Aditivos: Mercado de cargas demonstra interesse em soluções inovadoras

Plástico Moderno, Aditivos: Mercado de cargas demonstra interesse em soluções inovadoras
Para enfrentar um mercado cada vez mais competitivo, as indústrias do segmento de aditivos e cargas minerais para plásticos estão se especializando. A busca pelo algo a mais para oferecer aos clientes está ditando o ritmo dos negócios.

José Carlos Bartholi, diretor comercial da Ouro Branco, avalia que a situação de mercado contempla muitos players e muita oferta. “Para sobreviver e manter o share, o fornecedor tem que apresentar um algo a mais: produtos de qualidade superior, melhor desempenho e assistência técnica”, afirma. Ele acrescenta que produto e serviço “não podem estar dissociados” para quem pretende sobreviver no segmento de aditivos e cargas minerais para plásticos.

Plástico Moderno, Giacomolli: nanotecnologia é uma das prioridades atuais
Giacomolli: nanotecnologia é uma das prioridades atuais

Na opinião de Erni Giacomolli, gerente de vendas da Carbomil, o mercado está cada vez mais ávido por aditivos que contribuam com a melhoria na performance de seus produtos. “O carbonato de cálcio é um dos aditivos que podem ajudar muito na obtenção dessa melhoria. Somos privilegiados quanto à qualidade de nossa matéria-prima”, adiciona.

Beatriz Zaki, chefe de produto da unidade de negócios Inorganic Materials da Evonik, destaca a importância de se buscar soluções inovadoras e de melhor performance, principalmente pela necessidade de ampliação do uso de plásticos em diferentes aplicações: “A Evonik colabora com suas matérias-primas para que seja possível, por exemplo, a utilização de plástico para sistemas de água quente, substituindo o cobre.” São os silanos organofuncionais que, de fato, colaboram para o desenvolvimento dessa área da construção civil, considerada muito promissora pela empresa.

O executivo da Carbomil calcula que o maior mercado de aditivos e cargas minerais está atrelado à infraestrutura: tubos e conexões, fios e cabos, forros de PVC e telhas de PVC. Daí a dependência dos investimentos públicos. Considerando que há vários mercados e tipos de aditivos que encontram aplicação na agricultura e até em creme dental, a demanda nacional deve girar em torno de 40 mil t/mês apenas para os carbonatos de cálcio, que representam cerca de 90% da capacidade instalada.

Giacomolli comenta ainda que o mercado tem sido afetado diretamente pela variação cambial. Como há vários insumos atrelados ao dólar, a cadeia produtiva sofreu uma retração. “Quem atua no mercado externo tem obtido bom retorno”, ressalva. “Também estão ocorrendo várias aquisições de empresas importantes em toda a cadeia produtiva, tanto por parte de empresas estrangeiras como por empresas de grande porte nacionais.”

Sem prognósticos – O cenário é tão árduo que Bartholi não arrisca fazer prognósticos de longo prazo. “Nem um vidente pode falar em longo prazo no Brasil”, brinca. “Pode-se analisar com maior precisão o curto prazo e o médio somente com uma margem maior de erro.” Segundo Bartholi, não se vislumbra a curto e médio prazo “nenhum aquecimento de demanda” e há preocupação com a taxa cambial, que deverá subir nos próximos seis meses.

Plástico Moderno, Beatriz: foco no desenvolvimento de produtos mais sustentáveis
Beatriz: foco no desenvolvimento de produtos mais sustentáveis

“O Brasil tem problemas estruturais graves que impedem e prejudicam um crescimento sustentável e forte. Sem mexer nessa equação de gasto público, infraestrutura e produtividade, tanto pública como privada, não vamos muito longe. O cenário é preocupante”, adverte o executivo da Ouro Branco.

Já Giacomolli acredita que, com a estabilidade do dólar e a realização dos investimentos em infraestrutura necessários para a Copa do Mundo de 2014, alguns segmentos terão bom desempenho, enquanto outros sofrerão o efeito eleitoral. “A longo prazo acho que o Brasil irá retomar o seu crescimento, pela necessidade interna de melhorias em infraestrutura e ajudado pela estabilidade e até retomada de crescimento dos mercados norte-americano e chinês”, acrescenta.

Beatriz prefere ficar na expectativa de que soluções de plásticos sejam cada vez mais selecionadas para diferentes tipos de mercados e aplicações, o que poderia ampliar também a participação da Evonik no mercado brasileiro.

Nesse momento de incertezas, os investimentos arrefecem. “Os investimentos no Brasil estão caindo muito, em face das necessidades de atualização do parque industrial”, observa Bartholi. O que há – agrega – são investimentos para se atingir uma maior produtividade.

Giacomolli corrobora. A Carbomil está investindo na modernização de equipamentos na fábrica e no maior controle no processo. Em relação aos silanos, os investimentos da Evonik estão focados, de acordo com Beatriz, “no desenvolvimento de soluções cada vez mais sustentáveis e que possam ampliar o leque de aplicações para os diferentes tipos de plásticos existentes no mercado. Hoje temos produtos para realizar a interação de diferentes tipos de cargas inorgânicas em plásticos, como PP, EVA/PE, PA, além de compostos como borrachas, resinas de poliéster e resinas epóxi”, declara.

Tecnologia – Em termos de tecnologia, “a Evonik tem trabalhado constantemente no desenvolvimento de produtos mais sustentáveis, com menor volume de VOC ou mesmo base água (zero VOC), além de produtos com melhor performance nos mercados em que atua”, completa Beatriz.

Partindo do princípio de que uma empresa que atua há mais de 50 anos no mercado, como a Carbomil, tem que estar atenta ao que há de moderno em equipamentos, Giacomolli confessa que a empresa tem investido em pesquisas com especialistas de processos de moagem. “Alguns processos ainda têm seu custo elevado para o mercado interno, ocasionado pelo alto custo da energia. Por isso, estamos buscando aliados naturais no Nordeste – energia solar e eólica.”

Fundada em 1968 no estado de São Paulo, a Minérios Ouro Branco é distribuidora de aditivos para polímeros da Croda, além de beneficiadora e distribuidora de minerais. A estratégia de negócios da empresa está alicerçada na “busca do mercado de especialidades” nos dois segmentos para “agregar valor e fidelizar a clientela”. Bartholi diz que a Ouro Branco é “muito forte” em commodities, mas, em função da constante redução de margens e maior competitividade, o caminho para uma maior rentabilidade está nas especialidades, um diferencial, aliás, da empresa.

A Ouro Branco possui negócios no Brasil e no exterior, fornecendo aditivos minerais para diversos setores industriais. A empresa garante que o principal diferencial dos seus produtos é a estabilidade da distribuição granulométrica das partículas do mineral, o que propicia alta performance e boa dispersão na aplicação final. Estes são os principais aditivos minerais fornecidos pela empresa: agalmatolito, barita, calcita, carbonato de cálcio revestido e precipitado, caulim, dolomita talco, mica, óxido de magnésio, quartzo, sílica ventilada, silicato de alumínio, silicato de magnésio e sulfato de bário.

A meta da Carbomil é obter partículas cada vez mais finas: “a famosa nanotecnologia”, acentua Giacomolli. Obter partículas finas e com boa alvura a baixo custo é o grande desafio da empresa. “Queremos mostrar ao mercado que a nanotecnologia não é nome de produto e sim tamanho de partícula. Temos cerca de 30% deste mercado e esperamos crescer mais 10% em novos produtos”, revela.

Desde que foi fundada, em 1961, em Fortaleza, a Carbomil investe em pesquisas minerais. Fornece para indústrias do Brasil e do exterior de diversos segmentos como agroindústria, construção civil, tintas, químicas, e termoplásticos como PVC (fios, cabos, tubos e conexões, laminados, perfis, pisos e compostos), polietileno, polipropileno, reciclados e poliéster, sempre com qualidade assegurada.

Líder na produção e comercialização de carbonatos de cálcio no Brasil e referência mundial, a Carbomil produz diversos grades e tipos de carbonatos: carbonato de cálcio natural cretáceo, carbonato de cálcio cristalino, além do óxido de cálcio (utilizado como dissecante na indústria de reciclados e de borrachas) e a cal hidratada.

A multinacional alemã Evonik prega que a sua linha de silanos organofuncionais melhora a interação entre as cargas e os polímeros. “O silano reage quimicamente com a superfície da carga, modificando-a e tornando-a mais compatível com o sistema, isto é, mais fácil de incorporá-la, permitindo, até mesmo, o aumento da porcentagem de carga no sistema – sistemas conhecidos como “altos sólidos” (high filled compounds)”, declara Beatriz.

A chefe de produto diz ainda que há outras características que podem ser melhoradas de maneira significativa no composto final ao qual a carga foi adicionada: resistência mecânica e resistência à umidade, por exemplo, o que aumenta a vida útil e muitas vezes permite a ampliação das aplicações de materiais plásticos em diferentes áreas. O método de incorporação do silano no sistema pode ser feito de duas formas: ou pelo tratamento prévio das cargas ou por meio da adição do silano durante a dispersão da carga no sistema.

Plástico Moderno, Sousa destaca a linha de aditivos à base de componentes vegetais
Sousa destaca a linha de aditivos à base de componentes vegetais

Aplicações – Edivaldo Sousa, da área de vendas e coordenação comercial da divisão de pigmentos e especialidades químicas da Ouro Branco, descreve que os aditivos consistem em amidas, aminas, ácidos graxos e sulfonatos que são destinados, principalmente, para o mercado de termoplásticos, com uma infinidade de aplicações: deslizantes, desmoldantes, antiblocking, antiestáticos e dispersantes, entre outras.

“A Minérios Ouro Branco disponibiliza um amplo portfólio dos itens citados, ramificados especificamente para cada tipo de resina, processo e produto, incluindo as questões ecológicas, através da linha de aditivos à base de componentes vegetais”, informa.

As cargas minerais da Ouro Branco têm como principal aplicação, continua Sousa, melhorar as propriedades mecânicas do plástico: aumento de densidade no caso da barita; para reforço na dureza e impacto normalmente são utilizados os minerais talco e carbonato de cálcio. A mica é outra carga mineral muito utilizada em plásticos que necessitam de maior resistência térmica. Por ser um produto refratário, melhora as propriedades térmicas. Para uso automotivo, o talco micronizado ou nano garante maior estabilidade dimensional das peças injetadas, como painéis e outras partes internas do automóvel.

Mas o principal benefício no uso das cargas minerais seria, na visão de Sousa, a redução de custos, principalmente em produtos que não necessitam de propriedades mecânicas, onde as cargas são utilizadas para diminuir os custos do veículo de aditivos. Exemplo: masterbatches e outros aditivos masterizados.

Beatriz revela que uma das principais aplicações de cargas tratadas com silanos é em cabos antichama. Nesses compostos é utilizada uma alta quantidade de carga antichama, que precisa ser facilmente incorporada sem prejudicar a resistência mecânica do cabo, além de ter que ser um produto resistente à umidade.

Outra aplicação interessante é na fabricação de pedras sintéticas base resina de poliéster. O silano faz o trabalho de melhorar a interação das cargas de quartzo utilizadas na mistura, para que deem a aparência de granito, por exemplo. Como a quantidade de quartzo é alta e a peça precisa de resistência mecânica para que não se quebre facilmente durante o seu uso final, o silano tem o papel fundamental de ligar quimicamente o quartzo com a resina de poliéster, proporcionando a resistência esperada; logo, a durabilidade da peça.

Outro exemplo é o uso de silanos em compostos de borracha, como solados de calçados e nos pneus dos carros. Nesses casos, a sílica é utilizada para o reforço mecânico necessário dos produtos, o que aumenta a sua vida útil. Uma das líderes mundiais em especialidades químicas, a Evonik está presente em mais de 100 países e atua no Brasil desde 1953.

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