Aditivos – Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado

Os fabricantes de aditivos para plásticos têm traçado novas estratégias para garantir competitividade. Com margens apertadas, algumas empresas buscam se fortalecer com fusões, enquanto outras focam áreas de alto valor agregado. Caracterizado por poucos produtores locais, o setor se vê às voltas com o avanço da indústria asiática, sobretudo entre os produtos commodities, e a consolidação de tendências já anunciadas no passado, como a de associar maior eficiência das moléculas às práticas sustentáveis e seguras. De qualquer maneira, o Brasil é a bola da vez no cenário mundial e palco de eventos esportivos importantes. Os investimentos estão vindo de todas as partes e reforçam as apostas de empresas globais no setor químico brasileiro.

A norte-americana Eastman Chemical Company endossou esse movimento. No dia primeiro de setembro, a empresa anunciou a aquisição da Scandiflex do Brasil. O negócio de plastificantes dessa tradicional fabricante paulista, com planta em Mauá, passou a integrar o segmento de Produtos Químicos e Intermediários da Eastman (PCI). Os valores alusivos à transação são mantidos em sigilo pela companhia, mas dá para se ter uma ideia do seu tamanho com base no faturamento da Scandiflex no ano passado: de 54 milhões de dólares. Fundada em 1965, a planta de Mauá tem capacidade instalada de 20 mil toneladas/ano e produz linhas de plastificantes poliméricos e monoméricos, incluindo ftalatos, adipatos, citratos, maleatos, sebacatos, azelatos e trimelitatos.

“Os clientes da Scandiflex são muito diversificados. Vamos transformar a empresa numa plataforma de negócios e aproveitar a estrutura de distribuição da Eastman para crescer”, explica Pedro Fortes, diretor-geral da Eastman no Mercosul. Mas o interesse da companhia não se restringe ao perfil do comprador da fabricante brasileira, e sim embute uma pretensão maior: a de ser líder no mercado de plastificantes livres de ftalato. A saber: em Mauá, a fabricação desse tipo de aditivo é de mais de 50% do total.

Plástico Moderno, Pedro Fortes, Diretor-geral da Eastman no Mercosul, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado
Fortes investe em segmentos com potencial de crescimento

Essa, aliás, não foi a primeira incursão da Eastman no segmento de aditivos. Mais conhecida no mercado de plásticos por conta dos polímeros PET e dos copoliésteres, a empresa adquiriu a petroquímica norte-americana Sterling Chemicals, em agosto deste ano. O acordo de US$ 100 milhões incluiu uma unidade produtiva de plastificantes e ácido acético, localizada no Texas, EUA. A Genovique Specialties Corporation, produtora global de plastificantes especiais, ácido benzoico e benzoato de sódio, também foi comprada pela Eastman. As negociações foram concluídas em maio de 2010 e englobaram duas fábricas, uma na Estônia, e a outra nos Estados Unidos, além de uma joint venture na China.

Todas essas aquisições representam, segundo Fortes, uma redefinição estratégica da empresa a fim de concentrar seus esforços em mercados considerados promissores. “Achamos melhor buscar segmentos com mais perspectivas de crescimento”, ressalta.

Mais segurança – Essa percepção tem um porquê e não é isolada. Os especialistas do mercado de aditivos há algum tempo veem uma maior abertura da indústria a produtos que não sejam à base de metais pesados ou de substâncias suspeitas de serem prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Até por isso os fabricantes de plastificantes apostam, cada vez mais, no aumento do consumo dos aditivos livres de ftalatos. Apesar de ainda se caracterizar por volumes incipientes, a sua participação no mercado cresce em âmbito global e até mesmo por aqui. “Trata-se de um mercado em formação, que começou a se ampliar em meados de 2000, e que agora está em franca expansão”, comenta Roberta Maturana, gerente regional da Lanxess, na área de vendas Latam Sul – BU Functional Chemicals.

O mercado de plastificantes no mundo é de 6 milhões de toneladas/ano, das quais as fórmulas base ftalato representam a maior fatia: 87% do total. Na América Latina, a capacidade instalada do aditivo é de 200 mil toneladas, enquanto o consumo na região gira em torno de 260 mil toneladas. Desse total, a parcela dos ftálicos chega quase à totalidade: 97% (dado de 2008); e, segundo estimativas divulgadas pela Lanxess, em 2013 esse índice cairá para 92%. “A taxa de crescimento do segmento de aditivos livres de ftalato tem sido maior do que a de outras áreas nas quais atuamos na nossa unidade de negócios”, informa Roberta.

Plástico Moderno, Roberta Maturana, Gerente regional da Lanxess, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado
Roberta: foco na criação de fórmulas eficientes e seguras

Os números, é bem verdade, ainda não empolgam muito, mas de alguma maneira representam avanços, pelo menos no que diz respeito ao perfil do comprador: novos mercados estão surgindo e a demanda de setores como o de brinquedos e o de alimentos está mais consistente, por causa, sobretudo, das normas regulatórias cada vez mais rígidas e abrangentes. “Ao longo do tempo, esse movimento se ampliará para outras áreas”, diagnostica Roberta. Isso já está acontecendo, pois indústrias como a de calçados e a automotiva despontam como consumidores desse tipo de plastificante, engordando as vendas dos fabricantes.

Ok, moléculas com características especiais, antes preteridas pelos clientes, vêm conquistando seu espaço, mas ainda esbarram no custo. Ou melhor, na falta de escala, pois a velha lei de mercado também se aplica aqui: o volume escasso torna o produto pouco competitivo perante o alto consumo de moléculas mais tradicionais como o dioctil ftalato (DOP), também denominado di-2-etilhexil ftalato (DEHP), e di-isononil ftalato (DINP). No entanto, esse cenário tende a mudar. Investir no portfólio de novos plastificantes tem sido o foco de importantes players do setor. Esse é o caso da Lanxess, que há bastante tempo se dedica às suas marcas Mesamoll, Unimoll, Adimoll e Ultramoll – todos aditivos livres de ftalatos.

Dois destaques são o Mesamoll e o Unimoll. Os produtos, fabricados na Alemanha, até são considerados competitivos em relação ao adipato de di-2-etilhexila (DOA), porém ainda não muito se comparados ao DOP. “São moléculas eficientes e grandes, portanto, seguras”, ressalta Roberta. Em linhas gerais, os desenvolvimentos da companhia também prezam pelo alto poder de plastificação, baixa migração e pela excelente flexibilidade a frio.

Plástico Moderno, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado
Indústria de brinquedos prioriza plastificante livre de ftalato

Para reverter a falta de escala, a empresa anunciou a expansão até o final do ano de 40% da capacidade instalada do Mesamoll. Esse plastificante universal éster fenil-alquilsulfônico é a molécula mais antiga da linha, e apresenta característica de gelificação mais rápida do que a de outros aditivos a temperaturas de processamento mais baixas. Em tempo: a empresa tem planos de verticalizar sua produção e anunciou também a intenção de aumentar a fabricação do Unimoll, nos próximos dois anos.

Apesar de não divulgar a produção total de seus plastificantes, a Lanxess propaga ter posição de destaque nesse segmento. E nem poderia ser diferente, afinal, o seu foco é o de produtos premium. “A minha unidade (FCC) se volta para nichos, temos vocação para as especialidades”, comenta Roberta.

Outros fabricantes se inserem nesse perfil. Coincidência ou não, a Eastman prevê produzir o Eastman 168 nas fábricas de Mauá (ex-Scandiflex) e do Texas (ex-Sterling). O destaque do portfólio de plastificantes da companhia agora é esse aditivo, um tereftalato desenvolvido há mais de 30 anos e relançado em meados de 2005. Ele gera plastisols de viscosidade reduzida, além de oferecer baixas volatilidade e migração. Recentemente, a agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) expandiu a liberação do produto, permitindo o seu uso em contato com todos os tipos de alimentos em níveis de até 55%, por peso das formulações de PVC plastificadas para produtos de uso repetido.

Foco em mercados especiais – A aposta em segmentos de alto valor agregado vai além dos plastificantes. As indústrias de aditivos, cada uma na sua categoria, vislumbram mais lucratividade em nichos. A alemã Basf é uma delas. Fornecedora líder no mercado mundial de aditivos para plásticos, com linhas de antioxidantes, estabilizantes de luz e de processamento, e retardantes de chama, entre outros, a empresa escolheu direcionar seus investimentos para a plasticultura. Os esforços da companhia têm direção certa: as silobolsas (sistemas plásticos de armazenamento de grãos). Essa aplicação se desenvolveu na Argentina, onde o consumo atual é de 300 mil silobolsas ao ano, e migrou para o Brasil. “Por aqui, a demanda é incipiente, mas acreditamos que poderemos atingir os patamares argentinos”, comenta Paolo Prada, gerente do negócio de aditivos para plásticos da Basf para a América do Sul. Para atender a essa demanda, a fabricante oferece os estabilizantes à luz Tinuvin 783 e o Chimassorb 944.

Não por acaso, outro foco da fabricante tem sido a divulgação do Tinuvin XT 200. Foi assim nas feiras K e Brasilplast, realizadas em outubro de 2010 e em abril deste ano, respectivamente. O aditivo é apresentado com a promessa de garantir estabilização durante um longo período, mesmo na presença de altas concentrações de defensivos agrícolas. “Ele permite sua utilização em filmes transparentes e o mais importante: resiste a pesticidas”, afirma Prada.

Plástico Moderno, Paolo Prada, Gerente do negócio de aditivos para plásticos da Basf, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado
Prada prevê desaquecimento da demanda neste segundo semestre

Foram seis anos de pesquisa, a fim de assegurar um aditivo com menor interação com os produtos químicos utilizados nos filmes agrícolas, sobretudo o enxofre. Trata-se, na verdade, de uma diferenciação do portfólio. Em outras palavras, não é uma novidade, até porque a linha de estabilizante à luz do tipo Hals (sigla para Hindered Amine Light Stabilizers) surgiu entre os desenvolvimentos da Basf há muitas décadas.

Esse lançamento representa um melhor entendimento das necessidades do mercado, pois o produto, segundo a fabricante, é capaz de atender às necessidades de seus clientes, porém com um preço mais acessível do que do Tinuvin NOR 371, considerado o carro-chefe e o mais potente da linha. “Antes do Tinuvin 200 era como se oferecêssemos uma Ferrari para o cliente ir ao shopping”, brinca Prada, referindo-se ao Tinuvin NOR 371.

Segundo o executivo, na América do Sul, a plasticultura cresce entre 8% e 10% por ano. Em âmbito global, essa taxa é um pouco menor: de 4%. Mas de qualquer jeito os volumes impressionam: em 2009, a indústria mundial de filmes plásticos para estufas produziu cerca de 900 mil toneladas.

Esses números dão um certo fôlego para a fabricante. “Estamos cautelosos quanto ao encerramento do ano, vejo neste segundo semestre um desaquecimento”, afirma Prada. De qualquer forma, a situação não inspira apreensão. O mercado é considerado recuperado nestes primeiros seis meses do ano. Após a tormenta do passado recente do setor, configurado pela crise mundial e por sucessivas altas nos preços das matérias-primas, as vendas de aditivos, no geral, se normalizaram.

Diferenciação em alta – A suíça Clariant segue a mesma linha e aposta suas fichas em produtos diferenciados. “Cada vez mais as aplicações exigem produtos com características especiais, que até então não eram solicitadas”, diz Paulo Cesar Ghidetti, coordenador técnico de aditivos para a América Latina. Ele se referiu aos estabilizantes à luz de filmes agrícolas Hostavin. Essa linha apresenta resistência ao contato com ácidos e enxofre.

O fabricante também promete que o Hostavin N30 (do tipo Hals) consegue fazer reações de estabilização como um antioxidante primário em temperaturas altas. A saber: em geral, os Hals não têm esta capacidade, porque as reações de degradação da maioria dos polímeros são mais rápidas do que as reações de estabilização dos Hals em temperaturas muito acima de 100ºC.

Plástico Moderno, Paulo Cesar Ghidetti, Coordenador técnico de aditivos para a America Latina, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado
Ghidetti aposta em formulações com características especiais

A Clariant destaca ainda de seu portfólio de aditivos os antioxidantes Hostanox P-EPQ, um produto, segundo Ghidetti, de alta efetividade. “A concentração de uso é menor do que a média dos aditivos usados para a estabilização de processamento de polímeros, além de apresentar um efeito de nucleação (ou melhor, de clarificação) de polipropileno”, explica.

Plástico Moderno, Cássio Martins, Gerente de vendas de aditivos para polímeros da Cytec, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado
Martins: companhia encerrará o ano com aumento do faturamento

A norte-americana Cytec também desbrava a trilha das especialidades. “Acredito que o mercado de aditivos caminha cada vez mais para a especialização das moléculas, ou seja, desenvolvendo moléculas e soluções específicas para cada tipo de aplicação e/ou matriz polimérica”, reforça Cássio Martins, gerente de vendas de aditivos para polímeros da Cytec. Apesar de os aditivos considerados commodities ainda ocuparem a maior fatia do mercado, a empresa mantém o foco dos novos investimentos em produtos de alto valor agregado, como os estabilizantes de luz da linha Cyasorb Cynergy Solution (CCS).

No portfólio, Martins destaca as “soluções” para aplicações de filmes agrícolas (CCS A-400 e A-430), compostos de PP (CCS-V703) e para rotomoldagem (CCS R300, CCS R315 e CCS R333), entre outros. Neste ano, a Cytec avançou muito no setor de estabilização de compostos de PP e, segundo Martins, se firmou como a principal fornecedora de estabilizantes de luz UV para o setor de rotomoldagem.

O momento incita comemoração. No ano passado, as vendas aumentaram cerca de 40%, e a estimativa é encerrar 2011 com um crescimento entre 25% e 30% em relação a 2010. Nem mesmo a força dos fabricantes asiáticos compromete essas expectativas. “Não vemos a produção local na Ásia como um concorrente, pois a Cytec tem se dedicado à produção de especialidades, ou seja, produzimos aditivos diferentes do que comumente é produzido lá”, atesta.

De qualquer maneira, independentemente de se tratar de um concorrente ou de um cliente em potencial, os volumes alusivos à Ásia colocam a região na mira dos investimentos. A Cytec, por exemplo, prevê que ainda neste ano entre em operação uma nova unidade fabril localizada na Ásia, onde deverá fabricar Hals monomérico, aditivos Cyasorb Cynergy Solution e absorvedores UV.

Antioxidantes asiáticos – Entre os aditivos mais comuns, como estabilizadores térmicos e antioxidantes, a indústria global está migrando para a Ásia, onde os enormes volumes de produção tornam muito atraentes tanto a atuação local quanto a exportação. No caso dos antioxidantes, o crescimento do consumo global gira em torno de 7% ao ano. A Ásia detém a pole position nessa arrancada. A demanda chinesa, por exemplo, avança entre 8% e 10% ao ano, segundo dados estimados por fabricantes.

A produção asiática de antioxidantes tem um representante de peso em território nacional: a coreana Songwon. Essa fabricante apresentou uma ascensão meteórica por aqui e ostenta o feito de responder por todo o antioxidante consumido atualmente pela petroquímica Braskem, além de se colocar entre as duas maiores empresas da categoria, ao lado da Basf. Quando as patentes das marcas Irganox e Irgafox, introduzidas no mercado globalmente pela Ciba (hoje Basf), começaram a cair, a Songwon foi a primeira empresa a produzir os antioxidantes em grande escala. Desde então, os investimentos foram sucessivos, mas no Brasil sua visibilidade despontou somente em 2008, pois neste ano passou a atuar sem intermediários na comercialização de sua linha de antioxidantes no Ocidente (antes tinha um acordo com a Clariant, responsável por essa operação).

Plástico Moderno, Rodinei Lapietra, Diretor da Pack7, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado
Segundo Lapietra, fabricante de antioxidante testa novos fosfitos

No portfólio os destaques são: Songnox 1290 (antioxidante fenólico que, segundo seu fabricante, tem excelente capacidade de prolongar a vida útil das peças); Songnox 6280 (fosfito de alto desempenho estável à hidrólise), e Songsorb 7120 e 2908 (benzoatos que atuam como absorvedores de luz UV). A Songwon tem capacidade produtiva total de 80 mil toneladas de antioxidantes, dividida entre as plantas localizadas em Ulsan e Maeam. A sua rápida ascensão no Brasil se deu por vários motivos, entre eles sua verticalização e a vantagem de suas plantas serem novas, afirma Rodinei Lapietra Júnior, diretor da Pack7, empresa representante da Chemson e da Nexo International, que, por sua vez, representa a Songwon. “Os produtos são mais puros”, enfatiza.

Assim como em todo o mercado, os carros-chefes dessa fabricante coreana são os antioxidantes fenólicos e os fosfitos. “Existem tentativas para sair do fenol, mas vejo demanda para esses aditivos em segmentos específicos”, afirma Lapietra. Segundo ele, a Braskem, por exemplo, é uma grande incentivadora para o desenvolvimento de novidades. Ele admite que a Songwon tem testado novos fosfitos.

O mercado de antioxidantes é pouco dinâmico, pelo menos no que se refere a novos desenvolvimentos. No entanto, ele se movimenta em relação ao número de players, que vêm se concentrando e se abrindo para o aumento da capacidade produtiva da indústria global.

O maior investimento da Basf no negócio de aditivos para plásticos, após a aquisição da Ciba em 2009, trata-se de uma nova planta de antioxidantes. A empresa anunciou em julho deste ano sua pretensão de expandir sua presença no Oriente Médio, com a construção do que considera um dos maiores players de CSB (customer specific antioxidant blends) de antioxidantes do mundo. A fábrica, localizada em Bahrain, entrará em operação no final de 2012, segundo previsões da própria Basf. O mercado, de forma geral, aposta na importância de se produzir antioxidante commoditie localmente. “O custo do transporte é alto, por isso, o produto deve ser fabricado onde tem mercado para consumi-lo”, explica Prada.

Nova oportunidade – O Brasil também receberá investimentos de porte, sobretudo por causa da realização da Copa do Mundo e da Olimpíada. Por isso, atentas a uma nova demanda para os aditivos, algumas empresas vislumbram o aumento das vendas de produtos voltados para a indústria de assentos para os estádios de futebol. Apesar de não ter dados concretos sobre o possível incremento, os fabricantes, cada um à sua maneira, apresentam desenvolvimentos específicos para a aplicação.

A QuantiQ é uma delas. A companhia propaga sua linha de retardantes de chama como ideal para atender às expectativas do mercado. Trata-se do Zuran 484, um aditivo para poliolefinas, fabricado pela asiática Chitec, empresa parceira da QuantiQ há mais de dez anos. Segundo Ricardo Verona, químico responsável pela unidade de negócio BTM da QuantiQ, a divulgação do produto se baseia no oportunismo da ocasião e no aumento da demanda por produtos sem halogênios. “Cada vez mais vejo o compromisso da indústria com a sustentabilidade”, comenta.

Plástico Moderno, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado
Construção de estádios de futebol estimula promoção dos retardantes de chama

A reforma e a construção de estádios também incentivaram a Clariant a investir na oferta de retardantes de chama. Os esforços se concentram na divulgação da Exolit, linha à base de fósforo e livre de halogênios, combinada com os estabilizantes à luz Hostavin. “Temos grandes expectativas, tendo em vista que a norma NBR 15925, utilizada para avaliação dos assentos, exige retardância de chama e estabilização à luz, e nossos produtos atendem ainda à legislação Reach (acrônimo de Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemicals)”, ressalta Ghidetti.

Para a mesma aplicação (nos assentos), a indicação da alemã Basf é o Tinuvin XT 850, um Hals que não interage com ácidos fortes e halogênios. Em outras palavras, o aditivo permite a estabilização do polipropileno, mesmo na presença de antichamas halogenados. “Vejo como uma oportunidade de interesse médio, pois acho que com os novos estádios a demanda aumentará, mas os números não serão muito expressivos”, diz Prada.

Roberta, da Lanxess, tem a mesma opinião. Ou seja, reconhece que os eventos podem elevar as vendas dos retardantes de chama do portfólio da companhia, mas analisa a situação como um negócio isolado. “Você pode puxar uma tendência sim, mas não deixa de ser uma venda spot”, argumenta. Para ela, esse mercado, configurado por um consumo ainda incipiente no Brasil, depende de mais normalização para crescer de forma sustentável.

A companhia dispõe de duas linhas: Disflamoll e Levagard. São produtos base fósforo para aplicações com PVC, PC/ABS, borrachas e derivados de celulose. Livres de halogênio, os aditivos da Lanxess são indicados para espumas rígidas ou flexíveis de PU.

A Songwon também desenvolveu um sistema de aditivação especificamente para atender às exigências das cadeiras de PP e PE dos estádios de futebol. Trata-se de um pacote de estabilizantes à luz. “Esse produto não é novo, mas estamos trabalhando nele para o Brasil em particular, por causa da Olimpíada e da Copa”, finaliza Lapietra.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios