Aditivos: Consumo de moléculas com alto rendimento deslancha

Plástico Moderno, Aditivos: Consumo de moléculas com alto rendimento deslancha
O mercado de aditivos se direciona para a especialização das moléculas. Apesar de produtos considerados commodities ainda ocuparem a maior fatia da demanda, grande parte dos novos investimentos foca formulações de alto valor agregado. Caracterizada por poucos produtores locais, esta indústria sofreu mudanças nos últimos anos, e reflete essas novas diretrizes em seus desenvolvimentos. O avanço tecnológico dos polímeros e das máquinas de transformação do plástico não só impulsionou como também abriu o setor para o binômio eficiência das moléculas e práticas sustentáveis e seguras.

Plástico Moderno, Para Ghidetti, setor agrícola tem impulsionado os negócios
Para Ghidetti, setor agrícola tem impulsionado os negócios

“A avaliação que fazemos é a de uma demanda cada vez maior por especialidades”, resume Paulo Ghidetti, coordenador técnico da BU Additives para a América Latina da Clariant. A nova ordem do mercado tem sido esta. Os investidores perceberam a necessidade de aplicar seus recursos em produtos diferenciados, pelo menos no que diz respeito a alguns setores, como o agrícola, voraz consumidor deste tipo de solução.

Por conta desse cenário, a suíça Clariant aposta suas fichas em produtos com características especiais. A linha Hostavin Now, composta de estabilizantes à luz, é a menina dos olhos da vez. Lançado globalmente no início deste ano, o produto foi criado com a proposta de apresentar um desempenho superior aos outros da mesma categoria. Trata-se de uma formulação baseada em amino éter, que foi desenvolvida para ser aplicada aos filmes agrícolas. “O mercado de aditivos está se aprimorando cada vez mais para atender às necessidades por produtos com alto rendimento, e o setor agrícola, a cada ano, precisa atender ao aumento crescente da demanda de alimentos”, diz Ghidetti.

Presente em toda a América Latina, “com total aceitação”, segundo o executivo, a linha Hostavin Now foi criada com a proposta de, quando incorporada aos filmes agrícolas, proporcionar maior tempo de duração e conferir alta resistência ao ataque químico. “É um produto de fácil incorporação e dispersão durante seu processamento”, afirma Ghidetti. Entre os benefícios estão ainda a alta compatibilidade com a resina e a melhor distribuição, além da isenção de propriedades organolépticas (como odor) no processamento.

Outra forte demanda percebida pela Clariant responde pela categoria de ceras lubrificantes. Por isso, a companhia apresentou como novidade sua linha de produtos de alto desempenho feitos com matérias-primas de fonte renovável. A cera Licocare SBW11 se destaca. Utilizada no processamento de PVC, ela é produzida com óleo de soja e modificada quimicamente.

Os investimentos no setor vão além. A Clariant anunciou recentemente a instalação de novos equipamentos de micronização em sua unidade de Gersthofen, na Alemanha. A ideia é expandir a produção e tornar a planta de ceras micronizadas uma das maiores do mundo.

Plástico Moderno, Angela: competitivo, mercado anseia por produtos especiais
Angela: competitivo, mercado anseia por produtos especiais

Foco na especialidade – “O mercado nacional de aditivos de plásticos tem mostrado intenso avanço. Novas tecnologias e novas necessidades impulsionam o setor”, comenta Angela Baccarin, vendedora técnica da unidade de negócios Functional Chemicals (FCC) da Lanxess. É isso mesmo. Em outras palavras, pode-se dizer que os profissionais, pelo menos do segmento de plastificantes, vislumbram o aumento do consumo dos aditivos livres de ftalatos. Este é um mercado em formação que, apesar de ainda se caracterizar por volumes incipientes, tem crescido em âmbito global e até mesmo por aqui.

A companhia possui em seu portfólio aditivos como retardantes de chamas, agentes expansores, plastificantes, modificadores, promotores de adesão e especialidades, mas, em razão dos rumos atuais do setor, destaca, não por acaso, as marcas de aditivos livres de ftalato Mesamoll e Unimoll AGF. “São os nossos carros-chefes da unidade FCC”, diz Angela. O Mesamoll é um plastificante universal éster fenil-alquilsulfônico. Trata-se da molécula mais antiga da linha, com característica de gelificação mais rápida do que a de outros aditivos a temperaturas de processamento mais baixas, segundo o fabricante.

O Unimoll AGF, por sua vez, é um plastificante produzido apenas com matérias-primas renováveis. Trata-se de uma molécula cuja composição conta com glicerol e ácidos graxos, com propriedades muito próximas às do dioctiladipato (DOA). O produto, que já conta com a aprovação dos órgãos regulatórios, pode ser utilizado na produção de filmes estiráveis de PVC e em brinquedos, justamente por ser permitido para fins alimentícios em diversos países, entre eles o Brasil. “É bastante empregado em aplicações que terão contato com alimentos, como embalagens e periféricos da indústria de alimentos, tais como mangueiras e esteiras transportadoras”, comenta a vendedora. Ambos os plastificantes são fabricados na Alemanha.

Em prol da oferta de segurança, os fabricantes investiram e desenvolveram produtos mais técnicos e com melhor desempenho. O Mesamoll, segundo Angela, é um exemplo que ilustra a oferta por produtos seguros, sem perder a eficiência. A companhia investiu na reformulação do seu tradicional plastificante Mesamoll. O resultado se observou no surgimento do Mesamoll II. Eles são substitutos diretos dos plastificantes ftálicos.

De acordo com ela, os investimentos têm um propósito: o setor será cada vez mais agressivo e competitivo, mas ainda com bastante espaço para crescimento. “O aumento da fiscalização e a maturidade de alguns segmentos pode impulsionar significativamente o mercado de aditivos especiais”, conclui. Até por conta dessa expectativa, a empresa tem planos de verticalizar a produção do Mesamoll e de aumentar a fabricação do Unimoll. Ainda não há nada de concreto, porém são projetos em andamento, avisa Angela. Coincidência ou não, a área mais significativa para a companhia, considerando-se a divisão de negócios FCC, é a de plastificantes.

Segundo estimativas, o mercado de plastificantes no mundo é de 6 milhões de toneladas/ano, dos quais as fórmulas base ftalato representam a maior fatia: 87% do total. As indústrias do PVC e de borracha são as que mais consomem os plastificantes livres de ftalatos. Na Lanxess, os segmentos dos calçados e de embalagens alimentícias têm liderado o consumo.

Produção asiática – Nem mesmo a coreana Songwon, considerada uma representante de peso em território nacional da produção asiática de antioxidantes, contentou-se com a posição entre as commodities. Essa categoria, que se configura como um mercado pouco dinâmico, não traz em seu DNA uma forte vocação à criação de novas formulações. Até por isso, a fabricante, que tem essa linha de aditivo como a sua campeã de vendas, vislumbra agora o segmento de estabilizantes à luz como expoente de seu portfólio.

Plástico Moderno, Segundo Lapietra, sistemas de estabilização à luz estão em alta
Segundo Lapietra, sistemas de estabilização à luz estão em alta

Para Rodinei Lapietra Junior, diretor da Pack 7 Additives, o consumo dos agentes estabilizantes vem crescendo, principalmente os do tipo Hals (Hindered Amine Light Stabilizers). A saber, a Pack 7, na área de aditivação de polímeros, é representante direta e exclusiva da multinacional Chemson na comercialização de pacotes de aditivos, e responde pela distribuição também exclusiva no Brasil da Nexo International, que, por sua vez, distribui os produtos da Songwon e da Fine Organics para todo o Mercosul.

Para entender este cenário, vale uma pincelada na história recente dos antioxidantes. Quando as patentes das marcas Irganox e Irgafox, introduzidas no mercado globalmente pela Ciba (hoje Basf), começaram a cair, a Songwon foi a primeira empresa a produzir estes famosos antioxidantes em grande escala. Desde então, os investimentos foram sucessivos, mas no Brasil sua visibilidade despontou somente em 2008, ano em que passou a atuar sem intermediários na comercialização de sua linha de antioxidantes no Ocidente (antes tinha um acordo com a Clariant, responsável por essa operação).

Para Lapietra, mais do que a estratégia adotada, a sua rápida ascensão no Brasil se deu por conta da verticalização das unidades da Songwon, e a vantagem de suas plantas, localizadas em Ulsan e Maeam, serem novas.

O fato é que, no caso dos aditivos mais comuns, como os antioxidantes, a indústria global está migrando para a Ásia, onde os enormes volumes de produção tornam muito atraentes tanto a atuação local quanto a exportação. O crescimento do consumo deste tipo de aditivo no mundo é estimado em torno de 7% ao ano. A Ásia detém a dianteira nessa arrancada. A demanda chinesa, por exemplo, avança entre 8% e 10% ao ano, segundo dados prospectados por fabricantes.

“Nosso market share vem aumentando no que diz respeito à venda de antioxidantes”, comentou Lapietra. Mas esta situação aparentemente confortável não bastou. O interesse atual da companhia é a indústria de estabilização à luz. “Queremos aumentar nossa participação neste segmento”, avisa. Por isso, a Songwon fez um acordo estratégico com a italiana Sabo (segunda maior fabricante mundial dessa classe de aditivos). Hoje a companhia comercializa com exclusividade produtos da linha Sabostab, como: Sabostab UV 62, Sabostab UV 65, Sabostab UV 70, Sabostab UV 78, Sabostab UV 91, Sabostab UV 94 e Sabostab UV 119. Em tempo, todos são fabricados na Europa, de forma verticalizada.

Estabilização em alta – O rumo dos negócios está mudando, sim. Após uma certa retração do mercado em 2012, o consumo de aditivos de estabilizantes e absorvedores de UV voltou a crescer, alavancado pelo setor automobilístico e pelo aumento da demanda por estabilização de resinas para rotomoldagem e para filmes de plasticultura/cultivo protegido. Até por isso, a Cytec lança na feira alemã K deste ano uma novidade para a indústria de filmes agrícolas (aditivo com ultra-alta resistência a agroquímicos), e outra para a estabilização de compostos de PP para a indústria automotiva. Hoje, os aditivos direcionados aos setores agrícolas, de rotomoldagem e automotivo correspondem a mais de 50% do volume global de vendas da Cytec.

Ao que parece, o mercado tem respondido bem à ampla oferta de produtos especiais. Do portfólio, a linha Cyasorb Cynergy Solution tem estado na berlinda. A sua forma de apresentação se baseia na tecnologia skin technology, com a qual os aditivos são envolvidos por uma pele constituída de um poliolefínico. “Esta linha vem sendo introduzida no mercado nos últimos dois anos e vem crescendo no conceito e em uso”, comenta Cássio Martins, gerente da área de polímeros da Cytec. Um produto importante para a fabricante é o Cyasorb Cynergy Solution R333, desenvolvido para estabilização de resina de rotomoldagem. O aditivo promete uma redução de ciclo em até 20%, dependendo das características da resina em questão.

Hoje, os antioxidantes representam no máximo 20% do faturamento global da Cytec – em seu passado recente, a parcela era maior. Isso porque o foco da companhia agora é outro. “Todos os últimos lançamentos da empresa se destinam à estabilização UV, embora alguns desses produtos – os direcionados a aplicações específicas – incorporem os antioxidantes”, comenta Martins.

As estratégias voltadas para as especialidades têm surtido bons resultados. As vendas de aditivos nos últimos cinco anos têm aumentado globalmente. No Brasil, o faturamento tende a avançar em torno de 20%. É esta a expectativa.

Retardantes – Outro setor que traz desenhos de uma nova configuração é o de retardantes de chama. A ideia de incorporar ao plástico uma substância química capaz de retardar a ignição, diminuir a velocidade de queima e a emissão de fumaça dos materiais sempre figurou mais como promessa do que uma realidade na indústria nacional. Mas o enredo está mudando. Fato recente envolvendo o incêndio de grandes proporções (foram 242 mortes) no Rio Grande do Sul, na boate Kiss, de alguma maneira, trouxe o tema à luz.

E a indústria respondeu à altura, apesar de as barreiras financeiras e a legislação falha ainda serem consideradas vilãs. “Há bastante a ser explorado e melhorado neste sentido”, diz Angela. A Lanxess dispõe de duas linhas para atender o segmento de retardantes à chama. São o Diflamoll e o Levagard, produtos base fósforo para aplicações de PVC, PC/ABS, borrachas e derivados de celulose. Livres de halogênio, os aditivos são indicados para espumas rígidas e flexíveis de PU, além de outras aplicações. Existem halogenados e não halogenados na linha de retardantes da Lanxess.

As perspectivas, de forma geral, são animadoras. “Acreditamos que possam ocorrer mudanças na legislação que venham a incentivar o uso de produtos de alta eficiência, atóxicos e ecologicamente corretos”, confirma Ghidetti. Aliás, se não fosse assim, a Clariant não estaria investindo no segmento. A companhia acaba de apresentar uma linha feita sob medida para aplicações exigentes. Trata-se de formulações sinérgicas entre o Exolit OP 1400 (para poliamidas) e o Exolit OP 1260 (para poliésteres). Segundo a fabricante, o Exolit OP 1400 proporciona uma maior estabilidade térmica às poliamidas. Dessa forma, torna-se especialmente adequado para temperaturas de processamento elevadas. A mistura sinérgica vem com a proposta de fornecer uma nova solução de retardância à chama para os fabricantes que desejam utilizar polibutileno tereftalato (PBT) livre de halogênio. O produto é indicado às OEMs.

Não por acaso, entre os produtos com maior demanda atual, a Clariant destaca os retardantes de chama livres de halogênios e de metais pesados. A divisão de aditivos da Clariant possui a linha Exolit AP para uso em poliolefinas e a linha Exolit OP para aplicação em plásticos de engenharia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios