Embalagens

Alimentos: Rótulos incorporam mais informações – Perspectivas 2018

Antonio Carlos Santomauro
13 de março de 2018
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    Plástico Moderno, Airton Vialta, pesquisador do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos)

    Airton Vialta, pesquisador do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos)

    Discussões visando alterações na padronização das informações obrigatoriamente presentes nos rótulos de produtos alimentícios promovidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), começam a envolver também os aditivos. Atualmente, elas têm como foco principal os componentes nutricionais dos alimentos – especialmente calorias, sal, açúcar e gorduras –, cujos teores deverão ser mais enfatizados nas embalagens (ainda está sendo debatida a forma como será feita essa ênfase). “Mas há entidades defendendo também informações mais explícitas sobre a presença de aditivos, como corantes, adoçantes e conservantes”, afirma Airton Vialta, pesquisador do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos).

    Para ele, mesmo sendo ainda relativamente reduzido o contingente de consumidores que realmente concede atenção a elas, há tendência de aumento na quantidade de informações disponibilizadas nas embalagens, que futuramente deverão incluir também os aditivos. “Mas as embalagens têm limitações físicas, e talvez seja necessário pensar em outras possibilidades de transmitir informações, como os aplicativos”, pondera Vialta.

    O pesquisador do Ital prevê também a continuidade, em 2018, de movimentos observados há algum tempo na indústria de alimentos, entre eles, o aumento da demanda por produtos ‘sem’ ou ‘isentos de’ alguma coisa (especialmente aditivos). “Nossos estudos mostram claramente a continuidade do crescimento da tendência do clean label, que pressupõe a eliminação de aditivos através de tecnologias de processamento – pressões elevadas, por exemplo –, ou de novas tecnologias de embalagem”, ele destaca (a expressão clean label à qual se refere designa alimentos isentos dos aditivos, cuja presença nos produtos alimentícios deve ser informada nas respectivas embalagens).

    Outro movimento destacado por ele é a busca por substitutos naturais para os aditivos sintéticos. “Mas essa busca não é tarefa simples, pois muitas vezes um corante sintético atua também como um bom estabilizante, ou não promove a mesma turbidez promovida por um corante natural”, observa o pesquisador.

    Por sua vez, Denis Ribeiro, da Abia, destaca a continuidade da busca por produtos alimentícios qualificados como mais saudáveis – por exemplo, com menos sal, açúcar e gordura –, ou com características funcionais. Mas, por enquanto, tais produtos compõem nichos cuja ocupação deve acontecer simultaneamente com um movimento mais amplo de fabricação de itens alimentícios capazes de atender a contingentes populacionais mais numerosos. “A indústria precisa atender a uma expansão da população que demanda mais alimentos industrializados, e o atendimento dessa demanda tem muito a ver também com logística para distribuição, preservação dos alimentos e conveniência”, ressalta Ribeiro.

    Collino da Abiam, adota discurso similar quando lembra que, embora já seja bastante generalizada entre os consumidores a consciência da necessidade de uma alimentação mais saudável, ela não é garantia de imediata expansão dos índices de compra de produtos associados a esse conceito: “Todos têm o desejo por alimentos mais saudáveis, mas nem todos têm o necessário poder aquisitivo”, argumenta.



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