Traduzindo tendências e necessidades da Indústria Médica Hospitalar

Artigo Técnico - Uma análise das propriedades de copoliésteres

Plástico Moderno, Mercado de equipamentos médicos no Brasil em faturamento (milhões de US$), 2010 – 2018 (Fonte: ESPICOM)
Mercado de equipamentos médico hospitalares no Brasil em faturamento (milhões de US$), 2010 – 2018 (Fonte: ESPICOM)

A indústria de equipamentos médico hospitalares vem crescendo fortemente no Brasil, atingindo quase US$ 6 bilhões em 2013, de acordo com a consultoria ESPICOM .

O mesmo estudo apurou que o mercado de equipamentos médicos no Brasil deve apresentar crescimento médio ponderado anual de 13.2% no período 2013-2018, colocando o país como terceiro mercado na América Latina em termos de taxa de crescimento, atrás de México e Chile.

Apesar das diversas limitações que o país apresenta na área da Saúde, o setor corresponde a 8.8% do PIB brasileiro, representando 30% de toda a produção científica do país.

O crescimento da Indústria Médica está correlacionado também com o envelhecimento da população brasileira e a maior incidência de doenças crônicas, como doenças cardíacas, diabetes e obesidade.

Além disso, o modelo de homecare cresceu bastante no Brasil nos últimos anos.

Hoje já existem mais de 150 empresas que oferecem serviços de homecare no país, proporcionando uma alternativa de serviço de alta qualidade e reduzindo custos de internação em hospitais.

Esse modelo de negócios tem se tornado um driver para a demanda de sistemas de monitoramento, por exemplo.

No Brasil, tem se falado bastante também em turismo médico, ou seja, pacientes que são atraídos de outros países para realizarem seus tratamentos no Brasil, que se tornou referência em áreas como cardiologia, oncologia e neurologia.

Todo esse cenário vem contribuindo e deve continuar a impactar o crescimento da área de equipamentos médicos no Brasil, incentivando o desenvolvimento de produtos para produção local.

Plástico Moderno, Tendências indústria médica 0 tabela com necessidades da indústria médica - propriedades dos polímeros usados nos equipamentos médicos e tendências
Tendências indústria médica – equipamentos médico hospitalares

Existem fortes tendências no mercado global de equipamentos médicos que vêm se refletindo no Brasil.

Segurança e conforto do paciente são questões fundamentais para equipamentos plásticos e, nesse caso, o uso de resinas que ofereçam alta resistência a impactos e alto grau de transparência é de extrema importância.

Equipamentos com pontos pretos são percebidos como de baixa qualidade pelos hospitais e clínicas, causando a devolução de lotes inteiros e gerando custos adicionais de reposição para os fabricantes.

Quando se fala em segurança do paciente, outra preocupação é a ausência de bisfenol (BPA) na composição de resinas plásticas.

Estudos conduzidos por diferentes entidades nos EUA e Europa indicam que o contato humano com BPA pode levar ao mau funcionamento endócrino, principalmente em crianças.

No Brasil, assim como em outros países da Europa, o uso de resinas contendo BPA já foi proibido na fabricação de mamadeiras desde 2011.

Outra tendência importante é o uso de desinfetantes cada vez mais fortes e novas tecnologias de esterilização, como raios gama.

Segundo a ANAHP (Associação Nacional dos Hospitais Privados), o Brasil apresentou 4.370 casos de infecções hospitalares em adultos no ano de 2011, índice que apresentou um crescimento médio ponderado de 5.1% no período 2007-2011.

Essa tendência de aumento vem levando ao uso de desinfetantes hospitalares cada vez mais potentes, que por sua vez atacam diversas resinas, causando esbranquiçamento e quebras ou rachaduras nas peças.

Nos EUA, os planos de saúde já não cobrem gastos devido a Infecções adquiridas em hospitais (HAIs), daí o uso mais intenso de desinfetantes para minimizar as taxas de infecções hospitalares.

Plástico Moderno, Teste de esterilização com raios gama (50 kGy)
Teste de esterilização com raios gama (50 kGy)

Outros métodos de esterilização comuns no Brasil são o uso de óxido de etileno – bastante difundido, mas que exige cuidados no aspecto segurança – e da radiação gama.

No caso da radiação gama, é muito comum ocorrer amarelamento, dificultando a visualização de fluidos após esterilização.

Uma peça amarelada gera desconforto no paciente e na equipe de enfermagem, pois transmite a impressão de um equipamento sujo ou já envelhecido.

A Indústria Médica, além de ser altamente regulada e desafiada a proporcionar maior segurança e conforto aos pacientes em tratamento, também é fortemente pressionada por custos.

A manutenção de custos competitivos na área de equipamentos e embalagens médicas é mandatória, principalmente no caso da Indústria brasileira, que precisa sobreviver à competição das importações.

Fabricantes de Equipamentos Médicos e seus parceiros Moldadores

Assim, é crucial que os fabricantes de equipamentos médicos e seus parceiros moldadores tenham alternativas de matérias-primas que proporcionem melhor processabilidade, com tempos de ciclo mais curtos, por exemplo.

Além da redução do tempo de ciclo, que proporciona economia de energia e aumenta a produtividade, a taxa de refugo deve ser medida quando se analisa uma matéria-prima plástica.

Resinas com alta tensão residual durante o processo de injeção podem ocasionar altas perdas e quebras ainda durante o processamento ou estocagem dos produtos.

Quando se gera menor taxa de quebra durante o processamento, estocagem e uso do produto, a geração de resíduos plásticos é reduzida drasticamente durante a vida útil do produto, contribuindo para a sustentabilidade do processo.

A indústria conta hoje com uma grande variedade de polímeros disponíveis para uso em aplicações na área médica, incluindo:

  • Polipropileno (PP),
  • Acrílico (PMMA),
  • Policarbonato (PC),
  • Poliestireno (PS),
  • Copoliésteres,
  • Dentre outros.

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Cada polímero tem uma combinação única de propriedades e benefícios que atendem aos requerimentos cada vez mais exigentes da indústria médica, sendo que os polímeros especiais têm se destacado nesse tipo de aplicação.

Os poliésteres são produzidos através da combinação de ácidos (como ácido tereftálico ou isoftálico) e glicóis (como etileno glicol ou dietileno glicol), na mesma proporção.

Os poliésteres, materiais que apresentam propriedades diferenciadas de dureza, moldabilidade e resistência química, são gerados a partir da polimerização dessas moléculas.

O PET é o poliéster mais conhecido na indústria. Algumas necessidades dos fabricantes de partes plásticas, no entanto, são apenas supridas com copoliésteres, cuja composição é mais complexa.

Copoliésteres podem ser obtidos através de poliésteres modificados com glicóis ou com álcoois, daí surgem os chamados PCTAs, PETGs, PCTGs, etc.

Copoliésteres

Na Indústria Médica, os copoliésteres têm sido selecionados frequentemente quando se necessita alta performance em relação a propriedades mecânicas, térmicas, óticas, resistência à esterilização e determinada reologia.

O uso de copoliésteres de última geração tem se destacado em equipamentos transparentes, uma vez que estas resinas são menos suscetíveis à formação de pontos pretos e apresentam alta transparência, permitindo o uso em equipamentos de circulação extracorpórea e hemodiálise com maior segurança, por exemplo.

Uma resina de copoliéster de boa qualidade tem uma tendência muito baixa à carbonização e formação de pontos pretos, mesmo após sucessivos ciclos de exposição ao calor e esterilização.

O uso de plásticos especiais também pode contribuir para a qualidade de peças plásticas, garantindo maior resistência química a desinfetantes hospitalares e manutenção da transparência cristalina após esterilização com raios gama ou óxido de etileno.

Testes conduzidos com policarbonato e submetidos à radiação gama indicaram que os copoliésteres são mais estáveis quanto à alteração da cor após esterilização.

Placas injetadas foram esterilizadas no Ion Bean Applications em Charlotte, Carolina do Norte, sendo expostas à radiação gama de 50kGy, simulando as condições hospitalares. A figura a seguir indica que o copoliéster não sofreu alteração significativa de cor, mantendo a transparência necessária para uso em equipamentos médicos.

No segmento de embalagens rígidas, uma forte tendência é a redução da espessura de embalagens, como blísteres, levando ao menor custo logístico e menor consumo de matéria-prima.

Essa necessidade dos fabricantes só pode ser atendida com materiais de alta resistência, que mantenham suas propriedades também em espessuras reduzidas.

O uso de copoliésteres como o PETG já é dominante em embalagens rígidas nos EUA, onde as embalagens são mais leves, porém mais resistentes.

Plástico Moderno, Embalagem rígida em PETG - Plástico Equipamentos Médico Hospitalares - Plástico na Medicina - Indústria Médica
Embalagem rígida em PETG – Plástico Equipamentos Médico Hospitalares

De acordo com o exposto, a Indústria de equipamentos médicos vem se tornando cada vez mais exigente quanto a seus requisitos de segurança, custo e produtividade.

A especificação de matérias-primas passa a ter um papel importante neste contexto e hoje a indústria já pode contar com diferentes alternativas para obter melhores resultados.

Uma avaliação do custo total de produção de peças , considerando tempo de ciclo, produtividade e refugo, deve também estar alinhada a fatores intangíveis, como o ganho de credibilidade junto aos hospitais e clínicas.

Essa análise cuidadosa torna-se hoje fundamental na escolha de um polímero para produção de equipamentos médicos.

Alessandra Lancelotti é gerente de desenvolvimento de mercado da área de Plásticos Especiais da Eastman - Revista Plástico Moderno
Alessandra Lancelotti – Eastman

Texto de Alessandra Lancelotti é gerente de desenvolvimento de mercado da área de Plásticos Especiais da Eastman

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