Aditivos nos brinquedos – Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

A  indústria de aditivos sofreu mudanças nos últimos anos. Impulsionado pelo avanço tecnológico dos polímeros e das máquinas de transformação do plástico, o setor se aprimorou. Porém as questões mercadológicas não foram as únicas responsáveis por esse avanço. Em prol da oferta de segurança, os fabricantes investiram e desenvolveram produtos mais técnicos e com melhor desempenho.

O mercado de brinquedos plásticos foi fundamental nesse processo, pois é um dos mais exigentes no quesito segurança.

Sério e profissional, o setor de brinquedos tem regras específicas e rigorosas quanto à toxicidade das matérias-primas. Dessa forma, tornou as novidades em relação às moléculas cada vez mais freqüentes e necessárias, o que agregou valor não somente aos aditivos, mas também à imagem das companhias.

Não é de hoje que movimentos para oferecer brinquedos seguros permeiam o setor. Um exemplo é a tentativa de abolição de determinados plastificantes não-ftálicos das peças de policloreto de vinila (PVC) destinadas a crianças de até três anos. Mas o que um dia foi sugestão virou regra. Daqui a cerca de um mês, entrará em vigor nova portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) para ampliar a restrição do uso de plastificantes à base de ftalato em produtos direcionados a todas as faixas etárias.

A porcentagem permitida será de 0,01% na formulação, segundo o diretor-presidente do Instituto para Certificação Expressa de Produtos (Icepex), Sergio Diogo. Ou seja, o índice tolerado chega a limites quase nulos. Para ele, o mercado de aditivos já se habituou às regras quanto aos ftalatos, portanto, a nova legislação somente irá formalizar uma prática da indústria. O reflexo se dará nas empresas de pequeno porte, que terão de buscar produtos mais técnicos e custear os ensaios de ftalato. “A medida só vai atingir as fabriquetas”, prevê Diogo.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoPrevenção – A profilaxia tem sido parâmetro para as ações dos fabricantes de aditivos. As conseqüências dessa visão aparecem na abertura do mercado para novos desenvolvimentos. Wanderson Bueno de Almeida, regional technology manager plastics, da Cognis Oleochemicals Brasil, resume a postura atual do setor: “Não tenho dados que comprovem com 100% de certeza a toxicidade dos ftalatos. Mas se existe algum indício de que um produto pode causar algum prejuízo à saúde, principalmente, de crianças, o mesmo deve ser evitado.”

O sinal amarelo em relação à periculosidade do ftalato também foi suficiente para a Lanxess reformular seu portfólio. Até o final do ano, a companhia terá eliminado de sua produção toda a linha de plastificante à base de ftalato. Apesar dos produtos serem antigos e terem mercados cativos, a empresa optou por seguir a tendência européia. Alejandro Gesswein, gerente de marketing da área de Functional Chemicals (FCC) da Lanxess, explica que o Risk Assessments mudou a etiquetação dos produtos químicos na Europa. Dessa forma, um derivado de ftalato pode continuar sendo comercializado, porém carrega consigo a inscrição na embalagem de que se trata de um produto perigoso.

“No Brasil, esse aviso ainda não tem a devida importância, mas na Europa isso é muito relevante”, aponta a representante técnica de vendas da FCC da Lanxess, Roberta Maturana. A decisão, em certa medida, traduz ainda o objetivo da companhia de concentrar seus esforços nas especialidades. “Estamos saindo das commodities”, anuncia Gesswein.

Plástico Moderno, Sergio Diogo, diretor-presidente do Instituto para Certificação Expressa de Produtos (Icepex), Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado
Diogo: novas regras irão formalizar prática do setor

Por conta disso, a empresa investiu na reformulação do seu tradicional plastificante Mesamoll. O produto existe há 25 anos, no entanto, sua molécula precisou passar por melhorias técnicas para ampliar sua aplicação. O resultado se observa no surgimento do Mesamoll II, o substituto direto dos plastificantes ftálicos. Para coroar o lançamento, no início deste ano, o aditivo recebeu a aprovação do FDA Americano (US Food and Drug Administration). Esse plastificante universal éster fenil-alquilsulfônico é compatível com PVC e poliuretano (PU) e pode entrar em contato com alimentos de base aquosa, além de atender às exigências de algumas especialidades, como brinquedos.

De acordo com o fabricante, o plastificante apresenta propriedades de gelificação mais rápida do que similares comuns a temperaturas de processamento mais baixas. A vantagem está na diminuição dos tempos de produção e processamento. A Lanxess também destaca a resistência à saponificação e as características de selagem com calor, entre outros pontos positivos. “É um monomérico com característica de polimérico”, ressalta Roberta. Ela explica que a molécula das duas versões do Mesamoll é a mesma, a diferença se refere ao grau de pureza maior e na menor volatilidade da segunda.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoComo é possível imaginar, o aditivo é mais caro do que um ftalato. No entanto, para a Lanxess, essa característica não se manifesta como uma barreira.

A companhia aposta no aumento da demanda de produtos para aplicações mais nobres, além de se basear no fato de que clientes multinacionais pautam suas ações nas recomendações das matrizes. Sendo assim, tenderiam a exigir tanto o Mesamoll II como outros produtos afins. Apesar de não mencionar volumes, a empresa prevê aumento de sua capacidade produtiva para atender à demanda do produto.

Além dos brinquedos, esse éster fenil-alquilsulfônico pode ser aplicado na produção de luvas, filmes para colchões de água, selantes e compostos moldados para o setor da construção, bóias de piscinas e botas de borracha.

Plástico Moderno, Alejandro Gesswein, gerente de marketing da área de Functional Chemicals (FCC) da Lanxess, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado
Gesswein: Lanxess rechaça aditivo à base de ftalato

A unidade de negócio Functional Chemicals (FCC) da Lanxess fornece aditivo para polímeros, produtos fosforados, especialidades químicas, pigmentos e corantes orgânicos e inorgânicos para diversos setores industriais. O segmento de aditivos para polímeros representa entre 35% e 40% das vendas da unidade FCC. São produtos para utilização em escala industrial, como retardantes de chamas, agentes expansores, plastificantes, modificadores, promotores de adesão e especialidades.

Substitutos – As restrições aos plastificantes ftálicos geraram outros frutos. A Cognis Oleochemicals lançou o Edenol 3203, um plastificante cuja base química deriva de matéria-prima vegetal. De acordo com Almeida, o desempenho técnico é comparável aos aditivos à base de ftalato e supera outros de origem petroquímica, como o dioctil adipato (DOA). “É um produto para a indústria de plásticos, a qual restringe a utilização do ftalato. Por ser atóxico, é totalmente indicado para uso na fabricação de brinquedos”, reforça.

Almeida admite que os ftalatos são a elhor opção. Afinal, essa família iniciou a prole os plastificantes e se estabeleceu na liderança do consumo, sobretudo por apresentar a melhor relação custo/benefício do mercado. Essa soberania parece inabalável. A Eastman Chemical Company, por exemplo, mantém as vendas do di-octilftalato (DOP) nos EUA, não apenas para a indústria de brinquedos, como para outras aplicações. “O objetivo é obedecer todo e qualquer regulamento local e global, atendendo às necessidades específicas de nossos clientes e prospectos”, afirma o gerente de negócios–Mercosul da Eastman, Luiz Zagolin. Esse cenário, no entanto, começa a ter outro desenho. Para Zagolin, as vendas de plastificantes à base de ftalato estão em declínio, por conta dos regulamentos. As alternativas ao seu uso são os adipatos, os sebacatos, os citratos, os tremeliatos, os poliésteres, os benzoatos, os fosfatos e os ésteres de álquil sulfonatos.

Mas nem por isso, esses aditivos saem ilesos às normativas. Para Gesswein, os adipatos serão os próximos alvos das proibições. “O adipato não será banido, porém entrará na lista como um produto de risco”, prevê. Os ftalatos e os adipatos apresentam comportamentos semelhantes nas formulações.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoOportunidade – A Eastman encara essa onda de proibição ao ftalato como uma brecha para ampliar sua participação no mercado nacional. A companhia relançou o Eastman 168, um tereftalato desenvolvido há mais de trinta anos. “Em virtude da mudança nos regulamentos e ao excelente desempenho que o Eastman 168 oferece aos fabricantes de brinquedos, este é o melhor momento para lançá-lo no Brasil”, explica Zagolin. O aditivo é aprovado pelo FDA e gera plastisols de baixa viscosidade, além de oferecer baixas volatilidade e migração, segundo Zagolin. O produto também possui um completo estudo de reduzida toxicologia e aprovações regulatórias em diversos países.

De momento, a Eastman não vende esse plastificante para o mercado nacional de brinquedos, sobretudo porque a companhia começou a se dedicar a este tipo de venda no País há pouco tempo. “O Brasil é um mercado extremamente protegido”, afirma Zagolin. Porém os resultados obtidos pelo aditivo em outros países da América Latina motivam a empresa a projetar êxito também entre os transformadores nacionais. “Crescemos dois dígitos nos últimos anos, esperamos resultados semelhantes no Brasil”, conclui.

Segurança em foco – Para o diretor-executivo do Instituto do PVC, Miguel Bahiense, ao substituir o ftalato por um produto alternativo o risco poderia aumentar. “Nesse caso, troca-se um produto seguro por um desconhecido ou pouco dominado. É brincar com a segurança das crianças”, contesta.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoNos brinquedos, a escolha dos aditivos, conforme explica Bahiense, se faz de forma bastante criteriosa. Por isso, as principais exigências dessa indústria em relação aos aditivos passam por quesitos, como qualidade e eficiência, sem perder o foco na segurança. Em 2001, muitas empresas decidiram eliminar o ftalato dos brinquedos destinados à primeira infância feitos em PVC flexível. Nunca houve a comprovação científica para a proibição do ftalato em brinquedos, mas mesmo assim a Comissão Européia apontou restrições ao seu uso, baixando uma diretiva temporária, na qual proíbe a utilização de qualquer ftalato em brinquedos para crianças com até três anos e/ou em peças feitas para ir à boca.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado
Zagolin: Eastman relança produto para ganhar mercado

O passo seguinte se deu na direção da avaliação do risco dessas substâncias, pois a comissão alegava a escassez dos estudos capazes de garantir a segurança dessa família de plastificantes. Sendo assim, em meados de 2003, o di-isononilo DINP (único ftalato, segundo Bahiense, usado pela indústria de brinquedos no Brasil e Estados Unidos) e o ftalato de di-isodecilo (DIDP) tiveram seus respectivos Risk Assessments divulgados pelos órgãos científicos da comissão.

Ponto a favor da indústria? Em parte, pois a pressão política continuou, segundo Bahiense, e resultou em uma diretiva européia que restringe o uso desses produtos.Ele explica que outros ftalatos têm o Risk em andamento e não concluído, apesar de não serem utilizados pela indústria de brinquedos. “Algumas empresas passaram a anunciar que não utilizariam tais ftalatos numa clara estratégia de eco-marketing”, ironiza Bahiense.

A diretiva 2005/84/CE do Parlamento Europeu e do Conselho proíbe o uso de determinados ftalatos em brinquedos e artigos de puericultura em material plastificado ou que inclui componentes de material plastificado. A justificativa está na possibilidade de oferecerem risco à saúde das crianças.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado
Bahiense faz crítica à substituição dos ftalatos

Para a diretiva, o indivíduo em desenvolvimento é particularmente vulnerável a substâncias tóxicas. Portanto, deve ser reduzida ao máximo possível a sua exposição a essas fontes. O di (2-etil-hexilo) ftalato (DEHP), o ftalato de dibutilo (DBP) e o ftalato de benzilbutilo (BBP) foram identificados pela comissão européia como substâncias tóxicas. Quanto aos ftalatos de di-isononilo (DINP), ftalato de di-isodecilo (DIDP) e di-n-octilo (DNOP), as informações científicas foram insuficientes ou contraditórias. No entanto, a diretiva não os excluiu totalmente, alegando apresentarem risco potencial. Em resumo, as restrições aos DINP, DIDP e DNOP devem ser menos rígidas do que as propostas aos DEHP, DBP e BBP.

Estabilizante – A condição dos plastificantes e a dos estabilizantes térmicos têm certa similaridade. No último caso, o avanço do sistema cálcio e zinco em detrimento dos metais pesados é derradeiro não só em aplicações específicas, como os brinquedos, mas na produção de grandes volumes, como a dos tubos e conexões.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoO mercado de brinquedos é pequeno para os estabilizantes. A aplicação consumiu, em 2006, 7,7% do total de PVC (emulsão). A título de comparação, os laminados absorveram mais de 30 mil toneladas da resina no mesmo período, o que representou 65,6%, segundo a Coplast – Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química). Na composição de um brinquedo, a porcentagem média de um estabilizante é de no máximo 2%.

“O consumo desse aditivo é baixo e tende a cair, na medida em que cresce a importação de brinquedos”, comenta o diretor da Bärlocher do Brasil, Juan Carlos Melcon. Integrante do grupo alemão Baerlocher, a Bärlocher do Brasil atende a indústria de PVC, em aplicações como tubos, conexões, forros, perfis, fios e cabos, calçados e brinquedos, entre outras.

Fornece estabilizantes, co-estabilizantes, lubrificantes, estearatos metálicos, lauratos, auxiliares de processo, modificadores de impacto, antibloqueio, antiestáticos, quelante e kicker (catalisadores de expansão). No passado, o setor de brinquedos era mais representativo para a empresa, se comparado aos dias atuais, mas nem sempre o volume tem a maior importância. “É uma aplicação nobre que nos dava prestígio”, comenta Melcon O movimento de substituição dos metais pesados encontrados nos estabilizantes térmicos ganha adeptos e novas discussões. Não é de hoje que o assunto permeia as fábricas de aditivos. No entanto, de uns tempos para cá, a migração dos estabilizantes de chumbo por cálcio/zinco se mostra mais crível. A exigência se faz para o curto prazo e em nível mundial. Um dos impeditivos dessa transição ainda é o custo.

Plástico Moderno, Juan Carlos Melcon, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado
Para Melcon, brinquedo é uma aplicação nobre

No mercado, de forma geral, aceita-se que para o transformador o valor do produto final seria acrescido em até 3%, se comparado ao uso do chumbo.

Esse metal pesado também tem a seu favor a tradição, além da superioridade de seu desempenho técnico. Porém a tendência é sua gradual redução. “Há quatro anos, todas as linhas de produtos só usavam o chumbo. Hoje antevejo a substituição completa dos metais pesados”, afirma o gerente de garantia da qualidade e desenvolvimento de produto da Bärlocher do Brasil, Valdemir Fantacussi. De acordo com ele, na empresa, na divisão de PVC rígido, os tubos (o maior mercado) consomem os dois sistemas quase que igualmente, pois 55% da produção usa chumbo e o restante, os estabilizantes à base de cálcio e zinco. Em outras aplicações, a diferença se agrava. Na área de conexões, 80% dos produtos são fabricados com estabilizantes à base de sais de Ca/Zn; entre os perfis, essa porcentagem se inverte: 80% da fabricação utiliza os estabilizantes à base de chumbo. Outro exemplo das mudanças de perfil do transformador se nota na divisão de flexíveis, na qual o consumo de cádmio era de 80%, há quinze anos. Hoje é de cerca de 15%. “Daqui a dez anos, não haverá mais formulações com o cádmio”, prevê Fantacussi.

Colorido sem riscos – A experiência do fabricante de masterbatch Cromex com o mercado de brinquedos permite à analista de laboratório desse fabricante de master de cor, preto, branco e de aditivos, Regiane Defácio Dutra, apontar as cores como um dos pontos norteadores do negócio.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado
Nepomuceno: Clariant foca a pureza de seus produtos

“O desenvolvimento de cores é bastante dinâmico”, diz. Para ela, o transformador necessita de cores e conseqüentemente masters diferenciados, que utilizam pigmentos com tonalidades atrativas. No entanto, o quesito fundamental se baseia nas normas, com foco na extração de metais pesados por uma de solução de ácido clorídrico. Não há trégua, quando a questão é a segurança do brinquedo.

A Ciba Especialidades Químicas admite que não tem controle sobre o destino de seus aditivos e pigmentos, pois a indústria de brinquedos não é seu cliente direto e sim o fabricante de masterbatch. Mas, mesmo assim, quando tem conhecimento de que se trata de uma solicitação de algum transformador de brinquedos, a companhia recomenda o uso de produtos ecologicamente corretos, como o pigmento orgânico. Essa postura, de acordo com Gesswein, da Lanxess, se fosse levada mais a sério pelo transformador de brinquedos plásticos, poderia ter evitado o risco ao qual, recentemente, as crianças que manusearam os brinquedos da marca Mattel foram submetidas. Ele sugere que os altos níveis de metal pesado encontrados na tinta de alguns brinquedos da Mattel (vide boxe) podem ter tido sua origem no uso de pigmentos inorgânicos.

Para Geraldo Ventola Júnior, da área Plastics Sales Head Latam, da Ciba Especialidades Químicas, a barreira é financeira, porque toda substituição por um produto orgânico reflete no custo. “Não é um problema fácil de solucionar. No caso do pigmento, tecnicamente, há soluções. O problema é a indústria de brinquedos pagar por isso”, comenta. Os fabricantes de brinquedos hoje não são grandes clientes da Ciba, porém nem sempre foi assim. Há cerca de quinze anos, a Estrela era a maior cliente da área de pigmentos da companhia. Para Francisco Lopes, responsável pela New Business Plastic Additives, da Ciba Especialidades Químicas, discutir a questão do chumbo é chover no molhado, pois a empresa segue as orientações de sua matriz, na Suíça. Ele explica que na Europa os negócios se voltam exclusivamente à substituição de um orgânico por outro, ou seja, não se cogita outra possibilidade.

Mas, de volta à realidade brasileira, segundo Lopes, o País tem demonstrado amadurecimento e não se manifesta tão sensível ao preço, em algumas aplicações. Essa demanda reflete também o aquecimento do mercado de aditivos. O momento é favorável para ratificar as projeções de aumento de vendas e sustentar os investimentos das empresas. “Se a tecnologia realmente agregar valor ao produto, o mercado o aceita”, comenta Lopes. Neste ano, os produtos com novas tecnologias embutidas têm tido uma aceitação surpreendente para a Ciba. Esse é o caso do estabilizante à luz da linha XT, o Tinuvin XT 860, um HALS (amina estericamente bloqueada) que não interage com ácidos fortes e halogênios. Em outras palavras, o aditivo permite a estabilização do polipropileno, mesmo na presença de antichamas halogenados.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado
Lopes: mercado está aberto para novas tecnologias

Mercado pequeno – O setor de brinquedos, em volume, tem baixa representatividade para a indústria da transformação do plástico. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), essa categoria de produtos representa, em média, 1% dos artefatos plásticos produzidos no País.

De acordo com estimativas dos profissionais do mercado de aditivos, dos brinquedos vendidos no Brasil, entre 60% e 80% utilizam as resinas, sendo o PVC um dos termoplásticos mais usados. Daí o interesse em colocar os plastificantes à base de ftalato no alvo das normas de segurança. Entre todos os brinquedos fabricados com matérias-primas plásticas no País, 30% consomem PVC, segundo estimativa do Instituto do PVC.

Utilizada na fabricação de brinquedos há mais de meio século, essa resina reina no setor de bonecas, e esse segmento é um dos maiores. No Brasil, as bonecas representam cerca de 50% do mercado, segundo prevê alguns profissionais do ramo. Um exemplo clássico é a Barbie. A boneca foi criada, em PVC, no final dos anos 50. Nessa categoria, o vinil tem características a seu favor, como a possibilidade do transformado apresentar um toque suave semelhante à própria pele humana. “O PVC é e continuará a ser um dos principais, se não o principal, termoplástico do setor de brinquedos”, afirma Bahiense, diretor-executivo do instituto.

Os produtos comercializados às crianças brasileiras têm o amparo de legislações internacionais. A norma adotada pela União Européia, EN 71:3, e a dos países do Mercosul, ABNT NBR NM 300-3, norteiam os passos da indústria, além de diretivas européias, como a 2002/72/EU, que estabelece os limites de metais pesados. O principal alvo são as peças destinadas ao público de zero a três anos, a chamada primeira infância.

Informalidade – Apesar dos esforços das indústrias para garantir a segurança dos brinquedos, há um mercado informal crescente que burla a fiscalização. O gerente de negócios da Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Brinquedos e Produtos Infantis (Abrimpex), Miguel Diogo, estima que o contrabando faturou 30 milhões de dólares no primeiro semestre de 2007. O dado é alarmante por si só, mas ainda há um agravante. Segundo ele, a produção nacional está no mesmo patamar. “Os fabricantes nacionais registraram faturamento de cerca de 30 milhões de dólares, no mesmo período de comparação”, constatou. Em 2006, o mercado de brinquedos movimentou R$ 1 bilhão. Para este ano, deve registrar aumento de vendas da ordem de 5%.

Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoMade in China – A indústria de brinquedos importados conta, obviamente, com uma ala formal. Ou seja, há uma grande parcela de empresas que importam seus produtos e os vendem segundo todos os critérios estabelecidos às fábricas nacionais.

Esse negócio é um caso à parte e tem funcionado como meio de sobrevivência das empresas. Grandes marcas como Mattel e Gulliver, assim como empresas menores como a Homeplay, trazem no portfólio produtos de fora do Brasil, sobretudo da China. Nem mesmo a Estrela, fabricante de brinquedos presente no Brasil desde 1937, passou ilesa ao processo e hoje importa boa parte de suas linhas. Dessa forma, fica fácil entender por quais motivos, de janeiro a agosto, deste ano, as importações registram faturamento de 120 milhões de dólares. De acordo com o diretor de negócios da Abrimpex, Miguel Diogo, desse valor, a produção chinesa responde por 78%.

De 1990 até meados de 2006, a lei salvaguardou a indústria nacional de brinquedos, com uma taxação adicional aos importados. Em junho do ano passado, estabeleceu-se novamente o livre comércio. Com esse movimento, as importações tendem a se intensificar ainda mais. Em 2004, o faturamento obtido com a venda dos brinquedos importados foi de 100 milhões de dólares. Para este ano, espera-se alcançar 180 milhões de dólares. No entanto, independentemente, da origem do brinquedo, trata-se de uma categoria de negócios em que a segurança parece ter sido mais importante do que os volumes comercializados e os faturamentos das indústrias.

[toggle_simple title=”Inmetro impõe mais rigor às normas” width=”Width of toggle box”]

A segurança das matérias-primas destinadas aos brinquedos plásticos está no foco das discussões atuais. Nos últimos meses, a norte-americana Mattel ordenou uma série de recalls em larga escala de milhões de brinquedos fabricados na China, em meio a preocupações com a contaminação provocada pela presença de chumbo na tinta e com pequenos ímãs que poderiam ser engolidos por crianças. Os erros foram assumidos inteiramente pelo fabricante norte-americano, eximindo a China de qualquer responsabilidade, a fim de atenuar os arranhões na imagem dos brinquedos made in China.

De uns tempos para cá, a avalanche de reclamações envolvendo brinquedos denegriu a imagem desse setor. No entanto, por outro lado, acabou promovendo modificações na legislação. Em meio a essas polêmicas, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) instituiu uma nova Portaria 326, de 24 de agosto de 2007, que determina a certificação compulsória de brinquedos. Em suma, mudaram as regras para os produtos nacionais e importados serem comercializados no País. Em outras palavras, os critérios adotados ficaram mais rigorosos. “Quando se fala de certificação, com o selo do Inmetro se fala da segurança do brinquedo”, pontua o diretor-presidente do Instituto para Certificação Expressa de Produtos (Icepex), Sergio Diogo.Para ele, não se trata de um entrave, apesar do rigor das novas regras de certificação, no entanto, há um aspecto negativo: o possível aumento da informalidade. “Por causa do custo para se conseguir passar por todos os quesitos, o mercado informal pode crescer”, diagnostica. Com as novas diretrizes, o processo de certificação no Icepex, que antes demorava em torno de oito dias, passa a consumir não menos do que vinte dias.

Outro possível reflexo apontado vem da Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Brinquedos e Produtos Infantis (Abrimpex). Por causa desse trâmite, muitos brinquedos podem ter seus preços elevados, em dezembro, época em que a venda é a mais significativa para o comércio.

Responsável por realizar uma série de testes para garantir a qualidade e a segurança dos brinquedos, o Inmetro avalia os brinquedos comercializados no País. Os aprovados recebem um selo, criado especificamente para esses produtos. As avaliações consistem em verificar a resistência, o ruído, a composição química e a inflamabilidade, entre outras coisas.

[/toggle_simple]

Um Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios