Plástico

Artigo técnico: Crescimento da indústria automotiva impulsiona mercado de plásticos de engenharia no México

Plastico Moderno
11 de dezembro de 2013
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    Por Mariana Guercia

    Enquanto o mundo passa por um cenário de dificuldades econômicas, são poucos os países que sobressaem aumentando sua atratividade por investimentos. As economias emergentes do Brasil e do México têm sido destaque na América Latina, especialmente quando se fala da valiosa indústria automotiva, que cresce de 7% a 10% ao ano. Atualmente, Brasil e México, respectivamente, são líderes latino-americanos na produção automotiva. Em ambos os países, as vantagens da produção local de veículos alavancam o desenvolvimento da indústria de plásticos, que cada vez mais se torna fornecedora estratégica do mercado automotivo.

    Plástico Moderno, Artigo técnico: Crescimento da indústria automotiva impulsiona mercado de plásticos de engenharia no MéxicoDiferentemente do Brasil, que atrai pelo seu crescente mercado consumidor de automóveis, o México figura como uma das principais plataformas de exportação de veículos do mundo. Apesar de apenas 30% de sua produção de veículos ser destinada à demanda doméstica, o país é o principal fornecedor de automóveis para os Estados Unidos e Europa, e apresenta uma estrutura de custos total de produção globalmente competitiva, com potencial de se tornar mais atraente do que a da China. Além disso, as exportações mexicanas têm um tempo médio de entrega de 2 a 4 dias contra 21 a 24 dias das chinesas.

    O México também é favorecido pela proximidade física com o grande mercado consumidor americano e pela diversidade de tratados de livre comércio, como o NAFTA (North American Free Trade Agreement – Tratado de Livre Comércio da América do Norte).

    Pelo menos seis montadoras e 800 fabricantes de autopeças anunciaram planos de instalar fábricas no México nos próximos cinco anos, e eles pretendem aproveitar as isenções de taxas oferecidas por alguns estados. Essas notícias animaram os fabricantes de plásticos – principalmente os ditos de engenharia –, que estão prevendo aumentos significativos na demanda da ordem de 6% para o período.

    Plástico Moderno, Artigo técnico: Crescimento da indústria automotiva impulsiona mercado de plásticos de engenharia no MéxicoO mercado de plásticos de engenharia no México movimenta cerca de 1,2 bilhão de dólares, dos quais 76% são destinados ao setor automotivo. Ele compreende os polímeros ABS (acrilonitrila-butadieno-estireno), PA (poliamida), PC (policarbonato), PBT (polibutadieno tereftalato) e POM (poliacetal). Como são plásticos de melhor performance, eles têm sido usados para substituir peças de materiais tradicionais, como o metal e o vidro, e ainda oferecem maior liberdade de design e vantagens ambientais. Os plásticos de engenharia ajudam a reduzir o peso do veículo, reduzindo a emissão de gás carbônico no meio ambiente.

    O ABS, com sua alta resistência ao impacto, pode ser encontrado nos painéis, nas maçanetas e em para-choques. A poliamida, por sua alta resistência à temperatura, é geralmente usada na parte interna dos motores. O policarbonato transparente e com proteção contra raios ultravioleta é um típico substituinte do vidro; e o POM pode ser usado em engrenagens, câmbios e válvulas. Já o PBT é encontrado nos faróis, espelhos e disjuntores.

    Para todos os fornecedores, distribuidores e empresas de exportação da indústria automotiva baseados no México, o governo oferece cadastro no programa IMMEX, que permite a isenção do pagamento do imposto sobre produtos de valor agregado que serão exportados ou que serão usados na produção de um bem destinado à exportação. Assim, por exemplo, as autopeças produzidas no México podem custar 21% menos do que as produzidas nos Estados Unidos e 11% menos do que as produzidas na China.

    No entanto, o mercado de plásticos de engenharia no México ainda enfrenta alguns desafios. Em primeiro lugar o mercado consumidor interno de bens finais precisa ser desenvolvido, mas é difícil estimular o consumo em um país onde 51,3% da população vive abaixo da linha da pobreza. O México também precisa aproveitar seu potencial de ser um grande exportador para a América Latina, mas para isso deve adaptar toda a cadeia de suprimentos automotiva – ainda muito dependente de matéria-prima importada – para qualificar-se para as leis de conteúdo local de países como o Brasil.

    Como país tipicamente exportador de produtos finais, o México precisa estar preparado para atender aos requisitos globais de qualidade e sustentabilidade do setor automotivo. Por isso, é importante que as empresas fornecedoras de plásticos estejam aptas a prover as soluções com o melhor custo/benefício para aproveitar as boas perspectivas do mercado.

    A autora

    Plástico Moderno, Mariana Guercia Frost & SullivanMariana Guercia é engenheira química formada pela Universidade de São Paulo, com especialização em Gestão Industrial pela Fundação Vanzolini.

    Atua como analista sênior da área de Químicos, Materiais e Alimentos da consultoria norte-americana Frost & Sullivan, sendo responsável por estudos de mercado e projetos de consultoria para a América Latina nas áreas de plásticos de engenharia, bioplásticos, petróleo e gás, químicos para construção, químicos para tratamento de água, entre outros.

    Já atuou em empresas como Oxiteno e Elekeiroz.



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