Aditivos e Masterbatches

Aditivos nos brinquedos – Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

Renata Pachione
27 de outubro de 2007
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    Para Geraldo Ventola Júnior, da área Plastics Sales Head Latam, da Ciba Especialidades Químicas, a barreira é financeira, porque toda substituição por um produto orgânico reflete no custo. “Não é um problema fácil de solucionar. No caso do pigmento, tecnicamente, há soluções. O problema é a indústria de brinquedos pagar por isso”, comenta. Os fabricantes de brinquedos hoje não são grandes clientes da Ciba, porém nem sempre foi assim. Há cerca de quinze anos, a Estrela era a maior cliente da área de pigmentos da companhia. Para Francisco Lopes, responsável pela New Business Plastic Additives, da Ciba Especialidades Químicas, discutir a questão do chumbo é chover no molhado, pois a empresa segue as orientações de sua matriz, na Suíça. Ele explica que na Europa os negócios se voltam exclusivamente à substituição de um orgânico por outro, ou seja, não se cogita outra possibilidade.

    Mas, de volta à realidade brasileira, segundo Lopes, o País tem demonstrado amadurecimento e não se manifesta tão sensível ao preço, em algumas aplicações. Essa demanda reflete também o aquecimento do mercado de aditivos. O momento é favorável para ratificar as projeções de aumento de vendas e sustentar os investimentos das empresas. “Se a tecnologia realmente agregar valor ao produto, o mercado o aceita”, comenta Lopes. Neste ano, os produtos com novas tecnologias embutidas têm tido uma aceitação surpreendente para a Ciba. Esse é o caso do estabilizante à luz da linha XT, o Tinuvin XT 860, um HALS (amina estericamente bloqueada) que não interage com ácidos fortes e halogênios. Em outras palavras, o aditivo permite a estabilização do polipropileno, mesmo na presença de antichamas halogenados.

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    Lopes: mercado está aberto para novas tecnologias

    Mercado pequeno – O setor de brinquedos, em volume, tem baixa representatividade para a indústria da transformação do plástico. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), essa categoria de produtos representa, em média, 1% dos artefatos plásticos produzidos no País.

    De acordo com estimativas dos profissionais do mercado de aditivos, dos brinquedos vendidos no Brasil, entre 60% e 80% utilizam as resinas, sendo o PVC um dos termoplásticos mais usados. Daí o interesse em colocar os plastificantes à base de ftalato no alvo das normas de segurança. Entre todos os brinquedos fabricados com matérias-primas plásticas no País, 30% consomem PVC, segundo estimativa do Instituto do PVC.

    Utilizada na fabricação de brinquedos há mais de meio século, essa resina reina no setor de bonecas, e esse segmento é um dos maiores. No Brasil, as bonecas representam cerca de 50% do mercado, segundo prevê alguns profissionais do ramo. Um exemplo clássico é a Barbie. A boneca foi criada, em PVC, no final dos anos 50. Nessa categoria, o vinil tem características a seu favor, como a possibilidade do transformado apresentar um toque suave semelhante à própria pele humana. “O PVC é e continuará a ser um dos principais, se não o principal, termoplástico do setor de brinquedos”, afirma Bahiense, diretor-executivo do instituto.

    Os produtos comercializados às crianças brasileiras têm o amparo de legislações internacionais. A norma adotada pela União Européia, EN 71:3, e a dos países do Mercosul, ABNT NBR NM 300-3, norteiam os passos da indústria, além de diretivas européias, como a 2002/72/EU, que estabelece os limites de metais pesados. O principal alvo são as peças destinadas ao público de zero a três anos, a chamada primeira infância.

    Informalidade – Apesar dos esforços das indústrias para garantir a segurança dos brinquedos, há um mercado informal crescente que burla a fiscalização. O gerente de negócios da Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Brinquedos e Produtos Infantis (Abrimpex), Miguel Diogo, estima que o contrabando faturou 30 milhões de dólares no primeiro semestre de 2007. O dado é alarmante por si só, mas ainda há um agravante. Segundo ele, a produção nacional está no mesmo patamar. “Os fabricantes nacionais registraram faturamento de cerca de 30 milhões de dólares, no mesmo período de comparação”, constatou. Em 2006, o mercado de brinquedos movimentou R$ 1 bilhão. Para este ano, deve registrar aumento de vendas da ordem de 5%.

    Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoMade in China – A indústria de brinquedos importados conta, obviamente, com uma ala formal. Ou seja, há uma grande parcela de empresas que importam seus produtos e os vendem segundo todos os critérios estabelecidos às fábricas nacionais.

    Esse negócio é um caso à parte e tem funcionado como meio de sobrevivência das empresas. Grandes marcas como Mattel e Gulliver, assim como empresas menores como a Homeplay, trazem no portfólio produtos de fora do Brasil, sobretudo da China. Nem mesmo a Estrela, fabricante de brinquedos presente no Brasil desde 1937, passou ilesa ao processo e hoje importa boa parte de suas linhas. Dessa forma, fica fácil entender por quais motivos, de janeiro a agosto, deste ano, as importações registram faturamento de 120 milhões de dólares. De acordo com o diretor de negócios da Abrimpex, Miguel Diogo, desse valor, a produção chinesa responde por 78%.

    De 1990 até meados de 2006, a lei salvaguardou a indústria nacional de brinquedos, com uma taxação adicional aos importados. Em junho do ano passado, estabeleceu-se novamente o livre comércio. Com esse movimento, as importações tendem a se intensificar ainda mais. Em 2004, o faturamento obtido com a venda dos brinquedos importados foi de 100 milhões de dólares. Para este ano, espera-se alcançar 180 milhões de dólares. No entanto, independentemente, da origem do brinquedo, trata-se de uma categoria de negócios em que a segurança parece ter sido mais importante do que os volumes comercializados e os faturamentos das indústrias.

    Inmetro impõe mais rigor às normas

    A segurança das matérias-primas destinadas aos brinquedos plásticos está no foco das discussões atuais. Nos últimos meses, a norte-americana Mattel ordenou uma série de recalls em larga escala de milhões de brinquedos fabricados na China, em meio a preocupações com a contaminação provocada pela presença de chumbo na tinta e com pequenos ímãs que poderiam ser engolidos por crianças. Os erros foram assumidos inteiramente pelo fabricante norte-americano, eximindo a China de qualquer responsabilidade, a fim de atenuar os arranhões na imagem dos brinquedos made in China.

    De uns tempos para cá, a avalanche de reclamações envolvendo brinquedos denegriu a imagem desse setor. No entanto, por outro lado, acabou promovendo modificações na legislação. Em meio a essas polêmicas, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) instituiu uma nova Portaria 326, de 24 de agosto de 2007, que determina a certificação compulsória de brinquedos. Em suma, mudaram as regras para os produtos nacionais e importados serem comercializados no País. Em outras palavras, os critérios adotados ficaram mais rigorosos. “Quando se fala de certificação, com o selo do Inmetro se fala da segurança do brinquedo”, pontua o diretor-presidente do Instituto para Certificação Expressa de Produtos (Icepex), Sergio Diogo.Para ele, não se trata de um entrave, apesar do rigor das novas regras de certificação, no entanto, há um aspecto negativo: o possível aumento da informalidade. “Por causa do custo para se conseguir passar por todos os quesitos, o mercado informal pode crescer”, diagnostica. Com as novas diretrizes, o processo de certificação no Icepex, que antes demorava em torno de oito dias, passa a consumir não menos do que vinte dias.

    Outro possível reflexo apontado vem da Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Brinquedos e Produtos Infantis (Abrimpex). Por causa desse trâmite, muitos brinquedos podem ter seus preços elevados, em dezembro, época em que a venda é a mais significativa para o comércio.

    Responsável por realizar uma série de testes para garantir a qualidade e a segurança dos brinquedos, o Inmetro avalia os brinquedos comercializados no País. Os aprovados recebem um selo, criado especificamente para esses produtos. As avaliações consistem em verificar a resistência, o ruído, a composição química e a inflamabilidade, entre outras coisas.



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