Acrílicos – Aprimoradas, as resinas expandem aplicações

Resinas acirram a disputa com o poliestireno e opolicarbonato e elevam o consumo do polimetacrilato de metila

Acrílicos com resistência dobrada ao impacto e alta fluidez no processamento por injeção prometem expandir o consumo das resinas de polimetacrilato de metila (PMMA) no mercado brasileiro, inicialmente em aplicações automotivas.

As chances de ter seu uso homologado ainda neste ano para a fabricação de lentes de lanternas traseiras de grandes veículos são muito boas, com probabilidade de as novas aplicações serem conferidas a partir de junho nas versões 2008 de vários modelos de pick-ups, ônibus e caminhões.

Das 4.500 toneladas de PMMA consumidas no País em 2006, volume que permanece praticamente estável desde 2004, 75% são injetadas para a produção de componentes automotivos.

Com o aprimoramento das resinas, produtores renovam a expectativa de alcançar maior consumo em 2007, resgatando a competitividade dos acrílicos em relação a outros materiais, como o poliestireno (PS) e o policarbonato (PC).

Na avaliação de Danilo Trevisan, gerente-comercial da Resarbras, empresa do grupo nacional Unigel, líder no fornecimento de acrílicos para o setor automotivo, com 75% de participação nesse negócio, as montadoras só têm a ganhar com benefícios como redução de custos e aumento de produtividade.

O novo grade desenvolvido pela empresa substitui o policarbonato, material mais dispendioso, nas lentes de lanternas para veículos de grande porte e elimina a pintura anti-risco, necessária às lanternas fabricadas em PC.

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Dobrou a resistência ao impacto do polímero para utilidade doméstica

Com fábricas locais de resinas de policarbonato (PC) e de PMMA, o grupo se posiciona bem à vontade para recomendar a melhor solução para cada cliente.

Plástico Moderno, Danilo Trevisan, gerente-comercial da Resarbras, Acrílicos - Aprimoradas, as resinas expandem aplicações, acirram a disputa com o poliestireno e opolicarbonato e elevamo consumo do polimetacrilato de metila
Trevisan: acrílico substitui com vatagens o PC e o PS

“A nossa grande preocupação é tornar o produto viável ao uso final e, para isso, não somos apenas fornecedores de PC ou PMMA, mas sim provedores de soluções”, afirmou Trevisan.

Para conquistar maior competitividade e enfrentar concorrência com o poliestireno, que avança sobre os mercados também disputados pelos acrílicos, o grupo Unigel realizou investimentos de grande monta em busca de inovações tecnológicas.

Dois anos atrás, a Resarbras lançou uma nova resina 20% mais resistente ao impacto, elevando de 15 jaules/m para 18 jaules/m a resistência do material para emprego na fabricação de utilidades domésticas

Para atender aos exigentes parâmetros das aplicações automotivas, a empresa quase dobrou a resistência, atingindo 30 jaules/m.

O uso automotivo constitui uma das principais fontes das resinas acrílicas. Valorizadas pela alta transparência, superior à do vidro, as resinas acrílicas conquistaram reconhecimento em lentes de lanternas traseiras há um bom tempo.

O setor automotivo chega a consumir 75% do volume total utilizado pelo mercado brasileiro, equivalente, em 2006, a 4.500 toneladas.

As novas resinas também prometem benefícios para as lentes dos painéis de instrumentos e para todos os pontos de luz internos, de acendimento automático, presentes em qualquer veículo, conhecidos como iluminação de cortesia.

Outro mercado ávido por maior resistência ao impacto é o de utilidades domésticas. Segunda maior aplicação das resinas acrílicas, esse ramo de atividade abocanha 15% do volume total consumido no País e, ao que contam os especialistas, não deverá se contentar apenas com essa fatia.

Questão de segurança – Confirmando tendência sinalizada pelo mercado internacional, é cada vez mais intenso o uso das resinas acrílicas em utilidades para o lar, uma vez que oferecem maior segurança ao substituir o vidro.

Por isso, experiências bem-sucedidas no ramo de injeção do acrílico são relatadas com freqüência. Uma delas é a Kaballa Acrylic Products, de Flores da Cunha–RS.

Fundada em 2001, inicialmente como prestadora de serviços de injeção, a empresa lançou quatro anos depois, em parceria com a Martiplast, marca própria de utilidades domésticas em acrílico, compondo mais de 30 produtos, entre copos, canecas, jarras, taças e demais utensílios de mesa.

“Podemos afirmar que, com o lançamento de produtos acrílicos com marca própria, iniciamos um novo ciclo de vida empresarial e nos surpreendemos com a alta receptividade do mercado”, afirmou Jones Pellini, gerente de marketing e desenvolvimento de novos produtos.

“Como o acrílico é excelente para conservar produtos gelados, também enxergamos oportunidades nesse setor e nos especializamos na fabricação de peças de paredes grossas e com fundo super-resistente”, ressaltou Pellini. Comparável ao cristal, o acrílico ainda conta com atributos de leveza, durabilidade, segurança de uso e menor preço.

Vez por outra, porém, os fabricantes desse setor enfrentam a concorrência com os injetados em poliestireno. “Não é raro encontrarmos empresas que copiam nossos produtos, injetam poliestireno, mas afirmam que é acrílico. Na verdade, estão fazendo propaganda enganosa, pois o poliestireno não tem as mesmas propriedades do acrílico e, por isso, disputam mercados conosco, podendo apresentar preços diferenciados”, reclamou Pellini.

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Banheiras ganham maior brilho e durabiliadade

Na visão do empresário, o cenário do acrílico ficaria bem mais atrativo se o poder de compra da população aumentasse e também se pudesse contar com regras promovendo a competição de igual para igual entre os produtos nacionais e os importados.

Na opinião de Trevisan, há boas razões para se acreditar no crescimento do acrílico no mercado brasileiro em 2007 e nos próximos anos.

As esperadas taxas de crescimento da indústria automotiva, somadas aos resultados das vendas do setor de utilidades domésticas, devem aquecer as vendas de resinas e contribuir para aumentar em 10% o mercado de acrílicos em 2007.

A resistência ao impacto, no entanto, não foi o único atributo aprimorado nessa temporada. Novas resinas para aplicações em embalagens cosméticas propiciam o efeito frost, impedindo marcas deixadas pelas impressões digitais após o manuseio.

Acompanhando a alta do mercado de resinas acrílicas, o mercado de chapas desse material também cresce ao ritmo de 7% ao ano, com perspectivas de repetir esse resultado até 2010, de acordo com projeções do setor. Em 2006, o consumo atingiu 6.600 toneladas.

Em relação ao passado, o perfil de consumo vem mudando. As chapas extrudadas apresentam níveis de crescimento bem superiores aos das chapas fundidas, do tipo cell casting (células fundidas). Segundo Trevisan, o mercado de chapas extrudadas cresce cerca de 40% ao ano.

Embora ainda correspondam à menor fatia (20%) do mercado total, dominado pelas chapas do tipo cast (80%), o segmento de chapas extrudadas passou a contar com produção local do grupo Unigel só em 2001, o que significa ter pela frente muito ainda a explorar no rumo de novas expansões.

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Acríclicos espelhados retomam escala de produção industrial

Bom exemplo fica por conta do sucesso das chapas extrudadas em alguns mercados, como o de banheiras, cujo crescimento dobra a cada ano, conforme observado nos últimos três anos, como atestam a Resarbras e a Ouro Fino Indústria de Plásticos Reforçados, de Ribeirão Pires–SP.

Com capacidade para termoformar 2.500 banheiras por turno/dia, fabricadas em mais de cem modelos e tamanhos diferentes, a empresa até poderia cogitar uma mudança de nome, incluindo o acrílico em sua razão social.

Por razões históricas, entretanto, a Ouro Fino, fundada na década de 70, iniciou a produção de banheiras de plástico reforçado com fibra de vidro (PRFV), mantidas até hoje, mas em menores proporções no contexto geral da produção da empresa, que, definitivamente, enveredou pelo caminho de termoformar chapas desde 1987, experiência consolidada ao longo desses anos e hoje equivalente a 70% da produção.

“No mundo todo se usa acrílico para produzir banheiras com grandes vantagens quanto à durabilidade, brilho e facilidade de limpeza, sendo esse o material que mais se assemelha, na aparência, às cerâmicas que eram utilizadas para fabricar as banheiras de antigamente”, considerou Demétrio Cabello, diretor-comercial da Ouro Fino.

Os altos índices de produtividade da termoformagem das chapas acrílicas, aliás, foram determinantes para a evolução da produção e das vendas. Enquanto são necessários apenas dez minutos para termoformar uma banheira de acrílico, com PRFV são consumidas pelo menos cinco horas de trabalho.

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Chapas extrusoras são grandes aposta da Degussa

“É claro que depois de termoformar será preciso laminar a camada de reforço em fibra de vidro e montar todos os acessórios, mas, mesmo assim, a produção total será finalizada em apenas uma hora”, afirmou Cabello.

Abastecendo a produção em grande parte (80%) com chapas nacionais, o empresário também recorre às importadas toda vez que necessita de chapas com maiores dimensões, em geral 2,5 m x 2,5 m, para produzir, por exemplo, grandes banheiras que comportam até onze pessoas (spas).

Como diferenciais dos modelos, que vão dos convencionais até itens para hidromassagem e duchas verticais, a Ouro Fino oferece ao mercado produtos com proteção antibacteriana, estendendo a garantia de durabilidade do brilho do acrílico para dez anos aos usuários.

Chapa melhora desempenho – Especialmente para esse segmento também estão aportando no mercado novidades concebidas pela Resarbras, como a linha de chapas Semsacryl, que permitem moldagens sob menor temperatura, ao redor de 160oC – antes, eram necessários entre 190oC até 200oC.

Portanto, além de termoformar com menor gasto de energia, o transformador poderá contar com a propriedade do alto estiramento das novas chapas, o que permitirá concluir a termoformagem em ciclos mais rápidos.

Entre os novos desenvolvimentos da empresa também estão as chapas extrudadas para aplicação em janelas fixas de veículos (ônibus, trens e metrôs), bem como em visores de máquinas e peças para equipamentos eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

Poucos meses atrás, a empresa também lançou chapas para aplicações náuticas, como visores e janelas de embarcações, outro mercado bastante interessante e que cresce 6% ao ano.

“A grande qualidade das novas chapas para aplicações náuticas é resistir às vibrações intensas devidas ao movimento das águas no mar”, afirmou Trevisan. Outro ponto forte do novo material é a sua resistência química e aos raios UV, neste último caso, contando com garantia de durabilidade de dez anos, assegurada pelo fabricante.

Mercado que também promete bons níveis de crescimento em 2007 é o de chapas extrudadas espelhadas. Em parceria com a Resarbras, a RPM realiza o espelhamento das chapas acrílicas extrudadas, material com forte apelo de segurança em comparação ao vidro, e que representa a metade do peso de um espelho de vidro convencional.

A tecnologia de espelhamento do acrílico em escala industrial, realizada por processo de alto vácuo, foi abraçada pela RPM em 2004.

Bastante difundido na Europa e nos Estados Unidos, o espelhamento ou metalização, como também é conhecido o processo, substituiu a cromeação, considerada altamente poluente.

“A metalização do acrílico por alto vácuo é totalmente ecológica, a poluição é zero e só se trabalha sob vácuo, depositando-se o alumínio sobre as chapas acrílicas da mesma forma como são produzidos os CDs”, afirmou Mauro Casella, diretor da RPM.

Há anos, os acrílicos espelhados conquistaram aplicações como retrovisores automotivos, displays promocionais, painéis, espelhos em geral, substituindo o vidro. Segundo o fabricante, as peças não oxidam, não embaçam e não descolam, graças a um revestimento aplicado sobre toda a camada do espelhamento.

Para Casella, o único inconveniente das chapas acrílicas espelhadas é a sua baixa resistência à abrasão, sendo recomendados cuidados durante a limpeza.

A atual capacidade da RPM, atinge 10 mil m²/mês de chapas acrílicas espelhadas. Porém, seria possível aumentar rapidamente essa quantidade caso os usuários brasileiros substituíssem as chapas espelhadas importadas pelo produto nacional.

Chapas acrílicas inovadoras – Como grande fornecedora global do mercado de lentes para painéis de instrumentos, a Degussa também acompanha passo a passo a evolução dos acrílicos em várias partes do mundo.

Segundo Ana Paula de A. Nakajato, responsável por vendas técnicas de polímeros acrílicos da Degussa Brasil, esse segmento estaria crescendo em torno de 10% ao ano, no País, percentual que se repete pelo menos nos últimos três anos.

“O acrílico apresenta maiores ganhos de processabilidade em comparação com outros materiais transparentes, como o policarbonato, requer temperaturas mais baixas para fundir e apresenta diferentes níveis de fluidez, em geral entre 2 gramas por minuto até 40 gramas por dez minutos, além de apresentar resistência mecânica superior à do vidro, e transparência medida pelo índice de transmissão de luz de 92%, superior à do vidro (89%) e também à do policarbonato (83%), não perdendo essa propriedade mesmo quando se trata de grandes espessuras”, informou Ana Paula.

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Chapas acrílicas se transformam em vasto leque de produtos promocionais e ponto-de-venda

Ana Paula acredita que os materiais produzidos pela Degussa, com fábricas de acrílicos nos Estados Unidos e na Alemanha, encontram-se bem colocados globalmente em aplicações de grande exigência quanto à qualidade, como lentes de visores de celulares, utilidades domésticas, entre várias outras.

Para conquistar o mercado brasileiro, no entanto, o foco das ações da empresa neste ano estará voltado à divulgação da linha de chapas acrílicas extrudadas Acrylite, principalmente entre arquitetos, decoradores e transformadores. Produzida em 17 versões, essa linha permite cortes, furos, dobras a quente e polimentos, tendo elevado em 74% as vendas globais da Degussa nesse segmento.

“O Brasil é um mercado bastante interessante pelo consumo anual de cerca de 7 mil toneladas de chapas acrílicas, sendo que a demanda entre os setores de decoração e design cresce a cada ano. Pretendemos atingir esses segmentos com produtos de alta qualidade e diferenciais quanto a texturas, padrões, cores, formatos e acabamentos”, afirmou.

Entre as novidades da nova linha, destacam-se as chapas com 3 mm de espessura que possuem impressão com acabamento metalizado. Refletindo a luz e brilhando como metal em tons de prata, essas chapas foram desenvolvidas para emprego em elementos decorativos, móveis, luminárias e vitrines, entre outros produtos.
Outras inovações ficam por conta das chapas transparentes, também produzidas em tons de cinza claro e escuro, para retroprojeção de imagens em apoio a palestras, apresentações, conferências e eventos em geral.

A linha ainda inclui chapas fluorescentes nas cores vermelha, laranja, amarela, verde, vermelho alaranjado e azul; chapas apropriadas para anúncios; chapas texturizadas em um único ou ambos os lados, desenvolvidas para painéis, biombos, gabinetes e componentes do mobiliário; chapas corrugadas para uso em coberturas; e chapas anti-risco revestidas, resistentes à abrasão, e com uso recomendado em lentes de painéis de instrumentos.

Textura nacional – A experiência de fabricar e exportar circuitos impressos flexíveis de poliéster para a indústria automotiva foi de grande valia para Jayme Tanisho, diretor-geral da Acrillaser, ingressar com o pé direito, nove anos atrás, no ramo de chapas acrílicas. Cast ou extrudadas, esses materiais na Acrillaser, de São Paulo, transformam-se em luminárias, difusores de luz, expositores, troféus, itens promocionais, peças para comunicação visual e os mais diversos mostruários para pontos-de-venda, como porta-celulares, porta-cigarros, porta-cosméticos e porta-vinhos, todos para grandes marcas.

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Luminárias criadas por brasileiro foram premiadas

Além de fabricar sob encomenda, o empresário pretende abrir nova frente de trabalho e está prestes a lançar marca própria de utensílios em acrílico para decoração de residências e escritórios.

As primeiras peças dão uma ligeira noção do vasto campo a ser explorado pelas chapas acrílicas nesse segmento: porta-escovas de dentes, porta-retratos, porta-guardanapos, porta-chás, porta-objetos, e até objetos de decoração sazonal, como árvores de Natal, de grande efeito visual, pelo uso de cores fosforescentes e texturas criativas.

Transformando em torno de 300 toneladas/ano de chapas acrílicas, Tanisho provou confiar na beleza da resina como indutor de vendas. Entre as últimas novidades, ele apresenta ao mercado chapas acrílicas desenhadas e texturizadas. O processo é simples, segundo ele.

Parte-se de uma idéia, transposta para programas de CAD ou para o Corel Draw, depois instalados nas máquinas de corte e gravação a laser. “Acreditamos que, com o lançamento de marca própria de produtos, poderemos distribuir melhor nossos recursos, equilibrar melhor as sazonalidades e evitar grandes correrias típicas de fim de ano”, considerou.

A área fabril hoje conta com nove máquinas de corte e gravação a laser. Tanisho destaca a mais nova aquisição da empresa: um equipamento italiano com alta precisão de corte, instalado no final de 2006, com potência de 1.000 watts, que conta com recursos para gravação e texturização a laser de chapas acrílicas extrudadas em grandes formatos, com largura de 1,60 m e comprimento de 3 m.

Na Europa, esse tipo de equipamento, que custou mais de R$ 1 milhão, é bastante utilizado nos setores têxtil e de couros.

Plástico Moderno, Jayme Tanisho, diretor-geral da Acrillaser, Acrílicos - Aprimoradas, as resinas expandem aplicações, acirram a disputa com o poliestireno e opolicarbonato e elevamo consumo do polimetacrilato de metila
Tanisho aposta em marca própria para ampliar os negócios

“O nosso principal negócio continuará voltado para o acrílico, mas acredito que possamos também começar a atuar em outros segmentos”, afirmou Tanisho, considerando a alta produtividade desses equipamentos.

A partir de março, nova máquina de corte a laser deverá entrar em operação. Trata-se de mais um equipamento com tecnologia italiana, capaz de cortar chapas acrílicas com espessuras mais grossas, até 24 mm, em geral solicitadas pelo setor calçadista, nas encomendas de plataformas de acrílico para sapatos femininos, como também necessárias a alguns expositores, como porta-vinhos.

“Vamos experimentar nos próximos meses quais serão os segmentos de maior demanda, mas acredito que, dentro de três a cinco anos, teremos retorno dos nossos últimos investimentos”, considerou o empresário.

Recém-instalada em Barueri–SP, em terreno de 2.800 m², após mudar-se de Osasco, onde ocupava área de 450 m², a empresa está sendo preparada por Tanisho e seu sócio Luiz Hernandez para a próxima fase de crescimento. Os proprietários da Acrillaser acabaram de adquirir novo terreno em Itapevi–SP, de 25 mil m², para onde planejam a próxima mudança, daqui há dois anos.

Nas passarelas – O acrílico é fonte de inspiração para profissionais da arquitetura, decoração e das artes plásticas.

Nas mãos do artista plástico José Marton, empresário da Marton&Marton, o acrílico se transformou em peças de iluminação consagradas na categoria IF Awards, em 2006, pela IF Design, associação alemã que premia, desde 1954, os mais belos objetos de design criados no mundo todo.

As duas luminárias premiadas pertencem à série Entrelinhas. Foram produzidas com chapas cast e resultaram em acrílicos listrados, inéditos no mundo e, por isso, alvo de patente registrada pelo artista brasileiro.

Natural de Catanduva-SP, Marton começou a se envolver com o material em 1990, utilizando-o em lugar do vidro, principalmente para proteger gravuras para exportação. Sete anos depois, começou a usinar o acrílico, e, em 2000, criou seu primeiro cenário feito com a resina para a passarela do desfile da Cia. Marítima, no Morumbi Fashion Week. Para construí-lo, Marton usou mais de uma tonelada de acrílico.

Não parou mais de criar conceitos cenográficos de acrílico para desfiles e vitrines para decoração e arquitetura de lojas para grandes grifes nacionais e internacionais, assinando cerca de 200 projetos a cada semestre.

No último São Paulo Fashion Week, criou quatro cenários: para a Zoomp, Iódice, Triton e Cori. Para a Zoomp, usou 800 quilos de acrílico espelhado na cor cobre. Para a Iódice, também foram empregados 800 quilos de acrílico cristal, nas versões fumê e colorida.

A boca de cena da passarela da Triton foi toda confeccionada em acrílico espelhado. E para a Cori criou paredes acrílicas espelhadas na cor fumê.

Segundo acredita Marton, a visão artística impulsionou os negócios no ramo do acrílico. “O acrílico já foi taxado de material vulgar e caro, mas hoje está no topo e integra as principais tendências para decoração de cenários, crescendo também o seu emprego em objetos, peças de iluminação, divisórias e móveis”, considerou.

Novidades em cast – O mercado brasileiro ainda está longe de absorver a capacidade de produção nacional de chapas cell casting (cast). Nem por isso, os empresários arrefecem os investimentos, como ocorre na Castcrill.

Criada há apenas dois anos, mas com os direitos de fabricação e comercialização das chapas Dicopesa, marca conhecida há treze anos, a companhia é considerada a segunda maior produtora de chapas cast do País.

Além de possuir unidade em Guarulhos-SP, onde podem ser produzidas até 150 toneladas/mês de chapas cast de várias espessuras e dimensões por processo manual, a empresa colocou recentemente em operação em Cajamar-SP, um dos empreendimentos mais modernos voltados à produção de chapas cast pelo processo de polimerização de resinas por autoclave.

Dimensionada para produzir até 150 toneladas/mês de chapas cast na medida-padrão de 2 m x 3 m, esta última fábrica foi dotada de várias autoclaves, cada qual comportando a produção de 80 chapas por batelada.
Entre cores, espessuras e tamanhos, as duas fábricas juntas somam produção de 300 toneladas/mês, atingindo até 16 mil itens.

“O mercado brasileiro ainda é pouco explorado, mas tem potencial enorme de crescimento para as chapas acrílicas”, considerou Eduardo Mendonça Assis Baptista, diretor-superintendente da Castcrill.

As chapas acrílicas nacionais só não podem continuar perdendo competitividade perante as importadas.

A situação se agravou em 2006 por causa da queda do dólar, favorecendo a entrada de produtos do exterior, principalmente dos Estados Unidos, Tailândia e China, a preços muitas vezes inferiores aos nacionais, entre 10% e 15% mais baixos.

Para Baptista, as chapas acrílicas estão se expandindo em vários setores. No mobiliário, o consumo em 2006 chegou a 700 toneladas, principalmente pelo avanço das chapas “acidadas”, como se tornaram conhecidas as chapas com um lado brilhante e outro fosco e assim denominadas pela semelhança com o vidro “acidado”.

Essas peças estão sendo cada vez mais utilizadas em portas para mobiliários.

Em calçados femininos, coleções assinadas por grandes estilistas da atualidade destacaram o acrílico como o material preferido pela transparência em plataformas de calçados e na fabricação dos sapatos por inteiro.

As chapas acrílicas também se evidenciam como elementos de decoração. Atenta a esse segmento, a empresa está desenvolvendo uma nova linha de chapas fluorescentes opacas, inicialmente em sete cores.

O efeito fluorescente opaco é obtido pelo uso de pigmento e não envolve corante, como é comum no mercado. Sensível à luz UV, o pigmento fluorescente, porém, limita o emprego das chapas ao uso interno.

Outra novidade da Castcrill são as chapas listradas. Criadas em parceria com a Marton&Marton, esses materiais deverão compôr objetos, divisórias, entre outros elementos criados para a decoração de ambientes.

“Cerca de 80% da demanda atual é por chapas cast do tipo cristal e na cor branca, mas procuramos atender a todas as empresas que buscam a diferenciação e querem que seus produtos chamem mais a atenção do público nos pontos-de-venda”, afirmou Baptista.

Apoio do Indac – Pelo menos nove empresas brasileiras estarão participando de um programa de visitas às indústrias de transformação de chapas acrílicas na Itália, de 4 a 12 de maio próximo.

A iniciativa é fruto de um convênio, firmado entre o Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico (Indac) e a Confederação Italiana da Pequena e Média Indústria (Confapi), que objetiva viabilizar e incrementar novos negócios, inserindo empresários no campo das exportações.

Plástico Moderno, João Orlando, consultor-executivo do Indac, Acrílicos - Aprimoradas, as resinas expandem aplicações, acirram a disputa com o poliestireno e opolicarbonato e elevamo consumo do polimetacrilato de metila
Orlando pretende instalar no Senai máquina de corte a laser

“O Brasil tem tecnologia e profissionais para produzir, enquanto a Itália é reconhecida pela exportação de design”, comentou João Orlando, consultor-executivo do Indac.

Experiências desse tipo, contando com parcerias de indústrias italianas, já são desenvolvidas na China e na Rússia.

Estimadas pelo instituto, existiriam hoje mais de 800 empresas brasileiras de transformação de chapas acrílicas, enquanto o número de profissionais qualificados é avaliado em 12 mil. Em apoio aos fabricantes, as atividades do Indac são ainda mais amplas.

O instituto mantém há cinco anos parceria com o Senai para a realização de cursos e oficinas que ensinam a transformar chapas, na unidade “Mário Amato”, em São Bernardo do Campo-SP.

“O nosso projeto educacional prevê a instalação, ainda neste ano, de uma máquina de corte (router) de chapas acrílicas, e de equipamento para corte a laser, na unidade do Senai”, antecipou Orlando.

O Indac também elabora e divulga aos associados, a cada quatro meses, comparativo de preços de materiais concorrentes, como policarbonato, poliestireno, PET-G e lona.

Outro programa muito importante para conservar a boa imagem do setor perante o mercado é o que avalia, a cada seis meses, a qualidade das chapas produzidas pelos associados.

Assim, amostras de chapas são enviadas ao departamento de materiais da Universidade de São Carlos-SP para análises de desempenho após terem sido submetidas a duas normas brasileiras: a NBR-ISO 7823-1, para chapas fundidas (cast) e a NBR-ISO 7823-2, para extrudadas.

Essas avaliações e os conseqüentes laudos de conformidade começaram a ser valorizados no mercado brasileiro, principalmente entre os usuários que fazem uso constante de chapas acrílicas, como instituições bancárias que reconheceram nesses materiais a melhor alternativa para compôr os expositores (displays) de propagandas internas, consideradas eficientes mídias para a comunicação com os clientes.

Unigel triplica sua produção de chapas

Há mais de quatro décadas, o grupo Unigel, considerado hoje uma transnacional do acrílico, iniciou suas atividades, transformando-se num complexo químico integrado que fatura US$ 800 milhões ao ano.

Destacada recentemente entre os dez maiores exportadores do setor químico brasileiro, segundo classificação da Abiquim, a holding tem sob seu controle sete empresas – seis instaladas no Brasil e uma no México – dedicadas aos setores químico, plástico, fertilizantes e embalagens.

Ao adquirir, em 2006, a tradicional empresa mexicana Plastiglas, líder no fornecimento de chapas fundidas (cast) para toda a América do Norte, com produção voltada a atender não só aos mercados norte-americano, canadense e mexicano, como também o europeu e o asiático, o grupo Unigel mais que triplicou sua capacidade de produzir chapas acrílicas cast no continente americano, ao incluir, além das 6 mil t/ano produzidas no Brasil, outras 15 mil t/ano fabricados no México, totalizando 21 mil t/ano.

A maior fatia do faturamento do grupo advém do braço químico (US$ 332 milhões), integrado pelas empresas Acrinor, Proquigel e Companhia Brasileira de Estireno (CBE), responsáveis pela produção de acrilatos, acrilonitrila, estireno e metacrilatos.

Em Camaçari-BA, a Acrinor é a única empresa a produzir acrilonitrila em todo o Hemisfério Sul. São 90 mil toneladas ao ano de acrilonitrila, monômero para a fabricação de fibras acrílicas, também utilizado na produção de resinas copolímeras, ABS e SAN.

Também na Bahia, em Candeias, a Proquigel foi pioneira na produção de metacrilato de metila (MMA) no País, ainda na década de 70, destacando-se hoje como a única produtora da América Latina.

Instalada desde 1978, a Resarbras fabrica, igualmente na Bahia, 6 mil toneladas/ano de chapas acrílicas fundidas (cast) e mais 10 mil t/ano de chapas acrílicas extrudadas, além de 15 mil t/ano de resinas de polimetacrilato de metila (PMMA).

Tais volumes rendem à Resarbras posições destacadas, sendo hoje a única produtora nacional da resina de PMMA, única também em chapas acrílicas extrudadas e única a produzir filmes acrílicos, assumindo ainda a liderança na produção de chapas cast, com fornecimento para as indústrias automotiva, náutica, aeronáutica, construção civil, decoração, mobiliário, iluminação, entre outras.

Em Cubatão-SP, a CBE, considerada pioneira na produção do monômero de estireno em todo o Hemisfério Sul, fornece atualmente 122 mil t/ano de etilbenzeno e 120 mil t/ano do monômero de estireno, para atender às produções de PS, EPS, ABS, SAN, SBR e resinas de poliéster.

O segundo maior faturamento (US$ 154 milhões) advém da atuação das empresas Polo, Engepack e Latapack, fornecedoras do setor de embalagens, enquanto a terceira maior fatia (US$ 135 milhões) fica com duas empresas dedicadas ao setor plástico, a Resarbras e a Policarbonatos, responsáveis pela produção de resinas de policarbonato, acrílicas, chapas acrílicas e blendas.

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Um Comentário

  1. gostara de saber como que faço para , obter mais informações sobre o trabalho com acrílicos e plásticos, pois estou querendo fabricar peças de motos (lentes personalizadas,setas, etc…) preciso saber sobre os plásticos ande comprar atacado, e queria saber aonde compra o acrílico( tipo olho de gato usado em lanternas automotivas , olho de gato para bicicletas)pois estou iniciando o processo de pesquisa.

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