Agentes de purga: mercado começa a usar produtos avançados

Com atraso, mercado nacional começa a usar produtos avançados para acelerar a troca de cores

Superados os efeitos corrosivos causados no passado aos equipamentos industriais pelos agentes de purga abrasivos, novas versões do produto surfam uma onda de crescimento dos negócios.

Os ventos favoráveis ao novo cenário são atribuídos pelos fornecedores por dois motivos principais, de perfil conjuntural e socioambiental. De um lado, a reversão das expectativas recessivas refez o ânimo expansionista de alguns setores da indústria, principalmente dos termoplásticos. De outro, as empresas elevaram a demanda dos agentes de purga ao embarcarem, de vez, nas vantagens competitivas de produtos sustentáveis em comparação com o uso de resinas virgens na limpeza das linhas de transformação.

No geral, transformadores mais conscientes são os que mais procuram por agentes de purga. Esse grupo se caracteriza pelo enfrentamento dos desafios para melhorar a produtividade e obter maior qualidade das peças, como sintetizam os entrevistados.

Agentes de purga: Com atraso, mercado nacional começa a usar produtos avançados para acelerar a troca de cores ©QD Foto: Divulgação
Rufato: agentes mantêm câmaras quentes limpas e eficientes

“Acreditamos que os negócios relativos a agentes de purga só tendem a melhorar. Atualmente, o Brasil vem apresentando grande potencial de crescimento para este setor, e nossa estratégia está voltada para isso”, avalia o gerente nacional de vendas da Chem-Trend, Marcos Aurélio Rufato. Fornecedora do produto nas modalidades químico e híbrido, a empresa planeja até diversificar seu portfólio de olho no aumento do consumo.

“Ainda este ano, lançaremos um novo agente de purga pronto para uso em rosca, canhão, bico e câmara quente de máquinas injetoras de termoplásticos”, anunciou Rufato. O produto será voltado para embalagens de paredes finas (poliolefínicas) destinadas aos setores alimentício, farmacêutico e cosmético, e segue regulamentação da Anvisa e Mercosul, FDA e Norma Europeia.

Rufalo considera que o mercado brasileiro está percebendo as vantagens do produto, tardiamente, se comparado com outras regiões do mundo, onde a utilização é mais difundida. Esse atraso se deve, segundo ele, à introdução equivocada de agentes de purga abrasivos pelas indústrias no passado, o que as tornou cautelosas em relação ao uso de produtos mesmo com outras especificações.

Evolução dos agentes de purga

“Na verdade, os agentes de purga começaram a ser vistos no Brasil como alternativa para gerar mais lucratividade e melhorar a qualidade dos produtos há bem pouco tempo”, diz Paulo Stefano, diretor executivo de negócios da Freedom Soluções Plásticas. A defasagem se deve, segundo ele, à produção de agentes de purga ineficientes no país, que prejudicavam tanto os equipamentos como os operadores.

“Os agentes de purga entupiam as câmaras quentes, acabavam com a metalização de rosca, canhão e moldes. Depois vieram os agentes de segunda geração que ainda usavam solventes e cargas abrasivas, seguidos pelos de terceira geração, mais balanceados com agente químicos e físicos. Os de quarta geração, além de serem praticamente universais, usam ativos nanotecnológicos entre outros produtos de alta tecnologia, que limpam sem riscar, e podem ser totalmente reaproveitados após a limpeza”, avalia Stefano.

Para Nilton A. Bueno Jr., diretor comercial da Compostos, não existe no Brasil, ainda, uma cultura forte de transformação plástica. Por essa razão, segundo ele, as empresas não se dedicam a estudar com atenção os diversos fatores que impactam os processos de setup de sua infraestrutura de produção.

Contudo, pressionadas pelas multinacionais que têm unidades fabris em outras regiões do mundo, onde a utilização de materiais de purga é amplamente difundida, as empresas brasileiras vêm mudando de atitude. Ou seja, gradativamente, têm demonstrado mais interesse pelas mudanças qualitativas que ocorrem no setor em âmbito global, e com isso a evolução dos negócios relacionados a agentes de purga ganham impulso no Brasil, ano a ano.

Bueno destaca também o impacto da competividade tecnológica e econômica cada vez mais acirrada entre as empresas, em diversos mercados. Ele entende que essa disputa faz com que os transformadores brasileiros tenham que analisar todas as etapas da produção, incluindo o processo de setup de máquina. “Quando analisados os benefícios do uso do agente de purga, suas vantagens se tornam evidentes”, afirma o executivo.

Aditivos e pauta da sustentabilidade

O aumento da demanda por aditivos de purga no Brasil foi puxado também pela busca por eficiência operacional e necessidade de maior sustentabilidade da indústria de transformação, constata Eliton Da Silva, gerente de negócios estratégicos e desenvolvimento da Ampacet. Em sua opinião, o viés ambiental do aquecimento do mercado ocorreu por conta da decisão das empresas de usarem produtos recicláveis para a limpeza das máquinas, alinhando suas operações à economia circular.

Da mesma forma, a diminuição da inatividade das linhas de produção, durante os períodos de transição de cores e ou resinas, elevou a disponibilidade dos equipamentos. Consequentemente, registraram-se inúmeros casos de sucesso, por conta da redução dos custos de conversão e do aumento da competitividade, como informou.

Leia Mais:

Para informações sobre fornecedores de agentes de purga, consulte o Guia QD, a maior plataforma de compra e vendas do setor.

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