Plastificantes: Novos Insumos Oferecem Alta Segurança e Desempenho para Substituir os Ftalatos

Aditivos sem Ftalatos Mantém a Qualidade

Integrados às formulações para conferir flexibilidade aos artigos obtidos pela transformação de resinas plásticas – PVC, quase sempre –, os plastificantes por muito tempo tomaram por base os ftalatos, substâncias a cada dia de uso mais restrito em vários importantes mercados, a exemplo de Europa e Estados Unidos.

No Brasil, os ftalatos permanecem muito utilizados, inclusive o DOP (di-octilftalato), o mais questionado entre eles.

Mesmo por aqui se prevê sua gradual substituição, tanto por plastificantes oriundos de fontes renováveis, quanto por outros também gerados na cadeia petroquímica; e, nesse segundo segmento, as atenções de grandes fornecedores de plastificantes recaem no DOTP (di-octiltereftalato).

Fernando de Vincenzo, gerente de vendas da área de intermediários químicos da Eastman na América Latina
Fernando de Vincenzo, – Eastman

A Eastman iniciou no final do ano passado a produção de DOTP na fábrica de Mauá-SP. “É a única planta da companhia fora dos Estados Unidos que produz esse plastificante”, ressalta Fernando de Vincenzo, gerente de vendas da área de intermediários químicos da Eastman na América Latina.

As restrições, ele explica, atingem os ortoftalatos, e esse não é o caso do DOTP, que é um tereftalato.

“O DOTP é considerado um ‘não-ftalato’, sendo utilizado normalmente mesmo em aplicações nas quais o uso de ftalatos é restrito. E a Eastman é o maior produtor mundial desse gênero de plastificantes”, enfatiza Vincenzo.

O DOTP, afirma Jairo Brandão, gerente regional de contas de intermediários químicos da Eastman na América Latina, é um produto consagrado, usado com segurança há mais 45 anos nos Estados Unidos e em países da Comunidade Europeia.

Também no Brasil a demanda por ele irá crescer, favorecida por alguns motivos.

Um deles: a publicação, no final de 2020, da norma ABNT NBR 16905, que trata do uso de substâncias restritas em calçados e artefatos.

Jairo Brandão -Eastman Plástico Moderno - Plastificantes - Novos insumos para substituir os ftalatos
Jairo Brandão -Eastman

“Essa norma busca estabelecer boas práticas com relação a substâncias restritas com base no regulamento europeu Reach, que restringe o uso de alguns ftalatos”, especifica Brandão.

“Em 2019, a Anvisa incluiu o DOTP em sua lista positiva de plastificantes que podem ser utilizados em materiais plásticos e revestimentos poliméricos em contato com alimentos”, complementa.

Comercializado como Eastman 168, o DOTP é um dos integrantes da linha de plastificantes monoméricos dessa companhia de origem norte-americana que disponibiliza também plastificantes poliméricos.

“Em volume, os monoméricos respondem pela maior demanda; mas os poliméricos, que proporcionam maior permanência e resistência química e, assim, maior durabilidade às aplicações, também têm seu mercado”, observa Brandão.

O conselho de administração da Elekeiroz está perto de aprovar o projeto de construção de uma unidade para a produção de DOTP, relata Ricardo Massari, vice-presidente comercial, de logística e PCP.

Esse plastificante é conhecido há vários anos, mas só recentemente seu uso se intensificou, pois havia uma dúvida: sendo um isômero do DOP, ele é ou não é um ftalato?

Hoje prevalece essa segunda interpretação, e nem Estados Unidos nem União Europeia restringem sua aplicação.

Ricardo Massari - Elekeiroz
Ricardo Massari – Elekeiroz

“Nos Estados Unidos o uso de DOTP está bastante difundido, na Europa ele começa a crescer; no Brasil, ele ainda é pouco utilizado, mas alguns segmentos começam a considerar seu uso de forma mais consistente”, destaca Massari.

Ele aposta, porém, em expansão também acentuada de outro plastificante de certa forma vinculado ao DOP: o DOCH, que resulta da hidrogenação desse ftalato, mas que, de acordo com Massari, tem desempenho até superior ao do DOTP, embora seu custo seja um pouco superior, pela exigência de uma etapa adicional na produção.

“Com a hidrogenação, o DOCH deixa de ser um ftalato, mantendo o mesmo desempenho e as propriedades do DOP, mas sem restrições de uso”, ressalta.

“Apenas nós e uma empresa de Taiwan produzimos esse produto que, à medida que seu custo for otimizado, tem potencial até para assumir a posição de plastificante de uso generalizado, que tradicionalmente era do DOP”, acrescenta o vice-presidente da Elekeiroz, cujo portfólio de plastificantes inclui ftalatos, não-fatalatos de origem fóssil e plastificantes de origem vegetal.

Mais Opções

Também na Lanxess, a presença no mercado de plastificantes se dá com produtos monoméricos e poliméricos.

Entre os primeiros, o carro-chefe é o Mesamoll (um éster fenil-alquilsulfônico).

Ângela Baccarin - Lanxess
Ângela Baccarin – Lanxess

“Ele pode substituir os plastificantes ftálicos em quaisquer aplicações, com características de rápida gelificação, alta eficiência de plastificação e elevada resistência química, além de ser livre de ftalatos”, detalha Ângela Baccarin, executiva de vendas técnicas da unidade de negócios de Polymer Additives da empresa.

A linha de poliméricos da Lanxess tem a marca Ultramoll. “Os poliméricos têm maior peso molecular, dado importante para assegurar maior permanência nas aplicações”.

Os plastificantes, ela observa, embora tenham como principais atribuições conferir flexibilidade, reduzir a dureza e dar elasticidade aos compostos, também podem, dependendo do objetivo desejado, conferir outras funcionalidades.

“Nosso plastificante Disflamoll, além de plastificar também é um retardante de chamas”, especifica Ângela.

Alguns plastificantes da Lanxess constam da lista positiva na qual a Anvisa elenca os aditivos pré-aprovados para utilização em filmes e embalagens de alimentos.

São os casos do Unimoll AGF (mistura de glicerídeos acetilados) e do Adimoll DO (da família dos adipatos). “A lista da Anvisa coloca limites de migração para cada plastificante, e para o Unimoll AGF não há nenhum limite”, ressalta Ângela.

Procurando Aditivos Plastificantes para Plásticos – Consulte:

Por sua vez, o portfólio de plastificantes da BBC é composto por óleos vegetais epoxidados, utilizados na fabricação de compostos para fios e cabos, embalagens alimentícias, brinquedos, calçados, couro sintético, laminados, entre outras aplicações.

José Antonio Ramos da Silva - BBC
José Antonio Ramos da Silva – BBC

“Esses produtos atendem todas as diretivas europeias, FDA, Anvisa e outras regulamentações aplicáveis a eles”, enfatiza José Antonio Ramos da Silva, diretor da BBC.

“Produtos oriundos de vegetais ocuparam fatia muito relevante do mercado de plastificantes, já respondem por mais da metade do volume total”, estima.

Essa do tamanho da fatia de mercado no Brasil dos plastificantes de origem vegetal é compartilhada por Victor Heininger, diretor comercial da Inbra.

“Eles começaram a ser utilizados para diluir custos, inicialmente em parceria com os ftalatos, pois têm grande afinidade com eles. Mas a maioria de nossos clientes hoje utiliza apenas esses plastificantes vegetais”, ressalta.

No mercado de plastificantes, a Inbra atua com óleos vegetais epoxidados e com ésteres provenientes desses óleos (respectivamente, nas linhas Drapex e Inbraflex). “Lançamos a linha Inbraflex para atender uma demanda de clientes que por algum motivo ainda colocam alguma restrição aos óleos vegetais, e hoje empregam esses ésteres em aplicações bastante exigentes: em calçados, por exemplo. Mas, em termos de desempenho, essas demandas poderiam ser atendidas também pelos óleos epoxidados”, destaca Heininger.

Desempenho em debate

Os plastificantes de origem vegetal da Elekeiroz levam a marca Nexo, que não inclui óleos epoxidados propriamente ditos, apenas produtos decorrentes de sua esterificação.

“Os óleos epoxidados não deveriam ser considerados plastificantes primários, deveriam ter uma limitação no percentual de utilização, pois podem comprometer a qualidade final dos produtos. Na Europa e nos Estados Unidos eles são utilizados como co-estabilizantes térmicos do PVC, não como plastificantes primários”, justifica Massari.

“Já os óleos epoxidados esterificados com um álcool definitivamente são plastificantes primários; um deles é o oleato de metila, já com diversas aplicações consolidadas”, complementa.

A presença da Elekeiroz no mercado dos plastificantes de origem vegetal teve início com a aquisição, há alguns anos, da empresa Nexoleum, que desenvolveu o que Massari denomina “terceira geração” dos plastificantes de origem vegetal (a segunda geração seria dos ésteres provenientes dos óleos): o MB 25, produto epoxidado que, além de esterificado, passa também por um processo de acetilação.

“Com isso, ele pode ser utilizado em uma gama muito ampla de formulações de plastificantes, às quais proporciona as mais diversas características, como aumento da compatibilidade e permanência do produto na matriz do PVC”, ressalta Massari.

A Elekeiroz começou a produzir esse plastificante de origem vegetal de terceira geração no início deste ano e, de acordo com Massari, já o patenteou no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

“Brevemente deveremos começar a produzir óleos de soja epoxidados, porém apenas para uso em nossos plastificantes de origem vegetal”, destaca.

Silva, da BBC, ressalta que, em virtude das restrições, algumas aplicações substituíram, com sucesso, ftalatos por óleos epoxidados: casos, por exemplo, de mangueiras e de calçados destinados ao mercado externo, onde eles muitas vezes são os únicos plastificantes adotados.

Em outras aplicações, como fios e cabos, são empregados também em combinação com outros plastificantes.

“O óleo epoxidado pode substituir com grande eficiência os plastificantes poliméricos, pois seu peso molecular é alto. E pode substituir também os ftálicos, em relação aos quais têm a vantagem de preço competitivo, ainda mais agora quando o preço do barril do petróleo está com tendência de alta no mercado internacional”, diz.

Por serem também co-estabilizantes, complementa o profissional da BBC, os óleos de soja epoxidados proporcionam o benefício adicional de gerar formulações mais estáveis.

Pensando em possibilidades

Na Elekeiroz, os ftalatos ainda respondem pelo maior volume de vendas de plastificantes: cerca de 60%, calcula Massari.

“Nem todo ftalato possui as mesmas restrições de uso: o DINP, por exemplo, embora seja um ftalato, é ainda bastante especificado e utilizado em alguns países da Europa, com aprovação no Reach para a maioria das aplicações e mercados”, aponta.

“Pode-se até pensar que, por termos ativos que nos conferem integração na produção de ftalatos, trabalharíamos para perenizar o uso desse gênero de plastificantes, mas trabalhamos por uma transição mais suave, e investimos em alternativas, como os não-ftálicos de origem fóssil e os de origem vegetal”, ressalta.

Mas, gradativamente, concorda Massari, deve ser reduzido ao mínimo o uso de plastificantes ftálicos, substituídos tanto por produtos de origem fóssil quanto por aqueles provenientes de vegetais.

“A questão seguirá sendo orientada pela relação custo/benefício, pois não adianta ter um produto muito barato, mas sem qualidade e durabilidade, ou um produto com performance muito boa, mas caro demais”, pondera.

A Eastman está lançando os três primeiros integrantes da linha de plastificantes denominada Renew, nos quais há conteúdo reciclado e que, no caso de aplicação em filmes e adesivos de embalagens de alimentos, já contam com o aval de agências reguladoras, como a FDA (Food and Drugs Admnistration, dos EUA) e a britânica FSA (Food Standards Agency).

Em comunicado, a empresa informa que “produzirá os plastificantes com suas tecnologias de reciclagem molecular que usam resíduos plásticos misturados difíceis de reciclar como matéria-prima, reduzem o consumo de combustíveis fósseis e têm menores emissões de gases de efeito estufa.

O conteúdo reciclado é obtido por meio de um processo de alocação de balanço de massa certificado pelo ISCC (International Sustainability & Carbon Certification).”

No ano passado, a Eastman concluiu a integração da operação e do portfólio da Scandiflex (fabricante de plastificantes de capital brasileiro adquirida há cerca de dez anos, cuja marca deixou, então, de ser utilizada).

Pelas perspectivas de Vincenzo, 2021 será um ano de crescimento dos negócios da operação brasileira por causa não apenas do aquecimento das vendas em alguns segmentos do mercado, mas também pela expansão da demanda pelo DOTP, agora produzido localmente.

A BBC, estima Silva, obterá este ano um volume de negócios “bastante próximo” ao realizado em 2020. “Sem dúvida, crescerá a demanda por produtos oriundos de fontes renováveis; no mercado dos plastificantes, observa-se essa tendência nos mais diversos segmentos”, ressalta.

Há, porém, relata o diretor da BBC, “falta e encarecimento de muitas matérias-primas, além de um aumento expressivo no frete marítimo, afetando não só a indústria de plastificantes, mas toda a cadeia produtiva”.

Um dos fatores que eleva o custo da matéria-prima pode ter uma contrapartida mais favorável aos fabricantes locais de plastificantes.

“O dólar caro diminui a presença de importados: brinquedos, filmes laminados, entre outros produtos. E isso puxa a demanda no mercado interno”, pondera Heininger, da Inbra.

No primeiro trimestre deste ano, foi bastante positivo o desempenho dos negócios da Inbra, inclusive nas exportações, porém com alguma queda na demanda registrada a partir de abril.

“Mas temos a perspectiva de um bom crescimento no decorrer deste ano. Em 2020, considerando todos os mercados nos quais atuamos, no total do ano registramos crescimento superior a 20%”, relata.

Persistirá, prevê Heininger, o processo de substituição dos plastificantes ftálicos por produtos oriundos de fontes renováveis. E não apenas no PVC – destino, segundo estimativas, de 95%, ou mesmo mais, do volume total de plastificantes – mas também em segmentos como a produção de coatings e adesivos.

“Nessa indústria, essa substituição talvez seja tecnicamente mais complexa. Mas as empresas desse setor, ainda muito associado a químicas agressivas, começam a olhar mais para plastificantes de origem vegetal, até vendemos para algumas delas”, relata.

Borrachas, poliuretanos e algumas aplicações menores – como limpeza de máquinas e manutenção de equipamentos – também utilizam plastificantes.

O poliuretano, especificamente, pode consumir mais plastificantes nas espumas flexíveis, crê Ângela, da Lanxess, citando o Disflamoll 51092, que também é retardante de chamas, como produto do portfólio com potencial de uso nesse gênero de aplicações.

“Vale destacar que, em formulações de PVC, pode-se usar quantidades grandes de plastificantes, enquanto em PU se usa bem menos: em torno de 5%, somente”, finaliza Ângela.

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