Adesivos para laminação evoluem e oferecem melhor desempenho

Adesivos proporcionam melhor desempenho técnico e ambiental aos usuários

Ao longo dos anos, os adesivos para laminação de plásticos evoluíram em diversos aspectos. O foco já esteve na versatilidade e no alto desempenho, assim como na segurança. Sem descartar, obviamente, nenhum destes atributos, hoje, a indústria prioriza a sustentabilidade.

Em linha com os avanços das embalagens e sua inserção na economia circular, os novos desenvolvimentos se pautam em soluções de fácil reciclabilidade e de baixo impacto ambiental. Neste momento, praticamente todos os projetos de desenhos de novas embalagens ou modificações dos modelos já existentes passam pelo tópico sustentabilidade.

Laminação: Adesivos evoluem e oferecem melhor desempenho técnico e ambiental aos usuários ©QD Foto: iStockPhoto
Cipro: soluções de base água ampliam posição de mercado

“Não é possível focar apenas nos filmes plásticos, principais participantes da embalagem, e deixar tintas e adesivos de fora da discussão, pois estes têm muito a contribuir”, afirma Mateus Cipro, TS&D Scientist – Technology Leader for Synergies at The Dow Chemical Company.

Segundo ele, pensando na economia circular, o filme laminado plástico deve ser visto como um todo e o adesivo, por menor que seja sua participação na embalagem, precisa colaborar para propiciar um material que gere baixo impacto ambiental.

De acordo com Diego Ezequiel, gerente de vendas da Henkel, nesse contexto, os maiores desafios do mercado de adesivos para laminação dos plásticos, atualmente, se referem à criação de soluções que possibilitem aos clientes focarem no desenvolvimento de suas embalagens, de forma que se encaixem na economia circular.

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Ezequiel: circularidade das embalagens norteia inovações

“Temos, por exemplo, entregue soluções aos clientes diminuindo a pegada de carbono e mantendo a reciclabilidade de embalagens monomaterial”, afirma Ezequiel.

De fato, os investimentos direcionados às embalagens em desenvolvimento se voltam, cada vez mais, à preservação do meio ambiente, uma vez que as empresas estão adotando metas públicas agressivas em relação ao tema. “Os adesivos de laminação se encontram nesse mesmo cenário”, pontua Ana Elisa Barbosa, gerente de suporte técnico de Dispersões, Aditivos e Resinas para embalagens da Basf.

Ela afirma, aliás, que os adesivos produzidos pela companhia estão possibilitando a reciclabilidade dos materiais da embalagem, além de aumentar a facilidade das aplicações de impressão digital. Não por acaso, um destaque do portfólio fica por conta do Epotal BLX. Esse adesivo permite embalagens mecanicamente recicláveis em soluções alcalinas. Além disso, oferece uma tecnologia inovadora de barreira de oxigênio para vários filmes poliolefínicos.

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Ana Elisa: adesivo forma uma barreira ao oxigênio em filmes

“A química especialmente desenvolvida fornece uma excelente barreira ao oxigênio mesmo em alta umidade e ajuda a atender aos rigorosos requisitos para embalagens flexíveis”, completa Ana.

Edson Quevedo, diretor-comercial de Embalagens Flexíveis da H.B. Fuller América Latina, por sua vez, informa que a demanda por adesivos que não prejudiquem a reciclagem mecânica tem crescido. Ele conta que esse movimento traduz o aumento da consciência do mercado em relação à circularidade. “Percebemos um considerável interesse em adesivos sem solventes e sustentáveis”, comenta.

Este tipo de procura tende a seguir em alta. Quevedo prevê que haverá maior ênfase na utilização de recursos renováveis nas formulações. Outra tendência será a segurança em relação à migração de substâncias, que é um dos principais impulsionadores de mudanças no mercado, segundo avalia o executivo da H.B. Fuller.

Ainda pensando sobre os novos rumos do setor, de acordo com as previsões, os adesivos da próxima geração serão projetados para serem mais fáceis e rápidos de aplicar, otimizando o processo de embalagem, incluindo corte e formatação. Também é esperado um esforço maior da indústria para que sejam mais seguros, minimizando erros de manipulação, como a variação de proporção de mistura. “Essas melhorias contribuirão para tornar os adesivos para laminação mais eficientes, confiáveis e alinhados com as demandas crescentes do mercado por embalagens seguras, sustentáveis e de alto desempenho”, diz Quevedo.

Evolução dos adesivos

De qualquer forma, o momento atual da indústria evidencia muitos avanços. Os adesivos vêm evoluindo constantemente nas últimas duas décadas, juntamente com as embalagens, puxadas pelas inovações, sobretudo promovidas pelos mercados de bebidas, alimentos e ração para pets. Novidades neste sentido vêm dos setores de cosméticos e de produtos de limpeza. Cipro observa que essas indústrias também vêm impulsionando o desenvolvimento de novas tecnologias adesivas de alto desempenho, que não existiam.

Nos anos 2000, os lançamentos de adesivos estavam voltados à questão da segurança da embalagem e contaminação de alimentos. De 2010 em diante, ainda que houvesse atenção a esse ponto, o que direcionou a indústria de adesivos foi a produtividade, com o desenvolvimento de produtos mais eficientes para máquinas de alta velocidade, menor tempo de cura e de melhor rendimento, com menos consumo de solvente.

Entre os avanços mais notáveis dessa evolução, Henrique Araujo, gerente de R&D de Embalagens Flexíveis da H.B. Fuller destaca alguns.

Laminação: Adesivos evoluem e oferecem melhor desempenho técnico e ambiental aos usuários ©QD Foto: iStockPhoto
Araujo: nível de solventes retidos foi muito reduzido

“A sustentabilidade vem na frente, na medida em que os adesivos evoluíram para se tornarem mais ecologicamente responsáveis, com maior enfoque em materiais de fontes renováveis e biodegradáveis”, ratifica.

No quesito segurança alimentar, para ele, os adesivos foram aprimorados para garantir que não houvesse migração de substâncias prejudiciais aos produtos embalados, mantendo a integridade e a qualidade dos alimentos e bebidas. Ezequiel acrescenta que a preocupação em garantir a integridade do alimento do início ao fim, protegendo contra agentes internos e externos, tem na embalagem laminada um papel essencial.

Outro ponto importante, segundo Araujo, diz respeito ao alto desempenho. Os produtos mais modernos passaram a oferecer aderência e resistência superiores, permitindo que as embalagens flexíveis mantivessem sua integridade mesmo sob condições desafiadoras.

A versatilidade também vem pautando os novos desenvolvimentos. Grande parte das novidades tem sido criada para aderir a uma ampla gama de substratos e materiais, possibilitando mais opções para o design e fabricação das embalagens. “Essa evolução contínua dos adesivos para laminação está impulsionando a indústria de embalagens flexíveis a se tornar mais sustentável, eficiente e segura, atendendo às crescentes expectativas dos consumidores e das legislações”, diz Araujo.

Adesivos base água

O uso da tecnologia base água vem ocupando mais espaço no mercado. Desde antes da pandemia, o setor sente a retomada do seu crescimento. Até por isso, na Dow, os adesivos base aquosa da linha Robond L tem sido a solução preferencial para processos de laminações em linha com impressão. Cipro destaca como vantagem a ausência de solvente orgânico na composição, que reduz problemas de qualidade por resíduo de solvente na embalagem. “Outro ganho é que a maioria dos adesivos aquosos são monocomponentes, eliminando problemas de erro de mistura ou necessidade de uso de dosificador”, acrescenta.

A maior parcela do mercado de adesivos base água não tem reação de cura química. Sendo assim, a partir do momento em que o adesivo é aplicado e a água é evaporada, o laminado já está pronto para corte. “Em alguns casos, temos observado o corte sendo feito imediatamente após a laminação, reduzindo o que chamávamos antes de tempo de cura a zero”, comenta Cipro.

Ana também destaca os prazos de entrega consideravelmente mais curtos com relação às tecnologias padrão do mercado, uma vez que não é necessário investir tempo na cura do adesivo. Além disso, ela conta que a tecnologia base água garante maior segurança para os consumidores, pois não existe a possibilidade da migração de componentes tóxicos do adesivo para os alimentos, e para os operadores das máquinas, uma vez que a tecnologia é de baixo VOC (compostos orgânicos voláteis), sem isocianatos aromáticos, por exemplo.

De qualquer forma, o mercado nacional de adesivos base solvente ainda é predominante, sobretudo pelo alto desempenho que os produtos entregam para atender às exigências de segurança dos alimentos envasados, segundo Ezequiel. Ele ressalta que “os adesivos base solvente são constituídos de acetato de etila, que é um solvente seguro, não trazendo riscos no manuseio e nem para os usuários finais do produto”.

Com um custo inicial mais baixo em comparação a outras tecnologias, esse tipo de adesivo se torna mais acessível e compatível com a realidade local. “É um fator importante para empresas que buscam economizar nos custos de produção, principalmente em um país em desenvolvimento como o Brasil”, afirma Ana. Aliás, estudo feito pela Basf revelou que a cadeia de embalagens vê a tecnologia base água como algo para o futuro, e ainda assim pairam dúvidas sobre quando isso vai acontecer devido à necessidade de investimentos em maquinário.

Laminação: Adesivos evoluem e oferecem melhor desempenho técnico e ambiental aos usuários ©QD Foto: iStockPhoto
Embalagens formadas com adesivos da Dow

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Dificuldades dos adesivos para laminação

No entanto, considerando os desafios técnicos que os formuladores enfrentam, os adesivos para laminação de plásticos à base de água saem na frente, pois não apresentam problemas de compatibilidade com as camadas ou migração de solventes. Entretanto, conforme Ana explica, com este tipo de adesivo, o foco é garantir a secagem adequada e na velocidade correta durante o processo de laminação. Isso pode ser superado investindo em máquinas eficientes e sistemas de secagem adequados, assegurando que o adesivo esteja completamente seco e com ótimo desempenho.

Dada a grande variedade de substratos/filmes existentes, disponíveis para laminação, além das incontáveis possibilidades de formulação de filmes fabricados por extrusão, a principal dificuldade, para Cipro, é conceber adesivos que sirvam para cobrir a maior quantidade de combinações e aplicações possíveis. “De fato, também não faz sentido tanto para o fabricante de embalagens como para o fabricante de adesivos ter uma formulação específica para cada combinação de substratos”, afirma. Ele explica que muitos desafios que são observados na indústria de embalagens, na parte de laminação, por essência, estão associados a esse aspecto.

Sobre as questões relacionadas à velocidade de cura, a Dow, por exemplo, em 2013, foi pioneira no conceito fast bond em adesivos sem solvente, com produtos que, em no máximo 8 horas, já apresentavam alta força de laminação, segundo a fabricante. “Depois disso, os adesivos da linha Pacacel incorporaram essa característica como base do portfólio”, comenta Cipro, citando sua família de adesivos sem solventes, lançada globalmente em 2017.

Para dar conta da migração de solvente ou do solvente retido, a indústria dispõe de desenvolvimentos como a tecnologia Robond L, já citada anteriormente pela Dow. “Além de não ter mais esses problemas, o fabricante de embalagem não tem mais que controlar o residual de solvente presente na embalagem”, explica Cipro. Se a laminação for base solvente tradicional, a companhia disponibiliza adesivos da Adcote para serem utilizados com baixa concentração de solvente na diluição, mitigando problemas de solvente retido.

Em suma, a compatibilidade dos adesivos com os substratos para entregar melhor força de laminação, a cura dos adesivos e a migração de substâncias presentes antes da cura completa são pontos cruciais e vistos antes do desenvolvimento de um produto, o que exige a realização de diversos testes para assegurar a qualidade não só do adesivo como também do laminado final. Segundo Ezequiel, garantir produtos seguros, que tragam melhorias para o cliente e que agreguem valor ao negócio é sempre um desafio.

Produtos

Soluções da indústria diante das dificuldades técnicas que envolvem os adesivos para laminação de plásticos não faltam. Araujo explica que o setor avançou muito e já conta com produtos que podem ser utilizados, por exemplo, em altas velocidades, proporcionando excelente aspecto e sem a formação de bolhas.

“Mesmo nos casos em que se utiliza base solvente, os níveis de solvente retido são significativamente reduzidos em comparação com os padrões típicos, mesmo durante laminações em alta velocidade”, reforça. Segundo Araujo, além disso, para a interação com tintas, agentes deslizantes e filmes, existem opções disponíveis para abordar quase todos os desafios encontrados.

Uma solução sem solvente desenvolvida pela H.B.Fuller é o adesivo Flextra SL342 R405, que se destaca por sua alta velocidade de laminação. Além disso, a fabricante aponta que se trata de uma opção ecologicamente consciente, com baixa demanda por derivados do petróleo. “Esse adesivo oferece laudos regulatórios simplificados, encontrando um equilíbrio ideal entre desempenho e produtividade”, afirma. Araujo explica que a formulação assegura excelentes resultados sem comprometer a sustentabilidade, atendendo às necessidades de um mercado em busca de soluções cada vez mais eficientes e eco-friendly.

Para a categoria de produtos base solvente, a companhia desenvolveu o adesivo Flextra SBA1010/XAS2020 (de altíssima performance e aplicação com alto teor de sólidos). O adesivo opera em altas velocidades, estabelecendo os mais baixos níveis de solvente retido no mercado, segundo Araujo. “Sua versatilidade é notável, abrangendo uma ampla gama de aplicações e satisfazendo a maioria das demandas de nossos clientes e usuários como solução única”, afirma.

Além disso, o produto pode ser utilizado tanto como mono quanto bicomponente. A adesão é apresentada como excepcional em poliolefinas e substratos de alta energia superficial, como polietileno tereftalato (PET) e alumínio.

Do portfólio da H.B. Fuller, Araujo destaca como novidade o adesivo Flextra SBA 1010, uma opção base solvente que pode ser aplicada com um sistema adesivo mono e bicomponente. Esse produto é conhecido por sua altíssima performance e atende às conformidades regulatórias. “É uma solução versátil, ideal para diversas aplicações de laminação em embalagens flexíveis que demandam alta resistência à delaminação, bem como resistência ao calor e hot tack após a cura”, explica.

A empresa também divulga o Flextra SBA 5215/ XAS3377, um novo adesivo bicomponente de alta performance desenvolvido para laminação de embalagens flexíveis, em especial, para o setor alimentício. Segundo Araujo, a novidade oferece cura mais rápida, força de laminação otimizada, resistência ao calor e ao amarelecimento, e ainda apresenta ótima resistência térmica e química.

Adesivos para laminação: mais destaques

O lançamento da Dow para a América Latina é a linha de adesivos de laminação sem solvente Pacacel Ren. Segundo Cipro, o produto apresenta vantagens adicionais como o alto conteúdo de matérias-primas de origem renovável e outras características sustentáveis, como a compatibilidade e a compostabilidade industrial.

Derivada da linha de adesivos sem solvente Pacacel, para aplicações de alto desempenho, a novidade serve tanto para laminar as embalagens atuais como para desenvolver novas estruturas monomateriais futuras, pensando em uma Economia Circular. “A próxima tendência tecnológica foca em soluções que colaborem com a sustentabilidade das novas embalagens. Neste sentido, a Dow trouxe para a América Latina a linha Pacacel Ren”, reforça Cipro.

Ana, por sua vez, ratifica que os adesivos de laminação à base de água da linha Epotal, da Basf, são soluções para todas as necessidades e níveis de desempenho exigidos por embalagens flexíveis que prolongam a vida útil e preservam a qualidade dos produtos embalados. Em particular, o Epotal ECO à base de água permite a produção e a compostagem totalmente segura de materiais de embalagem em grandes quantidades, quando usados em combinação com outros materiais de embalagem compostáveis, segundo Ana. “Destaque ao Epotal ECO 3675 certificado pela DIN Certco como aditivo compostável doméstico”, afirma.

Vale mencionar ainda o comprometimento da companhia com a economia circular. Ana conta que até 2030, a Basf pretende dobrar as suas vendas geradas com soluções circulares para 17 bilhões de euros anuais. Para isso, a empresa está se concentrando em três áreas de ação: matérias-primas circulares, novos ciclos de materiais e novos modelos de negócios. A partir de 2025, a ideia é processar 250 mil toneladas métricas de matérias-primas de conteúdo reciclado anualmente, substituindo matérias-primas fósseis.

Voltando aos produtos, uma das principais soluções de destaque da Henkel é o adesivo com altos sólidos para laminação. Os pontos fortes dele referem-se à redução do consumo de solvente e à diminuição do seu uso por parte do cliente, através da menor gramatura e incremento de produtividade. Há também outras vantagens, como a redução de energia e de desperdícios. Ezequiel explica que a empresa está em constante aprimoramento de suas soluções adesivas, acompanhando o cenário e tendências no que se refere à laminação de plásticos e anuncia que, em breve, terá novidades, principalmente, voltadas à sustentabilidade.

No ano fiscal de 2022, as vendas globais da unidade de negócio Adhesive Technologies da Henkel aumentaram nominalmente 16,6% em relação a 2021. “Organicamente, as vendas cresceram 13,2%”, afirma Ezequiel. Em 2022, a companhia atingiu, segundo ele, um crescimento significativo das vendas e um robusto ganho de desempenho em um ano muito desafiador, marcado por um difícil ambiente macroeconômico e geopolítico. “Nós implementamos medidas estratégicas importantes. Conseguimos compensar parcialmente o aumento drástico dos custos de matérias-primas e logística através de melhorias contínuas de eficiência”, explica.

No entanto, independentemente da sua própria gestão, a Henkel prevê, para este último semestre do ano, um crescimento contínuo dos adesivos nos mais diferentes setores industriais, pois, de acordo com Ezequiel, será cada vez maior a procura por produtos mais sustentáveis, tecnológicos e flexíveis.

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