Máquinas e Equipamentos

Adaptação à indústria 4.0 exige desenvolver estratégia adequada

Antonio Carlos Santomauro
6 de outubro de 2018
    -(reset)+

    Planejamento e possibilidades – Difícil imaginar uma empresa, de qualquer segmento industrial, que com um único investimento consiga hoje, de maneira imediata, adequar sua estrutura a todos os padrões da Indústria 4.0. Esse upgrade deve ser paulatino e precedido por um planejamento calcado no diagnóstico das potencialidades, carências e possíveis pontos de melhoria da planta produtiva.

    Plástico Moderno, Faria: empresas devem seguir plano de investimento gradual

    Faria: empresas devem seguir plano de investimento gradual

    Allyson Faria, diretor de marketing na América Latina da Siemens PLM (unidade do grupo internacional que fornece softwares de gerenciamento do ciclo de vida de produtos e de operações de manufatura), fala em algo entre três e cinco anos como um prazo razoável para esse planejamento, denominado road map. “A empresa não pode desperdiçar o que já tem: deve olhar-se internamente e, então, definir um road map, contemplando investimentos graduais para esse prazo”, recomenda.

    O profissional da Siemens ressalta: não é possível definir a priori qual o passo inicial desse programa de investimentos, pois tal decisão depende das necessidades de cada empresa. Mas cita tecnologias capazes de produzir benefícios imediatos, como a simulação e a impressão em 3D, aptas tanto a produções destinadas a atender regulamentações específicas quanto ao desenvolvimento, com custos muito menores, dos protótipos com os quais se pode analisar custos e características de produtos. “Também é possível simular virtualmente toda a linha de produção, unificando as engenharias, detectando gargalos e custos, verificando pontos de melhoria”, acrescenta Faria.

    A Siemens PLM oferece vários produtos concebidos para ambientes de Indústria 4.0: softwares para modelagem 3D; softwares que via computação em nuvem permitem avaliar o que acontece no chão de fábrica; softwares de colaboração, com os quais as empresas podem trabalhar em parceria com os fornecedores em busca das melhores soluções para um projeto, entre outros. “São soluções muito acessíveis, até porque são escaláveis”, destaca Faria.

    Por sua vez, a B&R Automation, integrante do grupo ABB, desenvolveu uma tecnologia denominada Orange Box, com a qual é possível diagnosticar as carências e as potencialidades dos parques tecnológicos das empresas e, a partir daí, projetar melhorias, considerando as informações emitidas pelas próprias máquinas: velocidades dos ciclos, variações de pressão e temperatura, consumo energético, entre outras. Essa tecnologia pode trabalhar tanto com máquinas mais modernas – que muitas vezes já vêm com os recursos para disponibilizar tais informações –, quanto com outras mais antigas, cujos dados podem ser obtidos com o uso de sensores.

    Capturando as informações das várias máquinas, os dispositivos Orange Box possibilitam, entre outras coisas, medir a eficiência de cada uma delas, verificar quais consomem mais ou menos energia, perceber quais estão prestes a apresentar problemas, e a partir daí realizar ações de manutenção preditiva. “Essa tecnologia agrega inteligência aos recursos que a empresa já tem”, destaca Evandro Avancini, diretor da B&R. “E é modular, pode ser instalada inicialmente nas fases onde se imagina que estejam os principais gargalos”, acrescenta.

    Plástico Moderno, Avancini: protocolo OPC UA conversa com sistemas MES

    Avancini: protocolo OPC UA conversa com sistemas MES

    Também se consolidam modalidades comerciais com potencial para tornar mais viável o uso de robôs, gênero de equipamento intrinsecamente associado ao conceito da Indústria 4.0, mas geralmente tido como acessível apenas às empresas detentoras de muitos recursos. Na Pollux, pode-se obter robôs pelo sistema de locação. “Com isso, em vez de investir R$ 300 mil ou R$ 400 mil na compra, pode-se ter um robô na empresa por R$ 7 mil ou R$ 8 mil mensais”, destaca Rizzo.

    Plástico Moderno, Silva: recuperação de energia reduz 25% do consumo em robôs

    Silva: recuperação de energia reduz 25% do consumo em robôs

    Segundo ele, a locação permitiu à companhia expandir seu mercado para além do universo das grandes corporações, com as quais trabalhava anteriormente, e atender também empresas de médio porte, entre elas várias empresas da cadeia do plástico, segmento industrial com presença marcante na região da cidade catarinense de Joinville, onde está sediada a própria Pollux. “Recentemente negociamos um robô manipulador com um fabricante de tubos e estamos negociando um robô móvel com uma empresa de autopeças plásticas”, diz Rizzo. “Mas também vêm barateando muito outros custos relacionados à indústria 4.0, como os custos de sensores e da computação nas nuvens”, complementa.

    Além dos robôs para colocar, retirar ou transportar produtos, outras soluções podem automatizar os processos dos transformadores de plástico. A Stäubli, por exemplo, disponibiliza um sistema para troca automática de moldes sem a intervenção de operadores: ele inclui mesa e sistemas para conexões de energia, fixação do molde (por grampo hidráulico ou placa magnética), travamento do molde e conexão do extrator. “No Brasil, já fornecemos sistemas capazes de efetuar automaticamente a troca de moldes de até 50 toneladas em menos de dois minutos, com tempo total de set-up (da última peça de um lote até a primeira peça do lote seguinte) inferior a quatro minutos. No exterior, já fornecemos sistemas ainda maiores”, conta Marcelo Magdaloni Silva, diretor geral da Stäubli no Brasil.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *