“Antes estávamos em Campinas, agora montamos nova sede em Vinhedo.

Desumidificador inclui monitoramento remoto - Automação
Desumidificador inclui monitoramento remoto

Ela é muito mais ampla e conta com bom espaço para montarmos um showroom e realizarmos cursos de treinamento para os clientes”.

O otimismo também faz parte do dia a dia da italiana Moretto, que possui escritório próprio de representação no mercado brasileiro.

Entre os equipamentos oferecidos pela empresa estão os voltados para secagem e desumidificação, transporte, dosagem e outras operações.

A empresa também presta serviços para a realização de projetos totalmente automatizados, inclusive com a estrutura necessária para a supervisão dos dados das operações das fábricas.

Nossos clientes estão investindo muito em automação, este ano não paramos de trabalhar um minuto”, explica Alexandre Brasolin, diretor comercial.

Entre os clientes, nomes como General Motors, Arno, Electrolux, Whirpool, Intelbras e outras. Brasolin explica que a procura não se resume a grandes corporações.

Automação: Tecnologias ampliam produtividade e estão ao alcance de todos ©QD Foto: Divulgação
Brasolin: projetos elaborados para caber no bolso do cliente

“Empresas de porte pequeno ou médio também estão procurando soluções para automação”.

A partir de um projeto desenhado caso a caso desde o início, a Moretto efetua vendas que podem ser feitas por etapas, de modo que a automação caiba no bolso do comprador.

“Já fizemos propostas para realizar um projeto em um prazo de dezoito meses. Parcelamos o pagamento em 18 vezes para facilitar o fechamento do negócio”.

Os projetos podem ser adaptados em empresas que ainda não contam com equipamentos de transformação equipados com controles de última geração.

“Por meio de nossos equipamentos conseguimos fazer o controle total da produção”.

Alimentadores e desumidificadores

A Rax, empresa criada em 1977 e detentora da marca Plast-Equip, oferece ampla linha de máquinas para alimentação, desumidificação e outras operações presentes nas fábricas de transformação.

Plástico Moderno - Dosador gravimétrico da Plast-Equip Rax tem demanda elevada
Dosador gravimétrico da Plast-Equip Rax tem demanda elevada

“Desde 2016 estamos tendo crescimento sólido, nem mesmo a pandemia provocou cancelamento nas vendas e nos últimos dois meses a procura se mantém ótima, o mês de outubro foi o melhor da nossa história”, informa Daniel Ebel, diretor geral.

A carteira de pedidos da empresa hoje prevê ocupação da fábrica por três ou quatro meses. “O normal é trabalharmos com um ou dois meses”.

Ebel credita o bom momento em especial a dois fatores. Um deles é o da empresa ser brasileira.

“Temos fábrica local, colaboramos na montagem dos projetos, prestamos total assistência técnica e treinamento”.

A flutuação do dólar ajuda bastante. “As variações do câmbio provocam incerteza e muitos clientes estão preferindo substituir as importações. Além disso, os produtos nacionais permitem condições mais fáceis de financiamento”.

O segundo fator do otimismo se encontra no forte interesse demonstrado pelos transformadores em modernizar suas fábricas.

Plástico Moderno - Ebel ©QD Foto: Divulgação
Ebel: carteira cheia inclui clientes de todos os portes

“É um processo sem volta. Temos realizados vendas para empresas pequenas, interessadas em automatizar uma célula de produção ou uma máquina, e também para médias e grandes, que investem em centros de produção totalmente automatizados”.

Os dosadores gravimétricos e os desumidificadores são os itens mais procurados.

“A necessidade de organizar e automatizar as plantas de plásticos só aumentou nos últimos anos. Neste ano de 2019 não foi diferente e nem a pandemia chegou a afetar ou postergar esta necessidade”, informa Ricardo Prado, vice-presidente para a América do Sul da Piovan, multinacional de origem italiana com tradicional presença no mercado brasileiro.

A empresa fornece equipamentos para alimentação e transporte, secagem e desumidificação, controle de temperatura e outros itens.

De acordo com Prado, a automação promove redução do desperdício de matéria prima e redução de refugos de produção, o que nos últimos tempos se tornou mais importante ainda com os aumentos de preços das resinas.

Plástico Moderno - Automação: Tecnologias ampliam produtividade e estão ao alcance de todos ©QD Foto: Divulgação
Prado: migração para sistemas automatizados é inevitável

“Dentro da possibilidade de cada empresa e dentro de sua estratégia de investimentos, mais cedo ou mais tarde, os transformadores estão migrando para sistemas completos e centralizados de alimentação, dosagem e desumidificação.”

O investimento pode ser feito em etapas, porém a recomendação do dirigente reforça a ideia de sempre ter em vista o resultado final completo antes de investir.

Plástico Moderno - Automação: Tecnologias ampliam produtividade e estão ao alcance de todos ©QD Foto: DivulgaçãoA Piovan além dos equipamentos, oferece um software bastante completo já adequado à Indústria 4.0 que se comunica com todos os processos, controla lotes e rastreablidade e pode ser interligado com o ERP do cliente.

O vice-presidente anuncia um lançamento.

 

“Temos o novo desumidificador DP615 EVO, com maior capacidade de absorção de umidade do material e os sistemas de transporte e dosagem de pós, com ênfase na fabricação de compostos de PVC”.

 

 

Robôs – Automação

Quem também comemora o interesse da indústria do plástico em automação são os fabricantes de robôs.

É o caso da japonesa StarSeiki, especializada na produção de modelos cartesianos para injetoras e com escritório próprio de vendas no Brasil.

“O ano passado e os dois primeiros meses de 2020 foram muito bons, superaram as nossas metas. Em março a pandemia reduziu as vendas, mas a partir de julho iniciamos um período de recuperação, voltamos ao patamar desejado”, diz Márcio Morioka, gerente de vendas.

Para ele, a procura dos clientes visa, de maneira preferencial, substituir a mão de obra humana em determinadas operações.

“Os robôs se encontram a preços mais amigáveis. Não passa de um ano a amortização do investimento e eles apresentam durabilidade em torno de dez anos, o que resulta em nove anos de retorno para o comprador”.

Plástico Moderno - Automação: Tecnologias ampliam produtividade e estão ao alcance de todos ©QD Foto: Divulgação
Silva: robôs evoluem e se tornam essenciais para elevar a qualidade da produção

A empresa possui portfólio amplo de modelos.

Os mais procurados são os para retirada de peças dos moldes de injeção.

A utilização em sistemas de embalagens de in mold label, a colocação de insertos em peças a serem injetadas e o corte dos galhos e rebarbas de peças prontas são alguns outros usos comuns.

Uma das novidades recentes da empresa foi o lançamento mundial de um robô que se comunica com as redes de computador prestando informações sobre o planejamento da produção e outros tópicos.

Ele foi projetado visando facilitar a adaptação à indústria 4.0.

“Os robôs são projetados para melhorar a eficiência, estabilizar o processo e aprimorar o fluxo de trabalho.

São cada vez mais essenciais para atingir o nível de qualidade esperado por uma indústria do plástico muito exigente”, resume Oscar da Silva, diretor da fabricante de robôs francesa Sepro.

Ele enfatiza que os robôs estão em constante evolução e agora podem ser usados em todo o processo de produção por injeção, desde a retirada das peças injetadas à montagem, inspeção, rastreabilidade e embalagem.

Silva informa que a venda de robôs no Brasil aumentou nesses últimos anos, mas a demanda para processos mais automatizados ainda é pequena.

Plástico Moderno - Automação: Tecnologias ampliam produtividade e estão ao alcance de todos ©QD Foto: Divulgação
Robôs evoluem e se tornam essenciais para elevar a qualidade da produção ©QD Foto: Divulgação

Para ele, os empresários brasileiros ainda preferem adquirir os modelos mais simples, voltados para retirar as peças das máquinas, do que investir em projetos mais completos e rentáveis.

Dentro da linha bastante completa de modelos que oferece, uma das novidades da empresa é a nova família Success X, lançada na última feira K e que estará disponível no Brasil no primeiro trimestre de 2021.

“Ela combina uma plataforma remodelada do modelo cartesiano Success de três eixos com dupla rotação servo motorizada de dois eixos e é indicada para injetoras de 20 a 700 toneladas de força de fechamento e tem preços mais atrativos que outros modelos do gênero”.

Além dos robôs, a Sepro propõe uma gama de serviços digitais dedicados à otimização da produção, casos do recurso de suporte on-line desenvolvido para reduzir o tempo de inatividade do robô e da ferramenta projetada para obter tempos de ciclo mais eficientes.

“Também encorajamos interações constantes entre clientes e especialistas.

Esse é o objetivo do Showroom Virtual, disponível on-line, onde os clientes podem discutir com nossas equipes ‘ao vivo’ seus próximos projetos”.

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