Aditivos e Cargas – Mercados buscam aumentar eficiência

Plástico Moderno - Mercados com demanda firme buscam aumentar eficiência e qualidade - Aditivos e Cargas ©QD Foto: iStockPhoto

Mercados com demanda firme buscam aumentar eficiência e qualidade – Aditivos e Cargas

A conjuntura cambial encareceu sobremaneira as matérias-primas para a produção de aditivos e cargas para plásticos. Mercados importantes para suas vendas, a exemplo do setor automobilístico, embora já em recuperação, ainda compram menos que no ano passado. Mas a manutenção em patamares elevados da demanda proveniente da indústria de bens de consumo não duráveis, do agronegócio e, mais recentemente, também da construção civil vem garantindo aos fornecedores de aditivos e cargas a obtenção de níveis bastante expressivos de produção e de comercialização. Alguns até anunciam recordes de vendas e vários creem que nem mesmo a pandemia impedirá a realização, no total deste ano, de um volume de negócios superior ao de 2019.

Por enquanto, é impossível garantir a manutenção desse cenário também em 2021, mas qualquer que seja a conjuntura do próximo ano os fabricantes de aditivos e cargas poderão enfrentá-la apoiados na crescente descoberta de novas possibilidades de usos de seus portfólios. Que, aliás, eles seguem reforçando com mais produtos que tanto agregam funcionalidades diferenciadas às aplicações de plásticos, quanto reduzem custos e elevam a produtividade dos processos de transformação, além de vinculá-las melhor aos preceitos da sustentabilidade.

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Brandão: argila nanométrica melhora barreira dos filmes

A Byk, por exemplo, começa a oferecer no Brasil as argilas nanométricas Cloisite, capazes, entre outras coisas, de elevar a barreira a gases e vapor d’água de embalagens alimentícias. “PE e PP naturalmente conferem boa barreira contra vapor d’água que, em filmes, essas argilas aumentam em cerca de 15%, além de elevar em 30% a barreira ao oxigênio”, destaca José Brandão, gerente regional América Latina de aditivos para plásticos da empresa.

Em outros países, destaca Brandão, a linha Cloisite já é utilizada em embalagens de alimentos; e existem desenvolvimentos para seu emprego também em embalagens feitas de plásticos de engenharia, como as poliamidas, que requerem maior barreira a solventes orgânicos, por exemplo, nos tanques de armazenamento de combustíveis.

Recentemente, a mesma Byk começou a disponibilizar também um “hiperdispersante” que segundo informações da empresa permite elevar em cinco ou seis vezes a adição de carga em PVC termoplástico, sem perda de processabilidade ou de propriedades mecânicas. “É um produto muito interessante para pisos de PVC, conhecidos como LVT, pois o maior teor de carga reduz o custo”, enfatiza Brandão.

Distribuída no Brasil com exclusividade pela Colormix, a Byk tem ainda em seu portfolio de aditivos para plásticos as linhas Byk-Max – composta por produtos anti-UV, nucleantes, antiestásticos e deslizantes, entre outros itens – e Recyclobyk, com produtos para aumentar a qualidade de reciclados, além de soluções para umectação, dispersão de pigmentos, fibras e cargas, acoplantes, compatibilizantes, entre vários outros itens.

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Fardo desenvolve aditivos para aplicação em resinas recicladas

Por sua vez, a Colorfix está lançando uma linha de aditivos formulados com resinas recicladas pós-consumo (PCR), focada tanto em transformadores que privilegiam a sustentabilidade quanto em quem já usa resina PCR. Alvejante, antioxidante, nucleante e auxiliar de fluxo são alguns dos itens dessa linha, já disponível para PET e para poliolefinas. “Esse lançamento integra um projeto global de sustentabilidade que estamos implantando este ano”, enfatiza Francielo Fardo, superintendente da Colorfix.

Comercializada com a marca Fix, a linha de aditivos da Colorfix tem hoje mais de vinte produtos; entre eles, Fardo cita aqueles que agregam alguma propriedade à peça transformada, como o PrintFix e o Flamefix – respectivamente, para marcação a laser e retardamento de chamas –, e o ProcessFix HP, que age no comportamento de cristalização do PP, melhorando suas propriedades ópticas e reduzindo tempo de ciclo. “Já o SeloFix é um selante que, em parada de máquina, protege a resistência térmica da resina, impedindo sua degradação, agilizando a retomada de processo e diminuindo o consumo de matéria-prima para limpeza de máquina”, destaca.

Oportunidades na pandemia – Assim como massificou a demanda por produtos antes de uso muito restrito, como o álcool em gel e as máscaras faciais, a Covid-19 também alavancou as vendas de um antimicrobiano que a Ecomaster anuncia ser eficaz no combate ao Sars-CoV-2 (o vírus causador da pandemia) e passou a ser utilizado em aplicações como sacos de lixo e filmes para envolver puxadores de carrinhos de supermercados “Talvez a demanda por esse produto não se mantenha sempre tão intensa, mas certamente permanecerá em patamares superiores aos de antes da pandemia”, prevê Pablo Pinheiro, diretor comercial da Ecomaster, empresa cujo portfólio inclui deslizantes, anti-UV, antiestáticos e antiodor, entre outros aditivos comercializados com a marca Eco.

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Pinheiro: escassez de resinas fez mercado usar mais cargas

Por esfriar a demanda em alguns mercados, a pandemia, observa Marcelo Lopes, gerente comercial da Colortrade, também permitiu, ao menos temporariamente, a realização de uma quantidade maior de testes e desenvolvimentos para novos usos de aditivos. Por meio de um desses testes, uma empresa do setor de construção civil passará a consumir grandes volumes do anticolapsante Atmer 1013VA, fabricado pela Croda e distribuído pela Colortrade. “Esse anticolapsante provou ser uma excelente opção para reduzir custos nos processos de expansão do EPE (polietileno expandido)”, afirma Lopes.

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Lopes: setor agro procura mais pelos aditivos anti-UV
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Ramos: BBC reforça portfólio para compostos de PVC rígido
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Atualmente, a Colortrade comercializa aditivos da chinesa Rianlon, que lhe fornece produtos como anti-UV e antioxidante, e também da Croda, da qual recebe aditivos à base de amida: deslizantes, antibloqueio, desmoldante, antiestáticos, antifogging e alguns tensoativos, entre outros. “Os itens mais demandados são os anti-UV da linha Riasorb e os antioxidantes Rianox, que atuam em sinergia, muito utilizados no mercado agro e no setor automotivo”, especifica Lopes.

A BBC, fabricante de aditivos para PVC cuja presença é por enquanto mais intensa nas aplicações flexíveis, quer se expandir também em outros segmentos de mercado: “Possivelmente no segundo semestre de 2021, teremos mais produtos voltados para compostos de PVC rígidos”, adianta José Antonio Ramos da Silva, diretor da BBC.

No mercado dos plastificantes, cuja função é conferir flexibilidade ao PVC, a BBC atua apenas com produtos provenientes de óleos vegetais que, de acordo com Silva, já concorrem em escala muito massiva com os tradicionais plastificantes ftálicos, de origem petroquímica. “Cerca de 50% do mercado brasileiro de plastificantes já é ocupado pelos produtos de origem vegetal”, estima o diretor da BBC.

Vendas em alta – Acompanhando um movimento comum a vários elos da cadeia do plástico, a partir do segundo semestre, o mercado brasileiro de aditivos começou a recuperar as perdas ocorridas no auge da pandemia e a atingir volumes de comercialização capazes de justificar a previsão, no decorrer deste ano, de montantes de vendas superiores aos de 2019.

A BBC, por exemplo, deve este ano registrar vendas quase 12% maiores que as de 2019, projeta Silva. “De julho em diante, cresceram os negócios principalmente com os mercados de filmes alimentícios, calçados, fios e cabos”, detalha.

Na Colotrade, a perspectiva é de obtenção, neste segundo semestre, de um total de negócios 15% superior ao do mesmo período do ano passado. “Todos os mercados voltaram a se aquecer, inclusive a indústria automobilística, que até prepara lançamentos. O setor agro deve crescer ainda mais, e seguem avançando também as vendas para a indústria de embalagens”, salienta Lopes.

Brandão, da BYK, fala em “mercado bem aquecido”, com boa demanda por parte da indústria de embalagens, hoje interessada em soluções que proporcionem barreira a gases, vapor d’água, gorduras e solventes orgânicos, e também na plasticultura, na reciclagem e mais recentemente na construção civil. “A demanda da indústria automobilística vem se recuperando mês a mês, mas ainda está retraída se comparada a 2019. E as exportações continuam se favorecendo com a taxa cambial vigente”, explica. “Devido à elevação de consumo nos meses mais recentes, somando todos os mercados, este ano poderemos realizar no Brasil um volume de vendas similar ao de 2019, talvez até um pouco superior”, prevê o profissional da Byk.

“Aditivos minerais” – Na Ecomaster, o volume de negócios poderá este ano elevar-se cerca de 10%, comparativamente a 2019. “Tivemos bom desempenho nos mercados de alimentos e higiene e limpeza, e o setor agro, que demanda bastante anti-UV, seguiu crescendo, isso sem contar com a expansão da demanda por nosso aditivo antimicrobiano”, justifica Pinheiro.

Mas os negócios da Ecomaster não decorrem apenas de aditivos: a empresa fornece também cargas e até fortaleceu sua presença nesse mercado com a entrada em operação, em abril último, de uma linha que duplicou sua capacidade de produção de cargas, agora de 4 mil toneladas mensais (principalmente de carbonato de cálcio). Mesmo essa produção ampliada, afirma Pinheiro, vem sendo integralmente demandada. “Com a escassez de resina, mesmo quem não usava cargas passou a usar: por exemplo, em sacos valvulados e mesmo em filmes técnicos, para os quais temos versões que impactam menos a transparência”, ele ressalta.

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Silva: carbonatos respondem pela maior parte das vendas

Porém, dispondo agora de uma vasta gama de minerais e de mais tecnologias para tratá-los, algumas empresas desse mercado atualmente buscam se posicionar como provedoras não mais de cargas, insumos que apenas complementariam, com custo menor, a resina plástica, e sim de “aditivos minerais”. “A redução de custos segue sendo uma característica importantíssima das cargas, mas ao invés de roubar desempenho, como se pensou durante muito tempo, elas podem hoje agregar funcionalidades às aplicações”, justifica Rafael Ramalli da Silva, especialista em polímeros da Imerys.

Ele referenda essa tese observando que, misturando-se carbonato de cálcio, caulim e sulfato de bário, são obtidas formulações antichamas já usadas em alguns fios e cabos (salientando que nessas misturas não há ingredientes halogenados, família química presente nos antichamas tradicionais, porém atualmente muito questionada). “E estamos trabalhando em produtos para outras aplicações de eletroeletrônicos, nas quais os minerais podem agregar outras funcionalidades, como a resistividade”, ressalta Silva. “Também estão sendo desenvolvidas, com alguns plásticos de engenharia, polimidas, especialmente, aplicações nas quais a wollastonita é utilizada para reforço mecânico em combinação com fibra de vidro curta, por exemplo, em autopeças”, acrescenta.

Surgiram ainda novas apresentações das cargas mais usuais da indústria do plástico, até mesmo um carbonato de cálcio natural que Silva denomina “engenheirado”, no qual fatores como formato e distribuição granulométrica são trabalhados para conferir a respirabilidade necessária a filmes técnicos utilizados em fraldas descartáveis e em aplicações similares. “Também estamos desenvolvendo soluções para não-tecidos de PP, aos quais os minerais podem agregar características favoráveis tanto no processamento quanto no próprio produto, por exemplo, na estabilidade dimensional da fibra, decorrente da excelente condutibilidade de calor de alguns minerais”, ele complementa.

Também a Sibelco disponibiliza minerais capazes de conferir funcionalidades específicas: caso da alumina esférica, que por sua capacidade de dissipar calor, é utilizada nos Estados Unidos e na Europa na produção de baterias de veículos elétricos, enquanto a combinação entre os minerais ATH, huntita e borato de cálcio é empregada para combater a propagação de chamas. “No Brasil, devido à ausência de marcos regulatórios, inexistência de fabricantes locais, ou demanda insuficiente, ainda não estão bem estabelecidas, ou encontram-se apenas em estágio inicial, várias aplicações às quais a Sibelco destina minerais funcionais”, observa João Lorenzoni, gerente de marketing Américas da empresa.

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No mercado norte-americano, ele prossegue, cresce hoje em taxas de dois dígitos o uso do mineral nefelina sienita, alternativa a carbonato de cálcio, sílica e talco em aplicações que requeiram índices mais elevados de resistência a intemperismo e abrasão em aplicações para contato indireto com alimentos. “A nefelina sienita, que comercializamos com a marca HiFill N, ainda é pouco conhecida dos formuladores e processadores de plásticos, mas acreditamos que em alguns anos haverá forte demanda por ela também no mercado nacional”, projeta Lorenzoni.

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Graziani: minerais funcionais expandem aplicação das cargas

Na verdade, já começa a haver no Brasil alguns desenvolvimentos de produtos com nefelita sienita, comenta Marcelo Graziani, gerente comercial da Sibelco na América Sul. “Aposto em seu uso mais intenso nas embalagens de alimentos, às quais esse mineral confere, além da transparência, um aspecto muito mais atraente”, destaca Graziani.

Ele considera os minerais funcionais fundamentais para a expansão da indústria de cargas. “As demais cargas têm usos importantes, mas são mais commodities, seu crescimento agora deverá ser mais orgânico”, ressalta o profissional da Sibelco, empresa que no Brasil produz carbonato de cálcio precipitado e que traz para cá, de operações em outros países, um portfólio bem diversificado de minerais utilizados em plásticos e elastômeros, como ATH, huntita e borato de cálcio (retardantes de chamas); cristobalita, nefelina sienita e sílica microcristalina (aditivos antibloqueio), alumina esférica (para dissipação de calor); modificadores de propriedades físicas, químicas e mecânicas, como nefelina sienita, sulfato de bário e caulim.

De acordo com Graziani, 2020 foi um ano marcado pela volatilidade de demanda e por incertezas no mercado brasileiro de cargas. “Esperamos que 2021 seja um pouco mais estável, com um crescimento superior ao do PIB no mercado de cargas minerais, pois alguns setores – embalagens, por exemplo – devem continuar com demanda elevada”, prevê.

A Imerys mantém 35 minerais em seu portfolio; mas seus grandes volumes de vendas ainda decorrem do carbonato de cálcio natural, muito utilizado em tubos, e perfis principalmente de PVC, mas também de PE. “Também vendemos bem o carbonato cretáceo utilizado em tubos, o carbonato precipitado e o caulim”, detalha Silva.

Segundo ele, a partir de junho a demanda pelos produtos da empresa apontou forte reaquecimento, especialmente puxado pela construção civil, e desde então a operação brasileira da Imerys passou a bater recordes de produção e de vendas. “No total do ano, deveremos manter o mesmo volume de negócios de 2019, talvez até crescer um pouco”, finaliza o profissional da Imerys.

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