Alimentos: Indústria procura por insumos de alta qualidade

Registra-se incremento consistente na procura por insumos de alta qualidade

 

Embora dedicada a satisfazer uma necessidade vital dos seres humanos, a indústria alimentícia também sofre com as conjunturas adversas, como a vivida pelos brasileiros nos últimos anos.

Mas as pessoas nunca deixam de comer, podem, no máximo, consumir alimentos mais baratos, ou eventualmente até comer menos.

E buscam se gratificar com alimentação de melhor qualidade tão logo percebem alguma melhora no poder de compra.

Assim, além de constituir um dos setores menos impactados por crises – e dos que mais demoram a sentir seus efeitos –, a indústria alimentícia, dizem estudiosos, é também daqueles que mais rapidamente se recuperam quando a economia reaquece.

Geralmente, relata Denis Ribeiro, diretor do Departamento de Economia da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação), essa indústria se expande em índices pelo menos similares aos da evolução do PIB, podendo até crescer mais.

“Estimando-se então para 2018 um crescimento de 2,5% no PIB brasileiro, pode-se esperar que a indústria alimentícia nacional crescerá 2,8%, ou 2,9% no período”, projeta Ribeiro.

Detalhe: há já quem visualize para este ano uma expansão do PIB brasileiro até superior aos 2,5% com os quais trabalha o profissional da Abia.

Essa perspectiva de crescimento em índices superiores aos do conjunto da economia é compartilhada por Hélvio Collino, presidente da Abiam (Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Ingredientes e Aditivos para Alimentos):

Plástico Moderno, Collino: ingredientes esperam vendas 20% superiores ao PIB
Collino: ingredientes esperam vendas 20% superiores ao PIB

“Tenho confiança que 2018 será um ano positivo para nós. A economia do país claramente avança, e acho que poderemos crescer uns 20% acima do índice do PIB”, afirma.

Atualmente, detalha Collino, a indústria de ingredientes e aditivos para alimentos pode ser subdividida em duas vertentes básicas: uma delas, ainda amplamente majoritária em termos de volume de negócios, fundamentada em produtos dito ‘commoditizados’, como amidos, fosfatos, emulsificantes, entre outros itens; a outra, composta por produtos mais inovadores, destinados a categorias como os alimentos funcionais ou aqueles com o apelo do ‘natural’.

“O primeiro desses dois segmentos hoje cresce mais ou menos de acordo com o PIB, e o segundo, avança em média 50% acima disso”, especifica o representante da Abiam.

Ambas essas vertentes, prossegue Collino, devem ser beneficiadas pela conjuntura mais favorável prevista para este ano.

“Deverá, porém, haver movimentação mais incisiva no segmento das commodities, que alavancam mais os negócios do setor”, ressalta.

Plástico Moderno, Alimentos: Indústria registra incremento consistente na procura por insumos de alta qualidade - Perspectivas 2018

Preços mais baixos – Além de naturalmente favorecidos pelo movimento geral de reaquecimento da economia nacional, os negócios da indústria brasileira de alimentos serão impulsionados em 2018 também pela continuidade da queda dos preços de seus produtos, ressalta Amílcar Lacerda, diretor-adjunto do Departamento de Economia, Planejamento e Comércio Exterior da Abia.

Essa queda de preços, relata Lacerda, teve início em 2017, e teve como principal causa a “supersafra” de grãos colhida no Brasil no ano passado, com a consequente abundância de matéria-prima para a indústria alimentícia.

“Apenas no período de doze meses encerrado em outubro último, a chamada inflação doméstica, composta principalmente pelos preços dos alimentos, registrou queda de 5,1%”, especifica.

“A queda nos preços dos alimentos deve se manter em 2018, até porque quando começar a próxima safra as variações começarão a ser calculadas a partir de um período no qual os preços dos alimentos ainda estavam em alta, eles começaram a cair somente em maio”, acrescenta Lacerda.

Nesse período dos dez primeiros meses de 2017, ao qual se refere Lacerda, a indústria brasileira de alimentos registrou, relativamente ao mesmo período do ano anterior, crescimento real de 3,13% em suas vendas, e de 2,18% no volume de produção (ver Tabela 1). Houve crescimento mais acentuado em segmentos como Conservas e Cereais, e quedas em outros, como Carnes e Bebidas (Tabela 2).

E no decorrer de todo o ano de 2017, estima Ribeiro, o setor deve ter elevado em algo entre 1,4% e 1,5% seu volume de produção, e em 1,8% ou 1,9% seu faturamento real, que teria assim somado aproximadamente R$ 623 bilhões (ver Tabela 3).

“São índices de evolução importantes, até porque estima-se que no ano passado o PIB do país tenha crescido aproximadamente 0,9%”, enfatiza.

No segmento das bebidas sem álcool, especificamente, o ano passado foi um período no qual as agruras da crise econômica nacional foram sentidas de forma mais aguda nos meses iniciais, relata Alexandre Jobim, presidente da Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas).

“Porém o terceiro trimestre do ano foi marcado por uma melhora de desempenho do setor, e isso propicia um cauteloso otimismo para 2018”, complementa Jobim.

Já para os produtores de aditivos e ingredientes para alimentos, apesar de alguma melhora nos meses finais, 2017 foi um “ano difícil”, relata Collino, da Abiam.

Essa indústria, ele diz, nos últimos dois anos movimentou no Brasil aproximadamente R$ 10 bilhões por ano, dos quais aproximadamente 20% provenientes de exportações.

Há, porém, no Brasil, crê o presidente da ABIAM, grande potencial para a expansão da indústria alimentícia brasileira (e, consequentemente, da produção de ingredientes e aditivos a ela destinados).

Mas ele condiciona seu aproveitamento à realização de alguns movimentos: um deles, específico do setor, que precisará atender à crescente demanda das pessoas por alimentação mais saudável; o outro, a melhoria do poder aquisitivo da população do país, depende de ações mais gerais nos campos econômico e social.

“Para obter um crescimento mais expressivo, o Brasil precisará evoluir como exportador de alimentos industrializados, não somente de produtos in natura”, destaca Collino.

Mas Ribeiro, da Abia, lembra ser o Brasil exportador já bastante relevante de alimentos, que, exceto em determinados itens – como grãos verdes de café e de soja –, seguem para o exterior pelo menos semiprocessados.

“Não exportamos laranja, e sim suco de laranja, nem exportamos cana-de-açúcar, e sim açúcar ou álcool”, ele exemplifica.

“Além disso, temos uma exportação importante de alguns produtos prontos, como balas, chocolates e derivados lácteos”, complementa Ribeiro.

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