AGC monta estrutura local para resinas, elastômeros e químicos

O braço químico do grupo AGC (de Asahi Glass Co.), de origem japonesa, veio ao Brasil para ficar. Montou estrutura local e iniciou operações comerciais no segundo semestre do ano passado, com o propósito de expandir mercados, como alternativa ao baixo crescimento anual japonês.

Plástico Moderno, Hamaoui: fluorpolímeros suportam condições críticas
Hamaoui – AGC : fluorpolímeros suportam condições críticas

O período escolhido para essa entrada não foi o mais atraente, mas a empresa espera melhores resultados no futuro.

“O desempenho do Brasil está abaixo do planejado por conta das dificuldades locais, que devem ser revertidas em um prazo mais longo”, comentou Daniel Hamaoui, gerente de desenvolvimento de mercados para químicos, da AGC Vidros do Brasil.

Os planos dessa divisão de negócios da AGC são de saltar dos atuais US$ 2 milhões comercializados no país para US$ 10 milhões em um prazo de dois anos. Hamaoui entende ser factível essa meta, uma vez que a participação da companhia é muito pequena ainda, com largo campo para introduzir inovações, tanto no setor automotivo, quanto na exploração de petróleo e gás natural, dois dos mercados mais relevantes para a companhia.

AGC – Grupo Industrial possui Três Grandes áreas de atuação

Ele explicou que o grupo industrial possui três grandes áreas de atuação: vidros (a principal), eletrônicos e displays, e de produtos químicos.

Nesta última, podem ser destacados três divisões de negócios: produtos básicos, polóis (para poliuretanos) e fluorquímicos. “Para o Brasil e América Latina, estamos enfatizando os produtos fluorquímicos, como o PTFE e o ETFE, materiais de alta tecnologia, capazes de agregar vantagens aos produtos finais”, salientou.

O carro-chefe atual para a região é o ETFE (copolímero de etileno e tetrafluoretileno, da família Fluon ETFE) funcionalizado, capaz de aderir naturalmente às poliamidas, com um grade específico para a produção de mangueiras para combustíveis de elevada resistência química, térmica e mecânica.

“Esse ETFE apresenta elevada condutividade elétrica, importante para dispersar a eletricidade estática, e confere elevada barreira contra emissões de compostos orgânicos voláteis, admitindo coextrusão com poliamida 6.6”, detalhou Hamaoui.

Nesse caso, uma extrusora comum para processamento de polietilenos pode ser empregada, porém seu cabeçote precisa receber um tratamento especial, pois é possível haver uma pequena formação de ácido fluorídrico nesse ponto do processo.

A linha Fluon ETFE compreende os tipos 600, 700 e 800, com diferentes pontos de fusão, fluxo e resistência a temperatura, que pode chegar a 200ºC.

“Já fornecemos grades específicos para alguns fabricantes de autopeças locais, especialmente os voltados para carros de maior qualidade, mas o potencial de mercado é bem maior”, considerou Hamaoui.

Esses materiais proporcionam maior vida útil para as mangueiras, redução de emissões de VOC e de vazamentos, com evidente vantagem ambiental.

A linha Fluon também compreende polímeros de PTFE e copolímeros de TFE com etileno e propileno (FEP) e perfuoralcóxi (PFA). Para todos os produtos da série, a AGC fornece concentrados de cor compatíveis.

Com a linha Fluon, a AGC produz filmes de alto desempenho calandrados no Japão com espessuras entre 12 e 250 micrômetros. Materiais flexíveis e de excelente resistência térmica e química, esses filmes são usados, por exemplo, como revestimento frontal e posterior de células fotovoltaicas flexíveis ou não.

Resinas e Aditivos

Com o Fluon ETFE também é feita a membrana F-Clean, cujas propriedades antiaderente e autolimpante dispensam operação frequentes de limpeza, proporcionando vida útil mais longa para instalações como casas de vegetação (estufas), que também se tornam mais eficientes, pois esses filmes permite máxima transferência da luz incidente para o interior.

“O F-Clean pode ser configurado para selecionar comprimentos de onda, gerando efeitos estéticos diferenciados, como a visão externa da Allianz Arena de Munique”, comentou.

As resinas PFA podem ser moldadas por extrusão, injeção sopro ou transferência, dando origem a tubos, forros, recipientes e revestimentos de fios e cabos, oferecendo elevada resistência mecânica, química e à radiação UV.

O uso de revestimentos fluorados em fios e cabos permite reduzir a espessura da camada, sem prejuízo do desempenho. “Isso significa redução de peso, fator muito importante na indústria aeronáutica e aeroespacial, nas quais são utilizados muitos quilômetros de fios por unidade”, comentou.

A linha de elastômeros Aflas compreende copolímeros de TFE e propileno, sendo capaz de suportar temperaturas constantes de 200ºC, com resistência elevada a ácidos e álcalis fortes a quente, bem como aos solventes orgânicos. Oferece também isolamento elétrico e barreira contra permeação de gases.

O Aflas é indicado para confeccionar juntas circulares e vedações, também para óleo automotivo, revestimentos de fios e cabos, e na produção de semicondutores.

“A resistência do Aflas o coloca entre o Viton e o SuperViton, com preço acessível, pode suportar os gases ácidos encontrados na exploração de petróleo, uma grande mercado em potencial no Brasil”, afirmou.

Avanços tecnológicos – A divisão química do grupo AGC derivou do processo vidreiro, com a síntese de carbonato de sódio (barrilha) em 1917.

Crescendo forma integrada, a divisão química alcançou grande avanço nos fluorquímicos, com linha de produtos composta por solventes fluorados, repelentes de água/óleo, polímeros de PTFE, polímeros de ETFE e seus filmes, elastômeros fluorados, fluoretos (intermediários para síntese de agroquímicos e fármacos) e resinas de flourpolímero para revestimentos.

O grupo AGC ampliou sua atuação mundial com a aquisição dos negócios de fluorquímicos da antiga ICI, que mantinha fábricas na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Associando esses ativos às instalações do grupo, no Japão, o grupo empresarial conquistou presença nos mercados mais relevantes do mundo.

Hamaoui aponta que o uso mais conhecido pela população dos derivados do flúor são os revestimentos antiaderentes aplicados às panelas de cozinha. “As gerações mais antigas de PTFE liberavam pequenas quantidades de ácido perfluoroctanoico (PFOA), substância que se acumula nos tecidos humanos, mas não provoca nenhuma doença ou reação”, explicou. As gerações mais recentes dessa tecnologia não liberam PFOA.

“Os grandes fabricantes mundiais assinaram um acordo para banir os polímeros menos evoluídos até o final de 2015”, salientou.

Nos mercados dos Estados Unidos e da Europa, os produtos de concepção mais antiga já não são mais aceitos, porém na Ásia e no Brasil não existem ainda normas oficiais contra isso. “A ABNT vai emitir um aviso técnico para evitar o uso de PTFE de gerações tecnológicas mais antigas no país”, afirmou.

Também os cuidados com o ambiente são destacados pelo grupo AGC .

“Recolhemos os gases refrigerantes HCFC-22 do mercado para que sejam processados por pirólise, dando origem ao tetrafluoretileno, o TFE”, comentou.

Dentro da divisão química, a área de produtos básicos derivados da eletrólise de cloretos de sódio e potássio, bem como incluindo os derivados da reação de cloração do metano (clorofórmio, monômero de cloreto de vinila, solventes clorados e epicloridrina).

No campo dos uretanos, ficam os polióis e seus intermediários de síntese (propilenoglicol, poli propilenoglicol e óxido de propeno).

A linha de produtos possui aplicações diversificadas.

Os fluidos fluorados Asahiklin são direcionados ao mercado eletroeletrônico, com opções para solventes de limpeza de peças de precisão, além de diluir solventes especiais e inibidores de corrosão. “Esses produtos apresentam um potencial de depleção de ozônio igual a zero e não são considerados gases que contribuem para o efeito estufa, representam um avanço muito grande em relação aos clorofluorcarbonos que eram usados antigamente”, comentou.

A indústria eletrônica também conta com o fluorpolímero amorfo Cytop, com baixo índice de refração e baixo coeficiente de dispersão óptica, com boas propriedades de laminação, atuando como revestimento dielétrico para materiais eletrônicos, além de servir como camada antirreflexo na indústria óptica.

O polímero é solúvel em solventes fluorados, sendo resistente ao fogo, com alta inércia química e repelência à agua.

Como as resinas fluoradas possuem alto poder de repelência à água e aos óleos e gorduras, foi criada a série AsahiGuard, para proteger tecidos, tapetes, carpetes, roupas esportivas, uniformes profissionais, elaborados com materiais naturais (lã, algodão, couro) ou artificiais, mantendo-os limpos por mais tempo e ampliando sua vida útil.

Resinas e Aditivos

“A série tem boas aplicações no Brasil, em especial nos estofamentos de carros”, disse Hamaoui.

Para aumentar a resistência de revestimentos submetidos a condições críticas, casos das torres eólicas, plataformas de petróleo, navios e pontes, por exemplo, a AGC oferece o Lumiflon.

São polímeros formados pela combinação de monômeros fluorados com éster-vinílicos, que podem ser formulados em base solvente ou aquosa, ou ainda em pó. “Eles entram nas tintas como um aditivos, com dosagem de 1% do peso”, explicou Hamaoui.

“Como o átomo de flúor é grande, ele protege as duplas ligações das resinas contra o ataque dos raios ultravioleta, aumentado a sua durabilidade, preservando a cor e o brilho originais, além de evitar a corrosão do substrato.”

O Lumiflon foi usado, por exemplo, nas tintas aplicadas ao famoso hotel de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

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Memória – Revista Plástico Moderno

 

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