Economia

Aditivos adicionam qualidade e valor às resinas recicladas

Antonio Carlos Santomauro
17 de junho de 2020
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    Mais benefício que custo – Aditivos elevam o custo de uma resina reciclada, mas o retorno desse aporte é garantido, afirma Barbosa, da Cromex. “Muitas resinas recicladas hoje têm valor igual, ou até superior, ao de resinas virgens e mesmo assim elas são demandadas, pois além de terem bom desempenho garantido pelos aditivos elas atendem melhor aos preceitos da sustentabilidade”, pondera Barbosa.

    Thays, da Colorfix, lembra serem baixos – geralmente na faixa entre 1% e 5% – os percentuais de aplicação de aditivos. Mesmo assim, é interessante realizar uma avaliação que considere tanto seu impacto no custo final quanto as melhorias promovidas por eles no processo e/ou no produto final. “Em uma aplicação mais simples, sacolinhas de PE, por exemplo, talvez não seja interessante utilizar um aditivo”, observa. “Mas empresas que usam plástico reciclado com o propósito da sustentabilidade querem resina reciclada com bom desempenho, e não se orientam apenas por preço”, acrescenta.

    A qualidade do reciclado – As resinas mais transformadas, como PE, PP, PET, são também aquelas recicladas em maior escala. Mas já há no mercado nacional demanda por aditivos destinados à reciclagem de outros plásticos.

    No Brasil, diz Brandão, da BYK, há bom potencial de demanda por produtos da linha Scona dedicados à melhoria de impacto na reciclagem de resinas como PA, PET, ABS, PC ou de blendas de ABS/PC. “Para reduzir custos, há quem misture PC reciclado nas blendas de ABS, e use modificador de impacto e compatibilizante para melhorar a resistência. Mas também se recicla o próprio ABS, adicionando aditivo para melhorar a resistência a impacto”, explica.

    Produtos Scona também vêm sendo demandados para viabilizar o processamento de resíduos de poliamidas com retardantes de chama e reforço de fibra que sem eles seriam muito mais difíceis de processar, além de se tornarem quebradiços (poliamidas com retardantes de chama e reforço de fibra são utilizadas em autopeças instaladas no compartimento do motor de veículos, na indústria aeronáutica, em máquinas agrícolas, em transformadores, motores e geradores, entre outras aplicações). “Também vínhamos vendendo bem dispersantes para pigmentos orgânicos, pois cresce o uso de resinas recicladas, combinadas com resinas virgens, em masterbatches coloridos, principalmente para aplicação em filmes e fibras”, diz. “E desenvolvemos produtos Scona para facilitar o processamento e compatibilizar a reciclagem de resíduos de PET com PC. O PC está escasso e o PET entraria para alcançar o volume requerido pelo mercado”, ressalta Brandão.

    Ele considera difícil prever o comportamento do mercado após o final da crise provocada pelo coronavírus. “Antes dessa crise, vinha crescendo no Brasil a demanda por aditivos para reciclagem”, afirma o profissional da BYK.

    Plástico Moderno - Embalagem de granola já foi fabricada com aditivos que auxiliam reciclagem posterior ©QD Foto: Divulgação

    Barbosa, da Cromex, crê na retomada da expansão dessa demanda. “A reciclagem é um caminho sem volta e os aditivos melhoram bastante a qualidade da resina reciclada. O extensor de cadeia, por exemplo, permite usar mais flake de PET no processo de reciclagem, enquanto o antioxidante preserva muito mais as características das resinas”, destaca.

    Lopes, da Colortrade, ressalta que, por razões culturais, resinas recicladas ainda são percebidas como alternativas de baixo custo, que nem precisam conter valor agregado. “Mas essa é uma visão errada, elas podem muito bem atender a necessidades exigentes, com o custo gerado pela aditivação se transformando em vantagem mercadológica”, ressalta. “Vem crescendo o uso de resinas pelos recicladores. Eles sabem que já têm uma vantagem, o custo, e alguns deles estão agora partindo para especialidades”, finaliza Lopes.



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