Aditivos e Masterbatches

Aditivos e Cargas – Mercados buscam aumentar eficiência

Antonio Carlos Santomauro
21 de dezembro de 2020
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    “Aditivos minerais” – Na Ecomaster, o volume de negócios poderá este ano elevar-se cerca de 10%, comparativamente a 2019. “Tivemos bom desempenho nos mercados de alimentos e higiene e limpeza, e o setor agro, que demanda bastante anti-UV, seguiu crescendo, isso sem contar com a expansão da demanda por nosso aditivo antimicrobiano”, justifica Pinheiro.

    Mas os negócios da Ecomaster não decorrem apenas de aditivos: a empresa fornece também cargas e até fortaleceu sua presença nesse mercado com a entrada em operação, em abril último, de uma linha que duplicou sua capacidade de produção de cargas, agora de 4 mil toneladas mensais (principalmente de carbonato de cálcio). Mesmo essa produção ampliada, afirma Pinheiro, vem sendo integralmente demandada. “Com a escassez de resina, mesmo quem não usava cargas passou a usar: por exemplo, em sacos valvulados e mesmo em filmes técnicos, para os quais temos versões que impactam menos a transparência”, ele ressalta.

    Plástico Moderno - Mercados com demanda firme buscam aumentar eficiência e qualidade - Aditivos e Cargas ©QD Foto: iStockPhoto

    Silva: carbonatos respondem pela maior parte das vendas

    Porém, dispondo agora de uma vasta gama de minerais e de mais tecnologias para tratá-los, algumas empresas desse mercado atualmente buscam se posicionar como provedoras não mais de cargas, insumos que apenas complementariam, com custo menor, a resina plástica, e sim de “aditivos minerais”. “A redução de custos segue sendo uma característica importantíssima das cargas, mas ao invés de roubar desempenho, como se pensou durante muito tempo, elas podem hoje agregar funcionalidades às aplicações”, justifica Rafael Ramalli da Silva, especialista em polímeros da Imerys.

    Ele referenda essa tese observando que, misturando-se carbonato de cálcio, caulim e sulfato de bário, são obtidas formulações antichamas já usadas em alguns fios e cabos (salientando que nessas misturas não há ingredientes halogenados, família química presente nos antichamas tradicionais, porém atualmente muito questionada). “E estamos trabalhando em produtos para outras aplicações de eletroeletrônicos, nas quais os minerais podem agregar outras funcionalidades, como a resistividade”, ressalta Silva. “Também estão sendo desenvolvidas, com alguns plásticos de engenharia, polimidas, especialmente, aplicações nas quais a wollastonita é utilizada para reforço mecânico em combinação com fibra de vidro curta, por exemplo, em autopeças”, acrescenta.

    Surgiram ainda novas apresentações das cargas mais usuais da indústria do plástico, até mesmo um carbonato de cálcio natural que Silva denomina “engenheirado”, no qual fatores como formato e distribuição granulométrica são trabalhados para conferir a respirabilidade necessária a filmes técnicos utilizados em fraldas descartáveis e em aplicações similares. “Também estamos desenvolvendo soluções para não-tecidos de PP, aos quais os minerais podem agregar características favoráveis tanto no processamento quanto no próprio produto, por exemplo, na estabilidade dimensional da fibra, decorrente da excelente condutibilidade de calor de alguns minerais”, ele complementa.

    Também a Sibelco disponibiliza minerais capazes de conferir funcionalidades específicas: caso da alumina esférica, que por sua capacidade de dissipar calor, é utilizada nos Estados Unidos e na Europa na produção de baterias de veículos elétricos, enquanto a combinação entre os minerais ATH, huntita e borato de cálcio é empregada para combater a propagação de chamas. “No Brasil, devido à ausência de marcos regulatórios, inexistência de fabricantes locais, ou demanda insuficiente, ainda não estão bem estabelecidas, ou encontram-se apenas em estágio inicial, várias aplicações às quais a Sibelco destina minerais funcionais”, observa João Lorenzoni, gerente de marketing Américas da empresa.

    No mercado norte-americano, ele prossegue, cresce hoje em taxas de dois dígitos o uso do mineral nefelina sienita, alternativa a carbonato de cálcio, sílica e talco em aplicações que requeiram índices mais elevados de resistência a intemperismo e abrasão em aplicações para contato indireto com alimentos. “A nefelina sienita, que comercializamos com a marca HiFill N, ainda é pouco conhecida dos formuladores e processadores de plásticos, mas acreditamos que em alguns anos haverá forte demanda por ela também no mercado nacional”, projeta Lorenzoni.

    Plástico Moderno - Mercados com demanda firme buscam aumentar eficiência e qualidade - Aditivos e Cargas ©QD Foto: iStockPhoto

    Graziani: minerais funcionais expandem aplicação das cargas

    Na verdade, já começa a haver no Brasil alguns desenvolvimentos de produtos com nefelita sienita, comenta Marcelo Graziani, gerente comercial da Sibelco na América Sul. “Aposto em seu uso mais intenso nas embalagens de alimentos, às quais esse mineral confere, além da transparência, um aspecto muito mais atraente”, destaca Graziani.

    Ele considera os minerais funcionais fundamentais para a expansão da indústria de cargas. “As demais cargas têm usos importantes, mas são mais commodities, seu crescimento agora deverá ser mais orgânico”, ressalta o profissional da Sibelco, empresa que no Brasil produz carbonato de cálcio precipitado e que traz para cá, de operações em outros países, um portfólio bem diversificado de minerais utilizados em plásticos e elastômeros, como ATH, huntita e borato de cálcio (retardantes de chamas); cristobalita, nefelina sienita e sílica microcristalina (aditivos antibloqueio), alumina esférica (para dissipação de calor); modificadores de propriedades físicas, químicas e mecânicas, como nefelina sienita, sulfato de bário e caulim.

    De acordo com Graziani, 2020 foi um ano marcado pela volatilidade de demanda e por incertezas no mercado brasileiro de cargas. “Esperamos que 2021 seja um pouco mais estável, com um crescimento superior ao do PIB no mercado de cargas minerais, pois alguns setores – embalagens, por exemplo – devem continuar com demanda elevada”, prevê.

    A Imerys mantém 35 minerais em seu portfolio; mas seus grandes volumes de vendas ainda decorrem do carbonato de cálcio natural, muito utilizado em tubos, e perfis principalmente de PVC, mas também de PE. “Também vendemos bem o carbonato cretáceo utilizado em tubos, o carbonato precipitado e o caulim”, detalha Silva.

    Segundo ele, a partir de junho a demanda pelos produtos da empresa apontou forte reaquecimento, especialmente puxado pela construção civil, e desde então a operação brasileira da Imerys passou a bater recordes de produção e de vendas. “No total do ano, deveremos manter o mesmo volume de negócios de 2019, talvez até crescer um pouco”, finaliza o profissional da Imerys.



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