Agentes de purga: Insumos para ampliar produtividade

Resinas mais caras levam clientes a adotar insumos para ampliar produtividade

Um novo cenário está se desenhando para o mercado de compostos de purga.

O aumento dos preços das matérias-primas e a escassez de suprimentos impulsionam a demanda do setor e impõem aos produtos o status de aliados financeiros.

Cada vez mais, surgem insumos polivalentes, deixando para trás a ideia de que eles servem apenas para auxiliar a mudança de cor.

Apesar dessa quebra de paradigma, a expansão dos negócios ainda esbarra em velhos hábitos dos transformadores que não enxergam todos os benefícios do investimento.

O momento atual instiga um novo olhar sobre a utilização dos compostos de purga.

Segundo Marcos Rufato, gerente nacional de vendas da Chem-Trend, por conta da falta de resinas e do reajuste de preços, empregá-las como agente para limpeza significa descartar um produto nobre, caro e escasso.

A hora é de repensar as escolhas, e os transformadores sabem disso.

“Este movimento de conscientização fez com que o uso de agentes de purga fosse bastante procurado, o que aqueceu a nossa demanda”, argumenta.

Luiz Antonio Jardim, vendedor técnico da Kalay, concorda e fala sobre a ampliação do seu negócio.

Agentes de purga: Insumos para ampliar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Luiz Antonio Jardim, vendedor técnico da Kalay

“Aumentamos nestes dois últimos anos as vendas e a tendência para este ano parece ser também de crescimento”, comenta.

Ele explica que, há um ano, a opção de usar as resinas para purgar ainda era considerada acessível, porém, agora, produzir sem um agente de limpeza adequado significa um grande prejuízo.

No entanto, ainda assim, o avanço das vendas é prejudicado pelos velhos hábitos do transformador brasileiro.

Por tradição, a decisão de compra se pauta em preço e não inclui uma análise mais profunda acerca do uso do produto.

Para Rufato, normalmente, analisa-se custo/benefício somente pela quantidade de resina usada em comparação com a do agente de purga.

“Este é apenas um dos fatores da análise de custos. Se levarmos em conta o custo hora/máquina versus custo de parada para limpeza e, também, o custo da não-produção durante este tempo de máquina parada, veremos que o custo/benefício não irá baixar dos 60%”, diz.

Nilton Bueno, diretor-comercial da Compostos do Brasil, acrescenta que tem de ser uma decisão que envolva todas as áreas da empresa, como produção, compras e direção.

Segundo ele, neste mercado cada vez mais competitivo, as companhias precisam sair do modo automático, e analisar cada etapa de seu processo, usando melhores tecnologias e sistemas, por exemplo.

Agentes de purga: Insumos para ampliar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Nilton Bueno, diretor-comercial da Compostos do Brasil

“É uma mudança de cultura”, enfatiza. Aliás, as empresas que mais procuram a sua distribuidora, não por acaso, são aquelas que têm unidades fora do Brasil.

Para Paulo Stefano, diretor-executivo de negócios da Freedom Soluções Plásticas, muitas empresas no Brasil ainda fazem as trocas de cores usando apenas as resinas, por falta de conhecimento ou por seus operadores estarem em suas zonas de conforto.

Mas o prognóstico é positivo.

“O uso de material de purga está se tornando – e se tornará – tendência para aquelas empresas que queiram sobreviver nesse mercado”, destaca Bueno.

Justificar o investimento na purga não é difícil. Sobram exemplos dos fabricantes e distribuidores.

Stefano fala sobre os “custos ocultos” que envolvem uma troca de cor. Segundo ele, antes, a máquina podia demorar quatro horas para reiniciar a produção; hoje, com uma purga bem feita, é possível voltar a produzir em 45 minutos, ou menos.

Além do tempo, a economia abrange itens caros, como energia elétrica e resina, e resulta em menor desgaste do equipamento principal e seus periféricos, entre outros benefícios.

“O Brasil está acordando para esta realidade”, diz.

Rufato cita casos de sucesso na área de injeção, na qual a economia total gira em torno de 60%.

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Marcos Rufato, gerente nacional de vendas da Chem-Trend

“A grande vantagem do agente de purga é a redução do tempo de máquina parada; a produtividade é que garante o diferencial de uma limpeza por purga química versus uma limpeza usando resina virgem ou agentes de purga mecânicos”, afirma.

Euquerio Cualhete, diretor-comercial da Eudrix Plásticos, aponta o resultado de estudo feito com os produtos Asaclean, que mostrou a otimização dos custos industriais de troca de cor, de material e de problemas de contaminação.

Agentes de purga: Insumos para ampliar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Euquerio Cualhete, diretor-comercial da Eudrix Plásticos

“Ele [o agente Asaclean] permite maior competitividade nas indústrias de plásticos”, diz.

Mercado – O setor está em expansão. Estimam-se taxas anuais de crescimento da ordem de 20%. Por conta desse avanço, segundo Jardim, muitos produtores de plásticos e aditivos começaram a fabricar agentes de purga.

“Temos, atualmente, no mercado muitos novos players, mas infelizmente muitos deles estão apenas produzindo purgas de qualidade média ou baixa, usando matérias-primas ruins e aditivos inadequados”, relata.

A formulação de uma purga, ele lembra, é considerada relativamente fácil, quando se usa material abrasivo (alguns deles contêm mais de 60% de fibras de vidro).

No entanto, há casos em que o alto desempenho do agente é condição sine qua non. Stefano aponta o sopro como um dos segmentos mais exigentes, por causa da configuração dos equipamentos – eles retêm mais material contaminado das últimas cores processadas.

“Este segmento se destaca pelo uso e necessidade de um bom agente de purga”, comenta.

Considerando o mesmo critério, a injeção vem em seguida, sobretudo, entre os transformadores que usam moldes com câmara quente e necessitam de agentes que possam passar pelo molde sem problemas de entupimento dos canais, e sem riscar e provocar desgaste do sistema.

A demanda do setor, por sua vez, segundo Jardim, está orientada em duas direções principais: alguns clientes solicitam materiais muito específicos com alto desempenho, outros preferem ter uma purga genérica e completa, que os auxilie em diferentes tecnologias de processamento e materiais.

Agentes de purga: Insumos para ampliar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Sequência de limpeza de preformas de PET feita com agentes da Asaclean

Sobre a configuração do setor, Stefano observa que uma parcela é composta por fabricantes de masterbatches, cujo foco não são os agentes de purga e, sim, a produção de masters de cor e aditivos funcionais.

“O agente de purga é só pra completar o portfólio, digo isso porque já fui fabricante de masterbatches”, afirma.

Ele também destaca a presença dos distribuidores/importadores. Público este que convive com inúmeras dificuldades, como a desvalorização do real e as oscilações dos mercados internacionais.

De qualquer forma, os fabricantes e distribuidores, cada um à sua maneira, acompanham os avanços tecnológicos dos transformadores e atendem às suas exigências.

Segundo Stefano, a indústria, no passado, usava purgas com materiais abrasivos, como carbonato de cálcio e fibras de vidro; este tipo, ele chama de primeira geração.

Em seguida, foram criados produtos que utilizavam materiais abrasivos mais brandos, ou só um agente químico que poderia ser um solvente ou um insumo mais agressivo (seria a segunda geração dos agentes de purga).

O grupo de produtos que começou a usar os dois componentes, físico e químico em conjunto, e em proporções diferenciadas, ele denomina de terceira geração.

Agentes de purga: Insumos para ampliar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Paulo Stefano, diretor-executivo de negócios da Freedom Soluções Plásticas

“São razoáveis, nas trocas de cores”, diz. No entanto, não são versáteis – há um produto para cada resina – e nem todos podem ser usados em câmara quente.

Produtos – Para Stefano, com o advento de máquinas mais rápidas, que fabricam produtos com espessuras menores e resinas de reologias diferentes e mais adequadas, foi preciso desenvolver compostos mais completos, surgindo assim a quarta geração de agentes de purga, categoria na qual ele inclui o Freepurge ANPC (agente nanotecnológico de purga concentrado), da Freedom. Ele explica que estes compostos podem ser usados em quase todas as resinas e são capazes de purgar câmaras quentes, além de serem atóxicos e concentrados, entre outros atributos.

O Freepurge ANPC, aliás, é o carro-chefe da marca. “É o primeiro agente de purga a se utilizar de elementos nanotecnológicos”, ressalta Stefano. Fabricado no Brasil, o produto é uma emulsão líquida desenvolvida para multiprocessos que operam em temperaturas na faixa de 120°C a 350°C. Segundo Stefano, o seu uso reduz, em alguns casos, 80% de material usado na aplicação.

A Freedom prepara a apresentação de um agente de purga para resinas de altas temperaturas (350°C a 480°C). O lançamento está em fase final de testes e ensaios. Outra novidade é o agente para limpeza pesada. Mais um destaque se trata da linha Freepoint ANEPP (agente nanotecnológico eliminador de pontos pretos). Ele agrega elementos físicos e químicos que possibilitam os transformadores pararem seus equipamentos em finais de semana ou feriados com o canhão cheio.

O lançamento da Compostos do Brasil é o Dyna Purge L, produto, especialmente, desenhado para linhas de sopro.

“Esse, aliás, é o processo em que existem mais desafios para redução de tempo de setup de máquinas”, destaca Bueno.

Muitos são os exemplos da eficácia deste agente de purga, mas ele os resume apontando a redução significativa do tempo de setup e da perda de materiais, não somente em troca de cor, mas em toda manutenção preventiva e parada de máquinas.

A companhia entrou no mercado de agentes de purga no início de 2021 e atua com a Dyna Purge, marca da líder norte-americana Shuman.

“Buscamos uma linha de materiais que pudesse ser usada em todas as resinas e em todos os processos”, explica Bueno.

Aliás, para ele, um composto de purga, hoje, precisa ser versátil.

A Chem-Trend possui um portfólio completo de agentes de purga da linha Ultra Purge para os processos de injeção, extrusão e sopro, além de um sistema completo de manutenção de moldes da marca Lusin.

Uma novidade se refere à linha de soluções com aprovação de grau alimentício, que a companhia está trazendo para o mercado de embalagens plásticas.

“Também estamos trabalhando com foco em agentes de purga químicos, mas com tecnologia híbrida, de limpeza química e arraste mecânico”, completa Rufato.

Entre os destaques, ele cita o Ultra Purge 1004. O produto é indicado para o processo de injeção e é muito utilizado na limpeza de peças com paredes finas. Rufato apresenta ainda o Ultra Purge 3050, para sopradoras. Segundo ele, as economias de processo podem chegar a 70% no total.

“Se analisarmos scraps, a redução é de 80% e ainda temos uma economia de 51% no ciclo de limpeza (no tempo de parada de máquina)”, diz. Esse agente pode ser usado para aplicações de embalagens flexíveis e rígidas.

Uma das novidades da Kalay é o Purga-UltraPlast FC, um material polivalente que pode ser facilmente moldado para limpar as câmaras quentes e trabalhar em uma ampla faixa de temperaturas e com diferentes tipos de materiais.

A companhia possui parceria com a empresa suíça Ultra System, produzindo e distribuindo compostos de purga ao mercado da América Latina.

“O Purga-UltraPlast abrange itens específicos para PET, poliolefinas, diversos plásticos de engenharia e elastômeros para os mais variados processos do mercado”, afirma Jardim. A empresa divulga também materiais de purga para aplicações de preformas de PET e produção de tampas.

“O Purga-UltraPlast PET-CS2 pode ser usado para limpar roscas e câmaras quentes em todas as máquinas de injeção de preformas, incluindo o processo ISBM (moldagem por sopro por estiramento de injeção)”, afirma.

A companhia desenvolveu ainda materiais de purga específicos para cada faixa de reciclados. Essa é uma resposta ao crescimento de aplicações de PCR (resinas de pós-consumo) e PIR (pós-consumo e pós-industrial).

“Vemos um aumento no uso do composto de purga onde a PCR é processada”, diz Jardim. Devido às impurezas do material reciclado, a remoção de pintas pretas se tornou muito importante para evitar refugos e ser competitivo no mercado.

No Brasil, a Eudrix tem a distribuição autorizada pela fabricante japonesa Asahi Kasei dos produtos Asaclean. Cualhete conta que, ao portfólio, agregaram-se agentes de purga de altíssima temperatura, em especial para polieteretercetona (PEEK), caso do Asaclean PF e PX2.

Ele também destaca os produtos de reação química para processos, nos quais não há força de arraste (câmara quente e flat die) ou cisalhamento (série Asaclean N).

“Eles são de altíssimos resultados para os casos nos quais não temos alta pressão ou atrito de arraste”, explica.

Fabricado para as resinas de engenharia nas temperaturas de processamento até 420°C, o composto de purga PF é adequado para a limpeza de canal quente e pode ser empregado como material de vedação durante as paradas de máquina dentro das faixas de temperatura de 280°C até 370°C, enquanto o composto de purga PX2 se destina às resinas de engenharia nas temperaturas de processamento até 420°C.

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