Aditivos – Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado

Dois destaques são o Mesamoll e o Unimoll. Os produtos, fabricados na Alemanha, até são considerados competitivos em relação ao adipato de di-2-etilhexila (DOA), porém ainda não muito se comparados ao DOP. “São moléculas eficientes e grandes, portanto, seguras”, ressalta Roberta. Em linhas gerais, os desenvolvimentos da companhia também prezam pelo alto poder de plastificação, baixa migração e pela excelente flexibilidade a frio.

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Indústria de brinquedos prioriza plastificante livre de ftalato

Para reverter a falta de escala, a empresa anunciou a expansão até o final do ano de 40% da capacidade instalada do Mesamoll. Esse plastificante universal éster fenil-alquilsulfônico é a molécula mais antiga da linha, e apresenta característica de gelificação mais rápida do que a de outros aditivos a temperaturas de processamento mais baixas. Em tempo: a empresa tem planos de verticalizar sua produção e anunciou também a intenção de aumentar a fabricação do Unimoll, nos próximos dois anos.

Apesar de não divulgar a produção total de seus plastificantes, a Lanxess propaga ter posição de destaque nesse segmento. E nem poderia ser diferente, afinal, o seu foco é o de produtos premium. “A minha unidade (FCC) se volta para nichos, temos vocação para as especialidades”, comenta Roberta.

Outros fabricantes se inserem nesse perfil. Coincidência ou não, a Eastman prevê produzir o Eastman 168 nas fábricas de Mauá (ex-Scandiflex) e do Texas (ex-Sterling). O destaque do portfólio de plastificantes da companhia agora é esse aditivo, um tereftalato desenvolvido há mais de 30 anos e relançado em meados de 2005. Ele gera plastisols de viscosidade reduzida, além de oferecer baixas volatilidade e migração. Recentemente, a agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) expandiu a liberação do produto, permitindo o seu uso em contato com todos os tipos de alimentos em níveis de até 55%, por peso das formulações de PVC plastificadas para produtos de uso repetido.

Foco em mercados especiais – A aposta em segmentos de alto valor agregado vai além dos plastificantes. As indústrias de aditivos, cada uma na sua categoria, vislumbram mais lucratividade em nichos. A alemã Basf é uma delas. Fornecedora líder no mercado mundial de aditivos para plásticos, com linhas de antioxidantes, estabilizantes de luz e de processamento, e retardantes de chama, entre outros, a empresa escolheu direcionar seus investimentos para a plasticultura. Os esforços da companhia têm direção certa: as silobolsas (sistemas plásticos de armazenamento de grãos). Essa aplicação se desenvolveu na Argentina, onde o consumo atual é de 300 mil silobolsas ao ano, e migrou para o Brasil. “Por aqui, a demanda é incipiente, mas acreditamos que poderemos atingir os patamares argentinos”, comenta Paolo Prada, gerente do negócio de aditivos para plásticos da Basf para a América do Sul. Para atender a essa demanda, a fabricante oferece os estabilizantes à luz Tinuvin 783 e o Chimassorb 944.

Não por acaso, outro foco da fabricante tem sido a divulgação do Tinuvin XT 200. Foi assim nas feiras K e Brasilplast, realizadas em outubro de 2010 e em abril deste ano, respectivamente. O aditivo é apresentado com a promessa de garantir estabilização durante um longo período, mesmo na presença de altas concentrações de defensivos agrícolas. “Ele permite sua utilização em filmes transparentes e o mais importante: resiste a pesticidas”, afirma Prada.

Plástico Moderno, Paolo Prada, Gerente do negócio de aditivos para plásticos da Basf, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado
Prada prevê desaquecimento da demanda neste segundo semestre

Foram seis anos de pesquisa, a fim de assegurar um aditivo com menor interação com os produtos químicos utilizados nos filmes agrícolas, sobretudo o enxofre. Trata-se, na verdade, de uma diferenciação do portfólio. Em outras palavras, não é uma novidade, até porque a linha de estabilizante à luz do tipo Hals (sigla para Hindered Amine Light Stabilizers) surgiu entre os desenvolvimentos da Basf há muitas décadas.

Esse lançamento representa um melhor entendimento das necessidades do mercado, pois o produto, segundo a fabricante, é capaz de atender às necessidades de seus clientes, porém com um preço mais acessível do que do Tinuvin NOR 371, considerado o carro-chefe e o mais potente da linha. “Antes do Tinuvin 200 era como se oferecêssemos uma Ferrari para o cliente ir ao shopping”, brinca Prada, referindo-se ao Tinuvin NOR 371.

Segundo o executivo, na América do Sul, a plasticultura cresce entre 8% e 10% por ano. Em âmbito global, essa taxa é um pouco menor: de 4%. Mas de qualquer jeito os volumes impressionam: em 2009, a indústria mundial de filmes plásticos para estufas produziu cerca de 900 mil toneladas.

Esses números dão um certo fôlego para a fabricante. “Estamos cautelosos quanto ao encerramento do ano, vejo neste segundo semestre um desaquecimento”, afirma Prada. De qualquer forma, a situação não inspira apreensão. O mercado é considerado recuperado nestes primeiros seis meses do ano. Após a tormenta do passado recente do setor, configurado pela crise mundial e por sucessivas altas nos preços das matérias-primas, as vendas de aditivos, no geral, se normalizaram.

Diferenciação em alta – A suíça Clariant segue a mesma linha e aposta suas fichas em produtos diferenciados. “Cada vez mais as aplicações exigem produtos com características especiais, que até então não eram solicitadas”, diz Paulo Cesar Ghidetti, coordenador técnico de aditivos para a América Latina. Ele se referiu aos estabilizantes à luz de filmes agrícolas Hostavin. Essa linha apresenta resistência ao contato com ácidos e enxofre.

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