Argenplás 2008 – Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina

Plástico Moderno, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Sabic focou transformador de plástico de engenharia

A Câmara Argentina da Indústria de Plástico (CAIP) e a ED & Eventos, responsáveis pela realização da XII Exposición Internacional de Plásticos (Argenplás), comemoraram os resultados recordes do evento, ocorrido de 25 a 29 de março no Parque Rural, localizado no elegante bairro de Palermo, em Buenos Aires. A feira recebeu cerca de 35 mil visitantes, em 36 mil metros quadrados e reuniu 848 expositores, 200 a mais na comparação com a décima primeira edição. Os organizadores contabilizaram ainda representações de 38 países, 236 empresas da Argentina e 612 estrangeiras.

De todo o modo, na Argenplás de 2008 saltaram aos olhos os investimentos protagonizados pelas principais empresas do segmento de plásticos de engenharia e da segunda geração petroquímica de maneira geral.

Plástico Moderno, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Rhodia destacou automóvel de competição feito de PA

O presidente da Rhodia América Latina, Marcos De Marchi, deu o tom da estratégia das grandes empresas. Segundo ele, a mensagem é apresentar o plástico como um vetor de crescimento em substituição aos materiais tradicionais. Esse é em particular o foco do grupo francês com relação a mercados consolidados, novos mercados, produtos existentes e de última geração.

Em solo latino-americano, a Rhodia vende € 1 bilhão. É um quinto do seu faturamento global. Atualmente, a América Latina e a Ásia respondem juntas por 42% do volume total de vendas de € 5 bilhões da corporação. O Brasil representa 85% dos negócios do grupo na América Latina. A Argentina responde por 6%.

Plástico Moderno, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Macchi apresentou uma co-extrusora blown film

Da cadeia química das poliamidas desenvolvidas há mais de um século em seus laboratórios, a Rhodia domina a totalidade da tecnologia. Compra o cumeno proveniente da petroquímica, o fenol, o ciclohexanol e o ácido adípico, junta com a outra cadeia química e completa o ciclo do náilon em suas dezenas de fábricas em diversos países. O plástico está associado ao automóvel leve e os executivos da Rhodia sonham com um modelo produzido com materiais sintéticos em quase toda a sua estrutura. Chegou a apresentar uma gaiola promocional (carro de competição fora-de-estrada) construída em plástico, apenas com a tubulação de aço.

“Os europeus são mais avançados em relação ao meio ambiente, mas os americanos e canadenses são mais severos com a segurança. Nesses dois países o air bag tem de proteger a tripulação do veículo sem cinto de segurança. A Ásia puxa o custo para baixo. A Alemanha puxa a qualidade do material exigido”, opinou De Marchi. No seu raciocínio, se a China quer fabricar a custo baixo, terá de fazer produtos ambientalmente amigáveis a preços competitivos e ainda, como pretende exportar para os EUA, esses produtos devem apresentar segurança, porque do contrário não entrarão no mercado.

Como defende De Marchi, os avanços da poliamida contemplam as altas resistências térmica, mecânica e química, com total liberdade de design para a engenharia da indústria automotiva. O náilon no carro começou em gramas. Hoje nenhum veículo do mundo trafega com menos de 10 quilos de poliamida. O Idea da Fiat, com o rack todo em poliamida, circula com 22 quilos do plástico de engenharia.

A porcentagem de náilon é enorme para as peças colocadas embaixo do capô e na área do motor. A Rhodia começa e termina o náilon. Com isso, pode em seus laboratórios combinar todos esses atributos. As resinas da empresa estão presentes ainda nos fios dos pneus, no air bag e no teto. Mais recentemente, o pedal do acelerador também passou a ser injetado em PA. Para suplantar o metal da indústria automotiva, a Rhodia gasta € 150 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento de novas aplicações do náilon, o equivalente a 3% de seu faturamento. Hoje, os € 5 bilhões de faturamento devem crescer em torno de 30% nos próximos três anos.

Plástico Moderno, Marcos De Marchi, presidente da Rhodia América Latina, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
De Marchi: avanços da poliamida contemplam a alta resistência

A poliamida 6.6 da Rhodia é considerada pela corporação 100% reciclável quimicamente e não apenas mecanicamente. Por conta disso, De Marchi aponta o produto como um polímero verde “e não foi inventado ontem”. Fazer ácido adípico pressupõe emissão de gases do efeito estufa. Ele enfatizou que a planta da Rhodia em Paulínia, no interior paulista, tem um sistema de tratamento que elimina em 99% esses gases e gera vapor. Conforme De Marchi, um plástico antichamas moderno não tem compostos halogenados.

Coube ao diretor para a América Latina da Rhodia, Francisco José Weffort, apresentar em tempos de Argenplás a lista de resinas de poliamida inéditas. Num primeiro momento, serão produzidas em plantas da Rhodia na Europa, podendo chegar ao Brasil nos próximos anos.

Uma dessas é o Technyl Star AFX, uma poliamida 6.6 que permite formar uma blenda com 60% de fibra de vidro, direcionada justamente ao mercado de peças técnicas com acabamento de alto nível mesmo sem pintura. É direcionado ainda para racks, peças chamadas front end, gradeamento frontal dos automóveis, hoje produzidos em aço, e outras formações estruturais.

Lançamento exclusivo na Argenplás, o Star AFX tem alta resistência a impacto como suporte de espelho retrovisor. Trata-se de uma tecnologia de resina para injeção de peças pequenas para substituir o alumínio. “Poderá entrar em áreas ainda do latão e do aço, com liberdade de design praticamente infinita”, exemplificou Weffort. Tem como objetivo oferecer competitividade na área de tampas de válvulas de comando, carcaças de alternadores, bobinas, coletores de admissão entre outros sistemas da área de calor do motor.

Há ainda uma versão Technyl Star AFX para sopro de alta performance para tanques de motos em substituição às olefinas. Depois vem o Technyl HP Heat Performance, outra poliamida 6.6 com forte capacidade competitiva na área de peças e componentes automotivos, também passível de processamento no Brasil e com o objetivo de oferecer alternativa de materiais em circuitos de passagem de ar.

Outro lançamento da Rhodia foi o Technyl SI de alta resistência a impactos em temperaturas negativas. O mercado alvo são os esportes radicais praticados na neve como esqui, snowboard, tanto para peças e componentes de equipamentos como vestuário, botas, luvas etc. A vantagem é que são modificações estruturais nas moléculas da poliamida 6.6 sem qualquer forma de carga, aditivos, reforços, masterbatches, entre outros produtos adicionais.

Plástico Moderno, Edson Simielli, diretor de marketing do grupo para a América Latina, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Simielli divulgou blindagem feita com chapa de PC

Segundo Paulo de Biagi, diretor da Rhodia para a América Latina, com núcleo operacional na Argentina, as vendas da empresa crescem 5% acima do PIB argentino. É um mercado estratégico do grupo francês. Este ano, o crescimento será ainda maior. A operação no país é 95% comercial e 5% industrial.

Da mesma forma, a Sabic Plastics, que comprou a divisão de plásticos de engenharia da General Electric pela bolada de US$ 11,6 bilhões, uma das maiores negociações da cadeia produtiva do plástico na década, fez questão de apresentar soluções em tecnologia de ponta em engenharia de materiais durante a Argenplás 2008.

Edson Simielli, diretor de marketing do grupo para a América Latina apontou o estande do Parque Rural como um local direcionado exclusivamente ao transformador de plásticos de engenharia. São produtos fabricados em Campinas-SP ou em Tartuguitas, Argentina. A Sabic importa as matérias-primas básicas dos EUA e finaliza nessas duas unidades latino-americanas as resinas especiais com toda a sorte de aditivos, cargas minerais e blendas.

Basicamente, a divisão de plásticos adquirida do grupo norte-americano ficará focada em especialidades e plásticos de alto valor agregado. A área de commodities da Sabic dificilmente será incorporada a essa unidade de negócios. Eventualmente, alguns compostos de polipropileno empregados em automóveis poderão entrar na grade de produtos. A Sabic está construindo uma planta de 2 milhões de toneladas de polipropileno na Arábia Saudita, com previsão de partida em 2009, de onde poderá trazer a resina para oferecer no mercado latino-americano. O mercado argentino se tornará um grande comprador de plásticos de engenharia a partir de 2008, conforme as previsões de Simielli. “A indústria automotiva do país está em recuperação e irá crescer mais de 10% neste ano. As principais montadoras do país como a Renault, Peugeot, Fiat e Citröen começaram a lançar modelos novos. Há uma franca substituição da frota constituída de carcaças por automóveis novos”, observou o executivo. Na ótica de Simielli, o mercado argentino sempre foi competitivo e comprador.

Quanto a lançamentos, a Sabic apresentou as resinas Velox Linha IQ e Xenoy Q, obtidas com a despolimerização das garrafas de PET, as quais retornam ao monômero para obter PBT, o polibutadieno tereftalato. O Velox Q é obtido com PBT puro. Já o Xenoy Q é um composto de PBT com policarbonato.

De acordo com Simielli, o objetivo é realmente criar um ambiente de inquietação no mercado e fazer do plástico de engenharia o grande protagonista do desenvolvimento de materiais. Em breve, aparecerão carrocerias de carros inteiras de Xenoy-Q. Outro fabricante de plásticos peso pesado presente na Argenplás foi o grupo petroquímico integrado brasileiro Braskem. O porta-voz das ações da holding brasileira em solo portenho foi o vice-presidente corporativo, Luiz de Mendonça. Mendonça apontou um crescimento de 25% neste mercado no ano passado. Com a inauguração da planta de polipropileno em Paulínia boa parte da produção será direcionada ao mercado argentino, que perde apenas para o brasileiro. “São dois mercados com potencial de crescimento de 10% ao ano cada um. Somente em polipropileno a Argentina absorve 350 mil toneladas de resinas da Braskem”, acentuou Mendonça. Ele anunciou para breve a integração total dos ativos da extinta Ipiranga Petroquímica adquirida pela holding da Bahia. “Vamos ver quem tem melhores condições de atender na Argentina, Chile e México e com quais grades de produtos para promover a melhor sinergia possível”, revelou Mendonça.

Plástico Moderno, Fábio Lunkes, gerente de vendas, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Em sua estréia na feira, Lunkes expôs portfólio

Ao longo da Argenplás, a Braskem promoveu a divulgação de sua grade de produtos, direcionados à construção civil e utilidades domésticas. Enfatizou ainda a presença da empresa no mercado de resinas para peças e componentes voltados a implementos agrícolas, equipamentos rodoviários, resinas para injeção de ciclo rápido, embalagens flexíveis para defensivos agrícolas e fertilizantes, produtos de largo consumo na forte atividade agrícola da Argentina. O grupo Dow, tradicional no mercado argentino, destacou o lançamento do composto 8818 YL-CF dirigido ao segmento de tubos e conexões e o polímero Amplify IO a ser empregado em embalagens de alimentos, além de um plástico de alto desempenho denominado Dowlex NG 2049B com foco em equipamentos de medicina, além de um polietileno de alta densidade batizado de HDPE 90057L.

Por ocasião da Argenplás 2008, a Dow Química reforçou o anúncio da formação de uma parceria com o grupo brasileiro Crystalsev para receber o eteno pela rota alcoolquímica, a fim de obter os chamados polímeros “verdes”. O diretor de vendas de plásticos da Dow para a América Latina, Fernando Gimenez, destacou que a Argenplás serviu para a celebração dos cinqüenta anos de presença do grupo na América do Sul. “Estamos aqui para trazer soluções tecnológicas e ajudar nossos clientes a crescer junto com a Dow”, sublinhou Gimenez.

A fabricante de compostos Cromex também participou da Argenplás. A Argentina é o maior mercado de exportação na América Latina da empresa. O forte da Cromex na América Latina são os masterbatches pretos e brancos, mais os aditivos. Os coloridos também entram bem nas aplicações para filmes.

Pelo menos um transformador brasileiro também se aventurou pela Argenplás 2008. A empresa Mantova, de Caxias do Sul, fabricante de tubos e mangueiras de polietileno para atividades de jateamento, aspiração e aspersão, fez parte do grupo de expositores reunidos no estande da Apex/Abimaq.

O gerente de vendas Fábio Lunkes acredita que o mercado da América Latina é interessante e um evento em solo argentino propicia um ambiente favorável para a divulgação dos produtos da Mantova, também processados em poliamida e poliuretano termoplástico. Lunkes esclareceu que a Mantova começa a adquirir experiência em exposições internacionais, pois até então só participava das feiras realizadas no Rio Grande do Sul. A empresa esteve pela primeira vez nas edições da Brasilplast e da Chileplast. “Gostamos desse tipo de contato direto com clientes e pretendemos retornar”, resumiu Lunkes.

Plástico Moderno, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Para Campa, máquina da marca Chen é versátil e injeta peças técnicas

A organização da Argenplás não produziu uma contagem oficial do número de máquinas vendidas na feira, mas a julgar pela avaliação de empresários e executivos do segmento de bens de capital para transformação de termoplásticos presentes ao evento, assim como de europeus e do expressivo grupo brasileiro, o momento é de aquecimento e atualização de plantas industriais.

O empresário Hector Spaccarotella, da Rocem, não tem queixas com relação ao mercado de seu país. Negociante de injetoras importadas da Ásia, ele contabiliza 400 máquinas vendidas em dezoito anos de atividade e já comemorava aproximadamente dez equipamentos colocados no parque industrial pós-Argenplás.

Ezequiel Campa, representante local das injetoras da marca Chen, fabricadas pela The Chen Hsong Group, também esboçava otimismo. Nas primeiras horas da exposição ele vendeu um modelo 150 M3V (força de fechamento) com volume de injeção de 354 gramas, abertura de 410 milímetros e distância entre colunas de 455X425 milímetros. Foi comprada pela empresa Ciocca Productos Electricos. Conforme Campa, é uma máquina excelente e versátil para qualquer tipo de aplicação, incluindo peças técnicas.

Plástico Moderno, Jorge Teyssandier, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Teyssandier levou modelo fabricado pela Machineri Woks

Outra injetora proveniente do Oriente é a Chuan CLF 120 TX da Machineri Woks e vendida no mercado argentino pela Best Choice SLR. O diretor da empresa, Jorge Teyssandier, explicou que nos últimos dois anos a economia de seu país começou a se recuperar. Por conta do aquecimento interno, os empresários da terceira geração petroquímica começam a trocar máquinas obsoletas por unidades mais produtivas e com menor consumo de energia.

Teyssandier também já tinha produto negociado. “O ano passado foi o melhor para a economia. Em 2008, os transformadores estão capitalizados para promover a modernização de suas fábricas, o que significa substituir máquinas antigas por equipamentos mais modernos, produtivos e econômicos em termos de consumo de energia elétrica”, reforçou.

Plástico Moderno, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Injetora da catalã Fultech respeita as normas européias

Dessa maneira, o mercado argentino desperta a cobiça de estrangeiros de toda parte. A Fultech, da Catalunha, vendeu uma máquina para a transformadora PV-Sel. Na avaliação dos sócios da empresa, a participação ficou dentro do esperado. A Fultech adotou uma estratégia interessante para competir com as máquinas genuinamente chinesas. Todo o centro de desenvolvimento, pesquisa e controle de qualidade, bem como os projetos, saem da Espanha. Contudo, as máquinas são fabricadas no país asiático dentro das especificações e normas européias.

Com isso, as injetoras conseguem preços competitivos em parques industriais exigentes quanto à qualidade e observação das normas de segurança. Recém-instalada na região, em um ano de prospecção na América Latina, a Fultech colocou 15 injetoras em operação no Chile e duas no Brasil. Quer alçar vôos agora na terra do tango.

Sopradoras– Na mesma trilha, o fabricante argentino da sopradora HSEE N, Fernando Garcia, com uma unidade vendida e diversas negociações prospectadas, pontuava que seu país registrou dois anos de grande recuperação econômica e agora chegou a vez de aposentar centenas de máquinas velhas.

Plástico Moderno, Newton Zanetti, da brasileira Pavan Zanetti, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Zanetti mostrou sopradora para recipientes de até cinco litros

Newton Zanetti, da brasileira Pavan Zanetti, também elogiou a movimentação da Argenplás. Assim como o concorrente portenho, ele também vendeu uma sopradora para um transformador local. Desde os anos 80 no mercado argentino, Zanetti já deu partida em 200 unidades processadoras de embalagens rígidas a sopro em polietileno, polipropileno e policloreto de vinila. O equipamento que viajou para a Argenplás 2008 chegou vendido para a empresa Plastinorte. Era uma BMT 5.6 DH, sopradora de porte médio para recipientes de até cinco litros. Contudo, aceita até dois moldes de quatro cavidades e pode soprar oito peças pequenas de uma só vez.

Na verdade, a melhora das máquinas da Pavan Zanetti está relacionada com a crise energética do Brasil em 2002, quando a empresa deu início a projetos de máquinas com maior capacidade de produção com motores de menor potência e consumo energético. Para resolver o problema dos transformadores, a Pavan Zanetti passou a projetar máquinas capazes de moldar mais peças em um mesmo molde, aumentando o ciclo de produção em favor da eficiência energética.

Plástico Moderno, Márcio Amorim, gerente de vendas, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Amorim destacou linha de sopro

“Os argentinos terão crise de energia no inverno e conseguimos fazer nossos clientes entenderem que uma máquina mais produtiva com menos consumo de energia pode ser o diferencial entre o sucesso e a crise”, complementou Zanetti. Assim como a Pavan Zanetti, o representante argentino das sopradoras brasileiras passou a revender as injetoras Tederik, provenientes da China. Segundo Newton Zanetti, nesse negócio sua empresa não participa. Apenas atuou como intermediária entre o fabricante e o representante para facilitar o negócio. “Nós confiamos na qualidade do equipamento, vendemos no Brasil e ajudamos nosso parceiro argentino a criar alternativas para melhorar suas vendas”, justificou Zanetti.

Plástico Moderno, Rodrigo Portes, gerente-geral de vendas da Carnevalli, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Portes apresentou a Polaris 2100

Para a Romi, de Santa Bárbara do Oeste, interior de São Paulo, a Argenplás serviu para divulgar as sopradoras fabricadas pela empresa após comprar a J.A.C. Além disso, a Romi conta com cem injetoras instaladas no país. Conforme o gerente de vendas Márcio Amorim, é um mercado antigo, no qual a firma manteve em tempos passados uma filial com assistência técnica residente.

Extrusoras – Rodrigo Portes, gerente-geral de vendas da Carnevalli, garante que as extrusoras da empresa são marca líder na Argentina e calcula ter 80 máquinas instaladas naquele país. Com isso, a Carnevalli considera os transformadores locais um público importantíssimo.

O modelo exposto chegou à Argenplás na esteira do momento favorável e devidamente vendido, na configuração Polaris 2100 com 75 milímetros de diâmetro de rosca para a produção de filme de polietileno de alta densidade, destinado a embalagens flexíveis.

No entendimento de Portes, o evento é um ponto de encontro importante por promover o contato com os transformadores que formam a cadeia produtiva do plástico da América Latina. É mais um atrativo também aos industriais do Chile e do Uruguai que visitam a Argenplás. “Chegar à feira com uma máquina vendida é um sinalizador de que o mercado argentino em 2008 até meados de 2009 estará com características típicas de um mercado comprador”, projetou Portes.

Plástico Moderno, Oscar Rocha Martinez, gerente de exportações para a América Latina, da Rulli Standard, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Martinez: Rulli se beneficiou de bom momento argentino

Oscar Rocha Martinez, gerente de exportações para a América Latina, da Rulli Standard, informou que a extrusora exposta havia sido vendida para um transformador de Manaus, uma EF 70 milímetros de uma rosca com ciclo de 60 hertz. Antes mesmo da realização da Argenplás, a Rulli Standard aproveitou o aquecido mercado argentino e colocou no país uma extrusora de chapas de última geração, capaz de processar poliestireno e polipropileno para termoformagem. O comprador foi a American Plastics, filial argentina da Dixie Toga. Há um mercado potencial para essas máquinas com capacidade de processar duas resinas distintas. A Rulli Standard tem aproximadamente 50 extrusoras com a sua grife no mercado argentino. São máquinas sofisticadas de alto valor agregado, voltadas especialmente à atividade de co-extrusão. Assim como ocorre com a Carnevalli, a Argentina é o mercado de exportação número um da empresa.

Plástico Moderno, Altemir Costa, gerente de vendas da Ciola, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Segundo Costa, presença do público foi escassa

Por outro lado, o gerente de vendas da Ciola, Altemir Costa, criticou a Argenplás. Considerou a feira fraca em movimento de público. Lembrou que a empresa tem hoje ótimas soluções em co-extrusão de polipropileno com polietileno, mas lamentou “a presença tímida de visitantes ao estande”. Em sua opinião, o bloqueio das estradas por agricultores em disputa política com a presidente Cristina Kirchner desencorajou centenas de transformadores de regiões industriais fortes da Argentina, como Rosário, Córdoba e Missiones a viajar até a capital portenha.

De qualquer modo, como a Ciola tem presença consolidada no mercado argentino, Costa confia que receberá encomendas nos próximos meses: “Aqui eles têm duas alternativas: investem ou investem”, descontraiu. Há uma terceira opção: “ou param de produzir”, advertiu. Costa salientou que a Ciola atende a qualquer mercado e oferece extrusoras de uma, duas ou três roscas, capazes de compatibilizar polietileno e polipropileno em filmes multicamadas, processos que se tornaram plenamente viáveis com o surgimento das resinas metalocênicas hoje totalmente disseminadas na América Latina.

No estande da Eurovitti do Brasil, a novidade era uma miniextrusora de pouco mais de 60 centímetros de comprimento por 30 de altura e uns 20 de largura. Foi desenvolvida para um cliente fabricante de compostos que precisa realizar simulações de laboratório. A máquina já é oferecida em linha desde o ano passado e a empresa vendeu dez unidades do gênero desde o lançamento. A miniatura vem da Itália com estrutura toda em inox e pode ter configuração de uma ou duas roscas na cavidade de extrusão. Em breve, o produto sairá da linha de montagem da Eurovitti em São Paulo.

Plástico Moderno, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Eurovitti do Brasil expôs extrusora em miniatura

Na área de extrusão, a estrela da festa ficou a cargo da firma italiana Macchi, que apresentou um sistema de co-extrusão blown film denominado flex 3.3, capaz de processar filmes multicamadas em polietileno. Tem condições ainda de operar com poliestireno, polipropileno e EVA. O equipamento chamou atenção pelo alto nível de automação e produtividade. A rotomoldagem made in Brazil esteve representada no estande coletivo da Abimaq/Apex. O gerente Carlos Andrade disse que a empresa está em fase de prospecção no mercado argentino, sendo que era a quarta participação na Argenplás. “As três últimas edições ocorreram num contexto de economia capenga”, criticou Andrade. Ele confia em começar a vender no mercado argentino por conta da necessidade de modernização do parque de rotomoldagem.

Plástico Moderno, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Andrade e Maria Luiza apostam em bons negócios

“Estive visitando alguns transformadores. As máquinas daqui estão deterioradas. Existem diversos rotomoldadores com modelos antigos e ultrapassados”, advertiu Andrade. Ele afirmou que desde o começo de sua atividade a empresa conseguiu vender apenas duas unidades de processo no mercado local.

Como a Rotomec vendeu oito equipamentos para o Rio Grande do Sul nos últimos seis meses, justamente para a indústria de implementos agrícolas, a gerente de promoção da empresa, Maria Luiza Martins, confia no aquecimento dos negócios com a Argentina, uma vez que a economia gaúcha, com forte atividade agrícola e indústria de máquinas e equipamentos para o setor primário igualmente expressiva, se assemelha à atividade daquele país.

Periféricos – Um expositor sem reclamações na Argenplás foi a filial brasileira da fabricante de periféricos, Piovan. Rogério Riccardi, diretor-comercial da empresa, levou a linha completa de equipamentos: desumidificadores, granuladores, dosadores,termorreguladores, entre outros. Do total de 13 equipamentos, 11 chegaram a Buenos Aires vendidos. Conforme Riccardi e seu representante no país vizinho, Cláudio Palácios, a Argenplás é a porta de entrada dos periféricos fabricados no Brasil para o restante do Mercosul.

Plástico Moderno, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Para Riccardi (à esq.) e Palácios, feira foi positiva

Na Argentina, a Piovan enfrenta competidores locais, mas seus representantes e assistência técnica próprios suprem a distância da matriz há pelo menos vinte anos, quando a empresa se apresentou naquele mercado. A novidade na Argenplás ficou por conta dos dosadores gravimétricos, capazes de detectar a perda de massa. São muito empregados como periféricos de extrusoras. Lançada na última K – maior feira mundial do plástico e da borracha, realizada em outubro do ano passado –, onde também chamou a atenção, a desumidificadora UHR mantém as características de tempo em ponto de orvalho.

“O mercado argentino é bem interessante. Não temos do que reclamar”, enfatizou Riccardi. Segundo ele, os alimentadores são os campeões de vendas. Ele aponta a Piovan como marca mundial associada à qualidade. A empresa aplica 5% de seu faturamento no desenvolvimento de novos produtos ou na atualização dos já existentes, informou o executivo.

Plástico Moderno, Marco Carlotti, da Abimaq, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Carlotti: argentinos preferem comprar do Brasil

Walter Cavallieri, da BGM, explicou que sua empresa participou da Argenplás no pool de estandes da Abimaq/Apex com toda a gama de equipamentos relacionados com a finalização de compostos para a transformação de termoplásticos: banheira de resfriamento, secadora, granulador, peneira e ensacadeira.

No primeiro dia, um transformador do México chegou ao estande, perguntou pelo preço de uma ensacadeira e pediu que a empresa emitisse a fatura. “O cliente mexicano que comprou nossa máquina foi o mesmo que dezesseis anos atrás adquiriu uma linha completa de equipamentos na Brasilplast.” Na ótica de Cavallieri, a visitação foi pequena para os moldes de uma feira internacional, embora qualificada.

Plástico Moderno, Patrícia Lucione, presidente da Argenplás, Argenplás 2008 - Exposição cresce e confirma retomada da indústria argentina
Patrícia enfatizou presença de empresas italianas no evento

Na opinião de Marco Carlotti, da Abimaq, a cotação do dólar é altamente favorável à importação pela Argentina. No seu entendimento, empresas brasileiras com prestígio de longa data no mercado daquele país continuarão a vender bem. A despeito da boa reputação, empresas de outros países passaram a fornecer os mesmos produtos a preços competitivos. De qualquer forma, a proximidade do Brasil com a Argentina ainda é uma vantagem porque na hora de fechar negócio a assistência técnica pós-venda é um aspecto sempre levado em conta.

Conforme Carlotti, o argentino por razões culturais demonstra predileção por máquinas italianas ou por empresas com marca italiana, o que é o caso da Carnevalli, Rulli Standard, Pavan Zanetti e Romi. Neste aspecto, a presidente da Argenplás, Patrícia Lucione, destacou a forte presença de empresas italianas como a fabricante de injetoras Negri Bossi, que vendeu uma máquina de última geração durante a feira. A representante da empresa prometeu retornar em 2010. “Cinqüenta por cento das empresas estrangeiras nesta Argenplás vieram da Itália”, informou Patrícia.

Porém a invasão chinesa, em termos de América Latina, é considerada inevitável. Ele informou que os transformadores brasileiros em visita às feiras da Ásia conhecem os equipamentos e muitas vezes optam por máquinas do extremo oriente, mesmo que essas possam apresentar problemas logísticos no futuro quanto à assistência técnica e reposição de peças.

Outro fator que influenciou a compra em grande volume de bens de capital na Argenplás foi a melhora do sistema de crédito para a renovação dos diversos segmentos da indústria de transformação da Argentina. “O argentino tem conseguido financiamento dentro do país dele e pelo que sei estão preparando um pacote de benefícios para os transformadores de plásticos com capacidade de exportação e geração de empregos via governo em convênio com os bancos de fomento locais”, assinalou Carlotti.

Ainda assim, a Abimaq em conjunto com a Apex quer incrementar em 50% as vendas de bens de capital produzidos no Brasil para o mercado da América Latina. Carlotti lembra que o parque industrial brasileiro é o único capaz de desenvolver tecnologia própria em bens de capital, embora exporte apenas 15% dos equipamentos que fabrica.

[toggle_simple title=”Moldes de Portugal foram destaque em Buenos Aires” width=”Width of toggle box”]
Plástico Moderno, Argenplás 2008 - Moldes de Portugal foram destaque em Buenos Aires
Cefamol apresentou produtos injetados em molde português

Batizada de Cefamol, a Associação Nacional da Indústria de Moldes de Portugal reuniu o maior número de fabricantes de matrizes em um único estande durante a Argenplás. Eram aproximadamente 20 empresas, incluindo expositores e algumas de pequeno porte que mandaram apenas vendedores e prospectos. Segundo Ricardo Araújo, diretor da Cefamol, Portugal contempla atualmente o mais importante centro de tecnologia e desenvolvimento de matrizes da União Européia. Basicamente, existem dois pólos industriais no país. Um está localizado na região denominada Marinha Grande Oliveira, onde se concentram 80% das fundições de moldes, em sua maioria de grande e médio portes.

Em Azemeis, ficam 20% das outras metalúrgicas voltadas à produção desses equipamentos, onde predominam as pequenas. Muitas dessas empresas expandiram seus negócios para o Brasil nos últimos anos ao abrirem filiais com plantas produtivas. De lá, expandiram os negócios para a América Latina. Há a Simold, no Paraná; a Geco, a Socem e a Moliporex, em Santa Catarina; e mais uma unidade da Socem, na Bahia. Para Araújo, 40% dos moldes produzidos dentro do Brasil saem de unidades produtivas com sede mundial em Portugal. “É uma indústria consolidada com sessenta anos de tradição”, esclarece um empresário pertencente a uma das associadas da Cefamol, a Moldit, com unidade em São Paulo. Ainda assim, os maiores fabricantes de moldes do mundo são: Alemanha, Japão e as fundições do Canadá.

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