Argenplás – Expectativa de recuperação anima negócios do plástico

Assim como o Brasil, também a Argentina há algum tempo convive com problemas econômicos: no ano passado, sua inflação se aproximou da marca dos 30% e apenas há alguns meses foi oficialmente suspensa a moratória internacional decretada em 2001.

E, também assim como cá, embates políticos e institucionais entre o governo federal e os principais agentes econômicos tornaram extremamente nebulosas as perspectivas futuras das atividades produtivas locais.

A eleição para a presidência do país vizinho de Mauricio Macri, no final do ano passado – após doze anos de domínio da família Kirchner –, trouxe a expectativa de recuperação dos indicadores econômicos desse parceiro relevante não apenas para as exportações brasileiras, mas para toda a estratégia de internacionalização das empresas daqui (e mesmo para o posicionamento político e econômico do Brasil em âmbito global).

Afinal, Macri foi eleito com a promessa de adotar medidas econômicas mais ortodoxas e mais palatáveis para os componentes dos diversos mercados.

É cedo para saber se tais medidas serão eficazes (Macri tomou posse em dezembro passado), mas representantes de empresas da cadeia brasileira do plástico que estiveram na Argentina participando da Argenplás (Exposición Internacional de Plásticos) afirmam já vislumbrar a aurora de uma etapa de maior prosperidade e, consequentemente, de maiores possibilidades de realização de negócios naquele país.

Um dos visitantes brasileiros dessa mais recente edição da Argenplás – realizada em junho último – foi Gino Paulucci Junior, que lá esteve não apenas como diretor da Polimáquinas, fabricante de equipamentos de corte e solda para embalagens, expositora frequente dessa feira, mas também como coordenador da comissão organizadora da Plástico Brasil (a nova feira nacional da cadeia do plástico, cuja primeira edição está programada para março de 2017 ).

Plástico Moderno, Paulucci: Polimáquinas concluiu vendas e registrou muitas consultas
Paulucci: Polimáquinas concluiu vendas e registrou muitas consultas

“Em relação às últimas duas edições, achei essa melhor”, comenta Paulucci. “Fizemos algumas vendas e tivemos muitas consultas.”

Paulucci estima que as vendas realizadas pela Polimáquinas nessa feira foram pelo menos 50% superiores àquelas registradas em 2014 (a Argenplás é bienal).

“Em termos de quantidade de consultas, fica até difícil estimar o crescimento, pois foram inúmeras, acho que dá para falar em uns 300%”, calcula.

Plástico Moderno, Polimáquinas concluiu vendas e registrou muitas consultas
Polimáquinas concluiu vendas e registrou muitas consultas

 

Também expondo no evento – Carnevalli

No qual destacou sua extrusora Polaris 65-1600 –, a Carnevalli concretizou “importantes negócios”, informa o diretor comercial Wilson Carnevalli Filho.

E, segundo ele, também surgiram diversas oportunidades de negócios futuros. “A feira estava muito movimentada e sem dúvida foi melhor que a edição anterior, tanto em número de visitantes quanto em negócios”, relata.

Plástico Moderno, Expectativa de recuperação econômica anima negócios na cadeia do plástico

Concorrência internacional

Fabricante de equipamentos de secagem, transporte, alimentação, controle e refrigeração, entre outros, a multinacional Piovan exporta para a Argentina a partir de sua operação brasileira há mais de vinte anos, e expõe na Argenplás há pelo menos sete edições consecutivas.

“A Argentina é um bom mercado para nós e seu consumo per capita de plástico é até mesmo superior ao brasileiro”, destaca Ricardo Prado, vice-presidente da Piovan para a América do Sul.

Plástico Moderno, Prado: ambiente melhorou, mas investimentos ainda demoram
Prado: ambiente melhorou, mas investimentos ainda demoram

“Com as reformas que devem ser implementadas pelo novo governo, poderá voltar a ser novamente um grande mercado para toda a cadeia brasileira do plástico”, observa.

Nas várias edições da Argenplás às quais compareceu, Prado diz ter percebido “climas diferentes”, vinculados às distintas conjunturas de cada ocasião.

Nessa última, notou maior otimismo, justificado pelas alterações no cenário político e a decorrente possibilidade de mudanças também no cenário econômico do país.

Porém, por estarem ainda em fase inicial de implantação – ou, em alguns casos, apenas anunciadas –, as mudanças na economia ainda não ampliaram os volumes de investimentos das empresas locais e, por isso, a Piovan realizou nessa feira uma quantidade de negócios similar à de edições anteriores.

“Mas é preciso considerar que já estamos lá há bom tempo, conhecemos bem todo o mercado local”, ressalta.

Argenplás – Dados

Nessa edição, informam os organizadores do evento, a Argenplás recebeu cerca de 17 mil visitantes e contou com mais de 180 expositores, da Argentina e de outros dez países.

Do Brasil, lá estiveram expondo pelo menos dezesseis empresas, integrantes do projeto de fomento à exportação Brazil Machinery Solutions, desenvolvido em parceria entre a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), e a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

Mas lá estavam também, ressalta Paulucci, empresas de países tradicionalmente muito fortes no fornecimento de máquinas para a indústria do plástico, a exemplo da Alemanha e Itália, e de nações com aspirações a posições mais relevantes nesse mercado, como Turquia e Taiwan.

As empresas brasileiras, ele recomenda, devem olhar muito atentamente para a Argentina, pois lá já teve início um movimento de retomada dos investimentos em atividades produtivas, só não mais acentuado por ainda persistirem alguns problemas estruturais, como a falta de maior disponibilidade de energia elétrica.

“Mas isso deve se resolver rapidamente”, avalia.

A indústria argentina de transformação do plástico é “extremamente sofisticada”, segundo Paulucci, e não concede espaço para equipamentos que privilegiam o preço em detrimento da qualidade. ”

Se as empresas brasileiras não derem atenção aos integrantes desse mercado, eles não hesitarão em olhar para outras possibilidades, como Alemanha ou Itália”, enfatiza.

“A seu favor o Brasil tem fatores como a proximidade geográfica, a integração conjunta no Mercosul e a presença da Argentina na relação de países cujas importações de máquinas brasileiras podem ser financiadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social”, finaliza o diretor da Polimáquinas e coordenador da feira Plástico Brasil.

Plástico Moderno, Expectativa de recuperação econômica anima negócios na cadeia do plástico

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