Aditivos e Masterbatches

Aditivos nos brinquedos – Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

Renata Pachione
27 de outubro de 2007
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    Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

    Bahiense faz crítica à substituição dos ftalatos

    Para a diretiva, o indivíduo em desenvolvimento é particularmente vulnerável a substâncias tóxicas. Portanto, deve ser reduzida ao máximo possível a sua exposição a essas fontes. O di (2-etil-hexilo) ftalato (DEHP), o ftalato de dibutilo (DBP) e o ftalato de benzilbutilo (BBP) foram identificados pela comissão européia como substâncias tóxicas. Quanto aos ftalatos de di-isononilo (DINP), ftalato de di-isodecilo (DIDP) e di-n-octilo (DNOP), as informações científicas foram insuficientes ou contraditórias. No entanto, a diretiva não os excluiu totalmente, alegando apresentarem risco potencial. Em resumo, as restrições aos DINP, DIDP e DNOP devem ser menos rígidas do que as propostas aos DEHP, DBP e BBP.

    Estabilizante – A condição dos plastificantes e a dos estabilizantes térmicos têm certa similaridade. No último caso, o avanço do sistema cálcio e zinco em detrimento dos metais pesados é derradeiro não só em aplicações específicas, como os brinquedos, mas na produção de grandes volumes, como a dos tubos e conexões.

    Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoO mercado de brinquedos é pequeno para os estabilizantes. A aplicação consumiu, em 2006, 7,7% do total de PVC (emulsão). A título de comparação, os laminados absorveram mais de 30 mil toneladas da resina no mesmo período, o que representou 65,6%, segundo a Coplast – Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química). Na composição de um brinquedo, a porcentagem média de um estabilizante é de no máximo 2%.

    “O consumo desse aditivo é baixo e tende a cair, na medida em que cresce a importação de brinquedos”, comenta o diretor da Bärlocher do Brasil, Juan Carlos Melcon. Integrante do grupo alemão Baerlocher, a Bärlocher do Brasil atende a indústria de PVC, em aplicações como tubos, conexões, forros, perfis, fios e cabos, calçados e brinquedos, entre outras.

    Fornece estabilizantes, co-estabilizantes, lubrificantes, estearatos metálicos, lauratos, auxiliares de processo, modificadores de impacto, antibloqueio, antiestáticos, quelante e kicker (catalisadores de expansão). No passado, o setor de brinquedos era mais representativo para a empresa, se comparado aos dias atuais, mas nem sempre o volume tem a maior importância. “É uma aplicação nobre que nos dava prestígio”, comenta Melcon O movimento de substituição dos metais pesados encontrados nos estabilizantes térmicos ganha adeptos e novas discussões. Não é de hoje que o assunto permeia as fábricas de aditivos. No entanto, de uns tempos para cá, a migração dos estabilizantes de chumbo por cálcio/zinco se mostra mais crível. A exigência se faz para o curto prazo e em nível mundial. Um dos impeditivos dessa transição ainda é o custo.

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    Para Melcon, brinquedo é uma aplicação nobre

    No mercado, de forma geral, aceita-se que para o transformador o valor do produto final seria acrescido em até 3%, se comparado ao uso do chumbo.

    Esse metal pesado também tem a seu favor a tradição, além da superioridade de seu desempenho técnico. Porém a tendência é sua gradual redução. “Há quatro anos, todas as linhas de produtos só usavam o chumbo. Hoje antevejo a substituição completa dos metais pesados”, afirma o gerente de garantia da qualidade e desenvolvimento de produto da Bärlocher do Brasil, Valdemir Fantacussi. De acordo com ele, na empresa, na divisão de PVC rígido, os tubos (o maior mercado) consomem os dois sistemas quase que igualmente, pois 55% da produção usa chumbo e o restante, os estabilizantes à base de cálcio e zinco. Em outras aplicações, a diferença se agrava. Na área de conexões, 80% dos produtos são fabricados com estabilizantes à base de sais de Ca/Zn; entre os perfis, essa porcentagem se inverte: 80% da fabricação utiliza os estabilizantes à base de chumbo. Outro exemplo das mudanças de perfil do transformador se nota na divisão de flexíveis, na qual o consumo de cádmio era de 80%, há quinze anos. Hoje é de cerca de 15%. “Daqui a dez anos, não haverá mais formulações com o cádmio”, prevê Fantacussi.

    Colorido sem riscos – A experiência do fabricante de masterbatch Cromex com o mercado de brinquedos permite à analista de laboratório desse fabricante de master de cor, preto, branco e de aditivos, Regiane Defácio Dutra, apontar as cores como um dos pontos norteadores do negócio.

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    Nepomuceno: Clariant foca a pureza de seus produtos

    “O desenvolvimento de cores é bastante dinâmico”, diz. Para ela, o transformador necessita de cores e conseqüentemente masters diferenciados, que utilizam pigmentos com tonalidades atrativas. No entanto, o quesito fundamental se baseia nas normas, com foco na extração de metais pesados por uma de solução de ácido clorídrico. Não há trégua, quando a questão é a segurança do brinquedo.

    A Ciba Especialidades Químicas admite que não tem controle sobre o destino de seus aditivos e pigmentos, pois a indústria de brinquedos não é seu cliente direto e sim o fabricante de masterbatch. Mas, mesmo assim, quando tem conhecimento de que se trata de uma solicitação de algum transformador de brinquedos, a companhia recomenda o uso de produtos ecologicamente corretos, como o pigmento orgânico. Essa postura, de acordo com Gesswein, da Lanxess, se fosse levada mais a sério pelo transformador de brinquedos plásticos, poderia ter evitado o risco ao qual, recentemente, as crianças que manusearam os brinquedos da marca Mattel foram submetidas. Ele sugere que os altos níveis de metal pesado encontrados na tinta de alguns brinquedos da Mattel (vide boxe) podem ter tido sua origem no uso de pigmentos inorgânicos.



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