Ferramentaria Moderna

Automação: Tecnologias ampliam produtividade

Jose Paulo Sant Anna
13 de março de 2021
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    Plástico Moderno - Automação: Tecnologias ampliam produtividade e estão ao alcance de todos ©QD Foto: Divulgação

    Painel de controle da produção em alta escala da Terphane

    Tecnologias ampliam produtividade e estão ao alcance de todos

    A automação das fábricas prevê o controle e monitoração das linhas de produção para reduzir gargalos produtivos. As empresas de transformação de plástico estão cientes que investir nessa tecnologia é estratégia para lá de importante para se manterem competitivas no mercado. O momento traz otimismo entre os fornecedores de equipamentos e serviços voltados para a automação. Eles apontam boa recuperação das dificuldades vividas nos momentos críticos provocados pela pandemia e se mostram felizes com o potencial futuro das vendas.

    Em um mercado pulverizado como o brasileiro, com número estimado de mais de 11 mil transformadores, os casos dos que se encontram em estágio de automação avançado são bem raros. Estamos falando nas empresas com clientes de grande porte, que demandam respostas ágeis em termos de produção e contam com fôlego financeiro para implementar as mudanças. Entre essas, várias trabalham para alcançar os preceitos da indústria 4.0, que preveem a integração total da empresa, com a interligação das informações vindas do chão da fábrica aos sistemas de planejamento e administração por meio de sistemas gerenciais chamados de ERP (Enterprise Resource Planning ou, em português, Sistema de Gestão Integrado).

    Nas de menor porte, que formam a grande maioria do mercado, têm pipocado com frequência projetos mais tímidos, muitos dos quais tem início com a automação de células de produção. Um exemplo: uma fábrica que conta com dez injetoras pode adquirir um robô e periféricos para automatizar apenas a máquina que atua em regime de maior exigência. Para essas, vale uma advertência feita pelos especialistas. Mesmo quando feito em etapas, a integração total da atuação da empresa se torna mais eficaz se cada passo seguir um projeto inicial. Tudo para evitar investimentos em equipamentos que podem se tornar obsoletos em ações mal planejadas.

    De acordo com a direção da Abiplast, nem sempre são necessários altos investimentos, mudança completa do parque industrial ou adoção da inteligência artificial para iniciar uma estratégia de indústria 4.0. No começo a empresa deve se concentrar em conhecer e aproveitar a tecnologia já disponível nas plantas de forma a melhorar processos e aumentar a produtividade. Tudo pode começar com a exploração correta das tecnologias habilitadoras – big data, internet das coisas, sensores e simulações, realidade aumentada, entre outras.

    Também é importante investir em ações indicadas para redução do “time to market”, ou seja, reduzir o tempo de pesquisa e colocação de novas soluções e tecnologias à disposição do mercado consumidor. Deve-se aprimorar o relacionamento e o desenvolvimento de produtos ao longo da cadeia, com parceria entre fornecedores e clientes, além de aperfeiçoar etapas de desenvolvimento, da concepção de projetos até o produto final. Exemplo claro dessa necessidade é o redesign de embalagens, para aprimorar o uso e a reciclagem dos materiais e oferecer produtos mais enquadrados no conceito da economia circular.

    Algumas considerações – O segmento industrial ao qual o transformador se relaciona tem influência nos investimentos em automação. “As industrias mais bem preparadas para essa nova revolução são as de grande porte voltadas para os setores automobilístico e de bebidas”, revela Reynaldo Stamatis Filho, diretor da Interject, empresa de embalagens que trabalha com máquinas de sopro e de injeção de ciclo rápido com tecnologia In Mould Label (IML), entre outros produtos.

    Na área de embalagens rígidas, o empresário desconhece existir empresas que trabalham totalmente integradas. A intenção em investir, no entanto, é grande. “A automação tem importância fundamental para a competitividade da empresa, é o primeiro passo para entrar na indústria 4.0”. O dirigente ressalta que as indústrias de embalagens de médio e grande porte que trabalham com ciclo rápido e tecnologia de parede fina com IML, segmento no qual atua, podem ser consideradas “bem equipadas”.

    Apesar do interesse, ele lembra que muitas vezes os projetos de automação das plantas de transformação se tornam inviáveis. O grande obstáculo é econômico. “O maior problema é o baixo valor agregado dos produtos e serviços no Brasil”, enfatiza. Além disso, lembra, a intermediação de bancos privados em processos de financiamentos encarece o projeto. Outra dificuldade é o reduzido número de participantes nacionais voltados para o fornecimento de automação robotizada e máquinas de alto desempenho. Também são apontados aspectos técnicos que dificultam a adoção da tecnologia. “Além dos problemas de segurança, Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IOT), existem a questão cultural e de formação profissional”.

    Stamatis faz algumas recomendações aos transformadores interessados em implantar projetos de modernização. Um primeiro conselho é o de contar com linhas de produção dotadas com equipamentos de última geração. Caso a empresa fabrique produtos próprios, é preciso analisar se tais produtos têm valor agregado e se a concorrência exige a automação.

    Para ele, o projeto de modernização de uma célula de produção pode ser feito em etapas. A primeira é elaborar uma estratégia adequada e de vida não tão curta para o produto. O projeto do molde precisa ser adequado. A seleção da máquina e dos robôs e demais acessórios são muito importantes. “No plástico muita coisa é modular, alterando somente o molde, com pequenas mudanças em linha, pode-se produzir outros produtos”, explica. Ele adverte: “os moldes de alta performance são caros”.



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