Aditivos e Masterbatches

Aditivos nos brinquedos – Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

Renata Pachione
27 de outubro de 2007
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    Plástico Moderno, Alejandro Gesswein, gerente de marketing da área de Functional Chemicals (FCC) da Lanxess, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

    Gesswein: Lanxess rechaça aditivo à base de ftalato

    A unidade de negócio Functional Chemicals (FCC) da Lanxess fornece aditivo para polímeros, produtos fosforados, especialidades químicas, pigmentos e corantes orgânicos e inorgânicos para diversos setores industriais. O segmento de aditivos para polímeros representa entre 35% e 40% das vendas da unidade FCC. São produtos para utilização em escala industrial, como retardantes de chamas, agentes expansores, plastificantes, modificadores, promotores de adesão e especialidades.

    Substitutos – As restrições aos plastificantes ftálicos geraram outros frutos. A Cognis Oleochemicals lançou o Edenol 3203, um plastificante cuja base química deriva de matéria-prima vegetal. De acordo com Almeida, o desempenho técnico é comparável aos aditivos à base de ftalato e supera outros de origem petroquímica, como o dioctil adipato (DOA). “É um produto para a indústria de plásticos, a qual restringe a utilização do ftalato. Por ser atóxico, é totalmente indicado para uso na fabricação de brinquedos”, reforça.

    Almeida admite que os ftalatos são a elhor opção. Afinal, essa família iniciou a prole os plastificantes e se estabeleceu na liderança do consumo, sobretudo por apresentar a melhor relação custo/benefício do mercado. Essa soberania parece inabalável. A Eastman Chemical Company, por exemplo, mantém as vendas do di-octilftalato (DOP) nos EUA, não apenas para a indústria de brinquedos, como para outras aplicações. “O objetivo é obedecer todo e qualquer regulamento local e global, atendendo às necessidades específicas de nossos clientes e prospectos”, afirma o gerente de negócios–Mercosul da Eastman, Luiz Zagolin. Esse cenário, no entanto, começa a ter outro desenho. Para Zagolin, as vendas de plastificantes à base de ftalato estão em declínio, por conta dos regulamentos. As alternativas ao seu uso são os adipatos, os sebacatos, os citratos, os tremeliatos, os poliésteres, os benzoatos, os fosfatos e os ésteres de álquil sulfonatos.

    Mas nem por isso, esses aditivos saem ilesos às normativas. Para Gesswein, os adipatos serão os próximos alvos das proibições. “O adipato não será banido, porém entrará na lista como um produto de risco”, prevê. Os ftalatos e os adipatos apresentam comportamentos semelhantes nas formulações.

    Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoOportunidade – A Eastman encara essa onda de proibição ao ftalato como uma brecha para ampliar sua participação no mercado nacional. A companhia relançou o Eastman 168, um tereftalato desenvolvido há mais de trinta anos. “Em virtude da mudança nos regulamentos e ao excelente desempenho que o Eastman 168 oferece aos fabricantes de brinquedos, este é o melhor momento para lançá-lo no Brasil”, explica Zagolin. O aditivo é aprovado pelo FDA e gera plastisols de baixa viscosidade, além de oferecer baixas volatilidade e migração, segundo Zagolin. O produto também possui um completo estudo de reduzida toxicologia e aprovações regulatórias em diversos países.

    De momento, a Eastman não vende esse plastificante para o mercado nacional de brinquedos, sobretudo porque a companhia começou a se dedicar a este tipo de venda no País há pouco tempo. “O Brasil é um mercado extremamente protegido”, afirma Zagolin. Porém os resultados obtidos pelo aditivo em outros países da América Latina motivam a empresa a projetar êxito também entre os transformadores nacionais. “Crescemos dois dígitos nos últimos anos, esperamos resultados semelhantes no Brasil”, conclui.

    Segurança em foco – Para o diretor-executivo do Instituto do PVC, Miguel Bahiense, ao substituir o ftalato por um produto alternativo o risco poderia aumentar. “Nesse caso, troca-se um produto seguro por um desconhecido ou pouco dominado. É brincar com a segurança das crianças”, contesta.

    Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoNos brinquedos, a escolha dos aditivos, conforme explica Bahiense, se faz de forma bastante criteriosa. Por isso, as principais exigências dessa indústria em relação aos aditivos passam por quesitos, como qualidade e eficiência, sem perder o foco na segurança. Em 2001, muitas empresas decidiram eliminar o ftalato dos brinquedos destinados à primeira infância feitos em PVC flexível. Nunca houve a comprovação científica para a proibição do ftalato em brinquedos, mas mesmo assim a Comissão Européia apontou restrições ao seu uso, baixando uma diretiva temporária, na qual proíbe a utilização de qualquer ftalato em brinquedos para crianças com até três anos e/ou em peças feitas para ir à boca.

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    Zagolin: Eastman relança produto para ganhar mercado

    O passo seguinte se deu na direção da avaliação do risco dessas substâncias, pois a comissão alegava a escassez dos estudos capazes de garantir a segurança dessa família de plastificantes. Sendo assim, em meados de 2003, o di-isononilo DINP (único ftalato, segundo Bahiense, usado pela indústria de brinquedos no Brasil e Estados Unidos) e o ftalato de di-isodecilo (DIDP) tiveram seus respectivos Risk Assessments divulgados pelos órgãos científicos da comissão.

    Ponto a favor da indústria? Em parte, pois a pressão política continuou, segundo Bahiense, e resultou em uma diretiva européia que restringe o uso desses produtos.Ele explica que outros ftalatos têm o Risk em andamento e não concluído, apesar de não serem utilizados pela indústria de brinquedos. “Algumas empresas passaram a anunciar que não utilizariam tais ftalatos numa clara estratégia de eco-marketing”, ironiza Bahiense.

    A diretiva 2005/84/CE do Parlamento Europeu e do Conselho proíbe o uso de determinados ftalatos em brinquedos e artigos de puericultura em material plastificado ou que inclui componentes de material plastificado. A justificativa está na possibilidade de oferecerem risco à saúde das crianças.



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